Força e Vida - Tomione
26 Capítulo 26 - Acidentes e aproximações
Notas iniciais
Na hora do almoço cheguei antes do que os outros, já que para não levar uma bronca do Draco, saí da sala precisa bem na hora do começo do almoço e a aula de Adivinhação havia demorado um pouco mais. Sentei-me no lugar na mesa onde eu sabia que os alunos do quinto ano se sentavam, mas me sentei do lado de uma garota do quarto ano e de frente para as outras mesas, vendo todas elas, já que a da Sonserina ficava na extrema esquerda do salão.
Assim que me sentei já comecei a me servir, estava com fome e já estava cansada do Draco reparar no quanto eu comia ou não comia. Depois de uns dez minutos que eu já havia começado a comer enquanto observava os outros alunos, todos chegaram. Estavam razoavelmente irritados com a aula que tinham tido, e eu apenas sorri sabendo o quanto eu já havia me irritado com aquela aula. Mesmo que não fosse a mesma professora, ainda era a mesma matéria.
Conversando com os grifinórios, que depois de um tempo vieram nos visitar, descobri que a Minerva também não fazia Adivinhação e que também não acreditava nesse tipo de coisa. Realmente ela sempre foi a minha professora favorita em Hogwarts.
Depois do almoço, nos dirigimos à aula de História da Magia, uma aula que, agora eu sabia, era atemporal já que o professor era o mesmo. A única diferença é que nesse tempo o Senhor Binns estava vivo, o que não era realmente uma diferença já que sua aula foi lenta como sempre e a matéria eu já havia visto e revisto várias vezes. As únicas pessoas que pareciam prestar atenção era eu e o Tom, que estava anotando pontos chaves como eu, mas que mesmo ele parecia meio perdido em alguns momentos. Assim que a aula acabou, bati com o meu livro na cabeça do Draco, que estava dormindo desde o fim da primeira hora da aula. Ele acordou meio assustado, e quase caiu da cadeira, arrancando risos de toda a Sonserina.
Em seguida nos dirigimos para as masmorras, já que a última aula do dia era a de Poções com a Grifinória. Chegando lá, fixei meu olhar no céu de fim de tarde que saía das poucas janelas da masmorra enquanto esperava pelo professor Slughorn. Meu primeiro dia de aula havia sido comum e bem parecido com os meus dias no presente, aquilo me fazia sentir mais falta de casa.
Na sala, Tom e Abraxas se sentaram na primeira carteira do lado da Sonserina, eu e Draco nos sentamos logo atrás, Minerva e outro rapaz da Grifinória na primeira carteira do lado da Grifinória, e os casais Dorea e Charlus, e Cedrella e Septimus sentaram nas carteiras atrás dela. O professor antes de começar a aula, resolveu dar as boas vindas a mim e ao Draco, e bajular um pouco o Tom, dizendo que ele era seu melhor aluno. Depois do momento de boas vindas, ele explicou qual poção faríamos, eu e o Draco também já havíamos feito no começo do nosso quinto ano, então logo pedi para o meu irmão ir buscar os ingredientes que iríamos precisar e fui separando os utensílios que precisaríamos.
Fomos os primeiros a começar a poção e graças ao livro da minha mãe, eu sabia de mais alguns truques para que a poção ficasse em um bom ponto mais rápido, como era no ano dos NOM’s ao final da aula precisaríamos entregar um frasco com a poção pronta. Eu e o Draco estávamos em ótimo tempo e com certeza teríamos uma das melhores poções da sala, já que eu sabia o que eu estava fazendo e ele pelo jeito também sabia, eu nunca tinha percebido que ele era tão bom em poções.
Quando já havia se passado metade da aula, precisei lavar uma das facas para que pudesse fazer a próxima parte da poção. A pia com os ingredientes para a limpeza dos materiais ficava na frente da sala, então eu estava sozinha, terminando de limpar a faca e já prestes a voltar para a minha bancada, quando um rapaz da Grifinória veio limpar um de seus potes, tropeçou em alguma coisa e derrubou o resto que estava dentro do pote na minha mão direita. Na hora tive que segurar ao máximo minha mandíbula para não gritar.
A dor era simplesmente insuportável. Ele me pediu desculpas e eu colocando um pano sobre a minha mão, já que eu não sabia o que era e não podia jogar água em cima simplesmente, disse que estava tudo bem e me retirei para a minha bancada com certa dificuldade, sentindo minha mão corroer. Fiz todo o caminho de cabeça baixa sem olhar para ninguém, não queria saber quem poderia ter visto aquilo, e eu precisaria ser forte. Precisava terminar a poção com o Draco para que pudéssemos entregá-la.
