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20 Capítulo 20
Notas iniciais
Porto Real
"Você demorou", Rhaegar disse à Jon Tarly, assim que o amigo cruzou as portas do pequeno salão do Príncipe e da Princesa. Rhaegar ficava inquieto ali agora, no fatídico lugar onde tantas coisas haviam acontecido nos últimos dias.
A sala entre os aposentos dele e de Lyanna havia sido onde haviam brigado e se beijado quando ele já não tinha mais esperanças de conseguir uma reação dela. E também havia sido ali que seus lobos haviam identificado o serviçal que havia colocado as serpentes no seu colchão.
Estar ali, ainda que apenas sentado mexendo em alguns papéis que precisavam da atenção dele, apenas arrastava seus pensamentos para o amor e para a guerra. Ele teria que ver outro lugar para fazer tais coisas.
"Falar com cada criatura que perambula pelo cais de Porto Real leva algum tempo, Alteza", Jon Tarly bufou, exausto, tirando Rhaegar das divagações, se servindo de água e vertendo a taça com rapidez sedenta. Ele havia saído com o dia nascendo e já passava da hora da ceia do meio do dia.
"Descobriu algo?", Rhaegar perguntou, impaciente, quando ouviu uma batida nas largas portas do recinto. A cabeça de Sam Tarly surgiu de uma brecha e Rhaegar apenas gesticulou para que o amigo entrasse. Ele o havia mandado chamar, queria-o de volta em seus assuntos, queria restabelecer o que havia se quebrado entre os dois com toda a situação envolvendo Lyanna.
"Feche a tranca, Sam", Rhaegar pediu. Sam o fez rapidamente e se aproximou do Príncipe e do seu irmão.
"Encontrei homens que viram uma comitiva reduzida da princesa Q'ira embarcando. Confirmaram que pareciam apressados", Jon respondeu, cumprimentando o irmão mais velho com um aceno breve.
"A Princesa Q'ira partiu?", Sam perguntou, surpreso com a notícia.
"Sim", respondeu Rhaegar, pegando o pergaminho com a despedida de Q'ira e o entregando para que Sam o lesse.
"Partiu. E tem algo estranho nisso", Rhaegar esfregou as têmporas.
"Com certeza tem. Não consegui descobrir para onde o barco dela estava indo. Não há registro da viagem no escritório do cais, não há informação sobre a tripulação ou o destino. A embarcação de Qarth que a trouxe continua lá, ancorada." Jon falou, analisando a reação de Rhaegar.
"Se ela está voltando para casa, porque esconder essas informações, porque não ir em seu próprio barco e simplesmente desviar a rota para onde bem entendesse?", Sam perguntou retoricamente, olhando para o pergaminho mais uma vez, para o que estava escrito ali.
"Obviamente ela mentiu e está agindo sem o consentimento do pai para não usar a própria embarcação. Ou talvez...queiram que pensemos justamente isso. De qualquer forma, não gosto de imaginar ela em nenhum dos dois lugares que estão rondando minha cabeça no momento", Rhaegar lamentou, "Se ela não está indo para casa, temo que ou esteja levando informações nossas para os dorneses ou…", Rhaegar se interrompeu ao som de outra batida na porta.
"Sete Infernos", Jon praguejou, querendo ouvir logo a outra hipótese de Rhaegar. "Quem é, em nome dos Sete?", ele perguntou, irritado, na direção da porta.
"Sou eu", a voz de Lyanna soou levemente contrariada atrás da porta.
"Porque em nome dos Sete vocês três estão trancados aí enquanto todos nós esperamos para comer nos jardins?", mais batidas na porta se seguiram.
"Vamos logo, discutiremos isso mais tarde. Precisarei da ajuda dos dois", Rhaegar disse, se levantando rápido ao ouvir a voz de Lyanna.
"Pela Mãe, olha como ele levanta rápido quando a amada o chama", Jon Tarly sorriu, provocando Rhaegar.
"Tenha modos, Jon", Sam o repreendeu. "Desculpe as brincadeiras do meu irmão, meu Príncipe", Sam olhou constrangido para Rhaegar.
"Deixe ele, Sam. Quando ele se apaixonar por alguém eu vou tornar a vida dele muito, muito difícil. Não se preocupe", Rhaegar caminhou em direção a porta.
