Notas iniciais
Olá, leitoras dessa Fanfic! É com uma dorzinha de saudade que eu vou encerrando essa estória. Apesar da conclusão, vocês já devem imaginar como a vida delas vai seguir daqui para frente. Espero que esse tempo todo de narrativa tenha servido de reflexão das diversas questões que apareceram nesse texto. Boa leitura do último capítulo.


Fecho o último botão do blazer como se fechasse um livro após terminá-lo. Bom, não sei se é aqui que termina um ciclo, mais um entre tantos, bem no dia em que Emma vai receber seu diploma da faculdade, dois anos e meio depois de se curar dos vícios que a acometiam. Imagino que a qualquer momento ela vai entrar pela porta do quarto e vir me observar trocando de roupa, subir na pia com uma maçã nos lábios e esperar que eu fique nua para ser devorada como ela faz com a fruta. Meia hora depois que ela saiu para ir a casa de seus pais, percebo que há uma mancha avermelhada no meu pescoço. Abaixo a gola e lembro que se tratava de um presente de duas noites atrás com Emma; boa música, boa comida, um bom vinho e um tango desajeitado que acabou no tapete da sala.

Depois de tantas vezes em que esse relacionamento se viu abalado pelas nossas escolhas, acho que me encontrar em uma rotina com ela já é um grande sinal de evolução. Emma nunca mais reclamou das minhas mesmices, do pouco sal na comida, dos Yakissobas que encomendamos pelo delivery, nem mesmo de ficar de ressaca aos sábados e domingos de manhã.

Mas ela sempre esteve certa quando me disse que eu jamais seria a Regina advogada brilhante que fui um dia. Meu nome era conhecido, respeitado, todavia, protegido como se Mills não pudesse mais ser desafiada como nas épocas de firma. Após tudo o que aconteceu havia um plano muito bem elaborado para que eu nunca mais fosse perseguida. Um interesse particular dos advogados de Nova York me deixava alheia a casos tão complexos quanto o do BCCI, e, com muita sinceridade, eu preferia ser a nova defensora das estrelas da TV e do Esporte do que me envolver com os valores exorbitantes do governo, embora as estrelas e os esportistas também me pagam muito bem.

Sempre quis ser famosa e reconhecida, até que certo dia consigo a proeza. Então noto que a fama só me serve de isca para atrair mulheres que eu nunca desejei de verdade, simplesmente porque eu era uma frustrada na vida amorosa. Mais meia hora se foi e eu percebo que estou há tempo bastante refletindo sobre o passado. Uma das coisas que Emma me fez jurar há um ano em uma conversa era que devíamos evitar pensar muito sobres as dores. Ela costumava consultar o passado para se sentir melhor comparando com o que era hoje, até que notou o quanto isso poderia ser nocivo para sua cabeça. Só valia uma coisa: lembrar do dia em que nos conhecemos. Por essa razão, certo dia ela comprou um vestido quase idêntico ao que usava na noite em que vi ela no cassino. Desarrumou o cabelo, acendeu um incenso e deixou a sala do apartamento sob luz baixa. Entrei na brincadeira, e ao invés de oferecer cigarros, ofereci chocolate. Nós ainda lembrávamos do que falamos uma para a outra naquela noite e no final, não fui embora, eu beijei Emma como deveria ter feito.

Eu entendi que ela queria reescrever sua história e era justo que eu reescrevesse a minha também. Nesse ponto vemos que em alguns detalhes jamais mudaríamos em essência e talvez fosse isso que eu mais gostasse em Emma, a forma como ela escolheu se aceitar sem perder o jeito que me tornou apaixonada por ela. Até mesmo quando brigamos porque discordamos de um assunto que eu nem lembro mais do que se tratava. Sei que ela ficou quase uma semana tentando me ignorar. Quanto mais me rejeitava, mais provocações eu causava – até que a convenço de passar um final de semana naquela casa de campo que alugamos uma vez, para tentar consertar o que quer que eu tenha dito.

Durante três dias nos isolamos, contemplamos o lago, ela cozinha para mim, eu conto sobre meus novos casos no trabalho, e terminamos em paz de novo.

Eu sabia que mais cedo ou mais tarde teria de enfrentar os conflitos de opiniões, as experiências distintas, o mal humor de vez em quando e assumir que também nunca fui perfeita. Tinha sido assim no começo, quando ela era dependente química, por que achar que isso não fosse acontecer quando ela estivesse curada? É a natureza de qualquer relacionamento sério. E é exatamente assim que me encontro mais feliz por tê-la comigo. Eu a amo.

