Notas iniciais
Mais uma vez não podemos deixar de agradecer os reviews que estamos recebendo. Vocês são demais! Aos que chegaram agora na fic, apertem os cintos e sejam bem vindos. Loh e Ro.

—Confissão?

Ela balançou a cabeça afirmativamente e apertou os lábios, ele fez o mesmo.

—Eu havia perguntado se conhecia bem aquela casa.

—A mansão?

—Sim ... eu quis dizer ... o lugar todo, com suas masmorras e quartos e ...

—Onde quer chegar? Eu jamais usei qualquer coisa que existe lá, Sara! Nunca, por favor acredite em mim ...

—Eu acredito!

Ele a olhou muito surpreso, já estava imaginando que ela havia o negado justamente porque acreditou que ele fosse adepto ao sadomasoquismo! Não tinha nada contra quem o fizesse, mas ele nunca havia se interessado por aquela prática a não ser para benefício de seu trabalho. O homem que havia sido com ela, durante o relacionamento deles, era exatamente o que ele era. Não havia segredos, mistérios, uma vida diferente, nem mesmo quando havia dormido com a ex-dominatrix! Lembrar sobre aquela noite havia lhe deixado estranho. Ele não tinha tantas recordações realmente daquela primeira e única vez que dormira com Heather.

Ele continuou a encarando, esperando o próximo passo, apreensivo.

Sara se virou para pegar algo sobre a mesinha lateral.

—Sabe o que é isso?

—Uma chave?

—Sabe de onde é?

Deus, porque ela o torturava?

—Não faço ideia ...

—Heather tem um quarto inteiro dedicado a você! Do chão ao teto. Um verdadeiro santuário!

—Não estou entendendo, eu ...

Ela suspirou para tomar coragem, ele realmente desconhecia aquele lugar secreto.

—Não foram apenas fotos de seus pacientes que descobri ... foram fotos suas!

—Fotos minhas ... — Ele repetiu aparvalhado.

—Centenas delas, trancafiadas em um quarto secreto, cuja passagem está entre os livros da biblioteca!

Grissom piscou várias vezes tentando visualizar o que seria aquela revelação. O que Heather fazia com fotos suas?

—Não sei como dizer isso ... ela é obcecada por você, Grissom!

Ela poderia ter tirado algumas fotos mas não conseguiu, talvez se tivesse mesmo que fazê-lo por obediência ao seu trabalho, mas de livre e espontânea vontade, jamais!

Ele se remexeu impaciente, tentando se lembrar se alguma vez Heather havia tirado fotos suas. Nada.

De repente, ele percebeu o quanto ela parecia destruída com aquilo, ainda mais. Deus, ela realmente o amava, embora não tivesse mais dúvidas!

Ele levou umas das mãos até a boca, perplexo!

—Se me permite dizer, ela tem um quarto de adoração gravado seu nome nele!

—Eu nunca imaginei ... nunca ... não sei o que dizer.

Sara olhou além dele, a expressão ainda mais triste.

—Eu não pude ... todas aquelas fotos em minha cabeça ...

Ele pegou em suas mãos com delicadeza, segurando uma expressão de dor!

—Tudo bem ... eu posso entender, agora! — De novo ele apertou seus lábios para não desmoronar na frente dela. _Me perdoe se isso não te faz bem , mas preciso saber ... o que elas retratavam?

—Você! De todas as formas e maneiras possíveis! Algumas talvez ... antes de ... de ... nos relacionarmos, e muitas outras ... — Ela segurou um soluço. _Heather me excluiu de todas elas! Meu Deus, essa mulher é maluca! Como não consegue ver ... como ... como pôde ... trair o que tínhamos dessa maneira, Grissom?

—Eu nunca trai você! Pelo amor de Deus!

—Existem tantas maneiras de se trair alguém!

Ele se calou, ela tinha razão. Havia traído suas verdades, traído o que ela sentia por ele, traído a si mesmo e por consequência, atingido a quem mais importava em sua vida! Muito sério e ainda mais arrasado, ele pediu.

