Forbidden

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Espero que gostem!~

- Já chega disso!

O ex-ruivo jogou seu material escolar no chão, furioso consigo mesmo, e socou a parede do quarto. Por sorte, seu irmão não estava consigo para ver esse seu descontrole. Hikaru não estava passando por bons momentos. Ele tinha conseguido esconder seus sentimentos muito bem até hoje, mas ele simplesmente não estava mais conseguindo.

O gêmeo mais velho já tinha tentado de tudo: sair com outras garotas e tentar se aproximar de uma especificamente. Até tentou fazer ciúmes nele com ela, dizendo que estava apaixonado por Haruhi, mas ela acabou se acertando com Tamaki, o que acabou com seus planos.

Ele sentou-se no chão e passou a mão pelos cabelos pintados. O cabelo já estava começando a crescer e a raiz ia ficando cada vez mais ruiva. Em alguns meses estaria igual ao irmão gêmeo novamente. Hikaru já tinha pensado em pintar o cabelo de novo, mas não estava com cabeça para isso no momento. Claro que os comentários positivos sobre seu cabelo estar voltando a ser laranja e que logo ambos ficariam iguais novamente vindos de Kaoru diminuíam a vontade do mais velho de querer tingir o cabelo de novo.

O Hitachiin mais velho encostou as costas na parede do quarto e escorregou até cair sentado no chão, um dos braços rodeando os joelhos e a mão despenteando seu cabelo num gesto desesperado. Ele não devia, não podia estar sentindo e pensando naquele tipo de coisa. Quer dizer, afinal, ele era seu irmão. Gêmeo e idêntico, ainda por cima – o que ainda significava que eles eram do mesmo sexo. Eles tinham o mesmo sangue, isso era tão errado, mas Hikaru não conseguia mais enxergar a tênue linha que separava o amor de irmãos que os unia do tipo amor que ele tinha começado a desenvolver por Kaoru.

Era tudo tão confuso e estranho para ele. Kaoru era sangue do seu sangue e era um garoto, assim como ele. Hikaru não era gay – ou pelo menos não se achava. Ele já tinha até sentido algo a mais por Haruhi há algum tempo, lembrava de seu irmão o ter encorajado a lutar pelo amor da garota com Tamaki, mas, depois que ela admitiu estar apaixonada pelo loiro, ele decidiu que seriam apenas amigos e conseguiu esquecer essa paixonite.

Mas com Kaoru era diferente. Sempre seria diferente. Porque eles eram exatamente iguais. E isso os tornava tão diferentes. Nem todos tinham o privilégio de nascerem gêmeos, ainda mais idênticos. Mesmo que só na aparência, pois ambos diferiam completamente – ou quase – em suas personalidades. E, sobretudo, Kaoru era especial. Ele tinha uma conexão com o irmão que poucos entenderiam, ou talvez até ninguém além dos dois irmãos entendesse de fato.

E era sufocante, lhe angustiava e dava tonturas. Era confuso e não saía de sua mente. Por quê? Por que, dentre tantas pessoas que conhecia e convivia com, tinha que ser ele? Tão próximo, porém próximo até demais. Aquilo era incesto. Era errado. E sim, Hikaru sabia de tudo isso, mas simplesmente não queria aceitar. Queria que tudo não passasse somente de regras idiotas que ele pudesse quebrar como se fosse uma criança pequena esbanjando sua teimosia para todos. Mas o que seus pais fariam se descobrissem? O que seus amigos pensariam se descobrissem? Qual seria a reação do irmão mais novo se descobrisse?

Dessa vez não era apenas um jogo. Já tinha passado de apenas encenação há muito tempo. Aquilo que ele e o irmão fingiam ter no Host Club já não era mais só fanservice para atrair mais garotas. Um sentimento real, concreto e difícil de lidar com crescia dentro do ex-ruivo. E era com certeza mais forte do que o que ele havia sentido pela Fujioka. Ele amava Kaoru. Mas talvez não mais como um simples irmão deveria amar outro. Ele amava Kaoru de um jeito diferente, mais intenso, possessivo e protetor. Ele queria tê-lo perto de si a todo o tempo, sentia ciúmes das garotas que iam falar com ele, até mesmo de algumas clientes que eles tinham.

