Eu já tinha negociado aquisições de nove dígitos sem que a pulsação subisse um único ponto. Já tinha sentado à mesa com fundos soberanos, com ministros de três continentes diferentes, com o meu próprio pai numa sala de conselho decidindo o futuro de uma companhia aérea inteira. Nada daquilo tinha me deixado tão inquieto quanto escolher a gravata para a inauguração do centro cirúrgico.

— Você está enrolando essa gravata há dez minutos — o Marcos comentou, largado na minha poltrona com um copo de uísque que eu não tinha oferecido, observando a cena com o mesmo prazer sádico de sempre. — É uma festa da sua própria fundação, Montserrat. Você não precisa impressionar ninguém.

— Não é sobre impressionar.

— É exatamente sobre impressionar. Só que não é a imprensa nem os patrocinadores. É a sua mãe.

Fechei o nó da gravata com mais força do que o necessário.

— Minha mãe já conhece a Lívia. Cruzaram no jantar dos padrinhos.

— Cruzar numa mesa cheia de gente é diferente de conhecer de verdade, num evento que a Marta Montserrat vai analisar peça por peça — o Marcos ergueu o copo, como quem brinda a uma sentença. — Você sabe disso melhor do que eu.

Eu sabia. Era exatamente por isso que a gravata tinha levado dez minutos.

A verdade, que eu não ia admitir em voz alta nem para o meu melhor amigo, é que eu já tinha apresentado namoradas para os meus pais antes, em ocasiões protocolares, e nunca tinha sentido nada parecido com aquele nó no estômago. Talvez porque nenhuma delas tivesse importado o suficiente para que a opinião da minha mãe pesasse alguma coisa.

Com a Lívia, pesava.

O mais estranho era que, algumas semanas antes, eu provavelmente teria feito alguma coisa a respeito.

Teria pensado onde colocá-la durante o evento, quanto tempo deixá-la com os meus pais, em que momento me aproximar. Talvez tivesse pedido à Isabel que puxasse assunto. À Clara que a incluísse em alguma conversa. Criado circunstâncias que parecessem espontâneas o suficiente para que Lívia não percebesse que tinham sido planejadas.

Eu tinha feito isso desde o começo.

O cachorro doente que não estava doente. O jantar que não era exatamente um jantar. A Quinta da Boa Vista.

Em algum momento, parei.

Não soube dizer quando.

Talvez tivesse sido numa terça-feira em que ela apareceu na minha cobertura cansada demais para qualquer coisa além de comer a massa que sobrou do almoço e reclamar de um fornecedor. Ou quando percebi que havia comprado o chá dela sem sequer pensar no motivo. Ou na primeira vez que sentei no chão da sala de dona Teresa para brincar com Téo e só percebi depois que meu terno provavelmente não sobreviveria à experiência.

Eu simplesmente tinha parado de tentar produzir algum resultado.

Quando queria vê-la, perguntava.

Quando ela dizia não, aceitava.

Quando dizia sim, eu aproveitava.

Não havia estratégia. E talvez aquela fosse a parte mais desconcertante.

Eu tinha passado boa parte da vida acreditando que tudo melhorava quando você entendia as variáveis.

Com Lívia, pela primeira vez, eu não queria controlar nenhuma delas.

Queria apenas que ela estivesse ali.

— Você está com uma cara preocupante — Marcos comentou.

Voltei a olhar para o espelho.

— Que cara?

— De quem acabou de ter um pensamento emocional.

— Vai embora da minha casa.

— Acertei. — Ele terminou o uísque e levantou. — Gravata azul. Sua mãe gosta mais.

— Minha mãe não vai avaliar a minha gravata.

Marcos parou na porta.

— Você realmente não conhece Marta Montserrat.

E foi embora antes que eu pudesse mandar que devolvesse o uísque que nunca ofereci.

