Força e Vida - Tomione
68 Capítulo 68 - Mais um natal em Hogwarts
Notas iniciais
Hogwarts ficava incrivelmente silenciosa nessa época do ano. Mesmo que eu já havia visto isso antes, ainda era impossível de se acreditar sem realmente ver. Praticamente toda a escola havia ido para casa, juntando todos os alunos, de todas as casas, não havia nem cinquenta presentes nas refeições, além de que a maioria dos professores também havia saído.
Mas ao invés de levar esse silêncio de uma forma ruim, eu havia aproveitado para ficar na câmara e pesquisar tudo que eu conseguisse sobre os pertences deixados pelos fundadores. Felizmente, e também infelizmente, eles eram pessoas famosas. A parte boa e também a parte ruim estava na quantidade de informações, já que eles eram pessoas relevantes, havia muitos livros ao seu respeito.
Filtrando as partes menos absurdas, e que pareciam mais verdadeiras, ainda era uma grande quantidade de histórias e livros, porém muitos se repetiam o que permitia que um padrão começasse a se formar e também algumas teorias.
O primeiro objeto que eu encontrei, e que não foi muito difícil de procurar, foi a espada de prata com o punho cravado de rubis, pertencente ao Godric Gryffindor. Feita por duendes, tendo uma lâmina mágica que absorve somente o que lhe fortalece e repele o resto, a espada possuía uma grande fama, porém logo percebi que ela não podia interessar muito ao Tom, já que segundo as histórias apenas um verdadeiro membro da Grifinória poderia encontrá-la. E não era muito difícil de perceber que tudo que o moreno não tinha eram traços grifinórios.
Pesquisando um pouco mais achei o primeiro objeto que poderia interessá-lo. A taça da Helga Hufflepuff. Além de ser um cálice de ouro com o texugo, símbolo da Lufa-Lufa, gravado na lateral, ainda era um objeto com inúmeros poderes mágicos. De longe eu podia imaginar o contentamento do lorde com uma peça dessas.
Mas o que mais me pareceu certeza que o moreno possuía e que também poderia ter usado para algo das trevas foi o medalhão do Salazar Slytherin. Feito em ouro, com um “S” detalhado em forma de cobra e segundo os relatos, passado de geração em geração além de possuir poderes mágicos. Tom era o último herdeiro legítimo da Sonserina, era mais do que óbvio que ele manteria um objeto como esse.
Já algo relacionado a casa da Corvinal foi mais complicado. Nada que havia sido deixado parecia bom o suficiente para despertar o interesse do moreno, e muitos livros diziam que nenhum objeto pessoal da Rowena havia sido encontrado. Porém depois de muita pesquisa, finalmente encontrei uma lenda sobre algo que poderia valer a atenção. Segundo a lenda, muitos estudantes procuravam ao longo dos séculos pelo diadema da Ravenclaw, já que ele poderia aumentar a inteligência de quem o usasse. Helena, a filha da bruxa fundadora, havia roubado ele e o escondido, antes de ser assassinada. Inteligência, objeto de fundador, Helena era um fantasma de Hogwarts, a Dama Cinzenta para quem não sabe. Tudo se encaixava bem.
Era até mesmo assustador saber que eu havia passado tantos anos em Hogwarts sem saber sobre tudo aquilo. Afinal de contas eram objetos que até mesmo eu, que não era lá muito gananciosa, gostaria de possuir. Parecia que mesmo que eu tivesse estudado tanto ao longo do tempo, eu havia deixado passar coisas realmente legais como essas, e mais uma vez eu me surpreendia com o esforço do Tom, ele não havia sido apenas o melhor aluno, mas também tinha descoberto tudo isso em sua época.
— Grün, o que ele poderia fazer com esses objetos? Para mim faz todo sentido que ele os possua, mas não consigo ver uma finalidade. – Suspirei cansada depois de dois dias longos de pesquisas.
— Sinceramente, nada bom. Mas não consigo pensar em algo que possa lhe dar uma certeza. – Em todos os momentos do levantamento de informações Grün havia estado comigo. Eu lia em voz alta aquilo que estava em dúvida, e nós dois decidíamos se era ou não verdade. – Porém de qualquer forma, hoje é véspera de Natal, Mione. Descanse um pouco e se distraia! Você trabalhou a noite passada inteira, e já descobrimos todos os objetos. Ainda está cedo, a noite ainda nem começou, então tome um banho e depois jante no salão principal, aproveite o que essa época tem de mais mágica. – Sorri para o meu basilisco sabendo que ele estava com toda a razão.
— Você está certo. Eu não sei nem por onde começar a pesquisar o que fazer com isso, e definitivamente chegaríamos às artes das trevas em algum ponto. Além de que eu estou cansada, não havia percebido isso antes. – Foi apenas eu dar a pesquisa como encerrada para que o meu corpo começasse a dar sinais de cansaço devido à noite em claro.
— Arte das trevas é praticamente a assinatura do lorde. – Foi rindo que eu fui tomar o meu banho.
— É incrivelmente milagroso o que um banho pode fazer com uma pessoa. – Me sentia revigorada em uma calça de moletom da Sonserina com uma camiseta também da casa das cobras.
