For The Rest Of Ours Lives
5 Capítulo 5
Notas iniciais
_Aí estão vocês, temos os resultados?
Ambos se viraram para Catherine que mais uma vez os interrompia. Desta vez, em silêncio concordaram que era melhor assim.
Grissom libertou Sara de seu domínio e retornaram ao corredor. Estavam alterados e as palavras que mutuamente fossem lançadas, seriam mais dolorosas que uma adaga e seu alto poder de destruição. Se Cath percebeu a briga ou o clima tenso, nada comentou e eles estavam gratos por aquilo.
_Nenhum DNA combina. — Sara informou, soando forte e segura. Era o seu trabalho, sua prioridade. Sua raiva havia se dissipado um pouco.
_Então o quê? Voltamos à estaca zero?
“Não necessariamente”– Ela mordeu seu lábio inferior, era o que tinha vontade de responder, mas não entregaria o jogo, não na frente de Grissom. Se eram provas que ele queria, então que assim fosse. Sabia o que fazer, e se tudo saísse como esperava, derrubaria Heather desse pedestal ridículo que ele a mantinha!
_Hey você. — Cath estranhou sua filha desfilando pelos corredores com uma mala a tiracolo. Aonde ela pretendia ir com aquilo?
Lindsey achou que estivesse fazendo um favor à Grissom e de repente, alarmes soaram em suas cabeças.
_Bomba!!!
Catherine mal terminou de alarmar para todo o laboratório, Grissom agarrou o braço de Sara, como se mais nada pudesse ter importância e a puxou para fora do perigo iminente. Só queria tirá-la dali! Demonstrando toda a sua preocupação, ele a manteve agarrada a ele por todo o tempo depois de alcançarem o outro lado da rua. Seu coração batia apressadamente nos ouvidos dela, o peito duro contra seu rosto, os braços a protegendo como se ela ainda o pertencesse. Sua adrenalina ainda estava nas alturas e mesmo que a segurança dela fosse sua prioridade naquele momento, tê-la em seus braços era como se lhe devolvessem a sua Sara.
_Você está bem?
Depois do choque inicial e toda aquela euforia, Sara o empurrou como se todo aquele cuidado lhe fizesse mal. Com toda certeza, aqueles mesmos braços recentemente também envolveram Heather. Além do mais, ela não estava propensa a fingir que eles não tinham acabado de travar uma batalha!
_Por favor ... não faça isso! — Grissom estava atordoado.
Ela fez um movimento de voltar para o laboratório, mas ele a impediu rapidamente.
_Você fica! Nem que eu tenha que amarrá-la!
Sara arregalou os olhos, com a associação imediata das atividades que aconteciam no ambiente em que sua “amiga dominadora” vivia.
_Ah ... não! — Ele havia entendido perfeitamente o que era aquela reação. _Eu estou implorando que, para sua segurança, não saia daqui ... e ... eu ainda sou sim o mesmo homem com quem conviveu, você aceitando ou não!
Longe dos olhos de todos, toda aquela interação havia sido detalhadamente observada, algo precisava ser feito.
~♥~
O scanner tornou a ameaça de bomba infundada. A mala, na verdade abrigava parte de um cadáver. Uma nova corrida para descobrir a identidade daquele dorso ocupou a quase totalidade dos envolvidos naquele caso. A esperança de que tivessem novas respostas causou uma certa ansiedade na equipe, mesmo que aquela peça não parecia se encaixar no quebra-cabeças que ficava mais intrigante a cada momento.
David entregou um micro cartão SD retirado durante a autópsia com sua mensagem de ameaça, e Henry revelou a identificação do dorso. Novamente o nome de Lady Heather foi trazido para a discussão e, desta vez pelo próprio Grissom. Wolfowitz era o assassino de Zoe, filha da ex-dominatrix e, que no passado, havia sofrido um ataque quase mortal executado por ela mesmo e, lembrado por Sara, que o fato não se consumou porque ela havia sido interrompida pelo próprio Grissom.
O olhar mortal que ela havia lhe lançado, demonstrava o quão magoada ainda estava, mesmo ele demonstrando toda sua preocupação momentos antes.
As lembranças haviam deixado Sara mais uma vez desconfortável. Ela se lembrava de ter se sentido péssima ao descobrir por ele mesmo o que havia acontecido com detalhes que ela preferia não saber. Na ocasião, eles ainda se encontravam às escondidas e ele estava atrasado, o que raramente acontecia! Estava guardando a refeição dele quando ouviu a porta ser destravada. Ele havia mudado de roupa outra vez, os cabelos molhados. Ela sabia que ele tinha tomado banho no próprio laboratório e estava usando uma jaqueta diferente. Ele a beijou rapidamente e lhe pediu desculpas. Com calma, contou a ela que havia tido um palpite sobre o sumiço de Wolfowitz e que os encontrara no deserto, ele ainda completou sem jeito, que Heather estava completamente desestabilizada. O que fez com que Sara imaginasse que ela precisava ser confortada e, abraços podiam ser confortáveis, por exemplo! Essa talvez fosse a razão da mudança de suas roupas! Pelo menos, ele não tinha o cheiro doce do perfume dela, facilmente explicado por um banho mais recente.