—Eu preciso ver isso com meus próprios olhos.

—Não acredita em mim? — Antes que a raiva tomasse conta de seu coração, ele tratou de se desculpar.

—Por favor, me desculpe ... claro que acredito, é só ... que eu ... mereço esse castigo, Sara!

—Castigo?

—Se tem um culpado em tudo isso, sou eu! Admito o quanto fui um idiota ... e estar de frente com a prova de minha estupidez, é apenas o mínimo que mereço.

Agora tudo fazia sentido. Ele trocara uma vida feliz, por uma enganação! Acreditara em palavras que o fizeram sofrer. Ele havia destruído a vida dela e a sua também!

—Me dê a chave.

—Quer que eu vá com você?

—Não! Eu preciso fazer isso sozinho!

~♥~

Pelo caminho todo, sua mente repetia as palavras de Sara, rememorado suas emoções, suas angústias. A vergonha batendo em seu íntimo como uma tempestade arrasadora.

Seguindo as coordenadas dela, ele demorou apenas segundos para localizar o lugar exato. Agora só precisava girar a chave e entrar naquele maldito quarto. Assim que acendeu a luz, ele paralisou, como ela mesmo fizera.

—Jesus Cristo, Heather! O que significa isso?

Tantos sentimentos atravessaram seu ser que ele achou que não suportaria tamanha insensatez! Absurdamente chocado, ele tapou sua boca para reprimir os muitos palavrões presos em sua garganta!

Cada vez que ele via uma foto onde Sara deveria estar ao lado dele, seu ódio se potencializava. Assim que olhou para o teto, não conseguiu segurar um grito de horror, tinha sido praticamente involuntário.

—Não! Isso não! O que você fez com a minha vida, Heather! Por quê?

Sara havia olhado para aquilo também. Como foi que ela conseguira olhar para ele? Como ela havia conseguido quase fazer amor com ele?

Cada vez mais, as coisas faziam sentido. Sara nem sequer deveria ter se deixado ser tocada.

Em um acesso de raiva, agarrou o que pôde daquelas malditas fotos e partiu em minúsculos pedaços, uma a uma. Era uma cena de puro rancor e desespero, ele precisava extravasar sua ira, enquanto não visse a última imagem destruída, não pararia! Que anulassem aquelas provas, caso fossem necessárias para um julgamento! Ele pouco se importava. O que precisava saber já estava escancarado diante dele. Heather era uma maluca, vil e inconsequente!

Ele olhou ao redor, ainda muito irado imaginando como alcançaria o teto, então se lembrou que ela tinha uma escada na casa de máquinas, que abrigava o motor da piscina e as ferramentas do jardim. Ele mesmo já havia estado ali, observando o jardineiro dela podar algumas árvores, há um bom tempo passado. Ela era uma mulher de hábitos e, para tanto, gostava de ter tudo sempre no mesmo lugar!

Em alguns poucos segundos, ele arrombou a pequena porta, que era bastante frágil e encontrou o que procurava.

Cego e sem pensar que a escada parecia muito frágil, ele o fez.

A primeira foto que arrancou do teto, foi a que estava nu e semicoberto sobre a cama dela! Como se esganasse um assassino, ele esmiuçou aquela imagem até se transformar em pedacinhos minúsculos, trancando os dentes de puro nervosismo. Ele ignorou a dor maçante que estava sentindo em sua cabeça, e só foi pensar que poderia ter tido um acidente vascular cerebral quando já não havia uma foto inteira!

Ele se ajoelhou cheio de remorso sobre o emaranhado de papéis destruídos, levou as mãos no rosto, e deu vazão aos seus mais íntimos sentimentos. Ele chorou copiosamente por tudo o que aquela cena significava. Sua total cegueira, sua consideração por quem não merecia e tantas outras coisas que lhe rasgavam a alma. Se Heather aparecesse em sua frente, talvez fizesse com ela o mesmo que havia feito com aquelas imagens. Sempre acreditou que em situações extremas, o lado perverso se sobrepunha ao bom. A raiva ceifava as boas intenções, envenenava o julgamento e poderia sim fazer de um homem de bem, um assassino cruel! O ser humano tinha extremos que dificilmente a ciência poderia explicar. Talvez o lado físico, mas nem sempre o emocional!