Para seu próprio azar, Hikaru não era tão controlado quanto o irmão e já tinha dado alguns chiliques possessivos em relação à Kaoru no Host Club. Como sempre tinha sido um pouco impulsivo, os outros tentavam compreendê-lo sem estranhar realmente o fato, mas seu irmão sempre vinha falar consigo. E ele questionava Hikaru sempre que tinha espaço, bombardeando-o com um monte de perguntas sobre o porquê de ele estar agindo daquela maneira, dizendo que ele deveria ser mais gentil com algumas clientes e indagando-o sobre seu comportamento explosivo nas recentes reuniões do clube. Era sempre o mesmo sermão, viesse de seu irmão, Kyouya ou Tamaki – geralmente esse reclamava aos gritos – até que ele mudasse para qualquer outro assunto.

E aquilo não podia continuar. Nada daquilo podia continuar. Afinal, as clientes não tinham culpa alguma pelo Hitachiin mais velho ter se apaixonado pelo mais novo. Kaoru não tinha culpa se o irmão nutria por ele tal sentimento doentio, grotesco e desgraçado aos olhos da sociedade.

- Droga, por que logo ele... – Ele enterrou a cabeça entre os joelhos e soltou um longo e pesaroso suspiro.

Seus pensamentos estavam muito confusos e sua cabeça já começava a doer. Ele nem se preocupou em levantar a cabeça quando ouviu o barulho da porta do quarto se abrindo e apenas esperou que o outro chegasse mais perto e sentasse ao seu lado no chão, passando um dos braços por cima de seus ombros e trazendo o irmão mais para perto, em uma tentativa de reconfortá-lo.

- Ei, — a voz dele não continha nenhum fragmento sequer de raiva, mas sim calma e compreensão. – qual foi o motivo do chilique de hoje, hein Hikaru?

- Não foi nada. Amanhã eu me retrato com as clientes.

- Oe, Hikaru. – Kaoru cutucou o braço do irmão tentando fazer com que ele levantasse o rosto. – Não é bem assim. Você não pode simplesmente sair dando ataques sem motivo e depois se desculpar com os outros. Isso é coisa do tono. – Sorriu.

Hikaru levantou o rosto devagar, porém ainda sem olhar para o irmão. Seu semblante estava meio sério e chateado.

- Kaoru... – Ele apertou mais os joelhos contra seu próprio corpo.

- Hm?

Hikaru pensou em contar tudo naquele momento. Só estavam os dois irmãos no quarto deles, provavelmente os pais não estavam em casa e os empregados deveriam estar no andar debaixo. Ele não sabia quanto tempo mais ele iria conseguir guardar o que realmente sentia para si. Ele precisava contar para Kaoru e precisava saber da opinião dele a respeito disso. Se ele nunca mais o olharia no rosto ou se simplesmente o iria abraçar e dizer que “tudo iria ficar bem”.

- Você tem que parar de atender aquelas meninas de um jeito tão atirado. – Ele resmungou, olhando para o outro lado.

- Quê? – Kaoru o encarou por alguns segundos, mas logo caiu na gargalhada. – Você está com ciúmes, Hikaru? – Cutucou a bochecha do outro de forma provocativa.

- Não, que coisa estúpida. – Ele enxotou a mão de Kaoru e lançou-lhe um olhar nada amigável. – Mas você é meu e eu não quero você tão amiginho daquelas assanhadas.

- Hikaru, não fale assim das clientes! – Kaoru repreendeu-lhe com o olhar. – E quem disse que eu sou só seu?

- Eu estou dizendo! Você é meu irmão mais novo!

Kaoru revirou os olhos. – Você nunca se incomodou com o fanservice para as garotas. O que é que está havendo com você esses dias, hein Hikaru?

Conte, uma voz ecoava dentro da cabeça de Hikaru. Já é hora dele saber de tudo. Quem sabe o que ele pode responder? O mais velho sacudiu a cabeça, tentando se livrar daquela voz irritante. Ele já tinha quase certeza de que seus batimentos cardíacos podiam ser escutados pelo irmão, julgando pela velocidade com a qual seu coração batia dentro do seu peito.

- Hey, Hikaru. – O mais novo passou a mão na frente do rosto dele. – Está me ouvindo?

- Desculpa.

- Não, eu não quero mais desculpas. – Ele virou o rosto do ex-ruivo para si. Kaoru tinha um semblante preocupado. – Eu quero saber os motivos, Hikaru.

