For The Rest Of Ours Lives
9 Capítulo 9
_E então ... eu posso?
_Tudo bem!
Grissom sentiu aquele consentimento como um vitória, e seguiu atrás dela, como um garoto obediente. No momento em que ela teclou os dígitos do alarme, ele se viu xeretando a nova senha, ele olhou o pequeno quadro com triplos conjuntos de letras e números e memorizou cada um. Sua cabeça trabalhando para associações.
Eles caminharam pela estufa e ela abriu a enorme porta de vidro.
_Vou trocar de roupa e colocar sua jaqueta na secadora. Não me demoro.
_Fique à vontade.
Ela olhou para ele, inclinando a cabeça, como ele mesmo fazia. Aquilo havia soado estranho!
Ela saiu de suas vistas e ele enfiou as mãos nos bolsos. A sala estava impecável, ele notou que não havia sequer mais nenhuma foto deles juntos, e eles tinham várias delas. A dúvida de que ela poderia ter destruído as lembranças deles, não lhe fez muito bem. Em sua alucinação, ele a viu rasgando uma a uma em um acesso de raiva, e balançou a cabeça para afastar as barbaridades que povoavam sua mente naquele instante. Com um certo alívio, ele viu a réplica da escultura de uma cabeça da zona arqueológica de Batan Grande, que ele trouxera de uma das expedições. Havia conhecido a original, confeccionado em ouro puro!
Ele quis acreditar que aquela escultura resistia em seu lugar, porque ela ainda queria lembranças dele. Grande dedução prepotente! Poderia ser apenas que Sara achava interessante como decoração!
Ele voltou para o alarme com os números da senha em sua cabeça, digitando mentalmente um a um, analisando as combinações e suas referências ao alfabeto. “Três poderia pertencer a letra G, seis a letra R ... tremendo muito, quase não acreditou em suas conclusões. A resposta que precisava estava diante de seus olhos!
_Meu Deus!
_Grissom? Falando sozinho?
Ele se virou para ela, os olhos brilhantes, as mãos apertando os dedos entrelaçados. Ele estava nervoso ou emocionado?
_O que foi? Você está bem?
_O alarme ... — Ele se aproximou dela e pegou em suas mãos com delicadeza. Ela nem sequer pensou em retirá-las quando percebeu a reação dele.
Ele havia descoberto! Com certeza, estava prestando atenção enquanto ela digitava. Ele era bom com números e senhas e ... junções e ... ele era bom em tantas coisas!
Sua voz baixa e pausada parecia temerosa.
_Vi quando digitou a sequência: três, seis, três, sete, sete, cinco, cinco!
_É ... — Ela estava boquiaberta.
Cada número pertencia a um grupo de letras. Para o número um, havia logo abaixo, escritas em negrito, as letras abc, para o número dois, as letras def, para o número três, ghi e assim sucessivamente até o numero oito. Para o número nove, apenas a letra z e para o zero, o asterisco.
_A senha ... foi você quem escolheu?
_Huhum ... — Ela estava apertando os lábios, também emocionada.
_É o meu nome?
Ele viu Sara suspirar longamente para engolir o choro e balançar a cabeça em afirmação.
Ele precisava fazer algo, então a abraçou com força, querendo demonstrar que, se pudesse, nunca mais a deixaria sair dos seus braços.
Sara ficou impassível, quase em choque. Eles estavam na casa que um dia também fora dele, abraçados, tentando entender o que era tudo aquilo e o que estavam fazendo.
Ela o afastou com certa relutância, mas ele decidiu que precisava dela. Que outra definição teria, ela criar uma senha com o nome dele, a não ser que o sentimento ainda persistia?
Naquela casa que escolheram juntos, decoraram juntos, dividiram tantas emoções e ... fizeram amor em cada cômodo?
Quando ele sentiu os dedos dela indo até sua nuca, acariciando seu pescoço foi que sentiu verdadeiramente suas dúvidas se dissiparem.
No momento em que viu a imagem de seus corpos grudados refletida no espelho da sala de jantar, ele estremeceu.
Nada parecia mais certo que os dois juntos, que as mãos delicadas tocando as pontas de seu cabelo, brincando entre os fios grisalhos.
No instante em que seus lábios se tocaram, tudo ao redor parou de funcionar, o tic tac do relógio, o barulho do mundo lá fora! Quanta falta havia sentido do encontro de seus corpos, da reação dela quando sempre se beijavam, as mãos tocando suas têmporas, as unhas arranhando seu pescoço, passeando em suas costas. Os beijos vieram de todas as formas, um após o outro. Lentos, furiosos, profundos.
