For Amelie - 1a Temporada
21 XXI - Sorte no jogo...
Notas iniciais
Quando entramos na sala, a professora já tinha chegado, o pessoal já estava todo acomodado. As pessoas que presenciaram a ceninha pouco antes estavam todas me encarando apreensivas. A Bia mais ainda. Havia trocado de lugar com o Rafa e parecia que até sua respiração estava alterada.
Mas incrivelmente eu parecia não estar nem um pouco chateada com o ocorrido. Sentei-me ao lado do garoto, e o Aquiles também tomou o seu lugar e não conversamos mais. Decidi prestar atenção na aula, afinal, a conversa que precisávamos ter não podia acontecer durante a aula.
Me empenhei em prestar atenção à aula e ignorar o fato do Aquiles ter me beijado no banheiro feminino. Mas de repente pareceu tão difícil...
Eu podia sentir a mão dele na minha cintura como se ainda estivesse lá... A pressão do corpo dele sobre o meu contra a parede do banheiro... E o sabor de hortelã dele na minha boca... Num ritmo tão calmo e urgente ao mesmo tempo.
E eu achava que não existia nada melhor que ser brilhante e reconhecida... Era porque eu ainda não tinha beijado o Aquiles. Ou melhor – muito melhor, diga-se de passagem -, eu nunca havia sido beijada pelo Aquiles. Cara... Ele tinha me beijado... No banheiro feminino.
Eu estava quase caindo na gargalhada enquanto me perdia nas lembranças. Arrisquei uma olhada furtiva na direção dele tentando ler alguma coisa em sua expressão, mas não tive sucesso. Ele estava copiando a matéria tranquilamente. “Deixe-o fazer a lição em paz! Você devia fazer o mesmo!” Ralhei comigo mesma em pensamento.
When you were here before
Quando você estava aqui antes
Couldn\'t look you in the eye
Eu não podia nem te olhar nos olhos
You\'re just like an angel
Você é como um anjo
Your skin makes me cry
Sua pele me faz chorar
You float like a feather
Você flutua como uma pena
In a beautiful world
Em um mundo bonito
I wish I was special
Eu só queria ter sido especial
You\'re so fucking special
Você é tão especial
Senti meu coração dar um salto ao ouvir o sinal do intervalo. A Bia se levantou vagarosamente me encarando receosa. O Rafa como sempre avoado, parecia nem se dar conta do quanto ela havia sido rude...
_ Vamos pra lixo? — ele perguntou a todos na mesa.
_ Vamos sim Rafa. Vocês vem? — a Bia me perguntou cuidadosamente.
_ Não.
_ Vou.
Eu e o Aquiles respondemos ao mesmo tempo. Então ele ia para a lanchonete...
_ Bem, eu vou pra sala... Vou falar com a professora sobre o trabalho. — justifiquei baixando os olhos.
_ Vamos lá na lixo com a gente... — o Aquiles convidou.
Olhei para ele. Era um convite? Do tipo um convite para sair só que em proporções bem menores por termos nos beijado num banheiro em reforma?
Ahn... Não, acho que não.
Não tinha nada de sentimental ou furtivo nos olhos dele...
_ Tenho que falar com a professora. — e depois disso deixei a sala.
Depois de chegar no bloco 3, me sentei no banco em frente à sala de língua e literatura. Será que ele queria despistá-los? Talvez ele ainda viesse me encontrar... E quem sabe poderíamos novamente...
“Pare de ansiar por isso...” Dizia a voz da razão, enquanto a emoção não parava de gritar “Aquiles, você é a coisa mais incrível que poderia acontecer a uma garota!”.
Aguardei, aguardei e aguardei... Em vão. O sinal do fim do intervalo tocou, anunciando também o fim das minhas esperanças.
A professora chegou e eu entrei antes que o pessoal retornasse. Sentei numa das últimas carteiras, tentando não decifrar o que estava acontecendo.
_ Conseguiu falar com ela? — o Aquiles me perguntou assim que entrou.
Seria algum código? Eu tinha que parar de buscar anormalidades em tudo que ele dizia...
_ Ahn... Sim. Está tudo bem entregar aquele trabalho.
_ Que bom... Já pensou um resumo de cada capítulo?
_ É... Terrível.
A Bia sentou-se silenciosamente na frente dele, sem me dirigir a palavra. O Aquiles me deu um sorriso inocente e prestou atenção à aula.
Minha massa cinzenta provavelmente já estava translúcida de tanto trabalhar... O Aquiles agia normalmente como se nada houvesse acontecido. Ele podia ao menos me dar uma satisfação, correto? Pensando bem... Ele não agia normalmente... Estava mais distante que o normal.
Por quê?
Por que fizera aquilo então?
But I\'m a creep, I\'m a weirdo
Mas eu sou um verme, sou uma esquisitona
What the hell am I doing here?
Que diabos estou fazendo aqui?
I don\'t belong here
Eu não pertenço a este lugar
Passei a maior parte da aula analisando a situação, tentando buscar uma resposta para o que estava acontecendo.
