For The Rest Of Ours Lives
10 Capítulo 10
Notas iniciais
O que ela estaria fazendo ali, sentada há alguns metros dele? Parecia tão triste, com toda certeza havia percebido o quanto ele estava desolado.
Ele não tinha muito ânimo para se levantar dali, estava sem forças, cansado e não queria enfrentar mais um embate. Além do mais, seu julgamento parecia tão obscuro naquele momento. Olhar para ela foi como se estivesse ouvindo mais uma vez cada palavra que Sara usara para lhe contar sobre suas descobertas. Deus, ele não queria imaginar o que poderia ter acontecido à ela, se aquele homem tivesse conseguido mantê-la sob seu domínio. Um homem que Heather havia ocultado! Seu olhar se tornou frio, raiva e decepção lhe descreviam. Ele não tinha ideia do que seria capaz de fazer com a primeira pessoa que tentasse machucar a mulher que amava.
Heather estava possessa com a informação de que Sara havia estado em sua mansão. Seu cúmplice lhe dissera que ela saíra às pressas para fugir dele e que nada parecia revirado, deixando-a tranquila sobre seus segredos bem guardados. Além dela jamais saber quem ele seria. Em sua ideia, ele era apenas seu admirador fervoroso e um possível suspeito para livrá-la de ser culpada. Com o que entregara à Catherine e Grissom, pensava ser o suficiente.
Agora precisava encher a cabeça de Grissom contra sua ex-mulher, mas ele parecia tão quebrado e nada disposto pra uma conversa. Mesmo assim, ela tentaria.
_Oi Grissom ...
—Aconteceu alguma coisa?
—Eu posso falar com você?
Ele se lembrou do restaurante, já desconfiava do assunto, mas não queria, de verdade, discutir sobre nada! Além do mais, ele estava confuso quanto aos interesses dela.
—O que você quer?
—Podemos ... ir até seu barco?
—Eu não acho que seria uma boa ideia, não estou me sentindo muito bem.
—É sua ex-mulher, não é?
Ele suspirou, sem ânimo.
—O que você quer? — Ele insistiu.
—Podemos entrar? — Foi a vez dela insistir.
—Se for algo muito importante, pode dizer aqui mesmo.
—Por favor ...
Ele se levantou e fez um gesto para que ela seguisse à frente dele, sem desfazer a carranca.
O que estava acontecendo com ele? Parecia mal humorado e triste.
Ela esperou que ele abrisse a porta da pequena cabine, mas ele não fez, nunca havia levado mulher alguma ali, e não queria ninguém xeretando os detalhes de seu pequeno reduto.
Ele se virou para ela apontando a bancada em desnível que era usada como assento.
—Sente-se. — Ele quis dizer para ela fosse breve, estava começando a sentir a pressão em sua cabeça, que sempre antecedia uma enxaqueca.
—Você está diferente ...
—Vamos falar de mim? -“Droga! Não estou no clima ...”
Magoada com tamanha impaciência, ela resolveu ir direto ao assunto.
—Sara esteve em minha casa ...
Ele a encarou pronto para questionar, mas por uma razão que ele preferiu ignorar, nada disse.
—Sara precisa entender algumas coisas, Grissom. Sua vida pessoal não deve afetar ou entrar em conflito com a profissional. Se ela me vê como uma ameaça é porque devo realmente acreditar que sou uma ameaça.
—O que você quer dizer com isso, Heather?
Ela o encarou com seus grandes olhos expressivos, tentando chamá-lo para si, jogando charme com seus cabelos, cruzando as pernas bem torneadas e endireitando o corpo, para que seus seios pulassem para frente, evidenciando-os, em uma antiga tática de sedução. Ele mal a olhou! Se seu corpo não poderia ser usado para atraí-lo, ela teria que sacar de sua inteligência aguçada. No fundo, ela tinha toda a certeza que ele jamais olharia para ela como da primeira vez, e havia sido arrebatador o que tivera com ele, mesmo sabendo que estava sob o efeito de uma antiga tática quase hipnótica.
