For you
2 A kiss and a werewolf
Dean.
Como em todo tipo de relacionamento, os primeiros meses eram perfeitos. Mas o perfeito comum não era a mesma coisa que perfeito para um caçador. O lance com Cas ainda estava sigiloso.
– Ei Dean – Sam chamou – Não acha estranho nada de ruim ter acontecido até agora?
– O que quer dizer?
– Sei lá... Demônios ou anjos nos atacando por causa da sua “coisa” com Cas...
– Eu não sei porque isso é ruim. – Dean levantou-se e serviu-se de uísque.
– Isso é ótimo. – Continuou Sam – Mas não é estranho?
– Bom, por enquanto esse “estranho” está bom pra mim. O que temos?
Dean pousou o copo na mesa e aproximou-se do irmão, que lia as noticias no computador.
– Ashland, dois irmãos e uma garota dilacerados. Sem corações. OS três filhos dos policiais da área.
– Lobisomens? – Dean indagou.
– Lua cheira, cara.
Sam e Dean estavam no Impala dirigindo para Ashland em um silencio constrangedor quando Sam perguntou:
– Nunca me disse que gostava de caras também.
Dean freou o carro fazendo com que o corpo de Sam fosse pra frente e voltasse. Dean abriu a porta saiu do carro. Sam fez o mesmo.
– Eu gosto do Cas, ok? E não é como se nós fossemos nos casar. Só gostamos um do outro.
Sam deu os ombros e revirou os olhos.
– Não se fala mais sobre isso.
Se o silencio até ali havia sido constrangedor, o dali pra frente foi pior.
Já vestidos com seus disfarces de agentes federais, Sam e Dean partiram para as pesquisas. Dean conversava com o policial local enquanto Sam, com o legista.
– Então, policial Gillies a única característica em comum entre todos eles é que são estudantes do quarto ano do colégio.
– Isso mesmo. – O policial respondeu – A garota era minha filha.
– Sinto muito pela sua perda.
Dean forçou um sorriso e dirigiu-se a sala de autopsia para encontrar-se com Sam. Aproximando-se do irmão, Sam levantou o lençol que cobria o cadáver.
– Lisa Gillies, a última vitima.
Dean deu uma olhada.
– É melhor darmos uma olhada na colégio.
Sam concordou.
Chegando no colégio de Ashland, Sam e Dean dão de cara com o reitor.
– Eu sou o reitor Rivers, quem são vocês?
– Agentes Clyde e Trainor. – mostraram suas identidades falsas.
O reitor deu uma boa olhada e pareceu convencido.
– Ah, as mortes... Espere, pensei que tivesse sido ataque de animal.
– Temos que explorar todas as possibilidades. Só queremos dar uma olhada nos alunos, garantir que estão seguros. – Sam confortou o Rivers.
– Sintam-se em casa. Minha sala é a última do corredor caso precisem de alguma coisa.
Dean virou-se para Sam:
– Bons tempos no colégio não é mesmo? – Deu uma risadinha sarcástica e um tapinha no ombro de Sam.
– Há há.
Os irmãos foram a procura de alunos do quarto ano para fazer perguntas. O primeiro alvo foi uma garota ruiva com sardas nas bochechas. Ela se vestia como Betty de Ugly Betty e usava um daqueles gigantes óculos redondos de lente fundo de garrafa. Ela estava parada ao lado do memorial dos alunos que haviam sido mortos.
– Com licença – chamou Sam. – Eu sou o agente Trainor e esse é meu parceiro Clyde.
Os dois mostraram as credenciais.
– Leonor, Leonor Walker.
– Leonor, você estava na sala dos... – Dean apontou para o memorial com a cabeça, a menina assentiu. – Nós gostaríamos de fazer algumas perguntas, se não se importa.
Os três se dirigiram para uma sala vazia. Enquanto se acomodavam, algo chamou a atenção dos caçadores no corredor. Era o reitor Rivers e um policial. Os dois pareciam discutir. Leonor também pareceu prestar atenção.
– É o sr. Eastwood. O pai dos irmãos mortos.
– Agente Trainor, por que você não vai ter uma conversa com Eastwood?
Sam assentiu e foi até onde os dois homens conversavam. Dean se virou pra Leonor.
– Então, como os garotos eram?
– Eles eram legais. – Falou – Sabe, não eram populares nem jogavam no time. Eram os nerds da sala.
– Então faziam parte da sua turma? – Dean perguntou.
– Por Deus, não! Eu sou líder de torcida!
Dean tentou disfarçar o quanto aquilo era engraçado e estranho. Focou nas perguntas.
– E a garota, Lisa não?
– Lisa era bem conhecida, falava com todo mundo. Era do jornal. Acho que só isso. Eles não tinham nada de errado, eu acho.
– Leonor, não está esquecendo de nada importante?
– Hmm – ela ficou pensativa e arrumou os óculos. – Não me vem nada na mente.
– Bom, obrigado pela ajuda então.
Dean se levantou e quando ia cruzar a porta Leonor o chamou:
– Espere! Teve... Teve uma briga entre Becky Willians e Lisa.
Dean dirigiu até o motel onde estava hospedado. Chegando lá deparou-se com Sam mexendo no laptop.
– Fiquei sabendo de uma briga entre Lisa e uma outra aluna, uma tal de Becky Willians. O que conseguiu com o policial esquentadinho?
– Era o pai de Lisa. Ele queria resolver a briga da filha com a própria Becky.