_ Vamos? — perguntou sorrindo, lindo como sempre.
_ Vamos. — respondi visivelmente desanimada.
A Bia nos fez companhia, mas por acaso. Caminhamos mergulhados num silêncio mortal até a portaria, onde nos despedimos da Bia. Claro, à distância.
Seguimos somente nós dois até a passarela, e ele não disse nada. Eu devia arriscar perguntar alguma coisa? Mas também... O que eu deveria perguntar?
_ Sexta tem a prova de geografia né? — ele me perguntou observando o trânsito abaixo de nós.
_ Sim.
_ Está preparada?
_ Sim.
_ Bom, que pergunta idiota né? — e riu. — Eu esqueço que nem todo mundo tem essa limitação intelectual que eu tenho.
_ Bobagem. — respondi sem encará-lo.
_ Putz grila... Já não vejo a hora de acabar com esse semestre... Se ele não acabar logo, certamente vai acabar comigo!
_ Hum. — murmurei sem muita vontade de conversar sobre o semestre...
Ele disse mais alguma coisa sobre sua dificuldade com a escola e finalmente silenciou. Ficamos quietos esperando cada um pela sua condução.
Se ele quisesse dizer alguma coisa, já tinha dito. Mais sozinhos que estávamos, impossível. Ele realmente não tinha nada a dizer...
Mas isso era muito injusto!
_ Aquiles... — eu comecei, mas ainda sem saber o que devia falar.
_ O quê?
“O quê”?!
Será que era hora de parar com as promessas de partir pra porrada e agir de verdade?
Não... A única coisa que eu queria fazer com aquele rosto lindo passava bem longe de agressão.
_ É que... Hoje... No banheiro...
_ Foi imperdoável, eu sei.
Imperdoável... Certo...
_ Senti até vergonha de te pedir desculpas, porque sei que está no seu direito recusá-las. E eu não queria ouvir isso...
_ Desculpas?
_ É. Me desculpe Mel...
Então ele estava se sentindo culpado. Ele tinha consciência que havia cometido um erro. Bom, qualquer coisa comigo era um erro.
Acho que fiquei muito tempo em silêncio...
_ Você pode me desculpar?
Ouvi o som de um trólebus se aproximando. Virei-me para ver qual era, mas não era o meu.
_ É o seu. — consegui dizer com uma firmeza na voz que não sabia de onde tinha tirado.
_ Eu posso esperar outro...
_ Eu prefiro que você vá embora.
Ele continuou sem ação por alguns segundos, mas estendeu o braço para dar o sinal.
_ Tchau, Mel.
Eu não consegui responder. Eu não conseguiria perdoá-lo. Não por ter me beijado... Mas por ter se arrependido.
I don\'t care if it hurts
Eu não ligo se isso machuca
I wanna have control
Eu quero ter o controle
I wanna a perfect body
Eu quero um corpo perfeito
I wanna a perfect soul
Eu quero uma alma perfeita
I want you to notice
Eu quero que você perceba
When I\'m not around
Quando eu não estou por perto
You\'re so fucking special
Você é tão especial
I wish I was special
Eu só queria ter sido especial
But I\'m a creep, I\'m a weirdo
Mas eu sou um verme, sou uma esquisitona
What the hell am I doing here?
Que diabos estou fazendo aqui?
I don\'t belong here
Eu não pertenço a este lugar
~*~*~
Quando minha mãe chegou a comida já estava pronta, eu já havia tomado banho e estava assistindo jornal. Eu não ia me acabar novamente. Ele não merecia. Ninguém merecia. Quem merece, não te faz sofrer.
_ Oi Mel.
_ Oi mãe! — e sorri.
_ Nossa, está bem humorada?
_ Sim.
_ Posso saber o motivo?
_ Nada demais. Consegui me livrar de um peso, só isso.
_ Uau... E que peso seria esse?
_ Vamos jantar? Estou com fome... E fiz estrogonofe de frango com champignon.
_ Nossa Mel! Nem imaginava que você soubesse fazer estrogonofe com champignon!
_ Eu não sabia. Mas descobri. Posso aprender o que eu quiser, não é?
Ela ficou me estudando, até responder:
_ Não sei Mel... Tá tudo bem mesmo?
_ Claro. Vai tomar banho antes?
_ Vou.
_ Então vou arrumar a mesa.
Tentei desviar a conversa sobre o meu dia. Contei o essencial e fiz de tudo para me manter bem humorada enquanto conversava com ela. Depois assistimos à novela juntas e acabei indo deitar muito cedo. Por causa disso acordei muito cedo também.
A dor estava insuportável. O meu teatrinho para a minha mãe só fizera piorar. A ideia de voltar a escola e cumprimentá-lo como se fossemos ótimos amigos, sem nenhuma pretensão... Era simplesmente torturante.
