For Grissom

25 Seus sonhos se tornam realidade?


Notas iniciais
E VAMOS DE CAPÍTULO NOVO!!! Último, na verdade....... Tô feliz que o Flamengo ganhou ontem, então no pique para postar logo pra vocês o cap que JÁ DEVERIA SER POSTADO. Mas enfim, antes de seguir adiante eu quero agradecer a todo mundo que leu e abraçou este projeto. A ideia veio de uma loucura minha num universo alternativo e pelo visto deu bem certo kkkkk. Particularmente gosto mais de escrever UA que histórias relacionadas ao cânon, mas isso é coisa minha mesmo. Fico bem feliz ao saber que vocês gostaram (e sofreram comigo) desta fic. É, eu não me aguentei. O nome deste capítulo vem do título do "Do You Dreams Come True?", o 15º álbum de estúdio da banda/duo japonesa Dreams Come True. Eu tenho ouvido eles direto e por isso me inspirei a colocar o nome do cap como referência ao álbum; se bem que eu gosto mais do "the Monster", mas isso não vem ao caso hahahaha. Boa leituraaaaaa e muito obrigada por acompanhar a fic até aqui!!!!!!!!!!!!

O sol caía por entre o horizonte, tornando a tarde amena um show de cores e tonalidades. O céu era ornamentado por tons alaranjados e rosa ao redor da maior estrela enquanto o azul acinzentado o contornava como numa batalha eterna entre o dia e a noite, vencendo-a pouco a pouco.

Quem olhava para aquele pôr do sol em São Francisco se apaixonava de cara. Impossível não observar o esplendor do fim de tarde naquele lugar e não se sentir tocado por um misto de sentimentos; euforia, paixão, nostalgia. Admirar o fim de tarde próximo da praia era melhor ainda.

Ele se apaixonou por aquele pôr do sol, há muito tempo morria de amores. Sentia-se em harmonia com a natureza, em paz consigo mesmo e livre de seus problemas. A sensação que o evento causava ao espectador era inexplicável. Não havia outro pôr do sol como o de São Francisco. Não havia outra chama que o conquistasse mais.

Todavia, paixão alguma no mundo era maior que pela mulher à sua esquerda.

A casa próxima à praia se tornou o novo e aconchegante refúgio para o casal. O repouso na cadeira de descanso era merecido para ambos. Se aprenderam algo nesses últimos tempos e aprenderam bem foi escolher alguma coisa. Um pouco difícil no começo para ambos chegarem a um consenso, mas que valeu muito a pena no final. Aquela casa era lugar de um recomeço, não só para ele como para ela também.

A varanda superior com frente ao mar se tornou o local preferido deles. Apesar disso poucas palavras eram trocadas ali e raramente tratavam de uma conversa mais longa; como se o espaço fosse um lugar para meditação. Roupas leves, ideais para um dia fresco e preguiçoso como o que passou. Grissom se acostumou mal ao longo descanso; passava boa parte de seus dias dedicado ao trabalho que a parada brusca mudou seus hábitos.

— Hum... acho que perdi a competição. — Ela brincou logo após atentar para seu rosto extasiado ao pôr do sol. A luz alaranjada realçava seus olhos azuis e os cabelos grisalhos, deixando-o ainda mais atraente. Poderia trocar a paisagem à frente a observá-lo sem problemas.

Suas palavras o tiraram do catarse em pouco tempo. Arqueando uma sobrancelha, Grissom veio a sorrir quando enfim compreendeu a indireta.

— Só posso admirar a beleza do pôr do sol numa única hora do dia. Nas outras horas eu posso dedicar exclusivamente à mulher mais bela do mundo.

— Eu sei. — Ela respondeu franzindo os lábios para segurar o sorriso. Autoestima lá em cima, não duvidava e nunca duvidou do que acabara de ouvir. Grissom a fazia se sentir daquele jeito, tão bela que até Afrodite se sentiria ameaçada por sua beleza.

Seis meses se passaram desde que Grissom e Sara trocaram Las Vegas por São Francisco. Isto aconteceu não muito tempo depois da revelação do ex supervisor aos seus amigos. Tirando as pendências e tarefas pontuais, não havia motivo para estender seu tempo em Nevada. Simplesmente se desprendeu de tudo para viver algo novo ao lado da mulher que amava, apesar de deixar para trás um lugar da qual se orgulhou em estar.