\* \* \*

Eu já tinha visto a minha mãe testar centenas de pessoas na vida. Diplomatas, artistas premiados, executivos que se engasgavam tentando manter a conversa em pé por meia hora inteira. Marta Montserrat tem um jeito específico de olhar alguém de cima a baixo, sem pressa, catalogando cada detalhe, e sorrir só depois, como se o sorriso precisasse de aprovação prévia do resto do corpo.

Eu sabia que ela ia fazer isso com a Lívia. Só não sabia se a Lívia sabia.

A festa de inauguração do centro cirúrgico da Fundação foi pensada pela Clara com a precisão de uma operação de guerra: convidados estratégicos, imprensa selecionada, um coquetel elegante e um discurso de abertura que ela tinha escrito e reescrito quatro vezes. Meus pais chegaram exatamente às sete e meia, no minuto marcado no convite, porque atraso é uma coisa que não existe no vocabulário deles.

Eu estava no meio do salão, cumprimentando um patrocinador que insistia em falar sobre o próprio iate, quando os vi entrar. Meu pai, na sua postura de sempre, o terno impecável e o relógio de sempre no pulso. Minha mãe ao lado dele, elegante como só ela sabia ser sem parecer nunca estar se esforçando para isso.

— Gustavo — minha mãe cumprimentou, oferecendo o rosto para o beijo protocolar. — O espaço ficou bonito. A Clara me disse que vocês ampliaram a capacidade cirúrgica em quase quarenta por cento.

— Quarenta e dois, mãe.

— Claro que você sabe o número exato — ela deu um meio sorriso, olhando ao redor com aquele escrutínio silencioso. — Onde está a tal diretora técnica? Isabel não parou de falar dela desde o jantar dos padrinhos.

Antes que eu respondesse, a Isabel apareceu, puxando o braço da própria mãe com uma empolgação que ela reserva só para as coisas que a diverte de verdade.

— Ela está ali, apresentando o programa de castração para o pessoal da imprensa — apontou, o queixo em riste na direção do outro lado do salão. — Mãe, presta atenção nela. Sério.

Segui o olhar da Isabel.

A Lívia estava de pé diante de um pequeno grupo de jornalistas e dois patrocinadores importantes, num vestido azul-marinho discreto, o cabelo preso, e falava com a mesma autoridade calma que eu tinha visto pela primeira vez numa sala de trauma. Não havia nenhum nervosismo na postura dela. Segurava um tablet com os números do último trimestre e apontava para o gráfico projetado atrás dela sem precisar olhar duas vezes.

— Em seis meses, reduzimos o índice de abandono nas regiões atendidas em vinte e três por cento — ela dizia, a voz firme, sem sombra da irritação que costumava reservar para mim. — Isso não é caridade. É logística aplicada com rigor técnico, e o retorno é mensurável.

Um dos jornalistas, o mesmo que tinha me feito três perguntas capciosas sobre os motivos fiscais da Fundação, anotava tudo com uma atenção que eu não tinha visto ele dar a mim em nenhuma entrevista.

— Ela é impressionante — minha mãe comentou, a voz baixa, sem o tom de avaliação que eu esperava. — De onde ela veio?

— De Botafogo. Veterinária de emergência. Trabalhou anos de plantão numa clínica pequena antes de eu convidá-la para assumir a diretoria técnica.

— Você convidou — meu pai repetiu, chegando por trás. — Ou ela impressionou você o suficiente para merecer o convite?

Encarei meu pai por um segundo, tentando decidir se aquilo era um teste ou apenas curiosidade genuína. Com ele, nunca dava para saber ao certo.

— As duas coisas — respondi, sem desviar. — Ela é a melhor profissional que eu já vi na área. E, sim, eu a admiro.

Meu pai não disse mais nada, mas ergueu uma sobrancelha, o tipo de gesto que, vindo dele, equivalia a um parágrafo inteiro de comentário.

\* \* \*

A Lívia terminou a apresentação para a imprensa e atravessou o salão até nós, sem pressa, com aquela postura de quem já tinha decidido, muito antes de chegar, que não ia se encolher diante de ninguém.