Nunca consegui expressar totalmente meus sentimentos, porque nem sempre demonstrei através de gestos, e magicamente Emma venceu essa barreira. Olhando para aquela mulher na minha frente, que me preparava o café, que sempre estudava os livros da faculdade, cujo olhos que demonstravam desespero agora eram pura paciência e carinho, que me obrigou a lutar pelo o que eu achava certo, que quase renunciou a vida porque seu amor por mim era maior que seu amor próprio. Eu olhava para aquela mulher tão jovem e amadurecida, me perguntava se fazia sentido gostar tanto de uma pessoa e a resposta que me vinha era sempre a mesma: Sim, sempre fez sentido.

Olho de novo para o relógio e não posso perder mais tempo no closet do quarto. Saio, porque hoje é um dia especial por duas razões.

Na hora do almoço converso com o proprietário da casa de campo que Emma e eu alugávamos pelo Airbnb, após incessante negociação para convencê-lo a me vender. Ofereci um valor alto considerando que o chalé não custava tão caro. O homem depois de muito relutar, não resistiu ao cheque com a primeira parcela que assinei na sua frente. Fizemos negócio e era apenas uma questão de buscar as chaves. Nós duas tínhamos um chalé em Lake George e eu mal poderia esperar para contar a novidade.

Emma foi visitar os pais e tirar as fotos com a beca de formatura antes da cerimônia oficial, eu ficaria o dia todo sem vê-la, mas já tinha uma amostra do quanto ela estava orgulhosa de si. Era justamente sobre esse assunto que eu refletia quando deixei o restaurante com um contrato de venda na mão. O quanto Emma estava animada por ter se formado, passado nos exames com boas notas e se tornado uma profissional de gastronomia. Uma Vez, minha amiga, Ingrid Fisher, – agora esposa de minha irmã – disse que não havia recompensa maior na vida de alguém quando essa pessoa se encontrava em uma profissão. Eu entendia essa sentença, além de que lutei para retomar a minha carreira uma vez. Só eu sei o quão orgulhosa eu me sentia no dia em que me formei. Só que para Emma, talvez a graduação tenha um sabor muito mais doce. É uma conquista que ela quase abdicou diversas vezes em detrimento das crises.

Logo noto que é difícil em um dia como aquele cumprir a promessa que fiz a Emma de não lembrar de fatos que nos marcaram. E isso é muito evidente quando esbarro em Killian na entrada da Macy’s. Claro que ele se assusta depois do que fiz com seu rosto certa noite há dois anos, desde desse dia não nos víamos. Ele me cumprimenta ao parar, me olha com respeito, está bem vestido e segurando uma sacola do departamento de roupas masculinas.

— E aí, tudo bem?

— Oi, Killian. Bem, e você?

— É, tô okay. Há quanto tempo, hein?

— Sim, faz um tempo que não vejo você por aí. O que tem feito?

— Trabalhando. Fui promovido mês passado, responsabilidade em dobro. — ele parece confortável ao dizer. — Te vi semana passada no jornal das oito. O T. Jonathan do Knicks é seu cliente. Isso faz inveja em qualquer advogado dessa cidade.

— Ele me escolheu, isso significa que sou boa. — sorrio.

— Sim, você é incrível, não tenha dúvida. E a Emma, tá tudo bem com ela?

— Emma está ótima. Obrigada por perguntar.

Ele olha o relógio e estende a mão.

— Tenho que ir agora, foi bom te ver de novo.

— Igualmente.

Agradeço silenciosamente por ter encontrado Killian, não só ali naquele instante, mas quando ele era meu noivo. Aquela obsessão em me vingar dele tinha acabado completamente. Parecia que ele tinha superado o soco que levou na cara e minhas palavras de desaforo, ótimo que tenha sido assim. Reencontrá-lo também não me doía mais tanto. Eu chegara em um ponto onde tudo de errado fez sentido, e tudo de certo era consequência. Pode soar infantil chegar a essa conclusão assim, mas é aí que entra o paradoxo. O errado nos leva ao certo em algum momento da nossa vida. Killian era a pessoa errada, e a minha revolta por ter me dado tão mal no relacionamento dele me levou a errar milhares de vezes até eu chegar à pessoa certa. Por aí se vê também que meu namoro com Emma começou de uma forma nem um pouco convencional, podendo ser sim da forma errada, porque eu não queria me envolver com ela. No final das contas entendi que devia transformá-la na pessoa que ela estava buscando ser e que a levou ao caminho certo. Entre acertos e erros não dá para mensurar quantas vezes você vai tentar acertar o alvo.