Sua partida foi tranquila tirando o "desconforto causado" em seus superiores, membros do corpo Departamento e da prefeitura. Saber que o funcionário do qual o órgão custeou o tratamento deixou o trabalho pouco tempo depois não foi muito bem aceito por eles, porém nada puderam fazer.

Para seus colegas de trabalho, apesar de parecerem mais conformados com a saída de Grissom, os dias seguintes à sua oficial ausência não foram tão fáceis como imaginavam. Grissom não iria voltar desta vez; não era um período de recuperação que o afastou do trabalho. Ele realmente foi embora, detalhe que demorou para ser digerido pelos membros do turno da noite.

Aliás, isto não os impediu em ligar ou enviar mensagens a para saber como ele e Sara estavam.

— Pensando bem... talvez seja o melhor a fazer. Daqui há alguns meses não estaremos mais aqui.

A perda da viagem de Sara para o projeto de pesquisa foi o motivo que deixou Grissom angustiado. Ele sabia o quanto se dedicou, o quanto valorizava aquele projeto e não se conformava por ela não ter ido com o grupo. Tentou anteriormente convencê-la a seguir com eles quando ainda se recuperava no hospital, mas disputar a palavra final com ela, convicta de ficar ali por quanto tempo fosse necessário, era impossível.

Na Califórnia, enfim, Grissom fez de tudo para se engajar na participação dela na Universidade e daria todo o apoio que precisasse ou tudo que estivesse ao seu alcance para servir de ajuda. Infelizmente era tarde demais para viajar até o local de onde o grupo seguiria porque eles já haviam partido e a equipe estava cheia. Porém, outra oportunidade estava por vir: daqui a seis meses uma nova equipe partiria para a Costa Rica e Sara estaria dentro. Sara e um "convidado" a mais, apesar da relutância dele. Ironicamente, queria tanto que ela fosse, mas tinha receio de acabar se tornando um estorvo caso seguisse junto.

Era mais uma decisão em conjunto que precisou ser tomada em conjunto. Conversa e mais conversa e Sara bateu o pé: não iria sem ele.

— Não me lembro do pôr do sol naquele dia, depois da Conferência — disse ela, fitando-o rapidamente para depois se espreguiçar. Dizia a verdade sobre isto. Naquele dia só pensava em como falar com ele, como convidá-lo para jantar e ter uma oportunidade de uma conversa mais privada.

— Nublado, talvez? — Pensativo, levou a mão ao queixo.

— Não sei... acho que tinha um pouco de sol — brincou ela, fazendo-o sorrir também. Realmente era difícil se concentrar em algo ao seu redor. Chamá-lo para jantar foi sem dúvidas a pergunta mais difícil que ela o fez.

Ela não se esqueceria daquela noite quente em São Francisco.

— Eu estava ocupado demais pensando em outros assuntos, tenho que admitir.

— E um desses assuntos era uma jovem de rabo de cavalo? — Ela o provocou, recebendo sua atenção direta. Até que ele tentou manter a seriedade, porém seu rosto instigante o conquistava pouco a pouco.

— Para um homem que dificilmente perdia o foco eu... tive que me conter — disse por entre um sorriso que escapou.

— Confesso que gostaria de pagar para ver.

Grissom não aguentou a resposta e acabou rindo. Contagiada por ele, Sara fez o mesmo e os dois ficaram rebatendo os velhos tempos de modo saudável. A conversa foi perdendo força e um breve período de silêncio retornou entre eles.

— Será que a Costa Rica tem um pôr do sol como este? — Ele questionou de forma saudosista. Nunca visitou o país e tudo o que conhecia sobre ele encontrou em pesquisas recentes em livros e documentários.

— Nenhum se compara. — Ela respondeu quase que prontamente. — Na minha opinião... que faz um pôr do sol marcante não é o evento em si, mas o trajeto que o torna marcante.

Como discordar de uma resposta imersiva? Impossível.