— Senhor e senhora Montserrat — cumprimentou, estendendo a mão primeiro para minha mãe, depois para meu pai, com um aperto firme e olho no olho. — Muito obrigada por virem. O apoio da holding tornou tudo isso possível.

— Foi a competência técnica que tornou isso possível, doutora — minha mãe respondeu, e havia ali um respeito genuíno, sem nenhuma condescendência disfarçada. — O dinheiro sozinho não resolve nada. Já vimos muitos projetos afundarem apesar do orçamento generoso.

— Concordo plenamente — a Lívia sorriu, um sorriso de verdade, sem cautela. — Por isso insisti tanto nas cláusulas de auditoria surpresa. Dinheiro sem fiscalização vira só um cheque em branco para a incompetência.

Minha mãe soltou uma risada curta, genuína, o tipo de risada que ela reserva para muito poucas pessoas.

— Ela tem razão, Frederico — disse, virando-se para o meu pai. — Devíamos aplicar esse princípio na diretoria de aviação também.

— Eu escuto isso há dez anos, Marta — meu pai resmungou, mas o canto da boca dele se moveu, quase um sorriso.

Foi nesse instante que um dos patrocinadores mais importantes da noite, um homem de terno claro que já tinha bebido umas doses a mais, se aproximou puxando pela coleira um golden retriever imenso, encostando-o junto à mesa de credenciamento da feira de adoção.

— Doutora, coloca esse aqui na frente também — disse, com a confiança de quem está acostumado a ser atendido. — Trouxe fotógrafo especialmente para registrar. Vai ficar ótimo ao lado do meu nome no banner.

A Lívia examinou o cão por dois segundos, olhando para as gengivas, para os olhos, e balançou a cabeça.

— Ele não está clinicamente liberado. A vacinação está incompleta e ele apresenta sinais de desidratação leve.

— Doutora, nós trouxemos a imprensa justamente para esse tipo de imagem. Você sabe quanto a minha empresa investiu aqui esta noite?

— Sei. Está no relatório na página dezessete — ela respondeu, sem hesitar um segundo. — E continua não alterando o hemograma do cachorro. A imprensa vai fotografar outro animal, um que não corra risco de ser devolvido por mal-estar depois da adoção. Se quiser, posso te mostrar três candidatos perfeitamente saudáveis.

O patrocinador ficou ali, boquiaberto, sem argumento à altura, e por fim se afastou resmungando alguma coisa sobre "burocracia".

Minha mãe, que tinha assistido a cena inteira ao meu lado, ergueu uma sobrancelha na minha direção.

— Ela não se dobra nem para quem paga a conta — comentou, com uma aprovação que raramente concedia a alguém.

— Não mesmo — respondi.

\* \* \*

Foi um pouco depois que o Téo entrou em cena.

A dona Teresa tinha trazido ele para conhecer o espaço, já que boa parte do trabalho da Lívia envolvia justamente aquele lugar. O menino, vestindo uma camisinha social em miniatura escapou da mão dela no instante em que viu a mãe atravessando o salão e saiu correndo, com aqueles passos ainda meio bêbados de quem aprendeu a andar há pouco tempo, direto na nossa direção.

— Mamãe!

A Lívia se abaixou, pegando-o no colo com a naturalidade de sempre, mas eu vi o momento exato em que ela travou, percebendo que estávamos a três metros dos meus pais.

Não tinha mais tempo de recuar.

— Este é o Téo — ela apresentou, a voz um pouco mais tensa do que o normal, quando meus pais se aproximaram, guiados pela curiosidade evidente da minha mãe. — Meu filho.

Minha mãe olhou para o menino por um instante, com aquela mesma avaliação silenciosa que reservava para tudo, e o Téo, sem entender absolutamente nada da hierarquia social ali presente, esticou a mão gorducha na direção do colar dela, um fio de pérolas que provavelmente atravessou duas gerações da família.

— Dá — o Téo declarou, com toda a autoridade dos seus catorze meses, e puxou o colar com força suficiente para fazer minha mãe se inclinar um pouco.