No mesmo instante em que Sara parecia em transe se recordando do passado, Grissom também se remeteu àquela noite e quando Sara completou que o dorso também era o homem que Heather quase matou se ele não tivesse a impedido, um flash de uma conversa que tivera com ela o deixou emudecido.
Ele se lembrava vividamente, justamente na mesma noite em que a resgatou de fazer o que talvez fosse o maior erro de sua vida. Vingança!
“
Heather foi levada juntamente com a polícia e liberada rapidamente, Grissom se ofereceu para levá-la para casa. Ainda muito abalada, ela não conseguia formular uma frase inteira, repetindo a todo momento com a voz entrecortada que ele deveria tê-la deixado terminar o serviço. Em um sinal fechado ele segurou em seus ombros e com a voz firme, ordenou que parasse. Como se tivesse desligado algo dentro dela, a voz repetitiva cessou. Depois que estacionou no pátio da casa, ele a acompanhou até a sala, pediu que ela tomasse um calmante para que pudesse dormir mais tranquila, e se assustou quando ela segurou em sua mão com olhos suplicantes.
“Não me deixe sozinha!”
“Você ficará bem, preciso ir ...”
Sara não saía de seu pensamento, e imaginou como ela se sentiria se soubesse do pedido dela.
Os olhos dela escureceram, suas feições endurecidas.
“O que você faria se alguém tirasse a vida da pessoa que você mais ama?”
Ele a encarou igualmente taciturno, depois desviou seus olhos para um ponto distante.
“Eu ... não sei!”
Ela suspirou dolorido, estava tão aquebrantada, mas mesmo mais calma, ela ainda parecia delirar impossibilidades.
“Estarei de olho nele, pode ter toda a certeza do mundo!”
“Deixe isso para a justiça, ele terá o julgamento que merece.”
“A justiça é falha, ela sabe o que é preciso fazer, porém nem sempre o faz!”
Antes que ela se pronunciasse novamente, houve alguns segundos de tensão.
“Fique!”
“Eu ... tenho realmente que ir ...”
“Por favor, Grissom, não me faça implorar.”
Ele arregalou os olhos, sabendo que, para alguém na posição dela, precisaria muito mais que coragem para ignorar a humilhação.
Ele sabia o que precisava escolher, o que seu coração já havia escolhido.
“Você não precisa disso, Heather!”
Ela assentiu, admitindo sua derrota. Ela sabia para onde ele estava indo!
”
Algo se acendeu dentro dele. Se seu sentimento de ódio parecia altamente perigoso com a morte de sua única filha, como não estaria seu psicológico com a perda de alguém muito importante, novamente! Ela poderia ser uma excelente profissional, mas curar a si mesma exigia muito mais do que autoconhecimento. Exigia frieza e em alguns casos, a ajuda de um outro profissional.
~♥~
Sara digitou o primeiro nome da lista e esperou pelo resultado. Toda a equipe havia concordado em uma pequena pausa e ela aproveitou o momento para dar continuidade em sua investigação particular, torcendo para não ser interrompida. Ela não conseguia pensar em mais nada que não fosse a veracidade das informações repassadas por Heather que havia deixado claro, fazer o que for preciso para limpar o seu nome. Não acreditava naquilo nem por um segundo.
Uma lista com os treze pacientes de Heather estava sobre sua mesa, com os mortos em destaque. A primeira pesquisa voltou. Morto em abril de 2014 por aneurisma. Ela digitou o próximo e o próximo ... todos voltaram com o mesmo resultado. Mortos! Infarto, overdose, câncer.
_Droga! — Sara praguejou em frustração, tinha tanta certeza que estava no caminho certo e que pegaria aquela mulher em sua própria mentira. Mas talvez não estivesse mais pensando com clareza por conta do cansaço. Aquele seria um erro infantil demais para alguém com a inteligência e esperteza de Heather. De repente um pensamento lhe ocorreu. _E se ... — Ela não podia acreditar que não havia pensado naquilo antes, a resposta não estava diretamente naquela lista. _Bingo! Heather relatou treze pacientes. — Falou consigo mesma e então sorriu. Talvez não fosse totalmente verdade sobre aqueles números, e se estivesse escondendo alguém? Se seu propósito era se safar, poderia ter mais alguém a quem ela tivesse ocultado. Só porque ela dissera treze, não significava que não pudesse existir um décimo quarto ou quinto ... precisava voltar àquela casa e confirmar suas suspeitas. Se ela estivesse escondendo algo, ela encontraria!!!