Os ex-criminalistas trocaram olhares. Não poderia encontrar resposta melhor. Poderia admirar mil eventos como aquele, mas sem ela, sem a escolha que fez para estar ali, nada daquilo faria sentido e causaria tanto impacto em sua vida.

— Tem notícias do Warrick?

— Disse que está prestes a fechar negócio no apartamento e quer fazer uma comemoração — respondeu ele. — Amplo, dois quartos, vizinhança tranquila... preço em conta.

Pouco tempo depois de Grissom e Sara deixarem Las Vegas, há uns dois meses, Warrick recebeu a decisão final da juíza: adquirira a guarda definitiva de Eli. Grissom nunca se esqueceria de vê-lo contar a notícia atordoado e em lágrimas numa videoconferência. Se enrolou por várias vezes, chegando a sentir as mãos tremerem enquanto contava estupefato os detalhes da decisão. Foi a melhor notícia que recebeu ao ter saído de Nevada. Tanto ele quanto Sara aguardavam ansiosamente o dia de ver os amigos para comemorarem juntos, o que seria também a oportunidade de paparicar o pequeno Eli novamente.

— Caiu como uma luva. — O rosto de Sara brilhou com a notícia. — Fico feliz que isso vai acontecer logo. Não queria que a gente viajasse antes de conhecer a nova casa dele. E aposto que teve o dedo da Catherine na escolha. — Ela brincou ao virar o corpo para encará-lo melhor.

— Talvez. — Sorriu.

— Aqueles dois... Ah! Eu devia ter adivinhado antes. — Sara voltou à posição de antes. Não se conformava em ao menos ter suspeitado de algo entre Catherine e Warrick pelo tempo que esteve em Vegas. Não podia se culpar ao todo, claro; parte de sua mente se ocupava em Grissom. Era difícil pensar além daquela redoma.

— Eu só espero que tomem cuidado.

Grissom não comemorou a "descoberta" como Sara o fez. Tinha receios do que pudesse acontecer caso mantivessem aquele relacionamento um segredo por tempo demais. Sua experiência e a de Sara o deixava com o pé atrás. Saber que dois membros de sua antiga equipe estavam fazendo praticamente a mesma coisa que ele e Sara o deixava inquieto. Não era qualquer resposta que o faria se sentir menos preocupado.

— Catherine está no meu lugar agora. E eles dois... — Ele balançou a cabeça em negativa.

— Eles vão ficar bem, Gil. — Sara ressaltou ao se virar para ele. — Sabem se cuidar.

Aquilo não era o bastante para deixá-lo melhor. De repente o passado voltava para atormentar sua mente. O papel de supervisor e subordinada envolvidos num romance continuava o mesmo, exceto pela inversão de papéis.

— Já se passaram meses — continuou ela. — Estão com o trabalho estável no Departamento e Catherine e Warrick sabem manter discrição.

Convencê-lo a mudar de ideia sempre foi uma tarefa complicada, isto não era novidade para. Apesar disso Sara não o culpava. Foi no meio de um relacionamento como aquele que uma tragédia quase aconteceu, usado como arma que quase destruiu os dois. Casos amorosos entre colegas de equipe eram perigosos; um erro e tudo poderia ruir. Grissom e Sara sabiam daquilo tudo e continuaram mesmo assim.

Ela entendia seus motivos. Entendia seu modo de tentar proteger as pessoas ao seu redor, inclusive ela. Todavia, Catherine e Warrick sabiam decidir por si só e não cabia a ele ou a ninguém interferir.

Aos poucos as palavras tinham de amolecê-lo. Sabia que uma hora ele poderia aceitar ou entender.

— Não podemos fazer nada. Eles não são crianças, não tem como tomar decisões por eles. — Ela deu de ombros e sorriu. — Foi assim com a gente.

Surpreso pela resposta final, ele dirigiu o olhar a ela, porém ficou sem reação.

— Isto... é... golpe baixo — protestou. — Isto não se... aplica ao caso.

— Foi exatamente a mesma coisa, Gil, não tente disfarçar. — Sara riu, e após notar certo desconforto ainda presente nele, tentou persuadi-lo. — Vamos, meu amor. Não se preocupe. A gente não ia querer que alguém falasse o que você falou sobre nós, iria?

