For The Rest Of Ours Lives
1 Capítulo 1
_Sara.
_Gil.
Tinha sido um longo tempo, desde que a vira pela última vez. Aquele adeus havia sido a coisa mais difícil que ele fizera em sua vida.Ele sabia porque doía tanto estar ali, sabia o quanto queria voltar, mas também sabia o quanto não deveria. Eles estavam seguindo suas vidas, cada qual com seus caminhos, seus projetos, seus sentimentos! As muitas milhas de distância, por diversas vezes, gigantescas, pareciam apenas centímetros com ela tão perto naquele momento! Se esticasse suas mãos, ele a tocaria. Se ele pudesse simplesmente fingir que tudo estava bem e pudesse trazê-la para seus braços!
Assim como ele, tão incerta, Sara não conseguia pensar em nada que pudesse parecer natural! Ele parecia bem, havia perdido peso, ganhado um leve bronzeado e os mesmos olhos azuis poderosos que sempre lhe tiravam o fôlego, pareciam um pouco mais tristes. Grissom também não parecia muito certo do próximo passo e ela sorriu interiormente com o seu embaraço. Ainda o conhecia tanto, e era perfeitamente capaz de sentir seu desconforto. Poucas pessoas tinham o poder de desconcertá-lo e ela sabia que era uma delas, ainda se sentia poderosa com a façanha.
Com a mesma rapidez, seus pensamentos mudaram. Ele estava ali único e exclusivamente por um caso que envolvia Lady Heather e toda a tensão que sempre havia quando ela estava em causa! Estar ciente que esse era o único propósito daquele retorno, doía demais, ainda! Mesmo que ele havia sido convidado a voltar, não tornava a situação mais fácil de aceitar. O motivo continuaria zombando dela.
Grissom não conseguia conceber estar de volta assim, se sentindo ainda tão frágil. Vivera o inferno quando decidiu se separar dela.
Após um longo tempo sem voltar para casa, ele percebera o quão triste ela parecia, assim como ela percebera também, o peso daquela distância toda havia lhe tirado o brilho que ela sempre transparecera.
Agora, assim tão perto, ele sentiu que poderia estar enganado em relação à todas as suas dúvidas.
“Você precisa abrir seus olhos ... ainda a ama ... cuidado com suas decisões, elas podem te destruir.”
E ele não havia ouvido sua própria consciência, vivera cada dia tentando se convencer que tinha tomado a decisão mais acertada para ambos. O que ele não sabia, era que ela estava arrasada pelo mesmo motivo. A comunicação entre eles estava péssima, e sua tristeza não era por estar com ele a cada oportunidade que o trabalho permitia e sim saber que sempre seria tudo tão breve. Eles tinham tantos momentos lindos.
Fazer amor com ele nunca havia deixado de ser maravilhoso. Ele era um amante cuidadoso e sabia como nenhum outro satisfazê-la. As despedidas estavam se tornando mais difíceis a cada dia, os pedaços arrancados de seu coração estavam se tornando cada vez maiores.
Onde eles haviam se perdido? Qual o ponto crucial e fatídico que os afastaram daquela maneira?
O que ele queria naquele momento era poder abraçá-la e esquecer todo o tempo em que vivera apenas para seu trabalho. Mas e se ela tivesse alguém? E suas incertezas, que o fazia impotente e sem ação?
Segundo suas informações mais recentes, talvez ela pudesse ter mesmo encontrado outra pessoa, alguém que a possuísse e conseguisse arrancar as marcas que havia deixado nela, alguém que ocupasse seu coração, e ganhasse as emoções que um dia haviam lhe pertencido! Mas, se fosse realmente daquela maneira, qual a razão daquela expressão tão triste que via diante dele?
Mas que diabos de sensação era aquela que desconversava de suas razões, que traduzia através dos olhos dela o mesmo texto da primeira vez em que percebera que ela o amava?
Grissom apertou os dedos contra as palmas das mãos e viu quando ela fez o mesmo.
_Você parece bem!
Que nada! Ele não estava bem, estava desleixado com sua barba, não comia direito e estava a cada dia mais em companhia dele mesmo, feito um lobo solitário do mar.