Ele sentiu seu coração falhar uma batida. Os olhos esverdeados tão iguais aos seus, mas que tinham um brilho tão mais bonito e vívido prendiam os seus em uma conexão impossível de ser interrompida. E Hikaru não sabia mais dizer se tinha sido a hipnose causada pelo contato visual, a proximidade de ambos os rostos, as respirações se misturando, as palavras tão calmas ou a mão de Kaoru fazendo um carinho com o polegar em sua bochecha. Ele só sabia que, no segundo seguinte, ele estava colando os lábios de Kaoru nos seus.

O beijo não durou muito mais do que alguns segundos. Ao se separarem, Hikaru encarou a face avermelhada e confusa do irmão o encarando de volta. Seus olhos piscavam, tentando ainda processar o que tinha acabado de acontecer entre os dois. O mais velho engoliu em seco, não sabendo bem o que esperar do irmão.

"Ótimo", pensou. "Muito bem, Hikaru. Mandou muito bem".

- H-Hikaru... – Kaoru tentou falar alguma coisa, mas seu cérebro estava confuso demais para formular uma frase.

- Kaoru, eu te amo. – Ele respirou fundo, ganhando mais coragem para falar tudo o que sentia. "É agora ou nunca". – Mais do que simplesmente como um irmão, eu te amo como a gente finge para as clientes. Na verdade, eu já deixei de fingir há muito tempo.

Os segundos que se seguiram ao momento pareceram horas para o gêmeo mais velho. A incerteza e o medo começaram a se apoderar de sua mente e ele já estava começando a se desesperar com a falta de reação de Kaoru. Seus dedos mexiam-se freneticamente uns nos outros como num tique nervoso.

- Por favor, fale alguma coisa, Kaoru. – Ele resmungou.

A próxima coisa que ele viu foi o irmão enterrar o rosto em seu pescoço e abraçá-lo forte, como se tivesse medo que tivessem que se soltar. Hikaru ficou sem reação de início, mas logo abraçou seu irmão com toda a força que podia, fazendo um carinho nos cabelos ruivos dele.

- Eu tive tanto medo. – Hikaru começou, sua voz saindo tão baixa que deveria ser difícil mesmo para seu irmão escutá-lo. – Não sabia se você iria me odiar se eu contasse como eu me sentia pra você.

- Eu nunca poderia te odiar, Hikaru. – Ele levantou a cabeça para poder olhar Hikaru nos olhos.

- Era, é errado. Eu não podia perder você, Kaoru. Eu não posso perdê-lo. Eu te amo.

- Você não vai me perder. Nunca. – Kaoru esboçou um sorriso e tocou a bochecha do outro com o dorso da mão. – Eu também te amo, nii-san.

Hikaru sorriu de volta, puxando Kaoru para outro beijo, curto e carinhoso. Eles se separaram e Kaoru entrelaçou seus dedos com os do irmão. Ficaram assim, um apoiado no outro, por algum tempo, enquanto Hikaru ainda mexia nos cabelos de Kaoru e este brincava com seus dedo entrelaçados.

- Kaoru. – O mais velho virou-se para o gêmeo. – Vamos contar para os nossos pais?

Kaoru ficou pensativo por alguns instantes, avaliando a situação.

- Uma coisa de cada vez. Acho que devemos contar pra eles, mas não agora. Temos que ir preparando o terreno pra soltar uma bomba dessas.

Hikaru assentiu com um "hm" e recostou-se melhor no outro. – Por hora, vamos apenas curtir isso e depois a gente vê o que faz.

Kaoru sorriu e se inclinou para juntar as testas de ambos.

- Isso vai ser interessante. Pelo menos nosso fanservice para as clientes vai ficar mais convincente.

Hikaru riu e fez um carinho no rosto do outro. – O tono vai ter um ataque quando descobrir.

- Ele supera. Mas você ainda tem que pedir desculpas para as meninas, elas ficaram magoadas! – Kaoru fingiu um tom repreensivo.

- Tá, tá, amanhã eu faço isso. – Hikaru revirou os olhos e puxou o irmão para um beijo calmo.

Notas finais
Não me matem pelo final, desculpa mesmo-q
Reviews? *-*

P.S.: Feliz São João! :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!