Forbidden Love
3 Capítulo II
Notas iniciais
Se eu dissesse que consegui aproveitar devidamente os anseios de uma mulher naquela noite, seria blasfêmia. Já fora difícil o suficiente ficar encarregado do deslocamento e segurança da Rainha Isabella, agora fora incumbido de realizar o mesmo por sua filha, a princesa e futura Rainha da Suécia.
Eu nunca negaria um pedido do Rei, mas sabia que aquilo implicava riscos. E grandes. Principalmente quando uma guerra poderia ser travada, e o motivo dela seria o sequestro ou morte do tesouro do reino inglês.
Mal toquei no desjejum, a ansiedade era maior do que a fome. Vieram logo cedo anunciar que a princesa estaria pronta ao anoitecer para partir, assim como as carruagens. Realizar boa parte do trajeto por terra, aumentava imensuravelmente as chances de um ataque, uma emboscada. Estaríamos a mercê de qualquer bandido e mal intencionado que cruzasse nosso caminho. Apesar das tropas de cavaleiros e escudeiros ingleses serem de extrema confiança e competência, fatalidades sempre poderiam acontecer.
Passei o resto do dia organizando os homens, passando ordens e descarregando meu nervosismo num boneco de madeira. Minha espada, se não fosse forjada pelo melhor metal do reino, certamente estaria em pedaços. Quando anoiteceu, cada cavaleiro tomou seus postos. Alguns partiram horas antes do anoitecer, para abrir caminho e remediar qualquer percalço que pudesse aparecer.
Encontrei o Rei e a Rainha, parados um do lado do outro, nos fundos do castelo. Aquela era uma saída de emergência, que apenas a família real tinha acesso. Á nossa frente, uma carruagem de aparência simples, mas que parecia proporcionar conforto á seus passageiros. Edward pôs a mão em meu ombro direito. Ele sempre fazia aquilo quando queria dizer que confiava em alguém. Já a Rainha Bella, quebrou o protocolo da realeza e depositou em minhas bochechas um beijo.
– Prometa que minha filha esteja segura. Sempre. – ela sorriu.
– Alguma vez eu já deixei de cumprir minhas promessas? – perguntei, sabendo que ela apenas negaria com a cabeça, voltaria novamente para os braços de Edward.
O Rei da Inglaterra, inflou o peito e olhou acima de meu ombro. Ela estava vindo. Eles queriam tanto que tudo acontecesse na surdina, que eu sequer ouvi seus passos. Me prontifiquei ao lado da carruagem, esperando apenas a despedida acontecer.
Rapidamente a princesa foi escoltada por quatro damas vestidas parecidamente com azul claro. Eu nunca virá a princesa, mas imaginei-a de uma perfeição sublime. Deveria ser uma graça aos olhos, e um acalento para o coração. Lembro-me apenas de vê-la uma vez quando bebê, antes de ser tirada dos braços da mãe e enviada ao convento francês. Olhos castanhos claro, cabelos morenos como os da mãe, e com as bochechas coradas que denunciavam a boa saúde.
Estava escuro, e havia pouca iluminação, mas tive um vislumbre de sua senhoria quando pousou a mão enluvada em cima da minha para subir na carruagem. Vestia um vestido marrom, com detalhes em dourado, os escuros estavam presos, e um tule da mesma cor da vestimenta cobria seu rosto. No pescoço, uma fina gargantilha de ouro sustentava o “R” feito de pérolas. Princesa Renesmee manteve o olhar baixo, nos pés. Não olhou para ninguém, e sequer virou a cabeça para olhar uma última vez para os pais.
– Princesa Renesmee – apertei levemente sua mão, trazendo sua atenção para mim. Notei que ela encarou-me assustada — Prometo servi-lhe com minha vida.
Afrouxei o aperto e com um aceno de cabeça entrou na carruagem. Soltei o ar, eu nem havia percebido que o tinha preso dentro de meus pulmões. Eu precisava que a princesa confiasse em mim, isso facilitaria o trabalho. Três damas entraram na carruagem de trás, enquanto apenas uma preparava-se para ir junto com a princesa.
Até então, ela teria passado-me despercebida, se não fosse pela forma singela como olhou-me, e pelo sorriso sincero que estampou no lábios. A dama não deveria passar de 1,65 de altura, cabelos cacheados cor de mel desciam trançados por cima do ombro, e quase tocavam seu quadril, a boca rosada e carnuda, fez-me querer saber seu nome. E aqueles olhos, de um verde profundo, com nuances castanho. O vestido azul turquesa, destoava-se um pouco das demais moças, e fazia sua pele ressaltar a luz do luar.
