For You
3 Inferno, aqui vou eu
3 meses antes da merda acontecer.
Já teve momentos em que você quis voltar no tempo? Óbvio que sim! Que pergunta essa a minha haha...
Bem, mau cheguei na casa da minha tia e ja quero sair correndo.
— Faz tempo que meu saco de pancadas preferido não vinha me visitar... — Johnny diz isso com um sorriso desde tamanho enquanto me prendia na parede.
— Desculpe, eu estive ocupado fazendo coisas que eu não lembro, e faria de novo só pra não te vê. -respondi indiferente.
— Nossa, que afiado! Aprendeu com o melhor, é claro. -ele deu um sorriso zombeteiro.
— Que não é você, óbvio. -dei de ombros. — Vá, me deixe. -saí de seu aperto o empurrando levemente pra trás.
— Onde você pensa que vai? -ele me puxou pelo braço. -Por acaso eu disse que você podia ir?
Abri um sorriso maldoso o encarando.
Bem! Primeiramente vou contar como foi meu dia e como terminei aqui com essa anta acéfala. Vamos lá!
[...]
Eu estava sentando de baixo de uma árvore lendo um livro no qual eu havia pego na biblioteca da escola. Eu preferia mil vezes a companhia de livros e meus fones de ouvido, do que ter que trocar palavras com aqueles animais, vulgo alunos/pessoas.
Tirei meus olhos do livro olhando em volta, estávamos no intervalo(ou recreio tanto faz) e vários alunos estavam em seus próprios grupos. Eu sempre considerei a escola como um zoológico, porque... Fala sério, eu preciso mesmo explicar?
Bom, desde que eu li o livro "Selva de pedra" minha visão sobre a escola mudou e eu passei a vê todos como animais.
Por exemplo, os jogadores de futebol me lembram muito macacos! Idiotas e... Hum... Sem cérebros? É, isso mesmo.
As líderes de torcidas me lembram galinhas, mas não aquelas galinhas adultas, bom, só uma delas! Mas enfim, a galinha mãe que é seguida pelos pintinhos, que no caso os pintinhos são suas amigas.
As garotas populares me lembram gatos, tão esnobes e belos...
Os valentões me lembram cães, as vezes fico na dúvida de qual seria a raça deles, pitbulls ou chihuahua?
— Pega! -olhei pro lado vendo que um dos macacos havia lançado a bola de futebol em minha direção, mas antes que chegasse perto de mim, ele a pegou com toda a sua agilidade de um perigoso leão que ele era.
John McCarter, capitão do time de futebol e também meu primo. O animal mais perigoso na minha percepção.
Johnny me encarou perguntando alguma coisa que eu não ouvi, obviamente por conta dos meus fones no volume máximo. Apenas dei de ombros voltando a olhar pro meu livro.
A verdade é que nem todos do time de futebol eram macacos, tinham exceções como o Johnny. O time de futebol era composto por macacos, leões e cães. Perfeito, não?
Eu e Johnny somos completos estranhos um pro outro desde muito tempo, somos de mundos diferentes. Ele é do dia, eu sou da noite, ele é água, eu sou óleo, ele é um leão, e eu sou um gavião. Mas nós temos algo em comum além do mesmo sangue, o fato de nos detestarmos.
Quando a gente era criança, ele sempre me tratava mal, por isso nunca tentei ser amigo dele. Eu apenas deixava que ele me pertubasse, mas devido a acontecimentos na minha família, eu mudei meu modo de agir. Passei a ignora-lo, como se ele fosse invisível. Mas... As vezes o pego me olhando... Como se estivesse me estudando.
Humpf... Se ele acha que sou a mesma presa fácil de antes, meu caro, ele está muito enganado.
— Oii! — uma ruiva sentou ao meu lado arrancando meu fone do ouvido, minha melhor e única amiga, Jéssica. -Huum... Eu ja li esse livro, é bem decepcionante o final.
— Obrigado, Jess! Super me motivou a querer continuar! -sorri sarcástico fechando o livro.
— Nossa, foi mal. Enfim! Você viu como Olívia Watson veio vestida hoje?-Ela falou com aquele ar de fofoqueira que eu conhecia muito bem. Ela ficou tagarelando que a menina veio com um vestido caríssimo. — Onde ela pensa que está?! Numa festa chique?! É de dá vergonha alheia.
— Interessante. -falei com a voz carregada de tédio. -Aí! -ela me deu um soco no ombro.
