Parte I

Ino

Eu pensei muito nisso, pelo que pareceram dias, muito embora houvesse se passado apenas alguns minutos. Minutos esses que eu pude reviver alguns dos muitos momentos que nós vivemos e eu poderia viver nesses instantes, nesses dias para sempre. Sempre revivendo. E nunca vivendo novos.

Estranho como às vezes o tempo parece correr e em outros nem sequer se arrastar.

Ela conheceu esse cara e eu não sei mas não me dei ao trabalho de me preocupar, afinal o que ele tinha, o que poderia te oferecer que eu não?! Então ouvi dizer que Sakura estava se mudando. Comprando móveis e novamente eu não me preocupei. Nenhum problema até aqui, certo!? Errado! Eu fui ingênua e confiante que ninguém nunca jamais me substituiria, que ninguém poderia ser como nós éramos juntas.

E agora enquanto tento assimilar que ela vai se casar, se casar com outra pessoa. Eu não posso acreditar que Sakura me esqueceu tão rápido. Que agora é feliz. Que vai se casar. Realmente se casar.

Penso por mais um minuto antes de tomar uma atitude para acabar de uma vez com essas questões.

Puxo o celular do bolso. Depois de desbloquear a tela do celular encaro a foto do nosso primeiro encontro. Sakura abraçou meu pescoço com os dois braços e me beija a bochecha direita de olhos fechados. O cabelo acima do ombro cobrindo parte do rosto.

Solto um suspiro me dando conta de como isso me deixa nervosa e oh, olhe só minhas mãos estão tremendo.

Reunindo o resto de coragem que sobrou acesso a lista de contato procurando pelo seu nome. Eu nunca mudei a maneira como Sakura salvou o contato dela no meu celular. Ela adicionou três corações depois do próprio nome.

Muito embora essa situação toda seja torturantemente dolorosa não consigo me conter e antes de realmente ligar eu leio as mensagens que trocamos. E para isso preciso pesquisar algumas palavras chaves antes de chegar na primeira mensagem. Então eu vou descendo um mês inteiro lendo apenas suas mensagens. As longas, as curtas, os emojis, tudo.

Pisco algumas vezes tentando me livrar daquelas lágrimas se formando nos meus olhos e decido que fazer isso é como jogar sal na ferida e finalmente consigo discar

o número dela dividida entre atende logo de uma vez antes que eu desista e atende logo antes que eu decida ir até você e por deus nós duas não queremos isso.

Por fim, depois de uma batalha interna Sakura me atende ligeiramente hesitante, prova de que ela ainda tem meu número salvo.

— Ino? — Sakura pergunta. — É você?

Solto mais um suspiro pois aparentemente não me restou mais nenhuma gota de coragem para responder e agora estou presa a essa ligação sem conseguir dizer ao menos um olá!

— Ino! É você mesmo?! — Agora ela soa brava. Ela acha que eu estou brincando. — Se isso for alguma piada-

— Você não pode se casar! — Digo de uma vez fazendo uma força absurda para não cair no choro.

— Ino, eu… o que você está falando-

— Você não pode, não pode se casar. — Faço uma pausa recuperando o fôlego. — Quero dizer, oh Sakura, por favor eu estive pensando. Nós namoramos há três anos, a três anos, nem é tempo o suficiente para você… para você querer se casar. Casar com outra pessoa e não comigo. Você se lembra, não se lembra? Nós íamos fazer isso, nos casar e você seria a noiva mais exótica e bonita que já existiu!

— Já chega! — Sua voz trêmula me informa que ela está chorando. — Eu não acredito que você está fazendo isso.

Muito irritada é como ela está e eu? Eu estou desesperada e perdendo todo o senso de noção porque ela está indo embora. Eu estou deixando escapar a despeito de todo meu esforço.

— Você é uma… uma-

— Maluca? Histérica? — Bem, é como me sinto.

— Você é muito má. — Ela faz uma pausa, respira e recupera a firmeza na voz. — Má, porque não tem o direito de me ligar e me dizer qualquer uma dessas coisas. Você acabou conosco. E eu tentei, tentei de verdade, tentei salvar tudo que nós havíamos construído. Você é testemunha de que eu tentei e só fui embora quando não havia mais nada.

Sakura faz mais uma pausa enquanto eu me esforço para segurar as lágrimas que descem junto com as dela nesse instante. Minhas mãos estão tremendo como nunca agora.

— Você não quer fazer isso, quer? — Pergunto em estado de negação porque é tudo que me sobra. — Você ainda gosta de mim, eu sei que sim. Se não gostasse então não estaria assim.

— Assim como? Do que você está falando?

É engraçado. Consigo definir uma série de sentimentos enquanto ela fala e também como Sakura se move entre eles como uma rapidez impressionante. Em um instante ela está prestes a desabar e no outro é como uma mãe irritada educando um filho.

— Eu estou falando — dou uma risada chorosa e sem graça — você ainda me ama. Eu ainda estou no seu coração, ainda tem um pouco de mim no seu coração. Você acabou de me provar isso… então eu vou pedir novamente. — Respirei fundo. — Por favor, não se case com ele.

Ela não responde. Ao invés disso o tempo se perdura estendendo-se parando e nos prendendo naquele instante.

— Nós fizemos uma promessa. De nos casarmos. Você de rosa e eu de amarelo. Lembra?! — Eu sei que ela lembra mas preciso que me diga isso. — Por que está quebrando nossa promessa?

— Fizemos muitas promessas e uma delas, a mais importante de todas, você não cumpriu, Ino. — Sakura replica com uma calma que eu considero suspeita. — Você foi incapaz de ser fiel.

O tempo volta a passar e de repente ele está correndo e eu estou perdendo, perdendo tudo. Escorrendo entre meus dedos como grãos de areia. E não há nada nessa vida e nem na próxima que eu possa fazer para reparar este erro que me custou tudo. Toda felicidade que eu peguei pela mão. Agora nas mãos de outra pessoa.

Eu menti.

Sakura não o conheceu depois do nosso fim. Sasuke era o homem por quem ela era apaixonada até eu conseguir capturar sua atenção. Então eu cometi um erro, um deslize, o primeiro e ele a levou embora para onde eu não posso pegar de volta. Agora ele segura as segura as mãos dela. Ele colocou um anel de noivado na sua mão esquerda e logo em breve vai trocar por uma aliança de ouro.

Nunca passou pela minha cabeça que o que ela sentia por ele poderia ser recíproco.

— Não casa não. — Sussurro mas ela já desligou a muito tempo.