"Isso nunca vai acontecer, Alteza!", Jon sorriu, despreocupado. A única forma dele sair correndo daquele jeito para atender uma mulher era se ela fosse sua mãe irritada. Com Lady Gilly ele não brincava. A mulher podia ter se refinado por fora, após anos na nobreza, mas por dentro ainda batia como a selvagem que nasceu e cresceu além da Muralha e ele gostava de ter os seus dentes inteiros e no lugar.
Lyanna e Jane olham para os três com alguma desconfiança quando eles finalmente saíram. Rhaegar imediatamente pegou a mão da princesa e a beijou. “Perdão. Me ocupei e perdi a hora”. Lyanna o analisou com um olhar afiado. “Algo aconteceu?” Ela quis saber, aceitando o braço que ele lhe estendia para caminharem juntos. “Talvez. Mais tarde conversamos melhor, estou faminto”, Rhaegar desconversou, enquanto se dirigiam para os jardins onde vinham fazendo as refeições diurnas com os jovens nobres que ainda estavam na corte real, à pedido deles. Lyanna permaneceu calada, mas Rhaegar sentia que ela queria mais explicações, seus extraordinários olhos cinzentos perscrutavam seu rosto à procura de problemas.
“Preciso que faça uma coisa para mim”, Rhaegar pediu. “Já enviou algum corvo para Winterfell?”, ele a sondou, seguido de perto por Jon, Sam e Lady Jane. Nenhum sinal dos seus lobos, o que era estranho. “Ainda não. Mas irei enviar até o final do dia.”, Lyanna mencionou, a garganta fechando. Ela havia tentado rabiscar algumas palavras para o pai, mas havia mais chorado do que escrito e então por fim havia adiado aquilo para a noite, talvez.
“Preciso que inclua um tópico, um pedido na verdade. Se eu escrever nosso pai certamente jogará o pergaminho no fogo sem abrir…”, Rhaegar esfregou levemente uma das têmporas com a mão livre. “Ele jamais faria isso.”, Lyanna rebateu imediatamente. “Mas eu posso fazer, dependendo do que seja.”, ela afirmou, aguardando maiores explicações.
“Peça que ele escreva aos representantes das cidades livres reafirmando sua disposição em continuar como mediador e garantidor dos termos do acordo de paz. A ausência dele levanta muitas desconfianças.”, Rhaegar explicou, querendo acreditar que o pai não faria exatamente o que ele havia falado, mas duvidando seriamente. Contudo, ele não precisava dizer aquilo em voz alta para Lyanna. Só a magoaria.
“Eu pedirei”, foi tudo que ela respondeu, apertando-lhe a mão compreensivelmente.
*
O tempo lá fora parecia debochar das situações difíceis que pairavam no ar da Fortaleza Vermelha. O clima nos jardins do Castelo estava ameno e ventilado e a mesa estava posta abaixo de uma tenda arejada para os jovens nobres com quem Rhaegar e Lyanna tinham a missão de continuar estreitando laços, principalmente agora com toda a questão sensível do noivado deles. Sir Jason Arryn e sua irmã Arianna eram as peças mais importantes naquele jogo de alianças, uma vez que o Trono de Ferro e o Senhor do Vale tinham uma relação no mínimo fria e distante, fruto de uma rejeição de Sansa Stark em desposá-lo, anos atrás.
Lyanna e Rhaegar chegaram pedindo desculpas pelo atraso e ocuparam rapidamente seus lugares no centro na mesa ricamente decorada e já repleta de frutas e petiscos apetitosos intocados. Ao lado de Lyanna estava Lady Jane, Lady Sarah e com ela Dickon Tarly. Sam e Jon Tarly sentaram-se ao lado de Rhaegar, com o jovem Ned Stark, filho de Sansa. Do outro lado Sir Jason estava de frente para Rhaegar, com a irmã à sua direita e Lady Diana Lannister e seu irmão, o Pequeno Jaime Lannister, escudeiro fiel de Rhaegar.
De frente para Lyanna estava Mellissa, a última pessoa que ela queria ter que desfrutar da companhia por algumas horas e ao lado dela um silencioso e tímido Arthur Tully e depois dele o Pequeno Robb, e por fim, o mais novo dos garotos Tarly, Aemon. Com exceção de Melissa Redwyne, Lyanna achava aquele grupo bem agradável. Lady Arianna e Lady Diana seriam suas novas damas de companhia com a saída de Jane, que em breve se casaria e voltaria para Rosby, e de Melissa, com quem Lyanna simplesmente não aguentava mais conviver. Em nome das boas relações com a Casa Redwyne, que era rica e influente e não deveria receber motivos para aderir à Rebelião Dornesa, Lyanna não podia convidar Melissa a se retirar da Fortaleza Vermelha, mas poderia e iria excluí-la do contato direto com ela. Sua Dama de Companhia ela não seria mais.