Sua mão não estava enluvada, e pude ter a deliciosa sensação de ter sua mão tocando na minha. Estava suada, parecia nervosa. Não tirei sua razão, aquela viagem era perigosa tanto para mim, como para ela e qualquer outro que embarcasse junto. Antes de deixá-la entrar na carruagem, segurei mais firme sua mãe, igual fiz com a princesa Renesmee. Só que desta vez minha intenção não era prestar serviço, e sim prolongar aquele momento
– Boa noite, minha senhora. – curvei-me em sinal de respeito.
– Boa noite...- era claro que ela não sabia quem eu era, devia ter passado boa parte da vida junto da princesa no convento francês, por isso me aprumei em responder-lhe devidamente.
– Conde de Pembroke, madame.
– O seu real nome. – audaciosa, ela olhou-me divertindo-se dos meus encantos.
– Jacob Black.
A dama assentiu, e tentou voltar para dentro da carruagem, mas eu não deixaria ir sem antes ter conhecimento de sua graça.
– E vosmecê? Dar-me-ia a honra de sua graça?
– Milade Bouvié.
– Hum, francesa.
– oui! — ela riu.
– E por acaso, Milade Bouvié, dar-me-ia seu real nome? – ela soltou minha mão, pegou nas grossas saias do vestido e as ergueu até seu sapato preto aparecer.
– Uma dama nunca revela seu verdadeiro nome a um desconhecido. – sua voz era firme, mas era doce como o mel que escorria das colmeias na primavera. Coloquei minhas mãos para trás e endireitei a coluna.
– Então, vejo que terei que mudar isto.
– Meu pai sempre me disse, “Fraco é aquele que não tenta”.
– Milade. – ouvi a princesa chamar calmamente sua dama. Milade Bouvié despediu-se curvando a cabeça, e adentrou a enegrecida carruagem, deixando para trás seu perfume adocicado.
Bem, nunca me considerei um homem fraco. Mas sei que todo mundo tem alguma fraqueza, seja por bebida, ouro, luxúria, poder. E se Milade Bouvié for minha fraqueza, irei me considerar um eterno fraco. Embarquei na minha carruagem e esperei todos os cocheiros estarem em seus lugares, para ordenar que partissem. Iriamos viajar até o amanhecer, parando apenas para almoçar. Depois seguiriamos viajando até o anoitecer, quando chegaríamos no porto para embarcar nos navios. Eu só esperava que a princesa não ficasse mimada demais por se sentir “trancafiada”.
Deixei o coche partir, mas aquela sua última frase, ficou matutando na minha cabeça, como se eu já a tivesse ouvido. Eu só não lembrava onde e quem poderia ter-me dito.
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Enquanto isso dentro da carruagem real...
– Ele é lindo não é? – ela disse assim que entrou na carruagem – Charmoso.
– Não quero vê-la conversando com aquele homem. — vociferei.
– Porque não? – ela provocou-me com o olhar.
– Porque ele só irá trazer problemas. Tanto para mim, como para vosmecê. – ela cruzou os braços.
– Oh, agora estou sendo recriminada por minha melhor amiga por trocar singelas e ingênuas palavras com um Conde. Justo aquele que foi designado pelo rei para garantir nossa segurança?
– Uma coisa sempre leva a outra.
– Não sejas tola.
– Não sejas tola vosmecê. Estás noiva, não pode ficar de chamego com, — procurei a melhor expressão, mas não consegui achar — um qualquer.
– Não estou de chamego, ó Alteza Real. – ela ironizou – E você também estás noiva!
– Sou sua melhor amiga, falo-lhe isto para seu próprio bem.
– Quem disse que vosmecê sabes o que é e não é melhor para minha pessoa? – lá vinha ela novamente, me incentivando a começar uma discussão.
– Eu disse. A não ser que vosmecê estejas disposta a perder a cabeça na guilhotina por um caprichosinho.
– Senhor Deus, como ficaste mandona. – emburrada, minha amiga e confidente enterrou-se no assento.
– Sou vossa Alteza Real. – alisei a saia de meu vestido marrom com as mãos — Também sei mandar, quando preciso.
Ela riu, descruzou os braços, e ficou a mexer na ponta de cabelo solta de sua trança.
– Já tinhas esquecido-me deste pequeno detalhe.
Rimos juntas da situação, e assim passamos o restante da noite. Falando sobre nossos casamentos, e o quanto esperávamos ser felizes e estarmos futuramente rodeadas de crianças. Eu amava aquela garota, e se não fosse por ela, eu não seria metade da mulher que era hoje. Mas se para proteger-lhe a vida, fosse preciso eu mesma intervir? Certamente eu o faria.
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