For a moment - CIP
1 For a moment
Notas iniciais
Sempre achei que Thomas e Teresa foram injustiçados, então essa one me surgiu. Espero que gostem.
O vento gélido fez Thomas tremer, o outono estava chegando ao fim e o inverno já mostrava seus aspectos temperamentais. Ele olhou para o céu, as nuvens escuras indicavam que uma chuva rápida assolaria a região em poucos minutos. Ajeitou a vara de pescar apoiando-a no ombro direito, verificou a cesta na mão esquerda, conferindo se a mesma estava fechada.
Mais alguns minutos caminhando e ele finalmente pode avistar no final da campina sua casa, seu lar. Se dissessem a ele há alguns anos atrás, que aos trinta anos ele estaria vivendo no campo, pescando em águas limpas, cuidando de porcos, galinhas, vacas, bois e cabras e plantando, ele nunca acreditaria. O mundo que ele conheceu e o que ele ofereceu aos filhos era bem diferente. Não existia fulgor e o mundo voltava a funcionar normalmente, como antes do vírus devastar a tudo e todos.
Em vez de seguir para o rancho, Thomas tomou o caminho para o galinheiro, talvez alguns ovos cozidos acompanhassem bem os peixes que ele tinha conseguido. As galinhas se agitaram com a presença dele, o galo quase avançou , mas ele jogou alguns grãos e eles se acalmaram. Thomas colocou a vara de pescar do lado de fora do galinheiro, abriu a porta e buscou por alguns ovos, os colocou na cesta e saiu. Pegou a vara de pescar e seguiu para casa. A casa era de madeira, um tom avermelhado, possui-a uma varanda com sete metros de comprimento e dois de largura, duas janelas, uma na sala e outra na cozinha. A porta, ficava na lateral esquerda da casa, Thomas deixou a vara ao lado dessa e entrou.
—Papai! — a voz aguda alegrou os ouvidos de Thomas
Ele largou a cesta no chão e estendeu os braços para o pequeno que corria em sua direção.
—Chuck! — Thomas o levantou e o abraçou fortemente — Tudo bem? Como foi seu dia? E a escola? — ele o colocou no chão
—Eu tive aula de ciências hoje, sabia que a terra é o terceiro planeta do nosso sistema solar? — os olhos do pequeno garoto de seis anos brilharam e Thomas não pode dizer que sabia
—É mesmo? Eu não sabia disso! — ele bagunçou o cabelo do filho — Você se comportou ?
—Sim, pai. — Chuck sorriu
—Bom garoto.
Chuck sorriu e voltou a brincar no tapete da sala. Thomas pegou a cesta e passou pela sala em direção a cozinha.
A cozinha era mediana, apenas móveis essenciais e uma mesa de jantar. E na bancada, ali estava ela, a mulher de sua vida, mãe de seus filhos e uma excelente cientista, cortando cenouras para a janta. Thomas nunca imaginou que ela largaria a vida da pesquisa, na qual ela fora bem sucedida, para viver com ele no campo. A escolha do campo se deu por que a vida era simples e lembrava um pouco o tempo quando eles estavam na clareira, ela entendia isso e gostava.
—Vai ficar parado ai muito tempo ou vai me dizer quantos peixes pegou?
A voz da esposa o tirou de seus pensamentos, os olhos azuis o encaravam, esperando a resposta.
—Dez peixes, todos em perfeito estado. — ele lhe estendeu a cesta, sorrindo bobamente
—Passou quase o dia inteiro lá e só conseguiu dez peixes? — ela arqueou a sobrancelha, pegando a cesta da mão dele
—E precisa de mais?
Teresa riu.
—Não.
Thomas a puxou pela cintura, ela colocou as palmas de suas mãos em seu peito.
—Sentiu minha falta?
Ela fingiu pensar.
—Um pouco, talvez. — o tom brincalhão fez Thomas abrir um sorriso largo
—Eu senti sua falta. — ele disse, antes de beija-la
O choro ecoou pela casa, Teresa suspirou.
—Ele chorou o dia inteiro, acho que sentiu sua falta.
—Eu vou lá. — ele lhe deu um beijo na testa e saiu
Andou até o quarto das crianças, abriu a porta e sorriu ao ver que Newt estava de pé no berço.