“Em nome dos Sete vamos comer logo, estou faminto”, pediu Jon, tamborilando os dedos na mesa. Rhaegar acenou para os servos e bebida começou a ser servida bem como a conversa começou a fluir. Depois de tantos dias reunidos ali em Porto Real e definida a questão de com quem ele e Lyanna casariam, não havia mais aquela estranheza inicial entre eles.
“Com certeza todos se perguntam porque ainda desejamos a presença de vossas senhorias aqui, conosco, na capital, desfrutando da nossa hospitalidade, mesmo após as festividades e o Torneio já terem acabado.”, disse Rhaegar buscando o olhar de todos ao longo da mesa.
“Sua vida estava um tédio Alteza, pode confessar, nós sabemos”, brincou Jon Tarly, arrancando sorrisos da maioria.
“Tédio é uma coisa que não temos aqui na Capital”, falou Dickon, suspirando. Como escudeiro do Rei, ele bem sabia que sempre haviam problemas a serem resolvidos.
“Nós somos o futuro”, falou Rhaegar, sem mais delongas. “Nessa mesa temos o futuro Senhor do Norte, o futuro Senhor do Vale, o futuro Senhor das Terras Fluviais, o futuro Senhor das Terras Ocidentais, o futuro Senhor da Campina”, ele continuou, olhando para o Jovem Ned, para Sir Jason Arryn, para Arthur Tully, para o pequeno Jaime Lannister que tinha os olhos arregalados com orgulho e temor, e para Sam, seu amigo mais estimado, seu irmão em todos os sentidos.
“A futura Senhora das Terras da Tempestade poderia estar aqui também, mas nós sabemos que Nymeria e Visenya não deixariam prato sobre prato”, brincou Rhaegar, pensando nas suas primas endiabradas. Jaime e Aemon, os mais jovens ali, que mais conviviam e até tinham aulas em conjunto com elas, concordaram veementemente.
“E o futuro Rei e Rainha dos Setes Reinos”, Diana Lannister acrescentou, inclinando a cabeça para Rhaegar e Lyanna. Rhaegar agradeceu.
“E nós queremos a amizades de vocês, Lady Diana. De todos vocês. Não obediência, não medo, não desconfiança. Amizade.”, enfatizou Rhaegar, juntando sua mão à mão de Lyanna. “Irei casar com Lyanna. Todos vocês já sabem disso. Peço que não permitam que isso se torne uma ofensa às vossas Casas. Porque não é. Eu a amo. Eu não poderia fazer isso no futuro sem que ela e apenas ela estivesse ao meu lado. Peço que não permitam que um problema de família, porque a ausência do Rei nada mais é do que isso, peço que não deixem que tratem como um problema político, uma disputa de poder entre meu Pai e eu. Eu não irei usurpá-lo. Enquanto vida nosso Rei tiver, e eu espero que seja longa, eu jamais sentarei no Trono de Ferro. Sejam nossas testemunhas quanto a isso quando voltarem para seus lares e nós não nos esqueceremos.” pediu Rhaegar, deixando as palavras correrem entre eles. Sir Jason se remexeu desconfortável em sua cadeira.
“Alteza eu tenho pouca ou nenhuma influência sobre as decisões do meu pai. Talvez outros aqui tenham pais mais sensatos e acessíveis, mas esse não é o nosso caso”, Sir Jason olhou para Lady Arianna com uma sombra de indignação nos olhos, a irmã maltratada e reprimida pelo próprio pai a quem ele tentara ajudar a vida toda. Ele já compraria uma briga por ela, permitindo que ela virasse Dama de Companhia da Princesa Lyanna sem consultar seu pai e, portanto, ele não estaria na sua mais elevada estima para defender o que quer que fosse quando lhe desse a notícia.
“Os Lordes do Vale gostam mais de você do que dele, irmão”, Lady Arianna ousou falar, ainda que timidamente.
“Não pense que isso me ajuda em alguma coisa, Arianna. Nenhum governante gosta de ver seus estandartes ansiosos pelo seu sucessor”, Sir Jason a alertou.