A próxima hora foi uma completa tortura, no fim nossa poção estava perfeita, pelo que eu havia notado da cor. Assim que entregamos o frasco, eu arrumei meu material correndo e saí da sala correndo para subir as escadas. Só parei de correr quando já estava dentro do banheiro feminino do segundo andar do castelo. Eu não sabia porque havia ido ali, só sabia que a situação da minha mão provavelmente estava de mal a pior.
Assim que cheguei, observei se não havia nenhuma garota dentro dos boxes e fechei a porta do banheiro com um feitiço simples. Coloquei minha mala no chão perto das pias e me dirigi devagar a uma delas. Tentei tirar o pano de sobre a mão com cuidado, mas a dor foi terrível. Sentia como se a minha pele estivesse vindo junto com o pano e isso provavelmente era verdade, senti vontade de gritar. Parei de tirar o pano, respirei fundo e fechei os olhos, tentando controlar as minhas emoções.
— Hermione, se tirar assim vai doer mais. – Era a voz que eu sabia que no fundo amava.
Abri os meus olhos e vi que em pé atrás de mim estava Tom. Ele me encarava nos olhos com uma expressão um pouco raivosa, enquanto fechava a porta e colocava um feitiço novamente.
Eu não respondi a ele, sabia que se o fizesse poderia gritar da dor que sentia.
— Deveria ter ido à enfermaria quando aconteceu, e não ficado se martirizando em sala. Draco poderia ter feito o final da poção sozinho. – Ele se aproximava de mim com a expressão dura, pelo jeito sua raiva estava no fato de eu não ter ido pedir ajuda quando aconteceu.
— Não podia deixar ele sozinho. – Falei entre dentes para não gritar. Realmente deixar Draco sozinho não teria sido uma boa impressão para passar ao professor.
Tom me olhou com um olhar de reprovação, agora ele estava do meu lado olhando para a minha mão.
— O Longbottom provavelmente errou a poção extraordinariamente. Assusta-me que ele tenha conseguido terminá-la ao fim. Teve ajuda com certeza, provavelmente da Minerva. – Isso me fez lembrar do Neville e como em diversas ocasiões eu precisei ajudá-lo em poções.
Mesmo com Tom vendo meu ferimento e eu sentindo uma enorme dor, sorri levemente me lembrando do futuro descendente dos Longbottom.
— Por que está sorrindo? – Tom parecia curioso.
— Em Durmstrang eu tinha um amigo que era simplesmente um desastre em poções. – Tom sorriu um pouco.
— Veneno de cobra pode ajudar, seja lá o que caiu em você. – Como não havia pensado nisso antes? Veneno podia aliviar a dor e até curar irritações. Eu só não sabia se ainda possuía um pouco do que o Draco usou em mim quando cheguei nessa época.
Fui até a minha mochila, a abri e peguei o frasco que o loiro havia me entregado em um dos últimos dias no orfanato. Ele estava pela metade com o veneno de cobra. Fechei minha mochila e caminhei até o Tom.
— Sabe eu poderia ter pegado para você, já que você está fazendo tudo com apenas uma mão. – Tom sorriu no fim da frase, parecia tentar melhorar o meu humor. Sorri levemente e entreguei para ele o frasco.
Ele o pegou e olhou para mim com cautela por um momento.
— Vou precisar tirar o pano, e isso provavelmente vai doer muito, tentarei tirar o mais rápido possível. – Prendi a respiração e apenas assenti.
Ele puxou o pano com toda a força e velocidade, e eu não consegui aguentar a dor e berrei com os meus joelhos quase cedendo, mas mantive minha mão imóvel nas mãos dele. Tom abriu o frasco com os dentes e despejou metade do líquido na minha mão. O alívio foi instantâneo. E com a mistura entre a dor profunda que havia sentido a pouco e o relaxamento rápido, meu corpo não aguentou e os meus joelhos cederam. Tom me segurou antes que os meus joelhos tocassem o chão, e me soltou levemente. Minha cabeça estava tombada para frente e minha respiração estava lenta e alta.
— Você está bem? – Tom havia se ajoelhado na minha frente, e estava muito perto, nossos joelhos quase se tocavam.
Respirei mais algumas vezes antes de abrir os olhos e levantar a cabeça. Sua expressão era de preocupação.
— Agora estou. – Respirei aliviada. Ele sorriu com o meu tom.
— Da próxima vez, direto para a enfermaria. Estamos entendidos? – Seu tom era duro e no fundo eu podia ver certa preocupação.
— Sim, senhor. – Sorri levemente.
Por um momento apenas nos olhamos nos olhos, sem qualquer expressão, apenas observando um ao outro. Então eu cheguei mais perto, encostei nossos joelhos e olhei bem fundo nos olhos dele. Ele parecia petrificado e um pouco receoso, mas não me afastou ou se afastou.