Ele jamais imaginaria que aquela tarde com ela havia sido planejada em seus mínimos detalhes. Na ocasião, ele estava propenso a ser desafiado e surpreendido. Ela o estudou minuciosamente, usou todas as artimanhas possíveis e imagináveis que conhecia e dominava tão bem, para conseguir seu intuito. Traçou seu mapa astral, o calendário lunar de seu signo e perfil psicológico com atenção redobrada, e descobriu que o melhor ataque em sua arte de seduzi-lo seria o mistério. Era inteligente o bastante para usar de toda e qualquer artimanha quando se tratava de alguém que lhe chamava a atenção. E, nunca, em tempo algum, havia se encantado daquela maneira com um homem. Ele era incomum, desafiador e havia mexido com seus sentidos desde o primeiro momento em que havia colocado seus olhos nele, tudo que ela mais queria era descobrir que tipo de amante ele seria. Com seu plano minuciosamente calculado, e todas as condições favoráveis, ela havia conseguido seu intento. E mesmo conhecedora de todo tipo de homem, ele a surpreendeu, em todos os sentidos. Desde seus atributos físicos até sua maneira delicada em tratar uma mulher.
Heather conseguira seu objetivo, porém havia sido breve. Ele conseguiu a magoar quando a tornou suspeita de um crime que ela não havia cometido. Sua reação à ele afetou severamente seus conceitos, ele não havia sido um cliente e sim sua conquista. Ela acreditava que ele ainda estava sob o poder de toda a sua manipulação quando pediu desculpas em julgá-la. Como era de hábito, ela se negou a aceitar apenas para deixá-lo de certa forma carente de seus carinhos. Mas após alguns dias, ele a ignorou como mulher e se tornou apenas um amigo. Heather sabia o motivo. Sara!
Sempre havia sido ela. A paixão secreta que nutria por sua subordinada estava apenas escondida na camada espessa que ele tinha de proteção. Ele não sabia como lidar de verdade com sentimentos que o embaraçava, o confundia. Além de todo o espetáculo que ela montou, havia o livre arbítrio. As vontades dele! Nada ou coisa alguma, poderia lutar contra o poder de um sentimento tão forte e aquela foi a barreira de não tê-lo nas mãos.
Ela conseguia manipulá-lo como amigo, mas jamais como um amante. Nunca teria de volta o que ele havia lhe dado, mesmo que superficialmente.
Seus pensamentos foram interrompidos quando ele veio em sua direção.
—Nós podemos falar uma outra hora?
—Não se importa que Sara possa se prejudicar por bisbilhotar minha casa?
Se ele ainda conseguia raciocinar, mesmo diante daquela canseira física e mental, ele estava entendendo que Heather ameaçava a pessoa mais importante da vida dele?
—Você está ameaçando, Sara?
Ela se calou.
Grissom deu um novo passo em direção a ela, os olhos faiscando. Ela não era uma mulher de se amedrontar com facilidade, afinal lidava com todo tipo de homem, mas ela havia se afetado com a postura incisiva dele.
—Conheço meus direitos.
—Deve ter conhecimentos de que sua casa abriga uma cena de crime, portanto, ela pode estar lá quantas vezes achar necessário! Acho que é você quem está em conflito, agora! E além do mais, como é que você tem essa informação?
Imediatamente ele percebeu que ela parecia nervosa e quase sem ação. Além de ser uma mulher forte, Heather tinha uma certa arrogância nata, que até então não havia afetado seu julgamento, gostava dela, a admirava, mas os acontecimentos pareciam estar mudando seus conceitos em relação à ela.
Admitindo para si mesma que aquele havia sido um round perdido, ela se levantou. Havia perdido aquele embate, mas não a luta! Fora traída, pelo próprio excesso de confiança, como explicaria aquela acusação? Na ânsia de atacar Sara, acabara caindo em sua própria rede!
—Acho que você tem razão, podemos conversar em um outro momento.
Heather se aproximou dele e tocou seu rosto, encarando seus olhos tristes, para tentar um desvio de atenção, tirar o foco daquela armadilha, mas a reação dele foi imediata, chocando-a.
Com cuidado, ele retirou a mão dela e deu um passo para trás, estranhando de verdade o que era aquela recente repulsa que estava sentindo.
—Eu realmente não estou bem ... — Seu subconsciente parecia em alerta, estava se sentindo absolutamente perdido.
—Você precisa de companhia, Grissom? — Ela estava passando por cima de seu próprio orgulho, ele estava apenas bastante confuso.
Além de toda aquela briga interna que ele estava travando, outro sentimento havia surgido e desta vez conseguiu reconhecer de imediato. Depois de Sara, qualquer mulher o faria se sentir imundo. Ainda tinha o cheiro dela nas mãos e toda aquela desconfiança.
Pensar que quase havia feito amor com sua ex esposa e estava recebendo uma proposta de outra mulher que considerava como amiga, lhe trouxe um desgosto muito grande!