Uh-uh Uh-uh
She\'s running out again
Ele está fugindo de novo
She\'s running out
Ele está fugindo
She run, run, run, run, run
Ele vai fugir, fugir, fugir, fugir, fugir
Desci até a cozinha e me sentei na mesa. Ia pedir para minha mãe me deixar faltar à aula. Por motivo de extrema fadiga mental... e emocional.
_ Melzinha? Já acordada? — ela me perguntou entrando na cozinha, com a cara torta de sono.
_ Ah, sim... Dormi muito cedo ontem.
Ela colocou um gole de café numa xícara e levou ao micro-ondas para esquentar. Esfregou os olhos e bocejou. Só então prestou atenção em mim.
_ O que houve filha?
Eu devia mesmo estar com uma cara nada boa.
_ Nada... Eu só queria faltar hoje. Não estou muito bem.
Ela se aproximou da mesa e puxou uma cadeira para se sentar.
_ Não está na hora de você desabafar? — me perguntou.
_ Desabafar? Por quê?
_ Amélia, você está guardando muita coisa para si mesma. Você acha que eu não vejo você acumulando todos esses sentimentos em silêncio? Você abdicou do seu direito de fazer amigos e eu não interferi para não te causar mais incômodos... Mas isso está te prejudicando seriamente. Você não conversa nem mesmo comigo... E você está sofrendo nitidamente. Ontem foi um dos piores dias. Eu tive que fazer de conta que acreditei que você estava feliz, achando que fosse te ajudar... Mas... Estou sentindo que na verdade só estou piorando a situação... Eu não quero falhar com você novamente... Mas eu também não sei o que fazer amor...
_ Me perdoe mãe... Nada disso é culpa sua. Acho que sou eu quem está falhando como filha.
O micro-ondas apitou, mas ela não se moveu. Apenas esticou o braço por sobre a mesa para alcançar a minha mão.
_ O que eu posso fazer por você Mel?
_ Acho que nada mãe... Só continue assim...
Ela deu um sorriso simpático e um tapinha nas costas da minha mão. Então se levantou e foi pegar o café.
Eu já não estava mais aguentando segurar. Me deixei dominar por um pranto amargurado.
_ Mel... — ela desistiu do café e veio até mim.
Ficou abraçada a mim enquanto eu tentava me acalmar. Como isso não acontecia, comecei mesmo entre soluços:
_ Por que eu sempre fico com o pior mãe? Por que pra mim as coisas tem sempre que dar errado?
_ Não diga isso Mel... É apenas uma percepção seletiva...
Abracei a cintura dela ainda tentando me controlar.
_ O que eu fiz de errado para sempre ser rejeitada?
_ Nada querida... Nada... Você não é rejeitada... Não diga isso, por favor.
_ Por que eu tinha que me apaixonar por ele? Ele tem namorada mãe... E ele a ama... Por que eu achei que ele poderia gostar de mim? E por que ele não poderia gostar?
_ Ele gosta de você Mel... Mas é complicado... Não tem nada a ver com você...
_ Quando aconteceu aquilo com o Thiago também não tinha a ver comigo?
_ É diferente Melzinha... O Thiago era um doente. O Aquiles é diferente... Não é por sua causa.
Whatever makes you happy
O que quer que te faça feliz
Whatever you want
Queira o que quiser
So fucking special
Tão especial
I wish I was special
eu só queria ter sido especial
But I\'m a creep, I\'m a weirdo
Mas eu sou um verme, sou um esquisitão
What the hell am I doing here?
Que diabos estou fazendo aqui?
I don\'t belong here
Eu não pertenço a este lugar
Preferi não dizer mais nada. Minha mãe como pessoa maravilhosa que era, tentaria me convencer que a culpa não era minha. E eu sabia que era.
_ Posso ficar em casa hoje então... — perguntei já mais calma.
_ Claro meu amor... Faça isso. Descanse essa cabecinha linda... Quer que eu te faça companhia?
_ Não, por favor mãe... Não faça eu me sentir mais culpada ainda.
Ela me soltou e olhou bem profundamente nos olhos.
_ Você tem certeza?
_ Tenho mãe. Me desculpe pelo que eu já fiz anteriormente... Mas eu nunca mais faria isso. Você não merece.
_ Nem você. Você é linda e inteligente... Uma hora vai se dar conta disso.
_ Tá bom mãe.
Ela ficou me consolando mais algum tempo, e eu gostei daquele colo. Estava mesmo precisando de consolo.
I don\'t belong here
Eu não pertenço a este lugar
Continua
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N/a.: Um kissu especial pra kikatz q levantou minha moral no msn... Tanto pela minha neura sobre a aparencia, como pelos conselhos pra minha mamis!! ^^ Te amo maninha!
Pra Maah-chan que trocou altas ideias cmg sobre nossos namorados fofos, pra Daay-chan q é uma flor de pessoa (descobri outro anjo da guarda) e pra Biia-chan q está arriscando a pele pra ler a fic! >.<
Nossa meninas, como amo vcs!!
Eu não sou emo!
Nada contra, mas não sou!
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