– Que cara de pau. Se quisesse brigar por causa da filha que fosse com os pais da garota e não com ela.
– Isso se os pais de Becky não estivessem mortos.
– Lobisomem? – Dean perguntou curioso enquanto abria uma garrafa de uísque.
Sam virou a tela do laptop para Dean. Ela exibia a página de um jornal não-oficial da cidade:
“O casal Willians foi baleado pelos policias, que afirmaram estar sobre o uso de fortes drogas e partiram para cima com violência...”.
– Você acha que ela é “o nosso cara”? Uma criança?
– Definitivamente. – Castiel apareceu no meio da sala.
– Cas? – Dean o abraçou e alguns segundos depois quando já estava ficando constrangedor se separou.
– O que faz aqui Castiel?
– Eu só vim... – O anjo balançou a cabeça em direção a Dean.
– Bom, eu vou comprar algo para comer, talvez eu demore um pouco. Torta, Dean. Eu sei. – Sam saiu com um sorriso um tanto significativo.
Dean sentou-se no sofá e bebeu um copo de uísque. Castiel sentou-se ao seu lado, meio sem graça.
– Então...
– Becky é seu cara. – Cas falou.
Os dois ficaram em silencio por um tempo.
– Certo vamos fazer isso. – Dean falou determinado.
Castiel olhou para ele bem no fundo de seus olhos verdes:
– O que vamos fazer?
Antes de prestar atenção em algo Dean lascou um beijo de Cas. Não um beijo. Um beijão. Para Cas aquele foi o beijo do cara da pizza.
A noite já tinha caído, Sam abriu a porta bruscamente fazendo Dean se assustar. Castiel provavelmente esperava por aquilo. — Parece que você viu um fantasma. – Castiel falou, calmo.
– Dean, eu não quero atrapalhar, mas nós precisamos ir, agora.
Dean virou-se para Cas e disse:
– Ahm, a gente se vê depois amigo.
Castiel sorriu e desapareceu.
– O que houve?
– Becky. Os policial Eastwood tem um recém-nascido em casa. Ele me ligou no meio do caminho e disse que algo entrou em sua casa e tentou atacar o bebe. Ele atirou nela mas não pareceu funcionar, apenas deixou Becky ferida.
– Então ela não deve estar muito longe.
Sam e Dean pegaram o Impala e dirigiram até a floresta mais próxima da casa dos Eastwood, onde Becky provavelmente se refugiaria até estar melhor. Os irmãos se armaram, pegaram suas lanternas e adentraram a floresta.
– Ei Sam, olhe isso.
Havia marcas de garras e sangue em algumas árvores.
– Ela não deve ter ido longe, vamos continuar.
Mais alguns minutos procurando e Sam e Dean finalmente encontram Becky sangrando, sentada no chão. Eles apontaram suas armas.
– Querem me matar? – Ela disse desviando o olhar para os meninos – vão em frente, só vão conseguir me atordoar. De qualquer forma eu não tenho mais nada a perder. Deem mais esse gostinho para aqueles malditos policiais mentirosos!
– Como assim Becky? – Perguntou Dean.
– Dean...
Dean fez um sinal para Sam se calar.
– Certamente você não sabe. – Becky sorriu com os dentes vermelhos sujos de sangue. – Meus pais.
– Continue. – Dean falou ainda apontando a arma para a garota.
– Eu nasci de um caso da minha mãe com um lobisomem. Pelo que me contam, meu pai adotivo ficou irado no começo, mas depois de algumas ameaças do meu pai biológico, ele ficou do lado da minha mãe. Bom, isso passou e eu cresci com muito amor de ambos os lados. Eu nunca havia me alimentado de nenhuma pessoa antes.
– Com que animal você sobrevivia? – Sam perguntou.
– Coelhos, veados. O que meu pai conseguisse caçar por aqui. Eu não tenho o corpo sarado não é mesmo? – Becky riu olhando para seu corpo quase esquelético. – Bom, o primeiro policial morto era amigo dos demais daqui, quero dizer, eles todos cresceram juntos e quando meu pai biológico apareceu por aqui e devorou um deles, ele correu direto para casa de minha mãe.
– Ele deixou rastros. – Palpitou Dean.
– Os policiais nem quiseram saber, não fizeram uma pergunta antes de atirarem para todo lado. Eu fugi.
– Então por que matar os filhos e não os próprios policiais?
– Ora, não é obvio? – Becky encarou Sam com os olhos amarelos, típicos de lobisomem. – Eles tiraram o que eu mais amava, eu só fiz o mesmo.
– Becky o que aqueles idiotas fizeram não foi certo, mas o que você está fazendo também não! – Falou Dean.
– Eu não sou assim! Eu só quis me vingar, depois eu ia sair da cidade.
– E ia viver com seu pai biológico.
A garota ficou quieta.
– Becky nós temos que fazer isso...
– Podem tentar.
O corpo de Becky começou a mudar, ela foi ficando mais forte e pelos começaram a crescer por seu corpo. Antes que ela partisse pra cima, Dean atirou.
***
– Está saíndo? – Sam perguntou à Dean.
– Vou dar uma volta por aí.
Dean saiu pela porta com uma garrafa de destilado. Estava garoando, nada com o que se preocupar. Ele olhou para o céu sem estrelas.
– Cas?
Segundos depois Castiel estava atrás de Dean. Ele virou-se e sorriu.
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