—Vá para casa, eu preciso ficar sozinho! — Ele percebeu que ela estava se esquivando da verdade, mas no momento certo, a enfrentaria. Se continuasse a questionando, traria o caso para fora do laboratório. Ele não estava em diligência, e a verdade era que tinha alguma coisa o impedindo de ir além. E se ela realmente prejudicasse Sara?
—Não vai me dizer o que você tem? Aconteceu alguma coisa?
Sara fizera com que seus sentimentos por ela viessem com a força de um furacão, como sempre fora, por consequência muitas coisas que ela havia lhe confessado estava martelando em sua cabeça. E se aquela mulher diante dele não fosse o que sempre demonstrara? A verdade era que ela não era mesmo! Como pôde mentir sobre seus pacientes? Como ela tivera conhecimento que Sara havia estado em sua mansão? Ele não queria agir de uma maneira que pudesse despertá-la para perceber que ele estava realmente mudando seus conceitos em relação à ela. Se ela havia o enganado, então desde quando estava acontecendo? E tudo o que eles compartilharam em nome de uma amizade? Seus conselhos, tudo o que ela havia dito sobre Sara. Ela jamais o incentivou a se separar de Sara, mas também poderia ter sido apenas uma estratégia. Céus, ele estava enlouquecendo em dúvidas!
—Vá embora, Heather! Não preciso de companhia, vamos conversar em outro momento!
Ela se virou bruscamente e saiu batendo com força, seus pés no piso de madeira!
~♥~
Grissom se sentou na proa, olhando para a quase escuridão do horizonte. Algumas estrelas cintilavam ao longe, a brisa suave e gelada. Ele continuava se sentindo péssimo, estava impotente e sem forças, se acabando em lembranças, ali sozinho, elas insistiam em vir aos montes. O rosto de Sara cada vez que fechava os olhos.
Ele se levantou e caminhou até a frente do pequeno barco, depois se sentou novamente, desta vez no próprio piso duro. E se tudo tivesse sido diferente?
E se eles ainda acordassem juntos? Se ele, pelo menos, tivesse tido a decência de reconhecer que não conseguia viver sem ela? Tantos momentos com ela e ele nem ao menos lhe deu a chance de pesar, colocar sobre uma balança a importância real que ela tinha para ele. No momento, ele poderia dizer em sua defesa, que talvez estivesse sendo mesmo enganado, com informações que, por alguma razão desconhecida, Heather havia incutido em sua cabeça. Por outro lado, se aquilo tudo seria mesmo um engodo, como se deixara levar? Qual o propósito de tanta maldade? Não! E se estive a julgando errado? E se tudo fosse um emaranhado de desentendimentos?
Nada do que pudesse imaginar fazia seu coração parar de sangrar. Uma amizade que ele julgou ser sincera, e o erro de ter deixado a coisa mais importante de sua vida ser sobreposta por mentiras, o que era infinitamente pior. Se aquilo tudo se concretizasse, como poderia ser perdoado? Como poderia ter sido cego o bastante? Por comodidade? Que diabos de amor era aquele que não superou as dúvidas e crises, não superou a distância. Havia pensado tantas vezes que perdera a conta.
Ele ainda tinha o cheiro dela nas mãos! O gosto delicioso dos seus beijos, de sua pele macia. A intensidade com que se entregava à ele, nada parecia ter mudado, até que ela o rejeitou.
Ele não a culpava, quando confessara a ela, havia dito a verdade, e sabia que ela havia acreditado. A tristeza nos olhos dela, totalmente diferente de quando ficavam juntos. Ele jamais esqueceria, os olhos dela brilhavam como estrelas reluzentes, antes, durante e depois de fazerem amor. As mãos delicadas, acariciando com suavidade onde pudessem alcançar. Ela tinha o poder de deixá-lo à sua mercê, as unhas brincando em seu peito, seus braços, descendo para as coxas. E o que ele havia lhe dado em troca de tanto amor? O adeus!
Ele costumava chorar em silêncio, muitas vezes, não se envergonhava em admitir, mas agora era diferente. Antes, eram lágrimas cômodas, silenciosas, mas naquele momento, ele tinha vontade de gritar na escuridão, o quanto tinha sido estúpido. Ele precisava dar um jeito em sua vida. Precisava descobrir todas as verdades, enfrentar seu destino de qualquer maneira. Não podia simplesmente fingir que estava levando sua vida. Na verdade sua meia vida, dedicada ao trabalho e à solidão. A outra metade precisava de atenção, senão ele iria enlouquecer de tristeza.
Uma pergunta que não queria se calar. O que teria acontecido com Sara?
—Céus ... preciso de respostas!
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