Deixo o Macy’s uma hora mais tarde com meu vestido pronto para a festa de formatura. De volta ao escritório, recebo de Belle o recado que meus pais mandaram para a casa dos Swan um bonito buquê de rosas chá para Emma, parabenizando pela formatura. Eu ligaria para mamãe outra hora perguntando como foi que ela soube que Emma estaria na casa dos pais, mas já imaginava que Margaret e ela se tornaram amigas finalmente. Há mais ou menos dois meses, meus pais estiveram em Nova York e nos reunimos para um jantar no apartamento. Foi a primeira vez que se viram e tiveram a oportunidade de conversar pessoalmente, deixando Emma e a mim muito surpresas. David Swan propôs a meu pai que ele comprasse algumas ações da empresa para qual trabalhava, fazendo com que eles tivessem contato constantemente a partir de então.

Na mesma hora minha secretária, após despejar os recados dos clientes e me lembrar do que eu deveria fazer pelo restante do dia, me entregou a correspondência e encontrei no bolo de cartas um cartão postal com uma paisagem Africana. Era de Zelena e Ingrid com sua filha. Elas decidiram visitar o continente para ficarem por dentro da cultura da pequena Ana que estava bem crescida desde a última vez em fomos a Rhode Island.

O cartão dizia:

“Querida irmã,

Sua sobrinha e Ingrid mandam muito beijos diretamente da Cidade do Cabo. Em breve estaremos na Tanzânia para conhecer a savana e prometo que vamos tirar muitas fotos para mostrar quando voltarmos. Diga a Emma que estamos muito felizes pela formatura. Ana morre de saudades de vocês duas.

Ps: espero que esse cartão chegue antes dela se formar. XOXO”

Uma coisa era certa, eu nunca vi Zelena tão feliz. Mudar seu estilo de vida completamente fez bem para ela. Apesar dos nossos atritos, superamos todas as nossas diferenças. Notei que Zelena nunca foi minha rival, nunca quis ser melhor do que eu, e que fez uma escolha errada julgando ser o melhor para nós duas. Entendo que sendo pressionada e influenciada, ela dificilmente não cairia em tentação. Isso passou, foi motivo de raiva por um bom tempo, mas agora eu vejo o quanto fortaleceu o meu vínculo com os Mills.

Meia dúzia de ligações, quatro clientes e alguns gramas de capuccino mais tarde, devia correr para ficar pronta a tempo. Indo para casa antes do engarrafamento fiquei imaginando no dia de princesa que Emma deve ter ganho dos pais. Embora eu quisesse muito fazer parte, deixei que os Swan mostrassem seu orgulho pela filha presenteando-a. Isso poderia muito bem me dar uma vaga ideia de como seria o dia em que iríamos nos casar. Até hoje passamos despercebidas pela escolha da data, porque nunca estivemos preocupadas em apressar nada. O que era conveniente fazer agora? Dizer que temos um chalé e que o comprei para servir na lua de mel? Pensei na hipótese e acho que comecei a gostar de me imaginar em um vestido branco simbólico, me casando com Emma na beira do lago.

Me arrumei devagar para não deixar a ansiedade me engolir àquela altura. Liguei o som e ouvi pela quadragésima vez a música que gostávamos em comum; passei o vestido no vapor, me banhei, sequei os cabelos e voltei ao quarto para vesti-lo. Quando o coloquei no corpo me lembrei de um fato que não conseguiria esconder de ninguém. As cicatrizes nas minhas costas. Não tinha percebido em nenhum momento que aquela seria a primeira vez em anos que usaria um vestido onde as benditas ficariam expostas. Pela primeira vez eu me sentia confortável em mostrar ao mundo as marcas que ganhei de um acidente.

Me perguntei quando foi que me acostumei com elas? A resposta foi se tornando óbvia a medida que o tempo foi passando. Enfim eu entendia uma conversa que tive com Emma certa vez quando sentamos no sofá e ficamos abraçadas, eu no colo dela.