Sara pensou que não haveria no mundo, nenhum outro homem que a beijava daquela maneira.
Grissom jurou a si mesmo que nenhuma mulher no universo o beijaria daquela maneira.
Com muito cuidado para não perder aquele momento, ele a fez caminhar com ele até o sofá da sala. Ali havia sido a primeira vez deles naquela casa, havia começado no sofá macio e terminado no tapete imaculadamente branco.
Ele pareceu até mesmo ouvir os acordes suaves de um piano ao fundo, enquanto se despiam, o mesmo cheiro que nunca havia abandonado sua memória. Ela havia criado um clima propício que o surpreendeu assim que saiu do banho e a procurava pela casa. Ali, parada no meio da sala com os braços em direção a ele. Tinha sido esplendoroso e perfeito!
De volta ao presente e ainda cauteloso para que o momento não se quebrasse, ele a ajudou a se ajeitar sobre o sofá, sem dizer uma palavra. As mãos grandes tocando os ombros magros, os braços finos e delicados, as laterais de seu quadril. Deus, ele teve medo de não se controlar com a imagem dos cabelos brilhantes espalhados pelas almofadas coloridas. Todos os seus sentidos ficaram ainda mais em alerta. Ela tinha os olhos semi cerrados, como se estive sussurrando juras de amor!
Por segundos, duvidou se merecia aquele presente em sua vida!
O gosto dos beijos dela ainda estavam formigando seu corpo, quando ele se ajeitou sobre ela. Os dedos tocaram seu rosto, enquanto ela também tocava sua testa, a linha de seu nariz. Grissom segurou a mão dela e beijou a ponta dos dedos, um a um.
Logo seus lábios estavam às voltas com novos beijos intensos e deliciosos. Ele se sentia o homem mais poderoso do mundo, dono de um tesouro inestimável que ele fizera a indelicadeza de transformar em areia.
Pensar, pensar, se punir, se martirizar. Precisava afastar o que ele havia se transformado para trazer de volta o que ele tinha sido quando estava com ela, em um passado recente.
Assim que seus dedos sentiram a pele cremosa de sua cintura, ele gemeu baixinho, lutando para que o controle não o abandonasse. Assim que Sara ouviu aquele som rouco em seus ouvidos, quase veio à loucura. Ele se ajoelhou entre suas pernas e com habilidade, despiu a blusa justa que ela usava, jogando-a do lado sem perder o contato com seus olhos, depois fez o mesmo com sua própria camisa preta.
Ela notou que ele realmente havia perdido algum peso, mas pouco se importava com aquele detalhe, estar com ele era tudo o que precisava!
Grissom tocou com as duas mãos a barriga lisa dela, depois abriu o botão e o zíper, deslizando a calça pelas longas pernas elegantes. Ele se levantou e despiu suas calças também.
Assim que seus corpos seminus se tocaram, ela pôde sentir o calor de seu desejo por ela. Sara se mexeu sob ele, ficando totalmente encaixada nos quadris largos. Ela umedeceu os lábios com a nova posição, a pressão poderosa potencializando as sensações.
Estava decidida a se entregar a ele, dar a libertação à seus corpos de toda aquela tensão sexual, parecia impossível que pudessem interromper o momento.
Ele estava beijando seu pescoço, quando de repente, algo nela mudou. Lembranças da imagem dele nu na cama de Heather invadiram sua mente a congelando. Sua mente repetia que havia sido no passado, que tinha sido algo como a sedução tentadora daquele mulher sobre os homens e, ele havia sido apenas mais um.
Ela fechou seus olhos com força, tentando se concentrar nos carinhos que estava recebendo. As mãos dele passeavam possessivamente em cada centímetro de seu corpo. Sua boca percorria a curva de seu pescoço, o ombro, deixando novas marcas em sua pele com a barba por fazer. Os gemidos dele continuavam a atravessar sua alma, ela só queria esquecer e se entregar.
Ela se lembrou de cada manhã solitária, olhando para a porta da frente, esperando que ela fosse aberta de repente, e ele estivesse de volta. Se lembrou que nos momentos em que ela mais precisara dele, havia sempre a falha na comunicação, a demora do retorno, mas com Heather as coisas pareciam diferentes, pelas chamadas que havia descoberto, ele dedicava sua atenção e talvez algo mais.
Não se negava a admitir seu ciúme por aquela mulher, mas havia algo mais além, a consideração.