A água quente juntamente com o meu shampoo e o meu sabonete havia me segurado por quase meia hora. Uma pessoa só conseguia saber o quanto precisava de um banho até passar por um, e eu definitivamente estava precisando.
— Queria poder dizer que sei do que você está falando, mas não sei. – Sorri para o Grün tentando reconfortá-lo.
— Deve ter alguma coisa no mundo das cobras que se assemelhe a isso, porém eu não saberia te dizer. – Dei de ombros resignada.
— E olha que você é o mais perto do que um humano pode chegar de conhecer as cobras, já que qualquer outra pessoa provavelmente seria picada e morta. – Ri com a verdade inconveniente.
— E no seu caso seria morta ou com sorte petrificada. – Era ruim rir da desgraça alheia? Era. Mas eu estava me importando? Hoje não.
— Se a pessoa fosse desastrada, petrificada. – Me sentia ainda melhor rindo de uma desgraça que já havia sido minha.
— Está aí uma coisa que eu nunca te perguntei. Como foi ser petrificada? – Grün perguntou curioso.
— Estranho. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas de repente, olhos amarelos e eu não tinha mais controle sobre o meu corpo. Quando voltei eu não me lembrava de tudo, mas de alguns flashes do tempo que fiquei fora, isso foi ainda mais estranho. – Contei a ele relembrando em minha mente, para que ele também pudesse ver.
— Me parece algo esquisito, queria saber como se sente um basilisco ao petrificar alguém, mas só faria isso se realmente fosse necessário. – Eu nunca havia parado para pensar por esse lado, realmente era algo interessante.
— Eu nunca havia pensado dessa forma, mas acho que você dificilmente passará por isso algum dia. – Pelo menos não seria eu a pedir. Não contra um aluno, como o Tom havia feito no passado.
— Também acho, porém vamos parar de falar de algo tão sério. Podemos falar de algo como jantar, ou presentes? – Sorri com a capacidade natural do Grün de deixar o ambiente leve.
— Presentes soa quase tão bem quanto jantar. – Admiti sentindo o meu estômago reclamar da falta de alimentos.
— Já está quase na hora do jantar. – Olhei para o relógio abismada com o quanto as horas haviam passado rapidamente. – Porém antes de qualquer coisa, esqueci de te avisar que enquanto você estava no banho, algumas cartas e embrulhos chegaram. – Era incrível eu não ter notado aquilo antes.
Havia um embrulho da minha mãe, outro do Draco, da Pansy, um da Narcisa e do Lúcio, que eu estava até curiosa para saber o que era, e por fim, mas definitivamente não menos importante, havia algo do Tom. E naquele momento o meu coração falhou uma considerável batida.
— Acho que presentes estão soando melhor do que jantar agora. – Observou Grün depois de presenciar a minha reação.
Tentando não ficar ansiosa, comecei a abrir cada um daqueles presentes. Eu havia enviado um presente para a Bela, para o Draco e para a Pansy, então até mesmo esperava que me enviassem algo, porém esperava que eles chegassem amanhã, e não esperava que viessem mais presentes do que os deles.
Filha,
Queria poder te entregar isso pessoalmente, mas já fico feliz só de saber que você vai receber. Feliz Natal.
Com amor,
Sua mãe
O bilhete era simples, mas ainda sim me fez sorrir, e o presente era ainda mais especial. Uma capa de chuva de couro verde Sonserina. Não era mágica como a outra capa que eu tinha, porém era toda prata por dentro e tinha cobras de jade nos botões dos punhos e na gola. Vestiu como se tivesse sido feita sobre medida para mim. Era um presente tão sonserino e tão meigo que me fez sorrir ainda mais apenas por vestir.
Já o presente do Draco era totalmente diferente, porém eu gostei da mesma forma. Um pijama curto, bem curto, e extremamente grifinório. Camiseta vermelha escrita Gryffindor em dourado, e shorts também vermelho com pequenos leões em dourado.
Ultimamente eu sinto que tem faltado algo vermelho e dourado na sua vida. Espero que isso já baste.
Feliz Natal, maninha
Era meigo, bobo e grifinório, mas eu ri da mesma forma. Talvez só um pouco menos do que eu ri do presente da Pansy, que certamente havia escolhido junto com o loiro, ou gosto de pensar que havia tido a mesma ideia. Porque se o Draco havia ajudado a escolher a lingerie vermelha e dourada, ou então a verde e prata, eu ficaria no mínimo constrangida. Ao menos elas eram comportadas, e tenho que admitir muito bonitas.
Concordo com o Draco que falta algo vermelho e dourado na sua vida, mas acho que não precisa ser visível para todos, apenas para quem interessa.
Feliz Natal, Amy. E um próspero, espero que mais do que agora, Ano Novo.
Pansy
E foi com o visível apenas para quem interessa que ela me ganhou completamente em um riso incrédulo de que ela realmente havia me dado e me dito aquilo. Era fofo e ao mesmo tempo assustador o quanto esses dois combinavam, chegava a ser até perigoso vendo esses presentes.
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