Algum tempo se passou até que sua crise de choro cessou e ele recobrou sua sanidade! Seus joelhos doíam, assim como sua cabeça, os olhos queimavam feito fogo e ele se levantou bem devagar. Olhou a bagunça em seu entorno, caminhou por sobre o que sobrou daquelas imagens, tentando aceitar que eram verdadeiras, que por trás delas havia uma intenção quase macabra! Despedaçado, ele caminhou para fora daquele inferno, ouvindo o telefone tocar em seu bolso, ele olhou no visor. Era Sara!

—Oi ... — Sua voz estava diferente, sem forças e muito baixa, deixando-a alarmada!

—Grissom! Me diga que está tudo bem! Por que não me atendeu antes? É a terceira vez que ligo!

Ele não havia ouvido. Em sua ânsia de acabar com aquele pesadelo, não prestaria atenção nem mesmo que um dilúvio cobrisse a cidade de Las Vegas, com seus raios e trovões!

—Desculpe ... eu não ouvi!

O silêncio fez com que ela acreditasse que ele havia desligado.

—Tem certeza que está mesmo bem?

—Sim ...

—Eu não acredito em você, vou avisar o DB e ir ao seu encontro agora!

—Não precisa ... já estou indo embora.

—Não volte para o laboratório, vamos nos encontrar ... em casa!

Ele mal percebeu que ela não havia dito minha casa.

—Está bem.

Ela continuava não acreditando nele, estava cordato demais, com uma fala mansa demais! Antes que protestasse mais uma vez, ele desligou, deixando-a preocupada ao extremo.

Assim que se sentou ao volante, ele sentiu os dedos adormecidos e a visão ficar turva, precisava tentar se acalmar e ir até Sara. Ele tinha tanto a lhe dizer, confessar a atrocidade que havia feito com ela por acreditar em Heather!

Na verdade ela é quem insistira em manter contato com ele depois que ele havia se tornado um consultor do governo. Na ocasião, as conversas eram esporádicas, mas se tornaram frequentes quando ele começou a se questionar se estava fazendo Sara feliz.

Sobre todas aquelas descobertas, sua visão havia se tornado totalmente distorcida. Sua mágoa lhe ajudou a enxergar toda a verdade daquela relação de amizade que ele acreditava ter vivido com ela. Tudo era uma grande farsa! Será que ela o amava? Ela tivera tantas oportunidades para lhe dizer sobre seus sentimentos! Se bem que ele jamais tentaria ter algo com ela novamente, não havia a menor possibilidade. Ele se sentiu confuso quando imaginou se em algum momento tivesse alimentado qualquer tipo de esperanças à ela! Heather era astuta e inteligente o bastante para perceber o grande amor que sentia por sua ex-mulher. Tão grande que ele lhe dera a liberdade, mesmo correndo o risco de ser infeliz o resto de sua vida. Como ele poderia querer que Sara vivesse uma vida plena, sem que ele pudesse atrapalhar? E sua decisão havia sido baseada na informação de que ela estaria bem, vivendo em paz, com possibilidades de ser feliz com um outro alguém!

—Eu sou um estúpido!

Ele bateu no volante quando aquelas lembranças vieram à sua mente.

No mesmo instante, uma dor aguda atravessou sua nuca e ele freou bruscamente, quando as náuseas vieram.

—Eu preciso de um médico!

Mal enxergando, ele discou os números da emergência, assim que conseguiu estacionar com segurança, descreveu seus sintomas com a voz entrecortada pelo mal estar. Ainda com dificuldade, deu sua localização e abraçou o volante para apoiar a cabeça nele.

—Oh Sara ... me perdoe ... eu fui um egoísta ... eu preciso de você! Eu te amo tanto ... tanto ...

Segundos depois seus sentidos sumiram, o telefone caiu de suas mãos batendo com força no assoalho.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.