— Nem parece que você sofreu um acidente. — dizia enquanto me olhava os ombros, certamente olhava para as marcas que eu tinha na pele das costas, mas ela podia, ela podia qualquer coisa.

— Porque estou justamente tentando esquecer que sofri um acidente. Prefiro pensar que já nasci com elas, que não são o peso de uma história nas minhas costas.

— Se for pensar por esse lado acho que é mais fácil. Pena que eu nunca chegaria a esse ponto.

— Cada pessoa uma forma de encarar a realidade. Já fui muito racional, devo ter melhorado.

— Você se tornou mais generosa consigo mesma.

— E você não?

— Nossos casos são diferentes. Eu não sofri um acidente, não fui enganada por ninguém, sequer amei antes de você. Eu só fui uma garota drogada a vida toda porque era muito tonta para assumir meus sonhos. O tempo todo queria encontrar uma motivação para sair do vício e só me dei conta de que dependia apenas de mim quando te encontrei. Não me amava o suficiente para buscar a cura, foi preciso você me mostrar que valia a pena.

— Hoje você se ama?

— É, posso dizer que sim, me amo pra caralho. — Dou uma risada e seguro suas mãos ao meu redor.

— Sou muito feliz por saber disso.

— Será que é amor próprio o que te fez gostar das suas cicatrizes? — ela pergunta, encostando a cabeça em meu ombro.

— Pode ser, Emma. Pode ser. Acho que não há motivos para lamentar, as cicatrizes existem e pronto. Há coisas melhores a se pensar.

— Sim, claro que há.

Foi a partir dessa conversa que Emma me fez prometer não lembrar muito do passado. Ela tinha entendido o que eu disse sobre as cicatrizes e devia repetir quando se tratava dos seus problemas com drogas.

Fechei o vestido e me maquiei, passei meu perfume favorito, enfim pronta.

Cheguei na cerimônia uma hora antes da abertura e acenei para Emma de longe. Estava com um vestido rodado que eu conhecia, mas não via por conta da beca por cima. Via sua beleza no rosto e na trança, na forma como andou até mim e sorriu de orelha a orelha. Minha reação foi abraçá-la de imediato.

— Quer me matar do coração?! Você está linda nesse vestido, meu amor!

— Fale baixo, sua doidinha, espere para elogiar depois da cerimônia. É você quem está linda.

Ela sorri de novo e me beija no rosto perto da boca.

— Meus pais estão bem ali sentados, se quiser tem um lugar reservado ao lado deles.

Olho na direção para qual ela aponta e vejo Margaret e David acenando.

— Tá bem. Vai, está quase na hora de começar. Eu te amo! — falo baixinho e ela pisca.

— Eu também te amo. — ela diz antes de subir no palco de volta.

Assisto a cerimônia ao lado dos pais dela que não deviam estar menos orgulhosos. O orador – um aluno ilustre — fala da importância de se trilhar uma carreira, antes disso da bonita escolha que aquelas pessoas fizeram ao ingressar em uma universidade, que tinha certeza de que os novos profissionais tinham um potencial para inspirarem futuros alunos. Falou também de sua experiência, de como sua mãe prometeu pagar os estudos mesmo que tivesse de vender limonada na porta da casa para realizar o sonho dele. Realmente algo de encher os olhos. Vi que Margaret ficou especialmente emocionada com a fala do rapaz. Hoje ela seria capaz de se pôr no lugar de Emma e com certeza tomaria decisões diferentes quanto seu futuro. Mas existem coisas que devem acontecer para fazerem sentido depois, por isso ela se sentia tão emotiva, porque sua filha estava provando que superou os problemas que separaram elas duas por tantos anos.

A cerimônia se estende, realmente é muito bonita quando você nota o brilho no olhar de cada pessoa que subia ao palco. Emma recebeu seu diploma, cumprimentou os professores, comemorou com seus colegas e jogou o capelo para cima com todos os outros alunos no final.

Meia hora depois nos encontramos. Eram muitas famílias, muitos formandos e muita alegria. Missão cumprida, o que restava era uma bela comemoração.