“Apenas se certifique de que seu povo e seus lordes saibam da sua versão, da verdadeira versão dos fatos ocorridos aqui, Sir”, pediu Lyanna, contribuindo com a conversa, vendo o olhar de Sir Jason cravar sobre o dela de forma muito surpresa, como se analisasse cada palavra. Ela não desejava que ele visse sua participação no assunto como um lembrete do que ela sabia sobre ele, da cena que havia presenciado na Biblioteca Real. Ela disse que jamais comentaria e ela cumpriria com a sua palavra, mas não poderia ficar calada. Rhaegar e ela estavam juntos nisso e ela se sentia cada vez mais impelida a ajudá-lo no quer que fosse. Ela havia se furtado daquele papel por achar que um dia iria embora e sua existência seria irrelevante para o Trono de Ferro, mas agora, com as decisões tomadas por eles dois, tudo havia mudado.
Sir Jason permaneceu calado por alguns instantes, o olhar ainda estudando a Princesa e seu pedido, a ponto de Rhaegar se remexer em sua cadeira desconfortavelmente.
“Assim será, Princesa”, ele disse, por fim. “Você tem minha palavra”, Sir Jason completou, inclinando sua cabeça brevemente na direção dela.
Lyanna sabia que ele usava as mesmas palavras que ela havia dito para ele após o fatídico dia da indiscrição dela na Biblioteca. Não lhe agradava que ele entendesse aquilo como uma troca de favores entre eles, e ela deixaria claro assim que tivesse oportunidade, mas por ora não havia o que fazer. E Rhaegar parecia bastante satisfeito com o desfecho, apesar de algo mais brilhar em seus olhos violetas ao olhar para ela. Com certeza ele diria depois. Rhaegar não era de guardar o que sentia.
“Podemos contar com o mesmo favor de sua parte, Tully?”, Rhaegar se dirigiu à Arthur, que pareceu ficar ainda mais vermelho do que o que seu cabelo ruivo e suas sardas já proporcionavam.
“Claro, Alteza. Não imagino que terão problemas nas Terras Fluviais”, disse Arthur, claramente nervoso com a atenção que todos direcionaram à ele.
“E nem nas Terras da Campina”, assegurou Sam, não que ele precisasse dizer aquilo, dada a mais que límpida amizade do Trono de Ferro com os Tarly, mas comoveu-o ajudar Arthur Tully a tirar os olhares de sua pessoa.
“Bem, já que todos estão se declarando…”, Diana Lannister cutucou o irmão mais novo, incentivando-o a falar. Jaime estava com a boca cheia e quase se engasgou, o que aliviou o clima da mesa, que observava ele beber suco apressadamente de seu cálice.
“Nosso pai adora o Príncipe e eu também”, foi o que o garotinho disse, voltando a comer, enquanto sua irmã parecia um tanto constrangida.
“Uma bela declaração! A melhor até agora”, Jon não se segurou.
“Você não gosta de mim também, Jaime?”, Lyanna ousou perguntar, mas se arrependeu ao ver o garoto parecer assustado e arrependido de suas palavras.
“Acho que ele deixou isso claro”, Jon se intrometeu, apenas para perturbar mais o garoto Lannister.
“Me perdoe, Alteza. Gosto, claro que gosto, eu só…”, Jaime começou a se explicar, mas a irmã o interrompeu.
“Não se preocupe, Jaime. Estou brincando”, Lyanna se apressou em explicar, observando o alívio e a surpresa daquelas na mesa que a conheciam desde sempre. Ela não era assim. Não era espontânea e leve, mas agora tudo isso ainda que timidamente brotava de algum lugar.
“Eu preciso dizer que provavelmente não terão nenhum problema conosco também, Altezas?”, perguntou Ned, com sua seriedade nortenha, mas visivelmente relaxado quanto ao assunto. Rhaegar apenas fez que não e todos sorriram e começaram a comer de verdade, conversas paralelas surgindo aqui e ali.
Apenas Melissa, sentada à frente de Lyanna, mal tocava na comida, com o semblante emburrado e agressivo, mas milagrosamente calada. E Jane, Lyanna também notou, parecia distante, como se estivesse preocupada com algo. Mas antes que ela pudesse se virar para a sua dama de companhia e conversar, Rhaegar encheu sua taça de vinho e aproveitou o movimento para sussurrar perto de seu rosto.
“Não foi tão mal assim, não é?”, ele disse.
