Força sutil

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Para quem não é do fandom: Shion e Mion são irmãs gêmeas que pertencem a uma família de importância em Hinamizawa (a cidade que passa a história). Na verdade, quando nascem gêmeos um deles devia ser morto para que não houvesse mais de um herdeiro, mas no caso não aconteceu. Shion, entretanto, tinha que viver em outra cidade (Okinomiya). Ela desobedece a família e vai para Hinamizawa. Para que possa circular por lá ela se passa pela Mion, e numa das andanças dela, a Shion conhece o Satoshi (crush dela). Ele acaba desaparecendo, então, ela começa uma investigação por conta própria e começa a ficar paranoica (é um anime de terror né). q A Rena é uma amiga da Mion, assim como o Keiichi (protagonista da série que eu só citei pro fim). Rena não tem tanta interação com a Shion nesse arco (não terminei de rever, mas acho que nos outros também não), porém, até que é curioso saber que ela é a única do círculo dos principais que sobrevive (nesse arco).

Shion não poderia se apaixonar outra vez, pois não poderia trair a memória de Satoshi. Até saber o que havia acontecido com ele tinha que se manter firme, visto que poderia ter sido sua própria família a fazê-lo desaparecer. Contudo, Shion tinha uma certeza em meio a tantas dúvidas. Não perdoaria quem fosse que tivesse feito algo ao rapaz. Isso era o que imaginava ter acontecido. O problema era que Shion estava começando a imaginar demais.

Passos ou uma voz sussurrante atrás de si, isso era um sinal de que ou estava trabalhando demais ou estava paranoica. Mesmo com suspeitas, Shion foi trabalhar. Saiu com suas roupas usuais, pois não precisava mais se disfarçar de Mion quando a família já havia descoberto que estava na cidade. Quando chegou, o chefe e as colegas a cumprimentaram, todavia, Shion apenas assentiu apressada.

Trocou as roupas, usou o melhor sorriso que conseguiu, e se pôs a fazer o que lhe era pedido.

— O que gostaria de pedir? — Shion disse com o tom atrapalhado, imaginando que tipo de desculpa devia contar para fugir de um possível assédio, uma vez que as roupas que usava acentuavam mais esse tipo de situação.

— Haauu, você está tão fofa nessa roupa Shi-chan, quero te levar pra casa! — Rena disse, com seu costumeiro bordão, bem como uma cara sonhadora.

Ryuugu Rena era alguém que Shion tinha dificuldade de lidar, mesmo quando estava atuando como sua irmã mais velha. A garota tinha olhos amorosos e um sorriso gentil, além daquela obsessão por coisas fofas. Entretanto, podia ser bastante ameaçadora quando queria, ainda mais com relação ao espaço pessoal de alguém. Ela também achava que Satoshi havia merecido seu desaparecimento, em razão de ter desafiado o deus local “Oyashiro-sama”.

Porém, Rena, apesar de tudo, considerava Satoshi um amigo, portanto, mesmo com opiniões divergentes não podia ser mal-educada. Por Mion, pela sua sanidade restante, segurou-se e fez uma tentativa:

— É mesmo...?

— Sim, eu cuidaria bem de você, assim como os tesouros de Rena...

— Hum, agradeço a oferta, mas...

— Não precisa ser tímida! A Rena pode manter segredo se quiser.

Shion teve de interromper a conversa, pois havia sido chamada na mesa ao lado. Ainda conseguiu ver Rena inflar as bochechas infantilmente, visto que não havia feito seu pedido. Quando Shion voltou a atende-la, Rena não tocou mais no assunto como se nem ao menos tivesse existido. A noite veio e com isso seu turno também acabou. Rena estava lhe esperando do lado de fora, mesmo que estivesse chovendo.

— O pedido de Rena não foi negado claramente, então ela achou melhor esperar. Vamos, Shi-chan? Ou você realmente...

Shion provavelmente teria dito não, no entanto, ela acabou atraída pelo olhar magnético que a outra tinha quando lhe tinha pedido dessa vez. Uma força misteriosa a fez seguir os passos de Rena, que seguia animada, cantando uma canção desconhecida para Shion. Por um instante, a Sonozaki podia ter se esquecido sobre a promessa feita a Satoshi, mesmo que ele não estivesse presente quando fez tal promessa.