— Você não ta prestando atenção em mim! -ela revirou os olhos cruzando os braços.
—Claro que tô, só não estou nem aí para o que Olívia está vestindo. Por mim, ela podia vim ate pelada que eu não perceberia.
Ela deu uma risada que me fez rir também.
—Você não está com inveja dela né? -perguntei levantando uma sobrancelha.
—Por que eu estaria com inveja? So porque o cabelo dela é lindo, tem roupas legais e é quase perfeita, sem contar que ela é a mais bela da escola? Não, não estou com inveja dela, Adam. -ela revirou os olhos cuspindo sarcasmo.
—Ela não é a mais bela da escola. E o cabelo dela parece um esfregão, sem contar que as roupas dela são chamativas. Pra mim, ela tenta chamar atenção. -tirei uma mecha de cabelo da frente de seu rosto. — Eu sou mais você. -sorri gentil.
Ela corou sorrindo timidamente.
— Ah Adam, só está dizendo isso porque é meu melhor amigo! -ela sorriu. — Você não é objetivo!
Dei de ombros.
— Que seja então, horrorosa. -A provoquei bagunçando seus cabelos.
— AAah! Seu idiota! -ela começou a me estapear. Comecei a rir enquanto desviava de seus golpes. — Ah! -ela parou subitamente de me bater olhando por cima do meu ombro.
A olhei confuso, porém não tive vontade de olhar pra trás.
— Que foi? -perguntei vendo seu rosto corado.
Resolvi olhar pra trás, mas Jéssica me impediu segurando meu rosto.
— Ai. Meu. Deus! -ela falou pausadamente — Não olha agora! Johnny está vindo na nossa direção! -ela sussurou animada soltando meu rosto. — Shh! Finge que não percebeu!
Ela olhou pro céu fazendo de conta que admirava algo.
Revirei os olhos, foquei meu olhar em minhas mãos. Logo vi dois pares de sapatos em minha frente. Levantei o olhar vendo Johnny me olhando com seus olhos castanhos... Sempre tão profundos, como se olhassem minha alma. Eu odeio seus olhos, o jeito como me olha...
— Oi A... -ele começou, mas foi imediatamente cortado por Jéssica.
— Oiii Johnny!! -Jéssica respondeu animada.
— É... Oi! Você é a... -Johnny tocou em sua nuca olhando pra Jéssica confuso.
—Jéssica! Fazemos história juntos! -ela sorriu docemente. Adam pareceu ainda mais confuso. -... Eu sento na sua frente..
— Ahhh! Você tirou os ôculos? -ele perguntou com o ar de quem lembrou algo.
Revirei os olhos.
— Sim, ja faz 2meses. Que bom que notou! -Jéssica respondia toda bobinha.
— Já era gata, sem eles então... -Johnny dizia com aquele maldito sorriso no rosto.
Jéssica ficou mais vermelha do que ja estava, sorrindo feito boba. Me levantei pegando minhas coisas.
— Adam, queria te perguntar... -Johnny começou, mas eu passei por ele o ignorando. — Ei!
Continuei andando. Quanto mais longe fico dele, melhor eu fico. E também posso presumi o que ele ia perguntar; Alguma idiotice é claro.
Pra minha sorte, o sinal bateu e eu pudi fugir de meu querido primo.
As aulas foram fascinantes como sempre, mas fascinante ainda quando acabou.
Recolhi minhas coisas as botando tudo dentro de minha mochila. Sai da sala seguindo a multidão de alunos que queriam ir embora também. Saindo pela porta, avistei Johnny junto de seus dois macacos que ele considerava amigos, um tal de Josh e Matt. Dois macacos na minha opinião.
Passei por eles como se eles e nada fossem a mesma coisa. Mas francamente, não vejo diferença hihi.
— Ei... -senti alguem agarrar meu pulso. Nem precisei olhar pra saber que era o encosto. — Até daqui a pouco, princesa! -o sarcasmo em sua voz transbordava.
"Daqui a pouco?" do que está falando? Deus me livre vê ele mais de um vez no dia. Com sorte eu nem vejo ele na semana, essa semana não é uma delas.
Puxei meu pulso caminhando como se não tivesse sido interrompido. Avistei meu pai ao longe com o carro. Fui ate lá abrindo a porta e me sentando.
— Vamos nessa, coroa. -falei brincalhão.
— Como é, Adam? -ele me olhou feio
— Digo, vamos papai! -forcei um enorme sorriso.