~♥~
O celular dela não parava de tocar, o nome de Grissom piscando na tela, insistindo. Ela estacionou e pegou o maldito aparelho.
_Alô! — Ela teve vontade de gritar o que ele queria com ela, mas se conteve, precisava de muita concentração para enfrentar seu novo desafio. A casa dos horrores de Lady Heather!
Segundos de silêncio e a voz dele ganhando seus ouvidos.
_Sou eu! Nós temos que conversar ... Sara!
_Não posso ...
_Onde você está?
_Dirigindo ... precisei estacionar para atender.
_Eu ... posso ir até você?
_Estou resolvendo assuntos particulares ... — E era a mais pura verdade, aquele assunto havia se tornado pessoal, mesmo que não admitisse!
Outro pequeno silêncio.
_Não fuja de novo ... você poderia me dar uma chance de explicar?
Ela estava magoada, chateada, nervosa, querendo sumir daquilo tudo que estava vivendo com ele, tantas decepções, mas não poderia deixar de admitir que ele tinha o direito de se explicar, se defender. Chegaria o tempo deles de aparar tantas arestas, mas com toda certeza, não seria o momento!
_Me dê um tempo ... — Ela queria dizer que não conseguiria ouvir com imparcialidade, estava afetada demais!
_Tudo bem, mas ... tome cuidado! — Algo em seu íntimo estava com medo, muito medo. Ele sentia que ela poderia correr perigo, mas não conseguia explicar como!
Ela desligou o telefone imediatamente, esquecendo toda sua educação.
_Dane-se Grissom!
~♥~
O cheiro adocicado daquele lugar lhe enojava, mas precisava passar por cima de todo e qualquer empecilho que estivesse em seu caminho se quisesse escancarar a verdade.
Aquelas paredes lhe arrepiavam, elas pareciam dizer, juntamente com os móveis no estilo vintage. Eram de bom gosto, muito bem restaurados, mas a questão era que haviam presenciado momentos de uma interação que passava longe de sua aprovação. Mesmo com aquela aparência quase luxuosa, ainda assim aquele ambiente lembrava promiscuidade.
Ela subiu as escadas e olhou cada detalhe daquelas paredes forradas com tecidos caríssimos, talvez franceses. Ela se deparou com um conjunto de cadeiras estilo Luiz XV, duas delas estavam com seu tecido original, um tanto desgastados pelo tempo, mas havia ainda um terceira com o mesmo tecido, porém totalmente novo. Ao se aproximar, ela conseguiu reconhecer que naquele móvel, não havia a mesma depressão no encosto, era mais larga e bem mais recheada. As tachas de fixação também pareciam novas. Seus olhos bem treinados conseguiram reconhecer ali, uma possibilidade. Ela sacou o abridor de cartas na mesa que provavelmente deveria ser usada como complemento e forçou a retirada de toda fixação em prata envelhecida.
Ela deu um passo atrás quando “o recheio” caiu aos seus pés, um álbum com a capa em vermelho vibrante e letras douradas. Ela reconheceu as mesmas iniciais da chave e se agachou para revirar as várias fotos que se destacaram quando ele se abriu, usando as luvas que havia trazido.
_Os pacientes da chave dourada.
Suas mãos tremiam diante daquela descoberta e lá estava o motivo de suas buscas. O oculto décimo quarto paciente.
Uma pequena chave estava fixada na contra capa e parecia ser de uma porta.
Com a pequena peça nas mãos ela se viu olhando para as portas uma a uma, na sua maioria todas com fechaduras enormes.
Ela desceu até a sala que era usada como consultório, fez uma busca minuciosa e nada descobriu que combinasse com aquela chave.
Não se dando por vencida, ela voltou para o andar superior vistoriando novamente todos os cômodos, tateando as paredes também revestidas, com muito mais atenção. Havia um enorme armário cobrindo uma das paredes do último quarto no final do corredor. Uma a uma, as portas foram abertas e observadas, muitos livros, peças antigas, objetos de colecionadores. Até que encontrou, escondido no que parecia ser uma porta dividida em duas partes, um fundo falso, disfarçado por pequenos trabalhos de marcenaria e nele o buraco exato para sua peça dourada.
Ela girou com cuidado e uma luz automática se acendeu imediatamente iluminando o pequeno espaço secreto. Seu coração quase parou.
_Oh meu Deus!
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