Apesar da demora em respondê-la, Grissom acenou com a cabeça em negativa. Sem olhar para ela inclusive. Longe do que Sara esperava, porém, o suficiente para ela.

— Bom. O melhor que podemos fazer é torcer por eles. Sei que vão ficar bem.

— Está certo. — Grissom respondeu com um suspiro.

— Do jeito que os conheço, vão fazer questão de estarmos lá. Chovendo fogo ou canivetes. — Enquanto falava deixou-se levar pelo riso. Não seria qualquer motivo que levaria Sara de volta a Las Vegas mais uma vez, porém faria uma exceção. Se tratava de uma vitória conquistava com sangue suor e lágrimas. Uma conquista que valia muito a pena comemorar junto dos outros.

— Concordo.

— Só tenha cuidado quando se encontrar com o Brass. É capaz de tentar te prender por lá e não te deixar sair.

— Eu sei. — Ele disse com ar de riso ao se lembrar das últimas conversas que teve com o amigo, há alguns dias. O trabalho pesado o impedia de manter contato, coisa que já era rara para o capitão. Trocar uma conversa fiada por telefone apenas nos poucos momentos de descanso era um momento para se valorizar. — Vou tomar cuidado. Prometo.

— Ficarei de olho nele por precaução. — Ela falou em tom de brincadeira.

E a luz do sol ia diminuindo. Já era possível observar algumas embarcações iluminadas ao longo da costa. Apesar disso o pôr do sol continuava capturando as atenções dos dois.

— Conversei com mamãe hoje cedo. — Grissom comentou ao se lembrar. A mudança de assunto era um meio de afastar aqueles pensamentos sobre aqueles dois.

— Ah é? Como ela está?

— Está bem. Mandou lembranças. Perguntou bastante sobre você. — Ele aproveitou para se ajeitar na cadeira. Ficou um bom tempo na mesma posição.

Sara mostrou um sorriso tímido por ouvir a notícia. Suas preocupações já não eram mais tentar fazer o possível para conseguir a aprovação da sogra. Tirando alguns momentos de choque entre as duas, seu relacionamento com ela dava indícios de melhora.

— Tenho uma sogra que me ama e se importa comigo! Vou querer outra coisa? — Sara ergueu os braços.

— Ela... hum... — A feição dele mudou aos poucos. Ficou meio acuado. Sabia que uma hora teria de falar com Sara porque, caso não o fizesse, Beth em pessoa iria "confrontá-la". — Também perguntou sobre como estamos nos saindo...

— Sobre...?

— Nossa vida sexual. — Ele evitou o contato visual. O assunto não era exatamente um tabu para ele, mas não sabia como Sara poderia reagir daqui pra frente. Betty não tinha vergonha em falar sobre este tipo de assunto, ainda mais quando viu o filho (enfim) estar junto de alguém.

— De novo? — Ela perguntou sem se mostrar surpresa. Na primeira vez que ouviu, tinha de admitir, a situação foi outra e a pegou em cheio.

— Você sabe como ela é... — Grissom engoliu em seco. O nervosismo o deixava aos poucos, mas cautela era sempre boa, pensava. — Agora que o filho está compromissado, não vê a hora de segurar o neto... ou neta.

— Ou os dois.

— É. — Assentiu. — E se tudo ocorrer bem ela quer nos visitar nesse final de semana.

— Bem... — Ela deu de ombros. — Na minha opinião nós estamos nos saindo muito bem. Sobre os bebês... acho que não tenho uma resposta.

— Acho que ela ficará sem esta resposta por enquanto. — Ele também chacoalhou os ombros, levando na esportiva assim como Sara.

— Apartamento novo do Warrick, visita da minha sogra e bebês. Estou adorando o rumo dessa conversa. — O tom saiu sarcástico, mas foi de brincadeira. Já ele riu por nervoso. Não foi a reação da qual ele esperava, mas foi melhor do que pensou.

Já não era mais possível enxergar o fulgor do sol. As tonalidades quentes iam dando lugar ao roxo, azul e cinza, e uma brisa mais fria vindo da praia começava a percorrer o ambiente. Em breve seria necessário acender as luzes no interior da casa. O momento único do dia ia se aproximando do fim.