— Ah tá. -ele ligou o carro e assim prosseguimos indo pra casa. — Escuta, eu vou ter que viajar.
— Ah? Sério? Por que? -perguntei mudando as estações do rádio. Fazia tempo que papai não viajava.
— A trabalho, surgiu um caso em outra cidade, eu aceitei. Esse caso vai demorar um tempo, então vou ficar uns dois meses fora, tudo bem? -ele perguntou sem tirar os olhos da estrada.
Meu pai era advogado, um excelente advogado. Minha mãe também, acho que nossa família toda era.
— Tudo bem, eu dou conta da casa. -dei de ombros.
— É... Então, eu falei com sua tia Edna pra você ficar com ela esse tempo que eu to fora e...
— Me diz que ela recusou!- arregalei os olhos.
—É claro que não! Aceitou de bom grado! Ela te adora! -ele me olhou rapidamente. — Qual o problema?
— Pai! Eu não sou mais criança! Posso cuidar de mim sozinho! Não quero dá trabalho pra ela! — mentira, eu que não quero ficar dois meses com aquele diabo do Johnny.
Não é porque estou mais seguro de mim ou mais forte, que eu queira viver com ele.
— Que trabalho o que! Já ta decidido.- ele parou o carro em frente de casa. — Você têm 10 minutos pra pegar só o necessário. Meu voô é em 30 minutos, então... -ele ficou me olhando. — Anda!
Fiquei indignado! Como ele ousas me tratar como criança?! Fala sério! Eu tenho 16 anos, não preciso de babá!
Entrei dentro de casa e subi as escadas indo pro meu quarto, abri o guarda roupa e peguei varias camisas, calças, shortes, cuecas e meias. Soquei tudo dentro da minha mochila.
Olhei pra porta do meu quarto e suspirei.
Não quero ir...
Coragem Adam! Você não é mais aquele medroso de 4 anos atrás!
Dei algumas batidinhas em meu rosto e desci as escadas. Liguei o alarme e tranquei a porta.
— Inferno! Aí vamos nós! -falei com uma falsa animação na voz.
— Engraçadinho. -papai riu negando com a cabeça.
...
Ele dirigiu ate a casa de titia e parou o carro frente, sai do carro e fui ate seu lado do carro. Papai tocou em meu rosto e beijou minha testa.
—Pai...
— Comporte-se. Diga a sua tia que mandei lembranças. -ele sorriu. Desviei o olhar. — Vamos, não faça essa cara! Serão só dois meses.
— Eu espero... -murmurei.
— Tenho que ir. Te amo, filho.
— Também te amo, pai. -sorri.
Ele ligou o carro e se foi. Fiquei o olhando ate o carro sumir do meu campo de visão.
Olhei pra trás vendo a porta do inferno. Suspirei indo ate lá.
Toquei a campainha e fiquei esperando que alguém a abrisse. Logo Johnny apareceu me encarando meio surpreso.
— Pensei que só viesse mais tarde. -ele disse abrindo espaço pra eu entrar. Queria era nunca ter que vir.
Então ele ja sábia... Por isso o "Ate mais tarde".
Entrei o olhando indiferente.
— E aí? O gato comeu a sua língua? -ele perguntou com um olhar divertido.
— Quem deras... Mas não, infelizmente não. -suspirei fingindo está chateado por isso. — Infelizmente ainda consigo falar e desgasta minha doce e bela voz com sua... Presença fascinante. -sorri vendo seu olhar irritado.
Haha! Fazia tempo que eu não via esse olhar.
Foi tão rápido que com o susto, deixei minha mochila cair. Ele me imprensou na parede e... O resto vocês ja sabem.
Fiquei vendo sua mão segurando em meu pulso. Sorri maldoso me soltando dele e agarrando sua gola o puxando ate que ficássemos na mesma altura.
— Com quem acha que está falando? Com o Adam de 12 anos? -deixei nossos rostos a centímetros de distância. Olhei em seus olhos que me encaravam surpreso. — Prazer, te apresento ao Adam, 16 anos. -o soltei o empurrando pra trás. — Cuidado... Se eu fosse você ficaria esperto.
Peguei minha mochila do chão.
— Eu não sou mais aquele Adam. -o olhei indiferente. Abri um sorriso falso — Será um prazer morar com você de novo, priminho querido.
Ele estava perplexo, mas logo sua expressão se desfez e uma que eu nunca havia visto tomou conta de seu rosto.
—Oh, o prazer é todo meu.
Pra começo de conversar, eu não devia tê-lo provocado
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