— Téo, não! — a Lívia tentou soltar a mão dele, o rosto instantaneamente vermelho. — Desculpa, dona Marta, ele...

— Deixa — minha mãe interrompeu, e para minha surpresa completa, sorriu, um sorriso real, sem nenhum verniz protocolar. — Ele tem bom gosto. É uma pérola do Golfo Pérsico, meu jovem. Não qualquer uma.

O Téo, satisfeito com a validação que não entendeu uma palavra, soltou o colar e apontou o dedo gorducho para o pulso do meu pai, onde brilhava um relógio suíço que ele usa desde antes de eu nascer.

— Dá! — exigiu, com a mesma convicção.

— Não — meu pai respondeu, com a seriedade de quem negocia uma fusão bilionária. — Este relógio pertenceu ao meu avô.

— Dá! — o Téo insistiu, batendo palmas.

— A resposta continua sendo não, jovem senhor.

— Dá!

Eu observava aquilo com uma mistura de pânico e uma vontade absurda de rir, esperando o momento em que meu pai, cansado, encerraria a negociação com uma frase seca. Em vez disso, ele se abaixou, ficando na altura do menino, e desafivelou o relógio.

— Você pode segurar. Não pode ficar com ele.

O Téo aceitou o relógio com as duas mãos, examinando-o com uma seriedade cômica, e meu pai ficou ali, agachado, os joelhos do terno provavelmente amassando, esperando pacientemente que a criança devolvesse o objeto, negociando cada segundo como se fosse uma reunião de conselho.

A Lívia olhava para a cena com a boca ligeiramente aberta.

— Ele nunca deixa ninguém tocar nesse relógio — sussurrei para ela, aproveitando o instante.

Ela me olhou, incrédula.

— Nunca?

— Eu precisei completar dezoito anos.

Ela abafou uma risada.

— O Téo levou quarenta segundos.

— Estou tentando não levar para o lado pessoal.

\* \* \*

Mais tarde, quando o salão já esvaziava e os garçons recolhiam as últimas taças, encontrei a Isabel encostada perto do bar, observando de longe a Lívia conversar com a minha mãe sobre alguma coisa que fazia as duas rirem.

— Ela é ótima, Gustavo — a Isabel disse, sem preâmbulo. — De verdade. Mamãe já está falando em convidar ela para o almoço de domingo.

— Eu percebi.

A Isabel me olhou de lado, com aquele brilho de quem sabe mais do que finge saber.

— Sabe o que é engraçado? Você nunca teve o menor interesse em bem-estar animal antes dela aparecer. Nenhum. E de repente assumiu a diretoria geral da Fundação num piscar de olhos.

— Eu vi uma oportunidade.

— Você viu uma veterinária — ela rebateu, sem malícia, só constatando. — Não precisa fingir comigo, Gustavo. Eu e a Clara sabemos exatamente por que você assumiu esse projeto.

Não respondi. Não porque não tivesse o que dizer, mas porque, pela primeira vez, a ideia de que aquilo pudesse chegar aos ouvidos da Lívia me incomodou de um jeito que eu não soube nomear na hora.

— Não conta para ela — pedi, baixo.

— Eu não sou idiota — a Isabel revirou os olhos. — Mas um dia ela vai descobrir sozinha. E acho melhor que seja você a contar, não ela a descobrir.

Guardei aquilo em algum lugar, sem saber exatamente onde colocar.

Na semana anterior, Lívia tinha sentado no meu sofá e dito que não sabia mais onde terminava a independência dela e começava a minha generosidade.

Tive a oportunidade perfeita.

E não contei.

Não porque tivesse mentido quando disse que aquele emprego era dela por competência. Era. O currículo tinha passado pela Clara, a proposta técnica pelo conselho, e eu sequer fazia parte da comissão que avaliava o desempenho dela.

Mas existia outra verdade.

Quando soube que precisávamos de uma diretora técnica, pensei em Lívia porque ela era a melhor veterinária que eu conhecia.