A casa de Rena era mais triste do que poderia ter imaginado. Shion podia entender porque queria tanto coisas fofas e alegres. A atmosfera era pesada, porque seu pai que não conseguia se reerguer depois de perder sua mulher para outro. Shion se admirou como a garota podia permanecer firme diante daquela situação. Rena abraçou seu pai mesmo que ele nem ao menos a tivesse correspondido.

Rena lhe dissera que ele já tivera dias melhores e Shion se perguntou quantos seriam ao certo.

Era da crença de Oyashiro-sama que Rena conseguia força, por isso a revolta que a garota sentia quando o deus era desacreditado. Shion conseguiu entendê-la um pouco e, dessa forma, sua própria fé se restaurava. Rena não fazia parte do grupo odioso que perseguia Satoshi por ele pertencer a família Houjou, a triste família que resolveu apoiar a construção da represa que afundaria Hinamizawa, trazendo o descontentamento dos habitantes para eles.

Shion quase deu um ataque quando Rena mencionou Satoshi em sua frente, até então as opiniões dela tinham chegado aos seus ouvidos apenas pelos relatos de sua irmã.

— Eu sei que o Satoshi-kun matou a tia dele. — Rena disse sombria — Ele não devia ter feito isso, mas esse não é realmente o problema que o fez desaparecer... pode acreditar na Rena, Shi-chan, ele vai voltar quando ele arrepender por querer ir embora... Oyashiro-sama pode não parecer, mas ele é bastante piedoso. Ele também perdoou Rena quando ela foi embora.

Talvez aquela fosse a forma da garota de dar a Shion uma força que julgava não ter mais. Os olhos da Sonozaki arderam de raiva, e frustração, e algo de alívio, bem como de culpa. Shion se sentia mal, pois estava se sentindo bem perto de outra pessoa que não fosse Satoshi. Estava traindo ele de uma forma irremediável.

Shion foi tirada de sua repreensão interna quando Rena segurou seu rosto com ambas as mãos, e fez com que a olhasse nos olhos:

— Shi-chan, não precisa ter medo: ele vai voltar. Até lá, Rena vai cuidar de você como se fosse um tesouro dela.

Rena fez com que os lábios dela tocassem os seus. Uma surpresa tocou conta de Shion quando se viu corresponder, pois ela devia se sentir horrorizada. Sua vida tinha se tornado dependente da de Satoshi desde que o conheceu e se viu apaixonada por ele. Se ele ficava triste, ela também ficava. Se ele desaparecia, seus sentimentos e emoções também deveriam desaparecer até que, quando pudesse vê-lo são e salvo, pudesse liberá-los apenas para ele.

Entretanto, se deixava confortar por aquela garota que falava na terceira pessoa, como se não se tratasse de si mesma. Era a mesma Rena que teve a ousadia de dizer que Satoshi tinha desaparecido porque ele merecia. Rena tinha lábios doces demais para as palavras ácidas que acabava por dizer, bem como para a força e convicção que demonstrava nas horas difíceis.

Dominava-a, todavia, Shion conseguiu impedir a outra antes que fossem longe demais. Era isso ou teria que matar ambas para que fizessem as pazes com Satoshi. Desde aquele dia, Shion evitaria o olhar de Rena, assim como ela mesma observá-la. Com isso, a força adquirida para que se mantivesse sã se acabou. Tempos depois, de frente a Ryuugu, Shion estava vestida de Mion. Rena a chamava de Mion como Keiichi, entretanto, Shion sabia que não a tinha enganado.

Todavia, a esse ponto, nada mais lhe tinha valor além de sua sede de sangue. O demônio acordou para não mais dormir, portanto, nem mesmo Rena podia fazer alguma coisa. Então, por que fez com que a garota lhe deixasse sozinha com Keiichi? Shion terminou com todos os seus alvos. Contudo, uma pessoa devia ter entrado em sua lista também, mas foi poupada.

Essa pessoa Shion não poderia abater, mesmo em sua condição mais enfraquecida de caráter. Não poderia pedir perdão ao seu (ex) amado, uma vez que a linha tênue havia por fim se destruído e um lado saiu vencedor. Feliz ou infelizmente Rena não poderia mais ouvir isso.

Notas finais
Até!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!