Ela se ergueu da cadeira e acionou o interruptor de luz da varanda somente, deixando para acender as luzes restantes da casa posteriormente. Voltou para perto de Grissom e, ao invés de se sentar ao lado, parou por detrás dele e o abraçou carinhosamente.

— Confesso que não estava prestando muita atenção no tempo. — Sara falou baixo, bem próximo ao seu ouvido, voltando a citar a conversa anterior sobre o pôr do sol. Carregava consigo um sorriso malicioso.

— Como prestar? — Ele sorriu ao perceber que ela fazia o mesmo. Chegou a sentir um breve calafrio.

Ao fitá-la o semblante alegre surgia em Grissom como passe de mágica. O coração chegava a palpitar algumas vezes, como se fosse a primeira vez em que contemplava o rosto jovial e tão cheio de vida. Todos os dias se apaixonava por ela novamente.

— Bebês, hein? — O tom da voz de Sara pareceu sugestivo ou Grissom quis entender daquela forma.

— Bebês — repetiu ele em voz baixa. Mantendo os olhares fixos, os dois acabaram rindo.

— Podemos tentar algum dia desses... — A mulher deu de ombros, mantendo ainda o abraço.

— Talvez...

Pensar em filhos não era um assunto no topo da lista deles. Nunca foi. Não foi por causa de Betty que a questão tomou o primeiro lugar, apesar das várias tentativas mais ou menos discretas da matriarca em instigá-los a aumentar a família. A hora certa chegaria quando os dois estivessem prontos, se esta hora realmente chegasse. Eles não tinham pressa.

— Um pequeno ou pequena Grissom-Sidle correndo pela casa — arquitetou ele enquanto criava imagens na mente. Chegou a sorrir por uns instantes — Virando amigo ou amiga de Eli... Quem sabe seguindo uma carreira como a nossa.

— Melhor que ele ou ela tenha uma vida. — Ela brincou, fazendo-o rir.

Aproveitando a oportunidade, Sara afagou os cabelos grisalhos dele e os penteou para trás. Ganhou um rosto contente, de quem estava gostando do carinho e não queria que terminasse. Pouco era necessário para que o deixasse tranquilo.

Deus. Como eu quase perdi você?

Aqueles olhos azuis mais intensos que o mar, cativavam-na como um marinheiro apaixonado pelas águas do oceano. Olhos, boca, corpo. Tudo nele a atraía como um ímã ao metal. E pensar que esteve muito próxima de nunca mais vê-lo tornava o momento muito mais especial. Todos os dias após sua recuperação se tornavam mais especiais, na verdade.

Aprofundando-se naquele abraço, Sara enterrou o rosto entre seu pescoço e nuca buscando se atrelar ainda mais a ele. De vez em quando parecia que a menor distância entre os dois era torturante. Não levou muito tempo até sentiu um toque afável em seu braço esquerdo.

— Eu sei que... não faz tanto tempo que te chamo de meu marido, mas... é como se estivéssemos casados há muitos anos. — Ela beijou sua bochecha com ternura.

Grissom também sentia isso. Sentia que já compartilhava anos e anos de uma vida matrimonial e poucos detalhes os separavam daquilo. A partida de Sara deixou tudo mais evidente o que Catherine dissera meses atrás: "não podem ficar separados".

Ele pegou sua mão esquerda, desentrelaçando da outra para que a tomasse para si. Visou a aliança dourada, encaixada perfeitamente como se o tempo todo fizesse parte da sua mão e então depositou um beijo, bem naquele local. Ela era sua esposa; tão natural de dizer e, ao mesmo tempo, surreal. Agora era um homem casado, vivendo uma vida que sequer sonhou em viver. Faltou muito pouco para ele estar enterrado em um cemitério nesse mesmo momento.

— Faltou bem pouco, não é, querida?

De repente, seu rosto adquiriu um toque mais abatido.

Por mais que refletisse, perguntasse tantas vezes e recebesse a mesma resposta sempre, Grissom talvez nunca teria dimensão de onde esteve perto de chegar. Falar sobre aquilo nunca foi o forte de Sara e isto a deixava um pouco desconfortável, pois isso lhe trazia à memória todos os momentos ruins que passou em Las Vegas.