Quando sentiu a calcinha fina sendo retirada, ela reprimiu um soluço antes que escapasse de sua garganta.
Grissom deixou a peça de lado e antes mesmo de ficar completamente nu, ele afastou suas pernas. Jamais se esqueceria que ela sentia um prazer incrível quando ele beijava o interior de suas coxas, um ponto extremamente sensível!
Sara sabia seu próximo passo, haviam repetido aquele ritual por tantas vezes, mas em nenhuma delas havia sentido qualquer desconforto. E então, não suportando mais, ela se viu praticamente suplicando.
_Pare ...
Ele levantou a cabeça imediatamente e a encarou. Estava tão empenhado em lhe dar prazer, em aplacar a falta que sentia de seu corpo que acabou por não perceber que as mãos delicadas, antes acariciando seus cabelos, agora estavam inertes no sofá.
_O que houve?
Ela sentiu algo parecido com uma culpa desmedida. Não era certo deixar que chegassem até aquele ponto. Era quase desumano!
_Eu sinto muito ... eu ...
Ele viu quando seus olhos umedeceram, seus lábios tremiam tentando conter o choro.
_Fale comigo, querida. — Ele voltou a ficar de joelhos entre as pernas dela e segurou suas mãos geladas.
_Eu não posso ...
_Mas ...
_Não estou preparada ... ainda ... eu não consigo ...
Ela se negava a olhar nos olhos dele, tamanha era sua insatisfação com o que acabara de fazer. Foi então que suas lágrimas cederam e ela começou a chorar copiosamente.
Grissom ficou completamente sem reação por alguns segundos, depois a puxou para os seus braços, acalentando-a mesmo que não fosse o desejo dela. Algo no íntimo dele sabia o que era! Não se apaga marcas profundas que um homem deixa em uma mulher de um instante para o outro. Leva tempo para curar feridas, e ele não tinha total certeza que ela conseguiria. Aquilo doeu. Não pela rejeição, mas pelo pouco que ele foi onde deveria ser muito. Sara merecia que fosse digno do amor que ela sentia por ele. Por tudo o que haviam passado para estarem juntos.
Diminuído, diante de seu próprio julgamento, ele se levantou e se vestiu. Depois a ajudou a fazer o mesmo e se sentou ao lado dela. Suas lágrimas haviam cessado, mas ele não conseguia se sentir melhor, estava totalmente arrasado e se sentindo incapaz.
A cabeça baixa, as mãos juntas e uma dor sem fim no peito.
_Eu não posso pedir que me perdoe ... não tenho esse direito.
_Eu ainda preciso de um tempo ... ou ...
Ele apertou os olhos, e por pouco não tapou os ouvidos para não ouvir que ela não sabia se adiantaria mesmo se dar um tempo.
Sara tocou em suas mãos juntas.
_Olhe para mim. — Ela não sabia de onde estava tirando forças, mas precisava de algo que alentasse sua alma. Algo que diminuísse aquela coisa estranha que estava sentindo quando viu o quanto ele estava arrasado. _Por favor ... não posso conceber a ideia que estou te magoando, eu não consigo lidar com meus sentimentos neste momento. — Por muito pouco, ela não lhe confiou toda a verdade sobre o quarto da obsessão!
Ele queria tocar seu rosto mas desta vez, não havia coragem, apenas a vontade.
_Não se sinta assim ... eu posso entender.
Ele se levantou e enfiou as mãos nos bolsos, como de hábito, caminhou até a porta e se virou para ela.
_Até breve ...
Ela viu um filme passar diante de seus olhos, ele nunca dizia adeus, mas havia a diferença que eles sempre se despediam com um beijo ardente.
_Até amanhã. Durma bem.
_Você também.
Nada mais poderiam dizer, não havia como remodelar do ponto em que pararam. Era triste e deprimente. Melhor que se afastassem logo antes que as coisas ficassem pior. O fato é que ele havia sido rejeitado justamente quando imaginou que eles poderiam ter se acertado.
~♥~
Ele estacionou a suv no porto, cansado de tentar se justificar que ele precisava daquilo, ele merecia aquilo. Mas estava doendo muito, a ponto de sentir seu coração se rasgando. O vento fresco o fez se lembrar que havia esquecido a jaqueta. De cabeça baixa e bastante abatido, ele se sentou em um dos bancos no deck, bem em frente ao seu barco, sem perceber que estava sendo observado. Assim que esfregou seus olhos e levantou a cabeça para ganhar ar nos seus pulmões, ele a viu.
_Heather?
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