Força e Vida - Tomione
24 Capítulo 24 - Presentes e descobertas
Notas iniciais
Me aproximei da caixa e disse o meu nome bem baixo, apenas para mim e para a caixa. Assim que disse o meu nome completo, a caixa fez um pequeno click e abriu um pouco. Hesitei por um momento, mas minha curiosidade foi maior do que o meu receio.
Dentro da caixa havia várias coisas, provavelmente ela possuía um feitiço de extensão. A primeira coisa que me chamou atenção, por estar por cima, foi uma capa preta que parecia ser impermeável, notei que ela possuía proporções normais, mas ao mesmo tempo era muito leve. Provavelmente é mágica.
Levantei-me da cama para testar o que ela poderia fazer. Assim que a coloquei no corpo e fechei o broxe, feito de rubi, que ficava na altura do meu pescoço, ela se alongou da altura dos meus joelhos até cobrir os meus pés, e se fechou nas pontas que ficavam na frente do meu corpo. Suas mangas também se expandiram até se modelar como uma luva na minha mão e se fechar também. Eu podia sentir a capa ao meu redor, mas não podia vê-la, quando puxei o capuz para a minha cabeça e puxei mais para frente ele se expandiu até se fundir ao resto da capa no broxe, eu estava agora inteiramente invisível. Era uma capa de invisibilidade individual e ajustável, era o objeto mágico mais fascinante que eu já havia visto desde o vira-tempo.
Dentro da caixa também havia diversos livros, de todas as matérias de Hogwarts, pelo que notei, e de todos os anos. Eram livros antigos, mas bem conservados, e dentro haviam inúmeras anotações feitas por uma caligrafia firme, que eu sabia que conhecia de algum lugar.
Em cima dos livros havia uma caixa parecida com a que estavam todas essas coisas, mas essa possuía fecho e parecia do tamanho de uma caixinha de joias. Lá dentro havia um bracelete, de couro verde escuro com o brasão, que eu reconhecia ser o dos Black, em prata. Também havia um anel, de ouro branco com uma grande rosa em cima, os detalhes da rosa com pedras de esmeralda. Os dois objetos possuíam minhas iniciais gravadas dentro, e dentro da caixa maior ainda havia um envelope endereçado a mim. Dentro do envelope havia uma carta com uma letra que agora eu reconhecia totalmente, era da Belatriz.
Meu choque inicial foi tão grande, que me vi paralisada por algum tempo. Vamos Hermione, coragem, leia, ela é sua mãe. Segui a minha consciência e abri a carta.
Filha,
Eu sei que você provavelmente não me quer por perto, e eu também sei que não posso culpá-la por isso. Na verdade, a única que posso culpar por tudo que está acontecendo a você, sou eu mesma. Eu devia ter sido menos covarde e lutado para ficar ao seu lado, ficar longe para te proteger apenas machucou a nós duas.
Também sei que minhas escolhas e caminhos foram cada vez mais errados, e por isso você cresceu como uma nascida trouxa e pensando que sua mãe era um monstro. Eu não sou um monstro querida, só segui as pessoas erradas e não notei o quanto isso me envolvia.
Mesmo que você não me queira por perto, eu peço que pelo menos escute o que tenho a te falar nessa carta.
Primeiro, sempre esteja com o vira-tempo por perto em sua bolsa enfeitiçada, nunca se sabe quando vai ser preciso voltar.
Segundo, os livros aqui presentes eram meus na época da escola, quero que os use para aprender tudo que puder, que seja extra e esteja ali, as anotações são coisas que eu pesquisava a mais.
Terceiro, pratique o que você e o Draco estavam praticando antes, mas com mais cuidado agora, isso poderá ser muito útil.
Quarto, os presentes que estou lhe dando são coisas que sempre quis poder te dar. A capa é especial, como já deve ter notado e permite maior agilidade que qualquer outra, o bracelete é para que você tenha por perto um símbolo da sua família, para que se lembre do poder que tem e também para esconder a cicatriz que o Basilisco fez no seu pulso, e o anel é algo que eu acho que combina com você, depois de tudo que pude observar a seu respeito.
Quinto, coloque a pulseira do Basilisco no seu pescoço, será mais seguro.
Sexto, mesmo que não me queira por perto, por favor use os presentes, eles são importantes e vão te proteger aí.
E não se esqueça filha, eu sempre vou estar aqui para você. Sou sua mãe e sempre te amei do fundo do meu coração, é provavelmente uma das únicas pessoas que já amei.