— Faltou.

Ele beijou sua mão novamente. Sequer poderia imaginar o que Sara sentiu naqueles meses angustiantes e por isso faria de tudo para que ela nunca mais sofresse como sofreu naqueles dias.

Ele poderia observar aquela aliança por horas, perder-se naquela imagem assim como fazia ao contemplar o pôr do sol. Ameaçou se erguer da cadeira, mas se limitou a fazer um movimento para que ela viesse para frente. Tendo seu desejo atendido, encontrou-se com uma Sara completamente diferente de meses atrás. Contemplou uma mulher mais alegre, mais cheia de paz e cheia de vida. Uma lástima perceber o quanto perdia em sua vida por se manter acorrentado ao trabalho. Ao menos ganhou uma nova chance para aproveitar tudo de bom que lhe fora reservado.

— Quando eu levei aqueles tiros, eu... não senti nada no começo — comentou o ex supervisor, quase sussurrando. Ensaiou algumas palavras, balbuciou, como se estivesse preparando um discurso. Levou um tempo até que falasse novamente. — Na verdade, tive a impressão de que minha alma era arrancada aos poucos. É... — Suspirou e depois sorriu.

Sara nunca chegou a perguntar o que realmente sentiu ou que lembrava sentir naquele momento; achava delicado demais falar naquele assunto. Talvez fosse tocar numa ferida que mal sabia se havia cicatrizado e por isso o deixaria falar por conta própria, no momento em que achasse oportuno. Por zelo, pressionou a mão ainda atrelada a dele como forma de mostrar que estava ao seu lado.

— Não tive tempo de pensar, em... imaginar o que aconteceria depois. Não haveria o depois para mim. — O ar de ironia em sua voz soou quase que evidente. — Engraçado pensar que, mesmo me deparando com chance mínima de sobreviver... claro, ainda não me lembro de muita coisa... tentei agarrar a fagulha de chance que eu tinha. — Ele deu de ombros. — Perdia a consciência, mas lá no fundo sabia que estava morrendo.

Ele poderia ter se entregado de uma vez. Dedicar seus poucos minutos restantes a se despedir mentalmente das pessoas que amava e pedir desculpas pelo que aconteceu. Imóvel sobre o volante ele permaneceu quieto, sem perspectiva de um futuro, enquanto seus sinais vitais diminuíam a cada minuto.

— E você está aqui. — Ela disse.

— Posso dizer que eu ganhei outra chance — brincou Grissom.

E que chance.

Uma nova oportunidade que recebera para viver como antes ou mudar suas escolhas e partir para algo novo; foi o que fez. Decerto que ainda não se acostumara em tocar a vida de modo mais tranquilo como antes, mas sua rotina mudou quase que radicalmente. Sem trabalho madrugada à dentro, horas e horas enfurnado em sua sala ou em alguma outra parte do Departamento de Criminalística, Grissom podia dizer que alcançava a paz que nunca desejou ter, mas que tanto precisava.

Já sem as mãos unidas, ao perceber que talvez Sara estivesse prestes a se afastar, Grissom puxou sua mão delicadamente para perto no intuito de que ela sentasse em seu colo. A sugestão não deu certo porque Sara, pega de surpresa, perdeu um pouco do equilíbrio e quase caiu, correndo o risco de derrubá-lo ou machucá-lo. O "causador" daquilo estava atento e, mesmo sentado, segurou sua esposa e a estabilizou a tempo.

— Sara, tudo bem?! — Ele exclamou, fazendo de tudo para mantê-la firme. Olhos arregalados, ele perguntou preocupado. Seu descuidado poderia causar uma situação desagradável. — Deus!... Me desculpe.

— Não aconteceu nada, sou eu quem devia se preocupar! Você se machucou? — Assim como ele, morria de preocupações por ter "caído" em cima dele, praticamente. Bastou apenas ele ter se recuperado para coisas como aquela acontecerem.

— Eu estou bem. — Ele sorriu aliviado e suspirou em seguida.

O susto os deixou em estado de alerta. Preocupante no início, mas que no final apenas gerou uma série de risadas. Menos mal para ambos, atentos no zelo e cuidado de cada um.