Inclinei-me ainda olhando em seus olhos, parei bem perto dele vendo se ele iria me afastar, mas ele continuou petrificado. Então, me aproximei mais e encostei minha testa na dele e fechei os meus olhos.
Estar perto dele me fazia bem. Ficamos assim por um tempo apenas com nossos joelhos e testas se tocando, era o toque que eu podia suportar sem nenhuma dor. Depois de uma eternidade, Tom se mexeu, abri um pouco os meus olhos, e vi quando ele aproximou mais o rosto do meu, se encaixando perfeitamente, com os lábios bem pertos dos meus. Naquele momento eu sabia que não podia fazer aquilo, e isso não tinha nada a ver com quem ele era ou quem seria um dia, mas porque aquele tipo de toque eu não poderia suportar, talvez nunca mais pudesse suportar aquilo, na verdade.
Afastei-me do beijo, mas não fui para longe, apenas abaixei minha cabeça para seu ombro e segurei firme em sua camisa, na altura do peito dele. Respirei devagar e profundamente, com os meus olhos bem fechados, deixando o seu cheiro me acalmar.
Ele esperou um pouco, e então passou seus braços a minha volta, me abraçando ao fim.
— Desculpe. – Disse ele bem baixo.
— Tudo bem, eu não devia ter me aproximado. – Eu sabia que não devia, mas eu queria ter feito isso.
— Eu que não devia ter forçado os seus limites. – Aquilo me assustou um pouco, então ele sabia que o meu toque era limitado.
— Não é muito difícil de notar, Hermione. – Parecia até que ele podia ler a minha mente. Mas isso era impossível já que uma das coisas que eu e Draco estudamos foi a oclumência.
Provavelmente ele sabia o que eu estava pensando pelo fato de eu ter ficado tensa e rígida quando ele falou.
— Eu sei. Eu deveria ser mais cautelosa ao esconder os meus problemas. – Era verdade.
— Eu e o Draco nos preocupamos, você podia nos mostrar o que sente e nos contar tudo, não te julgaríamos e te protegeríamos. Você sabe disso. – Eu realmente sabia.
— Eu apenas não consigo. – Disse bem baixo apertando mais sua camisa na minha mão.
— Acho que todos esperamos que um dia consiga. – O senti sorrir, seu tom era de cansaço.
— É melhor irmos, precisamos jantar e você ainda tem ronda hoje, não? – Eu sabia do horário de ronda dele e da Dorea, e também sabia que os horários das aulas dele eram quase iguais aos meus. Mas ele não precisava saber disso.
— É verdade. – Disse ele de má vontade, me segurando por um último momento.
Desvencilhamo-nos, pegamos nossas mochilas e saímos do banheiro com cuidado, eu na frente para ver se não havia alunos no corredor. Por sorte, todos pareciam estar jantando.
— Que horas são? – Ninguém jantava tão cedo em Hogwarts.
— Seis e meia, todos devem estar nos dormitórios. Melhor irmos para as masmorras deixar nossas malas, ir para o jantar com elas seria suspeito. – Ele já estava se dirigindo para as escadas quando me lembrei de uma passagem, no mapa do maroto, que nos levaria exatamente até a parede em frente ao salão comunal da Sonserina.
— Espere, eu conheço um atalho. – O conduzi para o lado oposto das escadas, até uma armadura que ficava no meio do corredor. Cheguei bem perto e disse Sala comunal da Sonserina.
A armadura se moveu e atrás de onde ela estava se abriu um caminho cheio de tochas.
— Essa armadura pode te levar para quase todo lugar em Hogwarts, é bem útil. – Comecei a andar pelo caminho em linha reta.
— Como descobriu isso tão rápido? – Ele parecia desconfiado.
— Meus pais foram de Hogwarts, e me contaram algumas coisas sobre aqui. – Eu mentia rápido e sem deixar vestígios, e no final das contas, não era uma total mentira.
Saímos de frente para a parede do nosso salão comunal, como eu havia previsto. Tom pareceu surpreso, provavelmente não havia confiado inteiramente em mim.
— Poderia me contar uns desses segredos um dia desses? – Ele sorriu levemente.
Assenti e sorri de volta. Fomos para o salão comunal. Lá dentro, nossos amigos estavam nos esperando, e o Draco sorriu presunçoso quando viu que chegamos juntos. Eu não estava entendendo essas atitudes do loiro.
Depois de deixar nossas malas em nossos dormitórios, fomos todos juntos jantar. Tom estava próximo de mim, conversando com seus amigos, e Draco estava ao meu lado conversando animadamente com o Abraxas. Eu queria me aproximar do Abraxas também, talvez conhecer meu avô me fizesse entender mais sobre a minha futura família.
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