Belatriz Black Lestrange
Terminei de ler tudo mais atordoada do que comecei. Peguei da caixa os livros das matérias que teria hoje, eu iria estudar as anotações. Guardei o resto dos livros e a carta na caixa, deixei para fora somente a caixa de joias e a capa. Fechei a outra caixa e a guardei dentro do malão, o guardando também no guarda-roupa. Coloquei a capa na minha mochila, em um bolso especial e escondido onde estava guardando meus objetos secretos. Coloquei o bracelete sobre a minha cicatriz cintilante no braço direito e o anel no meu dedo anelar da mão esquerda, em meu pescoço agora eu manteria o ovo do Basilisco e o vira-tempo, escondidos nas minhas vestes.
Eu iria fazer o que minha mãe estava pedindo, ela tinha razão, eu parecia mais uma rebelde sem causa choramingando pela família que tinha, era uma família bagunçada, mas era meu sangue.
Eu era filha de dois comensais sim, mas também de duas pessoas com grandes poderes e apesar de não conhecer o meu pai, sabia que tinha uma mãe que se importava comigo e que era provavelmente de onde eu tinha puxado essa força para levantar depois de tantos desastres. Estava na hora de eu parar de reclamar e me lamentar, eu havia me livrado da dor do acidente bem mais rápido do que assumia isso, precisava me lembrar do porque estava aqui e seguir em frente.
Depois de guardar tudo e colocar a caixa de joias na minha cabeceira, verifiquei que mesmo com isso ainda era cedo, decidi então sair com cuidado e ir até a sala precisa, para poder estudar com calma os novos livros que tinha ganhado. Peguei minha mochila, a coloquei no ombro e peguei minha capa de Hogwarts.
Saí do quarto em total silêncio, era uma qualidade que eu havia adquirido desde que mudei, eu passava facilmente despercebida quando queria. Desci os degraus da escada com cuidado, parando em um dos últimos para ver se no salão comunal já havia alguém, percebi que não havia uma viva alma acordada na Sonserina. Então fui até a parede/porta e saí para uma masmorra fria e escura. Eu teria que me acostumar a ficar a maior parte do tempo longe do sol e do calor que havia nas torres.
Andei até a escada, e subi os degraus em silêncio, sempre cuidando para não chamar a atenção de qualquer um que pudesse estar fazendo ronda ou andando pelo castelo tão cedo. Demorei a chegar ao sétimo andar por ter que ir sem fazer nenhum barulho. Passei pelo quadro da entrada da Grifinória e fiquei nostálgica com as saudades que eu sentia dos meus amigos e daquela casa em si. Sorri comigo mesma, lembrando das memórias que eu tinha dali.
Quando cheguei na frente da sala precisa, desejei um local para estudar, como eu sempre fazia, e fui recompensada com uma sala igual a minha do futuro, aquilo me reconfortava ainda mais, já que parecia que a qualquer momento eu sairia dali no meu tempo. Em cima da minha escrivaninha havia uma carta com o meu nome.
A sala precisa é realmente algo impressionante, Dumbledore me contou que você a usava e pedi para ele fazer essa experiência, escrevi para você e desejei uma sala que pudesse lhe enviar a carta. Se isso der certo conseguimos provar que a sala recebe objetos entre gerações e épocas, além de ser uma descoberta incrível, seria bem útil. Todos os dias Alvo vai vir aqui para ver se você nos respondeu e se deu certo.
Agora vamos ao que interessa, o motivo de eu precisar tanto enviar essa carta a você.
Filha, me dói só de pensar no que você sofreu nas mãos daqueles canalhas, porque sim eu sei o que você sofreu porque eu vi as memórias deles, quando um dia ouvi eles comentando sobre uma sangue ruim que haviam acabado com a vida. Os forcei a me mostrar suas memórias e acho que teria sido bem melhor se eu não tivesse feito isso.
Fere-me profundamente saber que você sofre calada, que não contou a ninguém e que perdeu sua família adotiva logo depois do ocorrido. Eu queria poder ter estado ao seu lado, e se eu tivesse descoberto isso antes, teria invadido Hogwarts para ver como você estava.
Vingar-me deles não fez nem cócegas na minha dor e na minha ira, ver você indefesa e imóvel feriu minha alma. Mas filha, por favor, não sofra sozinha. Conte ao Draco, ou a alguém em quem você confia, não se feche para o mundo, porque ele não é tão mal como aqueles impuros foram. Fale comigo. Se comunique. Você pode não me querer por perto, e nem como sua parente pelas coisas que eu fiz, mas, por favor, eu te amo, e quero o seu melhor.
Sua mãe,
Belatriz Black Lestrange
Caí sentada no tapete. Eu não conseguia pensar, eu não conseguia fazer nada além de ficar apenas ali, parada e paralisada.
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