_Você também!
E ela imaginou que todo seu esforço não havia diminuído um milímetro sequer de seu sentimentos por ele. Bem ela estaria, se nada daquilo tivesse acontecido e ainda acordava ao lado dele. Bem ela estaria, se ainda faziam amor no chuveiro, dividiam o café da manhã e tinham a cumplicidade muda de quando ainda viviam um romance às escondidas. Bem ela estaria, se aquelas mãos ainda tocassem seu corpo da maneira deliciosa de sempre, dos braços dele ao redor da cintura dela no balcão da cozinha. Dos lábios quentes em seu pescoço, a excitando como nenhum outro.
‘’Pelos céus ... volte para o foco, esqueça seu passado ...’’
Se ela pudesse descobrir uma equação que a fizesse continuar seguindo em frente, continuar apenas focada em seu trabalho, não se importando com a presença dele, ela certamente compraria a fórmula a qualquer preço!
~♥~
D.B. havia feito seu papel de boas vindas, admirava aquele homem de uma maneira ímpar, assim como o respeitava por ter formado uma equipe tão fantástica como a que tinha em mãos, mesmo com alguns dos seus se dispersando. Ele era um ávido apoiador de Sara e sabia que ela ainda não havia se recuperado do final estranho que tinha sido aquela separação. Sua confirmação ao ver o brilho nos olhos dela diante dele, não lhe deixou nenhuma dúvida! Pelo pouco que sabia, ele também percebeu o quanto Sara parecia incomodada por descobrir que Grissom ainda mantinha contato com Lady Heather! Na verdade todos pareciam incomodados com a simples menção do nome daquela mulher, principalmente Greg! Não era segredo para ninguém o quanto ele, juntamente com Nick, haviam se tornado super protetores com Sara após o divórcio.
Assim que Conrad lhe perguntou a última vez que ele havia mantido contato com Heather e a resposta dele tinha sido há alguns dias, Sara ficara perplexa.
_Acho que a sua operadora está melhor do que era.
Havia um silêncio quase mortal naquela sala, mas Sara não se importava, não havia de fato nenhum desejo de sua parte em medir suas palavras naquele momento. Ela quis dizer e disse, simples assim. E, a reação dele havia sido muito clara, mesmo não proferindo uma palavra, ela podia sentir que aquilo o afetara.
Sorrindo interiormente, ela pegou o mandado que autorizava sua entrada na casa da ex dominatrix. Era o momento de focar em seu trabalho, acima de tudo, ela era profissional e não havia espaço para qualquer outra coisa que não fosse aquele caso que aterrorizava Vegas. Ela podia lidar com tudo que vinha no pacote, inclusive uma amiga íntima de seu ex-marido, e o próprio, a quem amaria para o resto de sua vida.
~♥~
Sara fechou a porta de sua casa e jogou as chaves sobre o aparador. Os lábios tremendo, segurando lágrimas que não queria que caíssem. A fase havia passado, a duras penas. Mas estava sendo impossível se livrar daquela triste sensação de perda, outra vez.
Ela não queria mais se sujeitar àquela fraqueza, há tempos que seus olhos haviam secado. Não derramava mais sequer uma única lágrima, mas para sua grande surpresa, elas estavam de volta. Era fato que sem ele, ela apenas fingiu não ver, apenas fingiu levar sua vida sem querer pensar. A verdade era que ela morria aos poucos pela falta dele e saber que aquilo tudo não era nenhum pouco justo, só pioravam as coisas.
Há anos não se sentia tão sem valor, sua alma chorava com a facilidade que ela se viu sendo substituída.
_Maldição, Grissom!
Durante todo o trajeto até à mansão daquela mulher, eles não haviam trocado uma palavra. Ela fingiu que aquilo não lhe machucava, tanto que até mesmo lhe provocara por todo aquele silêncio. Sua explicação para que fossem profissionais, que se atentassem ao caso, agora lhe parecia tão patética. Ela até havia ficado desconcertada com a sua resposta, mas ele estava sem palavras por vê-la novamente ou por receio do que ela viesse a descobrir?
