Forasteiro
14 Capítulo Catorze
Notas iniciais
Faltavam alguns minutos para acabar meu turno no trabalho quando Edward apareceu, eu não consegui evitar um sorriso a ver ele. O garoto esperou eu terminar de atender um cliente e se aproximou, em suas costas seu violão dentro da capa.
— Oi, você. — Ele sorriu para mim.
— Oi, o que tá fazendo aqui? — perguntei surpreso com sua aparição.
— Pensei em mudarmos um pouco o lugar das aulas, o que me diz de ver o pôr do sol na praia?
— As aulas só começam às seis — murmurei, Edward riu suavemente.
— Podemos adiantar em uma hora, o que acha?
Bom, mesmo nervoso eu não iria dispensar aquilo.
— Te encontro na praia? Saio em dez minutos.
Ele balançou a cabeça em negação.
— Vou te esperar ali. — Apontou para um banco perto da entrada do cinema. — Podemos ir juntos para a praia depois do seu expediente, venda bastante.
Aquilo me fez rir, Edward se afastou e durante o resto do meu turno só conseguia manter meus olhos voltados para ele. Não ajudou que nenhum cliente apareceu ali naquele tempo, me deixando preso dentro da cabine só pra cumprir horário.
O Cullen olhava de volta para mim, algumas vezes fazendo caretas que me faziam rir de novo. Eu faltei soltar um grito de felicidade quando deu minha hora e fui substituído, deixei meu cubículo e fui para a sala dos funcionários tirar meu uniforme e colocar minhas roupas, agradeci ter levado desodorante na mochila, assim consegui reforçar e garantir que não estava fedendo.
— Pronto? — Edward perguntou quando voltei a encontrar ele, eu assenti e seguimos para fora do cinema.
Seguimos até a praia, andando deixando meu carro na rua do cinema, que não era muito longe dali, em silêncio. Eu queria muito ter coragem e envolver sua mão com a minha, mas tinha receio de fazer isso e alguém acabar sendo grosseiro com a gente.
Nunca fiquei em público com ninguém, eu era gay e estava contente com isso, mas as outras pessoas podiam ser más. Não que eu estivesse no armário para a cidade, a maioria das pessoas que me conheciam sabiam sobre minha orientação sexual, entretanto não era algo que eu gostava de falar sobre com qualquer um, justamente por medo das mentes preconceituosas.
— Deve ter sido muito legal crescer perto da praia — Edward falou quando chegamos lá, estava relativamente cheia, mas encontramos um pedaço de areia mais afastada de qualquer um para termos mais privacidade, ele e eu tiramos nossos tênis e sentamos no chão.
— Foi bom — sussurrei olhando para o mar. — Por isso quero continuar na Califórnia durante a faculdade, perto da praia sempre. — Olhei para ele e sorri.
— Seus olhos são lindos — falou. — Tão azuis.
Eu respirei fundo, estava difícil me controlar e não o beijar ali mesmo.
— Os seus também são muito bonitos — falei de volta.
Edward se mexeu até ficar um pouco mais perto, ele tentou pegar minha mão, mas eu afastei meu braço. Aquilo o confundiu, suspirei e me expliquei:
— Foi mal, não gosto de demonstrações de afeto em público, tenho medo de como as pessoas podem reagir.
Ele revirou os olhos.
— As pessoas que se fodam, você não está fazendo nada contra elas, eu só ia pegar na sua mão — seu tom de voz não era tranquilo.
— Olha, foi mal, mas não consigo — me justifiquei, sentindo-me péssimo por isso.
— Acho melhor eu ir embora. — Edward se levantou pegando seus tênis, levantei também. — Sozinho — completou quando me abaixei para pegar meus sapatos, eu o encarei em choque e ajeitei minha postura. — Quer dizer, moramos lado a lado, não posso te proibir de seguir o mesmo caminho que eu, mas nós dois… — Ele engoliu em seco. — Sei que não estamos, ou estávamos, em nenhum relacionamento sério, mas eu não gosto de me esconder, Beau. Meu primeiro namorado me escondia, era infernal, foram os meses mais tristes da minha vida, ele não me assumia nem para os amigos e ainda ria das piadas homofóbicas deles. Não quero estar com alguém que nem aceita segurar minha mão em público, sinto muito.
Ele não me deu tempo de dizer nada, foi embora me deixando para trás confuso e apaixonado.
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