“Não. Mas são apenas palavras”, ela respondeu, igualmente baixo, se servindo dos legumes cozidos e da torta de carne mais próxima dela.
“O que foi aquilo entre Sir Jason e …”, Rhaegar começou a perguntar, certamente curioso pelos olhares que ambos trocaram durante a conversa recém encerrada.
“Depois. Não é de bom ficarmos cochichando diante dos nossos convidados”, Lyanna falou entre os dentes, encerrando a questão e virando o rosto para Jane, que parecia pálida. “Jane, você está bem?”, Lyanna tocou na mão da amiga, sentindo-a gelada. Jane levou sua própria taça de vinho aos lábios e deu alguns goles antes de responder.
“Estou, Alteza. Não se preocupe”, mas Lyanna podia ver que não era verdade.
“Aconteceu alguma coisa? Você está muito calada desde que recebeu aquela correspondência de casa, hoje mais cedo. Não me engane”, Lyanna apertou carinhosamente o antebraço de Jane.
“Sim. Temos alguns problemas em casa, mas não é nada urgente. Não se preocupe, minha Princesa”, Jane afirmou, vertendo mais um pouco da taça a sua frente.
Lyanna também pegou a sua taça e deu um pequeno gole, ponderando que não a pressionaria mais, não ali. Mas conversaria com ela assim que estivessem sozinhas, qualquer que fosse o problema dos Rosby, talvez ela pudesse ajudar. Lyanna ainda estava pensando nisso quando sentiu a mão de Jane agarrar a taça da sua mão e puxá-la para baixo, derramando o vinho sobre o colo dela. Lyanna olhou assustada para Jane à tempo de ver o olhar atônito no rosto dela quando a dama de companhia se levantou trêmula, sangue escorrendo dos cantos da sua boca.
“Jane! Jane!”, Lyanna gritou e se jogou desesperada para ampará-la, todos se levantando dos seus lugares e correndo para as duas. Rhaegar a puxando de Jane, enquanto Sam prontamente a impedia de cair no chão.
“Veneno!”, Sam murmurou, Jane ficando inconsciente mas ainda respirando. Um pandemônio se formou ao redor deles, com guardas cercando o jardim.
“Levem-na para o Grande Meistre agora!”, Rhaegar gritou, agarrado a Lyanna como se sua vida dependesse daquilo. Sam colou Jane completamente inerte nos braços e acompanhado de Dickon correram para dentro do Castelo. Lyanna tremia. Tremia por completo, mas conseguindo respirar. Rhaegar agarrou o rosto de Lyanna com as duas mãos e o virou para si.
“Você bebeu? Você bebeu? Por favor, Lyanna!”, Rhaegar a sacudia e a abraçava, mas antes que ela pudesse responder, algo quente saltou da sua boca sem que ela controlasse. Seu estômago doía como se tivesse engolido brasas. O gosto do sangue explodiu em sua língua e ela se agarrou a Rhaegar quando sentiu que estava ficando tonta.
“Não! Não!”, ela ouvia Rhaegar gritar em angústia e ira. E quando deu por si já estava em seus braços e ele já corria com ela para dentro do castelo, o uivo dos lobos se fazendo ouvir de algum lugar em meio ao turbilhão que a Fortaleza Vermelha agora se encontrava.
“Fique acordada! Pelos Deuses, Lya. Não me deixe. Não me deixe”, ela ouvia a voz de Rhaegar suplicar, parecendo muito distante, ao que ela respondia agarrando mais e mais as vestes dele, com todas as forças que lhe restavam enquanto tossia bolhas de sangue e tentava puxar o ar. Lyanna se concentrou em olhar para o rosto dele até quando não viu mais nada.
*
Todos que ainda estavam no jardim conversavam chocados, perguntando entre si se haviam visto algo, se alguém mais se sentia mal, Sir Jason cheirando sua taça e a da sua irmã como se fossem um bicho mortal. Diana Lannister abraçava Arianna, que chorava copiosamente, assim como Sarah Manderly. Mas Jon Tarly não conseguia tirar o olhar da única pessoa que não parecia estar abalada com tudo que havia acabado de acontecer. A única pessoa que não havia saído do seu lugar quando Jane começou a passar mal. A única pessoa que permanecia parada, imóvel, de pé, olhando fixamente para onde Lyanna e Jane haviam estado sentadas. Melissa Redwyne. Jon marchou até ela mal se contendo de ódio. Ele a agarrou pelo braço e berrou para os guardas: “Prendam-na!”
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