Eu já estive aqui, mais as coisas mudaram, eu era outra pessoa, só que nem eu mesma reconheço mais. Era bom voltar a N.J., mais não como eu imaginava que seria. Achei por ter passado 4 anos eu estaria com saudades; das pessoas, dos lugares, das maneiras, ate de mim mesma, mas não, era algo comum, como voltar aquela loja em que você comprava seus vinis quando criança, era simplesmente comum, passageiro.

Só que com o mesmo sorriso pervertido de sempre, Soraya se aproxima de mim e logo diz: Se eu fosse você, eu iria ali falar com ele – E aponta para um cara que estava me olhando, inutilmente, pois eu não iria La.

- Eu estou noiva, esqueceu?

- E daí?! Ele e charmoso. Ate parece com aquele cara que você tanto ama.

Ela não precisava citar o nome, pois sabia que eu iria entender a única pessoa que faria sentido, ela dizer isso, era ele, Gerard Way. Muitas vezes já me disseram que era inútil sentir isso, ate já me disseram que eu não sentia nada, que era ilusão. Mais eu sabia que estava apaixonada; Apaixonada por uma pessoa que sequer que conhecia.

- Não fale besteira! Ele não se parece nenhum pouco com o Gee. Olha a boca dele, totalmente desfigurado, a do Gee não e assim, a dele e perfeita, completamente alinhada, fina e pálida. Se você perceber ela...

- Ela nada, eu já entendi, “ela e perfeita”, você não precisa descrever ele cada vez que eu compará-lo com alguém.

- Tudo bem, mais então não faca mais isso.

- Ta ta, já entendi! – respondeu Soraya

Pagamos sua coca e seguimos para o carro. James nos esperava La. Com aquela cara de machão, mais no fundo eu sabia, não tinha nada de machão nisso.

Uma vez Soraya me perguntou por que eu estava noiva dele, eu não soube responder e ainda não sei.

Abri a porta do carro com muito desgosto, eu não estava a fim de visitar os meus pais, não mesmo!

- Trouxe minha cerveja? — perguntou James

Ele deve pensar que essas roupas pretas, as bebidas e cigarros, vão deixá-lo mais homem. Mais ele esta enganado, essas coisas não escondem nada nele, muito menos seu passado; Seu passado “GAY” pode dizer.

- Não tinha cerveja. E essa foi e a terceira e ultima loja que fui atrás de bebida pra você, entendeu? Agora se quiser você que compre.

- Já entendi vadia. Agora entra no carro e cala a boca.

Soraya do jeito que e responde:

- Fica na sua cara, e dirige logo essa merda que você chama de carro.

Eu só olho para ela, e solto um sorriso.

- Isso mesmo você tem que sorrir. Não sei por que ta com esse cara, sendo que ele só te trata mal.

E, nem mesmo eu sabia, na verdade sabia, eu precisava estar com ele, pois ele e sempre o foco de tudo, então eu sempre me ocupava com ele, assim eu não piorava e a depressão não voltava.

- Você sabe os meus motivos – respondi sendo fria.

- Motivos? – perguntou James

- Sim, dirige ai cara — disse Soraya

Durante o caminho ate a casa de meus pais eu não abri a boca sequer uma vez, só fiquei ouvindo musica, como sempre, My Chemical Romance, não importa quantas outras bandas eu tivesse no Ipod, elas eram enfeites, pois eu sempre iria escolher My chem. Não só pela banda, e claro que a banda e ótima, mais por ele. Sua voz cativante acolhedora. As “mensagens” que as letras passam parecem que são feitas para mim, e quando eu as ouvir, era com se ele estivesse falando comigo. Então sempre escolhia my chemical.

Quando chegamos La eu comecei a recordar o passado, minha casa da arvore e a pedra gravada “Willy 2005- ∞, ainda estava La. Eu tinha certeza que Soraya ia perguntar se em baixo da pedra era enterrado meu sapo; meu sapo que ela matou, quando criança. E que após disso, foi internado na clinica psiquiátrica por 3 meses, mais ela mudou nada desde quando ela saiu de La.

Após todas as pergunta sobre a casa da arvore e a pedras nós entramos na casa. Tinha aquele cheiro de velha, como de costume, era feita de madeira e muitas portas, janelas e paredes estavam quebradas.

- Katherine Draco. E você minha filha? – perguntou minha mãe. Já era esperado que ela não me reconhecesse, nem eu mesma me reconheceria depois de tudo que eu passei.

-Sim, sou eu, a Kat — Eu disse e logo sorri desconfortavelmente.

- Minha filha como você ta... – diferente?- estranha?-feia?-triste?- depressiva? Sim, estou. -... Como você esta bonita para sua idade.

- Para minha idade? Eu tenho 26 anos e aparento ter 36. Isso não me parece ser bonito, muito menos para a minha idade.

- Obrigada Lucy — Por mais que ela fosse minha mãe, eu não conseguia chamar ela como tal.

-E estes são quem?- Lucy me perguntou e logo olhou para Soraya e James.

-Esta é Soraya, minha melhor amiga. E este é James meu...meu noivo- Eu ainda não estava acostumada com isto.

Lucy fez uma cara de espanto e decepção, não era isso que ela espera, ela não queria que sua filha se casasse com uma cara 13 anos mais velho, que fumasse, bebesse, só usasse roupas pretas e ainda tivesse diversas tatuagens e piercings pelo corpo.

- Noivo!? Espero que assim você crie mais juízo não é menina!?- disse Lucy e riu exageradamente.

Perguntei onde estava meu pai, Lucy disse que ele havia morrido. Para mim isso não fazia diferença, eu o odiava.

Pegamos nossas bagagens e uma lista telefônica e fomos para o carro. Nem entramos no carro direito e eu já falei: — Eu não agüento mais ficar aqui, se ao menos houvesse algo para mim fazer, que me animasse. — E pensando que este "algo" era ir a um show do MCR.

Peguei meu notebook e entrei no site da banda, ali estava previsto que haveria um show deles em N.J. Daqui a uma semana, talvez eu conseguisse agüentar até lá.

Enquanto James e Soraya olhavam a lista telefônica e procuravam um hotel, eu adormecia, e dormiria se não fosse por uma ligação.

-Olá, é a Ketherine Draco? — Disse a voz do outro lado da linha.

-Sim, sou eu. O que você quer?

-Sou Merybeth da revista TREND! E eu liguei para informar que o nosso editor errou na digitação da edição retrasada, e a pessoa que havia ganhado a promoção para concorrer um dia com o MCR, foi na verdade você e a Kendall Daniel. — Eu não havia entendido quase nada, só a parte em que eu e uma Kendall havíamos ganhado algo.

-Ganhei o que? — Perguntei sem animação.

-Um dia com a banda My Chemical Romance.

Eu fiquei pálida, comecei a tremer, minha pressão baixou e eu não estava me sentindo nem um pouco bem. Tudo começou a girar e então eu desmaiei.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.