Forasteiro
12 Capítulo Doze
Notas iniciais
Estava abrindo a porta de casa, voltando do trabalho, quando ouvi alguém chamar por mim.
— Beau!
Segui o som da voz e vi Edward correndo da sua casa até a minha, com um violão em mãos. Engoli em seco, ainda chateado pelo dia anterior, eu não tinha respondido sua mensagem e ele não enviou mais nenhuma.
— Ei, oi! — Parou diante de mim, respirando fundo, sem fôlego.
— Oi — murmurei de volta.
— Você viu minha mensagem ontem, né?
— Sim.
— Desculpa ter cancelado a aula em cima da hora, sem te dar maiores explicações. — Passou uma mão pelos cabelos ruivos. — Tive uma briga com meus pais, uma tia ligou pra casa, atendi e ela perguntou se eu ainda estava na minha fase gay, mandei ela ir se preocupar com o marido dela que a trai com menininhas de vinte anos e isso foi um caos. Meus pais queriam até me colocar de castigo, mas convenci eles que eu estava certo na situação toda. Enfim, me desculpa, fiquei tão revoltado ontem com o que rolou que não te mandei nenhuma outra mensagem explicando o que tava acontecendo.
— Tudo bem — sussurrei, ele tinha uma boa desculpa. — Sinto muito pelo que rolou e você não precisa se preocupar, nem estou pagando pelas aulas.
— Preciso sim, tinha um acordo com você. Podemos começar as aulas hoje? Trouxe meu violão, você deve começar com ele antes da guitarra. — Abriu aquele seu sorriso bonito para mim. — E a gente tinha combinado aulas às seis, mas acho que uns minutos antes não vão fazer mal. Podemos começar, né? — Piscou e eu suspirei internamente, ele mexia muito comigo quando piscava.
— Po-Podemos — gaguejei e terminei de abrir a porta, deixei Edward entrar primeiro.
Meus pais estavam no trabalho e minha irmã tinha ido para o da minha mãe com ela, a casa era só minha até às sete da noite. Bom, minha e de Edward.
Porra!
Levei Edward até a sala de estar, perguntei se ele queria algo para beber ou comer, mas o garoto não quis nada. Sentamos lado a lado no sofá, o Cullen tinha cheiro de creme de barbear, controlei o impulso de chegar mais perto dele e colocar meus lábios sobre a pele do seu rosto.
Edward era um bom professor, pacientemente me deu informações gerais sobre violão. Depois deixou que eu tivesse o instrumento para o entender melhor, me arrepiei da cabeça aos pés quando Edward tocou em minhas mãos para as posicionar, ele abafou uma risadinha para a minha reação.
— Você leva jeito — ele disse enquanto eu arriscava a tocar um pouquinho de uma música que ele tinha me ensinado, era de alguma banda indie que não conhecia. — Acho que mentiu para mim, Beau — acusou, aquilo me fez parar de tocar, olhei para ele e vi sua expressão séria.
— Menti? Sobre o que? — perguntei nervoso, ele riu e mexeu em uma mecha de cabelo meu que estava sobre minha testa.
— Você é bom com as mãos. — Eu corei e Edward passou a língua por seus lábios. — Beau, você quer que eu te beije? — questionou.
A minha resposta foi uma pergunta:
— Você não tá de rolo com a Tanya?
Edward franziu o cenho, depois arregalou os olhos, mas antes que ele falasse algo ouvimos meu pai no hall de entrada.
— Beau, cadê você? Vamos jantar na casa dos Black!
— Seu pai pode saber que estamos aqui sozinhos?
— Sim. — Mas me coloquei de pé, entreguei o violão para Edward e respirei fundo, sabia que estava com o rosto vermelho e não queria meu pai me enchendo de perguntas.
— Beau… — Charlie surgiu na porta, mas não terminou o que ia falar quando viu Edward. — Hum, não sabia que você estava com visitas, filho. Olá, Edward!
— Oi, senhor Swan. — Ele se colocou de pé.
— Pode me chamar só de Charlie — papai falou.
— Edward estava me ensinando a tocar violão — contei para meu pai, ele assentiu e disse animado:
— Excelente, lembro quando Beau aprendeu a tocar flauta e não parava com isso, violão pelo menos é melhor.
Não perdi Edward se segurando para conter uma risada ao ser lembrado da flauta, com certeza pensando quando eu falei sobre ser bom com a boca.
— Vocês podem continuar, mas Beau, saímos em quinze minutos para ir jantar na casa do Billy, sua mãe e Alice vão nos encontrar lá. Vou subir e trocar de roupa. — Charlie foi para o andar de cima e eu falei para Edward:
— Melhor continuarmos outro dia.
Ele concordou, mas ao invés de seguir até a saída da sala andou até mim, ficando bem perto.
— Não tenho nada com a Tanya, sou bissexual, mas ela é só uma amiga. Estou interessado em outra pessoa, você sabe bem que é.
Meu rosto voltou a ficar vermelho.
— Você não respondeu minha pergunta de antes, sim ou não?
Sim, claro que sim, mas de onde tiraria coragem de dizer isso? Parecia que tinha perdido minha voz.
— Beau? — Continuei mudo, Edward sorriu, se aproximou e colocou seus lábios sobre minha bochecha. — Talvez amanhã, estarei aqui às seis.
Então ele foi embora, eu me amaldiçoei por ter paralisado.
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