For All Star
11 Idiota
Notas iniciais
— Sakura, pare um pouco de correr — Ele falava andando atrás de mim pela rua.
— Eu não consigo correr tanto!
— Eu não estou correndo, loirudo. — Falei continuando andando.
Eu realmente não estava correndo, estava apenas andando rápido, mas o sedentarismo do Naruto fazia até uma tartaruga centenária parecer que estava correndo ao seu lado.
Parei bruscamente olhando para trás, o Naruto parecia que iria infartar a qualquer momento, ele estava com a mão direita apoiada no joelho e a esquerda apertando o peito, seu corpo estava inclinado para frente, como se buscasse ar. Ele parecia que tinha corrido uma maratona!
— Preciso da minha bombinha, Sakura!
Olhei para cara dele, não tínhamos andado nem dez metros, não saímos ainda da calçada do prédio do amigo dele e ele estava parecendo cansado. Rapidamente abri minha bolsa, tirando uma bombinha para asma de dentro, eu sempre carregava uma comigo, mesmo depois de anos e mesmo morando fora, eu me acostumei a carregar ela dentro da bolsa. Depois do ataque de asma que ele teve nas férias em família aquilo virou um dos adereços da minha bolsa.
— Respira, respira… — Falei depois de colocar a bombinha em sua boca e apertar duas vezes o jato.
— Estou melhor, Sakura. — Falou me dando um abraço apertado e me rodando no ar, nem parece que a dois minutos atrás ele estava tendo um ataque de asma.
Olhei para ele com desconfiança, não sei se aquele ataque foi real ou fingimento da parte dele. Desfiz o abraço dele e fiquei encarando seu rosto bem de perto.
— Se você fingiu um ataque, eu juro, que corto essa sua minhoquinha que você chama de rola fora. — Dei um peteleco em sua testa e completei. — Isso é uma ameaça.
— Não foi fingimento rosinha. — Falou entrando em posição de defesa. — Para de ser tão ameaçadora. — Completou dando dois passos para trás me olhando assustado.
— Eu espero que não. — Levantei meu punho fechado na altura de seu rosto, tentando parecer mais assustadora. O que a meu ver não parecia tão ameaçador, visto que, o loirudo é alguns centímetros mais alto.
Dei as costas para ele e voltei a caminhar, eu estava revoltada com a atitude esnobe daquele cara. Quem ele pensa que é? Fui na maior boa vontade fazer uma merda de sopa para ele, o que fiz milagre, pois não tinha um ingrediente que preste naquela casa, e ele me tratou daquele jeito. Pelo que parece a mãe do mimadinho não ensinou ele a fazer compras e nem a ter bons modos.
— Caramba rosinha, eu já pedi para não correr. — É isso, aquele loiro estava também me tirando do sério.
— O que foi Naruto? Já me basta aquele seu amigo metidinho me tratar daquele jeito, agora vem você tentando desalinhar meus chakras. — Falei quase gritando. — Já basta um idiota por hoje.
— Sakura, ele não fez por mal.
— Aaah, claro. Ele não fez por mal! — Falei ironicamente voltando a olhar o loiro que mantinha uma expressão triste no seu olhar.
— Ele… bem. — Ele me quebrou em duas com aqueles olhos tristes. — Ele não confia muito nas pessoas, e depois disso que aconteceu com a Karin, duvido que ele volte a confiar em mais alguém.
— O que tem aquela vaca? — Minha expressão mudou completamente quando ele falou o nome dela. Eu odiava a Karin desde o jardim de infância, eu sei que ela era minha prima, minha parente, mas tínhamos um histórico bem longo de brigas.
— Eles estavam namorando e ela o traiu. — Ele começou a falar sentando-se no meio da calçada. Relutei um pouco olhando para aquele chão sujo.
— Não senta ai garoto, pode ter passado ratos. — Falei continuando olhando para aquele chão que não me passava nenhuma segurança.
— Ele a pegou no flagra com um amigo dele. — Parei de prestar atenção naquele chão sujo em algum momento daquela frase e comecei a me posicionar para sentar-se ao seu lado.
Estávamos nós, duas pessoas estranhas, um cara de cabelo loiro e uma garota absurdamente linda, claro né, e com cabelos rosas, ambos sentados no meio da calçada que poderia ter passado diversos tipos de bichos diferentes, comentando sobre como o amigo dele foi corno. Eu sei que isso é um pouco insensível da minha parte, mas quanto mais falarmos sobre mais ele vai começar a aceitar o par de chifres e pode até se conformar com a galhada.
Naruto me contou todo o acontecimento e consegui sentir um pouco de pena dele, isso não justifica o fato dele ter sido incrivelmente rude comigo, mas é compreensível sua reação no momento.
— Acho que posso tentar de novo, se ele também quiser. — Falei recobrando o meu bom senso e levantando daquele chão imundo que estávamos a quase vinte minutos sentados.
— Eu sabia que você falaria isso, Sakura.
— Como sabia que eu iria aceitar? — Perguntei com um ponto de interrogação na testa.
— Você é a pessoa mais doida que conheço, mas você nunca abandona uma pessoa que precisa de ajuda.
Não sei como estava meu rosto no momento, mas eu sentia o rubor se formando nas minhas bochechas e a quentura subir por todo o meu corpo.
— Que gracinha rosinha, está envergonhada? — Falou me dando uma leve cotovelada.
Estava tão envergonhada com o que ele falou que não conseguia achar as palavras para responder ele. O Naruto era um cara desligado, medroso e totalmente idiota, mas ele sabia arrancar sorrisos e suspiros das pessoas, principalmente mulheres.
Depois daquela conversa resolvi ir para casa, estava um pouco cansada. Naruto resolveu me acompanhar e fomos todo o caminho falando de sua amizade com o Uchiha. Eles eram amigos desde criança, o que achei estranho, pois era a primeira vez que ouvia falar dele.
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