Houve vezes em que ela me tirou o fôlego somente por ter colocado uma roupa diferente, mas hoje apesar da beca, é seu auge. Nunca vi seu rosto tão sereno, os olhos tão verdes e sua pele parecer seda. Ou estou muito encantada ou realmente Emma se tornou tudo o que eu jamais conseguiria imaginar quando a conheci. Emma recebeu flores dos pais e os agradeceu muito. Ela não precisava dizer muita coisa, já tinham conversado há muitos dias sobre o futuro. David abraçou a filha e lhe sussurrou algo, depois segurou na mão de Margaret e sorriu para nós duas.

— Nós vamos deixá-las a sós, vamos dar uma volta.

— Aproveite e conte a novidade para Regina, Emma. — Margaret sugere e acena se afastando.

Olho para os dois, depois para a loira e continuo não entendendo.

— Tem alguma coisa que eu ainda não sei?

Emma se enrosca em meu pescoço, ignorando que estamos literalmente no meio das pessoas que tiram fotos e conversam. Ela entra comigo em um mundo totalmente particular, me fazendo acreditar que não há mais ninguém além de nós duas naquele espaço todo.

— Essa semana o meu chefe no restaurante me efetivou.

— De verdade? Emma, isso é ótimo!

— Com uma condição — ela segura meus lábios com as pontas dos dedos. — Que eu seja sócia. Eu vou ter metade daquele restaurante agora e no futuro pretendo comprar a parte dele.

— Mas espera, como fez isso e não me disse nada?

Ela sorriu da cara feia que devo ter feito e voltou a segurar meus lábios delicadamente.

— Queria te surpreender. Eu não disse nada porque precisava mostrar um pouco de independência até mesmo para mim. Conversei com meu pai e ele me deu o dinheiro para investir.

— Humm... Independência... Acho que entendi. — Reflito por breves segundos. — E posso imaginar que a parte dele você vai comprar com o dinheiro que juntar.

— Exato. Você é bem esperta, sacou logo. — Ela levanta suas sobrancelhas bem depressa.

— Deveria ter me contado, eu poderia comprar a parte dele e ao invés de você ter um chalé no campo, teria um restaurante.

Ela é quem não entendeu dessa vez.

— Tá falando sério?

— Muito sério. Negociei com o dono do chalé de Lake George e comprei. É nosso agora. — Quando ela tentou dizer alguma coisa, eu segurei seus lábios tal como fez comigo antes. — Mas não comprei ele apenas porque você gosta muito daquele lugar... Eu acho que a gente deve começar a pensar em uma data.

Seus olhos brilham e ela entende o que estou tentando dizer. Ela abaixa minha mão e ri como uma criança que acaba de ganhar o presente que pediu ao papai Noel.

— Você não tá pensando no que eu tô pensando, né?

— Eu estou pensando exatamente no que você está pensando.

— Para quando? Mês que vêm? — pergunta, mordendo o lábio inferior com ansiedade.

— O que acha de semana que vêm? 12 de maio.

Notei que estava com os olhos marejados.

— É... É... É claro! — Ela me agarra, me aperta, está sorrindo. — É claro que sim, eu quero.

— Não tem mais jeito, você não vai me escapar. Se quiser desistir tem apenas sete dias.

— Só se eu fosse muito idiota de não querer me casar com você.

— Acho que chegou o momento, não há por que adiar mais.

— Minha nossa, Regina, eu quero gritar que te amo por Manhattan inteira.

— Você vai ter muito tempo para fazer isso, agora a gente devia comemorar que você é uma mulher formada em Gastronomia, é sócia de um restaurante e tem uma casinha.

— Eu jamais seria sem você.

— Me sinto muito orgulhosa por tudo o que conquistou.

— Existe muito mais coisa para conquistar a partir de agora. — Ela me mostrar o canudo com o diploma, olha as alianças em nossos dedos e suspira aliviada. — Me deixa só passar a me chamar Emma Swan “Mills”.

— Não é o sobrenome mais bonito dessa cidade.

— Mas com certeza o sobrenome da mulher que me ama e me quer ao lado dela. — E depois de uma pausa: — Eu não sou mais o que as pessoas acham que eu sou, eu sou o que você me tornou.

O que ela diz é lindo e me deixa sorrindo contente. Ela me beija na boca, no meio da multidão, me pega pelo braço, e me tira dali.

Notas finais
Foi um trabalho árduo, porém imensamente gratificante. Quem leu tudo até aqui entende. Então, só agradeço pela paciência e pela caridade em acompanhar uma fanfic que não é para qualquer público. Vejo vocês na novíssima Seen Through the Crime. XOXO para todas vocês.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!