— Fez de propósito, não é? — Ela falou em tom de brincadeira. — Era o que você queria o tempo todo.

— Você sabe que não — sussurrou. — Bem... na verdade... Acho que o susto não foi tão ruim para nós. — Grissom continuou, valendo-se do pequeno "presente" que recebeu ao tê-la em seus braços literalmente.

— Conte vantagem enquanto pode. — Ela deu um tapinha em seu peito. Antes de se levantar, Sara quis assistir à sua reação pela resposta. Se deparou com um rosto inalterado, sem remorso algum pelo que falou anteriormente.

Decidida a se levantar de vez Sara, porém, não resistiu ao semblante triste, mas fingido que se formou no rosto dele. Ela tocou em seu peito com ambas as mãos e, apoiando-se nele de modo delicado, beijou os lábios do marido sem pressa. Não tinha como resistir; depois de tanto tempo naquele hospital vendo-o na cama sem poder fazer muita coisa, aproveitar oportunidades como aquela não era nada mau. Para ele, melhor ainda.

— Vou entrar — disse ela ao enfim se afastar. — Você vem?

— Vou ficar por aqui mais um pouco. — Assentiu ele.

— Ok.

Antes mesmo que ela fosse embora, Grissom se adiantou e falou de novo:

— Amo você, querida.

— Também amo você — disse ela ao se aproximar dele e depositar um beijo em sua bochecha.

Antes de seguir casa adentro, Sara o visou uma última vez. Teve de admitir que nunca o vira daquele jeito: tão em paz consigo mesmo. Mais relaxado, sorridente e tranquilo. Um homem novo de atitudes novas. Não podia dizer que era uma mudança radical do dia para o outro, mas era notável a diferença de comportamento nos últimos meses. Ela o tinha de volta, o homem que amava são e salvo.

Aquele era um sonho mais que desejado por Sara. Ela já viu do pior do ser humano; vítimas caindo nas mãos de pessoas cruéis em quase todos os dias de trabalho. Mas também viu um milagre acontecer.

O ex supervisor respirou fundo sentindo o ar mais frio da noite refrescando seu corpo e mente. Observou o céu já escurecido, as primeiras estrelas que davam as caras e algumas embarcações ao fundo no mar próximos à costa. Ergueu a palma da mão esquerda à altura do rosto e atentou para a aliança em sua mão. Meses atrás estaria coberta pelo próprio sangue derramado em seu carro e agora estava limpa; adornada por uma aliança dourada que marcava um matrimônio. Jurava a Deus que se pudesse, ou melhor, se tivesse mais coragem, levaria Sara até o altar há muito mais tempo.

Muita coisa aconteceu em menos de um ano. Casado, mudou-se de casa e de estado para recomeçar. Tinha de afirmar várias vezes para si mesmo que sobreviveu a um atentado e que sua chance era mínima. Até mesmo o ex supervisor se via cético algumas vezes. Tudo o que tinha de fazer adiante era agradecer e fazer valer a pena a nova oportunidade que ganhou.

Ele sorriu. Sorriu alegremente como poucas vezes o fazia. Levou a mão à boca quando lhe sobreveio uma vontade de rir; ou talvez de chorar. Para alguém que convivia com a morte na maior parte do tempo, comemorar a vida era uma sensação fantástica.

Ele deixou de tocar na região onde foi atingido há um tempo. O trauma foi embora e sua mente voltou ao normal. Porém não deixaria de se lembrar de um detalhe.

Dezessete de maio de dois mil e oito. Gilbert Arthur Grissom, ex supervisor do Departamento de Criminalística de Las Vegas sofrera um grave atentado. Dois tiros. Entrou em coma e permaneceu neste estado por dois meses. Sobreviveu.

Nasceu de novo.