Quando decidi me envolver pessoalmente num projeto pelo qual, até então, eu não tinha demonstrado interesse nenhum, pensei em Lívia porque queria continuar vendo-a.

As duas coisas eram verdade.

E ela só conhecia uma delas.

— Eu vou contar — falei.

Isabel virou o rosto para mim.

— Quando?

— Quando eu descobrir como dizer sem fazer parecer que contratei uma mulher porque queria levá-la para a cama.

— Excelente começo seria não usar exatamente essas palavras.

Olhei para ela.

— Obrigado, Bel.

— Disponha. Sou muito boa com comunicação de crise.

— Você trabalha com arquitetura.

— E ainda assim estou fazendo um trabalho melhor que o seu.

\* \* \*

Encontrei a Clara perto da mesa de sobremesas, revisando alguma coisa no tablet, sozinha por um instante entre uma conversa e outra.

— Bom trabalho hoje — falei, parando ao lado dela.

— Bom trabalho seu, principalmente — ela respondeu, sem levantar os olhos da tela. — A propósito. O conselho aprovou a renovação do contrato da Lívia por unanimidade essa semana.

— Eu não sabia que estava em votação.

— Porque você não faz parte da comissão que avalia a diretoria técnica — ela disse, finalmente erguendo os olhos.

— Intencional?

— Muito. Você indicou o nome dela no início. Daí em diante, ela responde diretamente ao conselho técnico, não a você. Achei prudente.

— Fez bem.

Clara deu de ombros, com aquele ar de quem já sabia que tinha feito bem antes mesmo de perguntar.

— Eu sei.

\* \* \*

Encontrei o Arthur na varanda, um pouco depois, fumando um daqueles charutos que ele só acende em ocasiões que considera dignas.

— Sua mãe adorou a Lívia — comentou, sem me olhar, os olhos fixos na vista da cidade. — Nunca vi ela tão à vontade com alguém fora do círculo em anos.

— Ela impressiona qualquer um.

— Impressiona você, principalmente — o Arthur deu uma tragada, soltando a fumaça devagar. — Posso te perguntar uma coisa direta?

— Você sempre pergunta.

— Você pretende adotar o Téo?

A pergunta me pegou de um jeito que eu não esperava, considerando que já devia estar preparado para ela havia semanas. Olhei para dentro do salão, onde a Lívia ria de alguma coisa que minha mãe tinha dito, com o Téo cochilando no ombro dela.

— Eu pretendo amar a mãe dele pelo resto da vida, Arthur — respondi, e a frase saiu com uma certeza que me surpreendeu até a mim mesmo. — O resto a gente descobre no caminho.

O Arthur soltou uma risada baixa.

— Você está muito fodido.

— Estou começando a perceber.

— Demorou.

— Vai cuidar do seu casamento, Harrington.

— É exatamente por estar cuidando dele que eu reconheço os sintomas.

Fiquei ali mais um pouco, olhando através do vidro para a mulher que tinha transformado a minha vida inteira num tabuleiro que eu já nem tentava mais controlar, e para o menino dormindo no colo dela, com o punho pequeno ainda fechado como se ainda segurasse um relógio suíço que não era dele.

Foi só quando voltei para dentro que lembrei de outra coisa. A Isabel tinha me chamado de lado mais cedo, antes de a Lívia se aproximar, para confirmar o jantar de sexta-feira, o aniversário da Bel no Fasano, onde os meus pais já tinham reservado a mesa de sempre.

— Não esquece, hein — ela tinha dito, baixinho, checando a agenda no celular. — Mamãe fez questão do salão reservado.

Eu tinha assentido sem pensar muito, ocupado demais observando a Lívia do outro lado do salão. Só agora, horas depois, aquilo voltou à minha cabeça com um peso diferente.

Sexta-feira. Jantar de família. Um compromisso que, por mais bobo que parecesse, eu não sabia exatamente como encaixar dentro das cláusulas que a própria Lívia tinha redigido.