Era inconcebível ter acesso a tantas declarações mudas de seu sentimento por aquela manipuladora. Ela nunca se esqueceria do medo em que viu em seus olhos quando encontraram todo aquele sangue. Era o mesmo medo que ele sentiu quando estavam no hospital, com ela lutando por sua vida, lutando para se recuperar de sua provação no deserto. Seu estado era crítico e ela nunca o viu chorar com tal fervor após uma conversa fora de seu quarto, no corredor, com um dos médicos da equipe, seu prognóstico não era bom e eles haviam o preparado para o pior.
Se esses medos pudessem ser comparados lado a lado por suas intensidades, então só havia uma explicação, só havia uma verdade.
Seu choro se intensificou ao perceber que havia algo mais entre ele e Heather. Como ele pôde fingir por tanto tempo, como pôde construir um castelo perfeito e depois deixar que ruísse feito um casebre em um bombardeio? Era claro demais para que ela ignorasse.
Ela se sentou na cama do quarto de hóspedes, onde havia decidido dormir depois de sua fase crítica, desde então mal entrava no quarto que era deles. Ela puxou a gaveta da mesa de cabeceira e retirou uma caixa com a Torre Eifel estampada na parte de cima, abriu cuidadosamente, e então espalhou todo o conteúdo sobre a cama no instante em que as muitas lágrimas escorriam sobre seu rosto bonito.
Fotos. Muitas fotos. Cada momento íntimo, feliz e de cumplicidade entre Grissom e ela, haviam sido registrados à seu pedido. Um sorriso triste se misturando ao choro, ao se lembrar que ele sempre cedia, mesmo contrariado, apenas para lhe agradar, depois com o passar do tempo, ele parecia não se importar mais e começou a sentir prazer em se deixar ser fotografado.
Ele estava abraçado a ela possessivamente, beijando seus cabelos delicadamente. Eles estavam na Costa Rica, algumas horas depois de ele ter a reencontrado após daquele adeus.
Em uma outra, eles estavam em uma pista de patinação em Paris. Na verdade era ela quem estava, toda à caráter, tentando lhe convencer a se juntar à ela. Ela havia acabado de estalar um beijo em sua bochecha cabeluda quando sentiu alguém tocar seu ombro. Haviam registrado esse momento deles, e mais tarde eles estavam em frente ao notebook dele, rindo da imagem que chegara por e-mail.
Muita dor, muitas recordações. Chorando até não poder mais, ela se agarrou àquelas lembranças, levando todas ao peito, e então, muito cansada, acabou adormecendo.
~♥~
O caso era seu, mas estava sendo ele quem liderava o caminho para o quarto vermelho. O lugar era assombroso, um verdadeiro calabouço e ainda assim não havia hesitação nos passos dele, indícios de sua familiaridade com o lugar.
Nenhuma gota de todo aquele sangue que encontraram na casa de Heather pertencia à ela, o doador era masculino de DNA incompatível com o do homem-bomba. Eles estavam atrás de um outro homem, isso era fato, mas ela tinha certeza que ele era um cúmplice de Lady Heather. Afinal, quem teria sua casa invadida, encontrasse sangue em seus móveis, no chão, e não envolveria a polícia?
Embora fosse tudo muito claro para ela, Sara sabia que sua opinião seria facilmente descartada se não apresentasse provas concretas à Grissom. Qualquer um concordaria com ela, menos ele.
A adição de seu conhecimento sobre o lugar exato no qual aquela chave recém montada pertencia lhe deixara desconfortável, mais uma vez. Ela se perguntava como ainda era capaz de se surpreender quando o assunto envolvia um ex-marido e uma ex-dominatrix.
O ranger de uma velha porta sendo aberta chamou sua atenção, e observando atentamente o perfil de Grissom, ela pôde sentir que algo não parecia certo. De repente ele se tornou tenso. O motivo ficou claro quando também entrou no quarto. Um verdadeiro arsenal para a confecção de bombas.
_Oh Heather, o que você fez agora?
Havia sido quase um sussurro, mas ela conseguiu ler seus lábios com perfeição. Aquele era um começo para que ele finalmente enxergasse os fatos?
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