Notas finais
EU NÃO ACREDITO QUE ACABEI DE POSTAR O ÚLTIMO CAPÍTULOOOOOOOOOOOOOOOOOOO GENTE EU TÔ MUITO FELIZ, mas um pouco triste porque chegamos ao final de mais um projeto meu por aqui. Escrever esta fic foi enfrentar uma dualidade, na base do amor e ódio hahaha! Mas no final deu tudo certo. Espero que tenham gostado deste final, caso não, eu peço desculpas. Queria algo bem fechadinho no modelo que saiu. Algo que resumisse o que se passou de um jeito bem descontraído, tanto que o nome alternativo do capítulo se chamaria "Pôr do Sol"; mas aí saiu desse jeito mesmo. Fica minha pequena "homenagem" ao DCT. VAMOS ÀS CURIOSIDADES! 1 - Grissom ficaria em coma por um ano em vez de alguns meses. O projeto original era realmente trabalhar com esse intervalo de tempo, mas resolvi diminuir o coma e remoldar a fanfic. Isso não aconteceu porque, após uma pesquisa que fiz, um coma prolongado geralmente acontece por traumas na cabeça. Como eu queria adaptar os episódios da série na fanfic e os tiros não atingiram o crânio eu quis deixar desse jeito mesmo. Até porque se o Grissom fosse atingido na cabeça muito provavelmente ele sofreria sequelas, graves possivelmente. Aos amigos da Saúde: se eu falei alguma besteira aqui, por favor, me corrijam kkkk 2 - O McKeen iria ao hospital tentar matar Grissom. Isto aconteceria logo no momento em que Sara estivesse no quarto junto dele. Vendo isso, o sub-xerife não faria isto com ela por perto, mas saberia da sua presença e tentaria executar seu plano depois, quando ela estivesse longe. Eu não prossegui com este caminho, deixei seguir mais ou menos como estava no cânon e a ideia foi logo descartada ~mas daria uma boa fanfic a parte dessa kkkkkkk pra quem quiser a ideia tamo junto~ Olha a treta que ia dar... 2,5 - No final da perseguição ao McKeen, Nick atirava no sub-xerife, matando-o consequentemente. A ideia disso foi bem rasa e como eu tinha dito antes, quis seguir ao máximo o cânon então eu logo descartei esta possibilidade. Talvez se fosse uma outra fanfic baseada nesse episódio a ideia pudesse continuar, mas como não foi, segui a série. 3 - Sara iria voltar a trabalhar como CSI no turno da noite por conta do longo tempo que o Grissom ficou em coma (item 1). É, é isso. Esta era uma ideia que QUASE seguiu adiante, mas ao longo do percurso eu decidi me basear na série, "batendo o pé" de que a Sara não voltaria para trabalhar no Departamento apesar do longo tempo que o Gil ficou em coma. Neste caso ela retornaria como criminalista para ajudar seus amigos que estavam com pouca gente; mais para ajudá-los que por desejo real de retornar. 3,5- Quando o Grissom acordasse, ficaria em choque pelo tempo que passou desacordado e sem acreditar que Sara realmente voltou para o Departamento. Ao longo dos capítulos as marcas deixadas pelo longo tempo em coma (físicas e psicológicas) iriam afetá-lo de modo mais intenso do que se seguiu na fanfic. Ele sofreria pesadelos constantes e iria deixar o Laboratório de um jeito menos tranquilo. 4 - Grissom e Sara iriam revelar aos amigos no capítulo da última reunião que estavam prestes a se casar. É, pessoal, não foi desta vez. Eu QUASE postei o capítulo assim, mas pensei bem, pensei sobre como os dois refletiriam a respeito e o resultado foi este. Imaginei que ao contarem sobre o casamento, não iria num restaurante cercado de "desconhecidos", um ambiente aberto demais para aqueles dois contarem algo tão pessoal. 5 - E por fim, o último capítulo iria se passar próximo da Ponte Golden Gate. Seria basicamente este capítulo, mas situado num local diferente. Então é isso, pessoal. Estas foram as curiosidades. Gostariam que alguma dessas fosse para o projeto final? Ainda assim, espero que tenham curtido a fic. Eu realmente amo fazer UAs e me deixo levar pelas possibilidades e caminhos para trabalhar com CSI. Em breve eu espero também voltar com um outro projeto, mais curto que esse desta vez, mas bem louco. Mais louco que este haha. Obrigada por embarcarem nesta aventura e terem sofrido comigo, favoritado e comentado kkkkkk ♥ Vocês são demais. Nos vemos na próxima. Beijos! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!