—Ei rapaz? — ele se aproximou, o pequeno ainda chorava, ele o pegou no colo — Sentiu minha falta não foi? — Thomas o ninou, e aos poucos, o choro foi diminuindo e dando lugar a olhos atentos ao pai — Você gosta de ser mimado não é mesmo? — Thomas acariciou seu rosto, o dedo anelar passando entre o vão de suas sobrancelhas, fazendo com que Newt fechasse os olhos toda vez
Minutos depois, Newt dormia tranquilamente nos braços do pai, Thomas teve cuidado ao coloca-lo no berço, para não acorda-lo, o cobriu e saiu sem fazer barulho, fechando a porta devagar.
—Ele dormiu? — Teresa perguntou quando o viu, ela estava sentada no tapete da sala, junto a Chuck.
—Dormiu. — ele confirmou
—Papai, olha só o que eu e a mamão construímos! — Chuck chamou, apontando o que seria uma estrada com carros
Thomas se sentou ao lado da esposa. Chuck lhe ofereceu um carrinho.
—Eu senti sua falta sim. — Teresa confessa baixinho, encaixando a cabeça no pescoço dele. Thomas passa a mão pelos ombros dela e a puxa para perto.
—Eu sei. — ele responde no mesmo tom
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—THOMAS! — o grito de Brenda o fez acordar assustado
Ele sentou na cama, olhou ao redor, engoliu em seco, o coração batendo forte.
—Por que você gritou? — perguntou
—Você não queria acordar por nada. Estamos atrasados para a reunião do conselho.
Thomas se esticou e então se levantou, sem pressa. O ato fez Brenda suspirar.
—Vou tomar banho, fico pronto em 10 minutos. — ele avisou
Thomas andou em direção ao banheiro de sua suíte, alternou o olhar entre a banheira e o chuveiro, pensando qual seria mais rápido. Ele tirou o pijama, ligou o chuveiro e deixo a água quente cair sobre sua pele. Dois minutos depois, ele desligou o chuveiro e se secou. Saiu do banheiro e encontrou seu terno perfeitamente passado em cima da cama.
—Pelo menos ela me poupou de escolher. — murmurou para si, ele detestava ter que ir até o closet e escolher um de seus vários desnecessários ternos
Vestiu tudo e parou na frente do espelho para arrumar a gravata vermelha. Deu o nó com cuidado. Pronto, ele estava pronto para começar o dia.
A vida Thomas agora era assim, reuniões e mais reuniões. Ele fazia parte do Conselho Nacional, que comandava e planejava buscas, entregas, missões e distribuição da vacina. O fulgor ainda existia, eles ainda lutavam para elimina-lo, a vacina fora produzida em massa e aperfeiçoada. Tudo graças a Teresa.
Teresa entrou para história descobrindo a cura, as escolas ensinavam sobre ela. E sem ela, os outros cientistas demoraram anos para entender e decodificar o vírus.
—Vamos? — Brenda o chamou
Thomas se virou, prendeu o botão do terno.
—Vamos.
O caminho até o prédio do Conselho Nacional não era longo, o motorista sempre pegava as ruas menos movimentados e isso adiantava o percurso. Hoje não foi diferente, passando por ruas quase vazias, com prédios enormes onde a elite daquele mundo morava, Thomas via sua vida supérflua. Morar na cidade onde um dia foi base do C.R.U.E.L era como reviver lembranças passadas. Se um dia ele os criticava, hoje parecia um deles.
O carro parou, Thomas abriu a porta, os guardas da portaria da sede do conselho nacional lhe cumprimentaram com respeito, Thomas não precisava de um cartão como os demais que entravam por ali, ele era o próprio cartão.
Brenda passou a mão por dentro do braço dele, ele nem percebeu ela, sua mente vagava no sonho que tinha tido e da superficialidade de sua atual vida. Juntos, eles entraram no prédio.
Thomas não podia deixar de pensar que toda sua atual vida infeliz devia-se exclusivamente a suas escolhas. Vários “e se?” passavam pela sua cabeça. E se ele tivesse entendido Teresa ? E se tivesse ido com ela? E se tivesse segurado sua mão? E se a salvasse?
Em frente a porta da sala de reuniões, Thomas viu que suas escolhas o levaram até ali. Se ele pudesse fazer diferente, ele faria. Se pudesse realizar algo parecido com o sonho que tivera nessa noite, ele realizaria.
Ele não podia, tinha que lidar com suas escolhas. Mas por um momento, apenas por um momento, através daquele sonho, ele foi feliz.
Notas finais
Espero que sim.
Entrem no nosso perfil e visitem nossas outras fanfics, tenho certeza que vão gostar de alguma.
Beijinhos da Samy ♥
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