Força

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Boa leitura c:

Eu era incrível.

Eu era forte.

Ou pelo menos... Era o que as pessoas me fizeram crer.

O despertar da minha peculiaridade fez as pessoas ao meu redor me encherem de elogios. Me deram o que eu queria: a certeza de que eu podia ser um herói.

Mas ser herói vai além de força. Talvez se eu pudesse voltar no tempo e explicar a mim mesmo isso...

Não. Eu era um idiota na época, jamais iria compreender, mesmo que a explicação viesse de sua versão mais velha.

Talvez seja difícil entender onde quero chegar, mas quem é fã do herói número 1 sabe de quem eu vou começar a falar.

Izuku Midoriya.

Ele era apenas um garoto. Ele acreditava cegamente em mim mesmo eu sendo a pessoa que eu era: a pessoa que mais o fez sofrer.

Izuku nunca despertou uma peculiaridade, um caso raro. No entanto, ele permanecia sem perder as esperanças de ser um herói. Era um garoto incrível e forte.

Sim, ele era.

E eu fiz questão de o quebrar. Eu praticava bullying com ele e meus amigos da época faziam o mesmo.

Não podemos ser fortes o tempo, aprendi isso na U.A., a escola de heróis.

De Deku ele não tinha nada. E por alguma razão, acredito que se ele tivesse entrado em alguma escola de heróis ele teria escolhido "Deku" como seu nome de herói.

No fim, Midoriya se suicidou durante uma aula de inglês. O relógio da sala de aula indicava duas e quinze da tarde. Todos dentro da classe vimos um corpo com cabelos verdes passar rapidamente pela janela e em seguida o barulho dos ossos que se quebraram através do contato com o chão.

Aquele dia foi um caos.

Eu não sentia que este episódio havia me abalado, não sentia nada apesar da dona Midoriya chorar e da minha mãe a consolar em prantos. Não preciso mencionar a comoção da escola.

Mesmo sem eu sentir nada, o episódio foi memorável. Pelo menos, foi o que meu cérebro considerou.

Continuei considerando Izuku uma pessoa fraca até eu ser o culpado pela morte do All Might.

Eu achava ser inabalável até esse ocorrido. Me senti tão fraco e inútil que a primeira pessoa que pensei foi em Izuku.

Como ele conseguiu aguentar tanto tempo com todos ao seu redor o fazendo sofrer?

Ninguém falava nada, mas eu sabia o estorvo que eu era.

E quem notou foi Kirishima, ele me fez colocar tudo para fora. No fim, All Might e Aizawa ficaram sabendo.

Depois de muita insistência do Eijirou decidi aceitar a terapia para nunca mais a largar.

E mesmo depois de anos, de ter chegado ao topo, de continuarem me achando incrível...

Percebo que nunca vou superar a força do Midoriya.

Queria que ele soubesse o quanto admiro ele e o acho incrível. Entretanto, já é tarde demais, estou anos e anos atrasado.

Ele também nunca vai saber, mas eu queria pedir desculpas.

— Ei, Katsuki. — chamou o ruivo, recebendo minha atenção.

— Que foi? — minha pergunta veio calma.

— Eu fui fazer uma limpa na estante de livros e achei uma carta dentro de uma edição dos quadrinhos do All Might.

— Uma carta? — ergui uma sobrancelha em curiosidade enquanto apoiava minha cabeça no encosto do sofá.

— Sim, é uma carta pra você... De Izuku Midoriya…

— Ah... — murmurei — Eu não tinha vontade de ler uma carta escrita por um inútil como ele. — tentei uma defesa com palavras.

— Essa carta tá intacta, você nunca leu ela mesmo?

— É do Midoriya, porra!

Ele desviou o olhar incerto para o envelope em suas mãos sem saber o que falar, sabia que se tratava de um assunto delicado.

— E você não quer saber o que tem aqui dentro? Você já a guardou por tanto tempo, cara…

— Se quer tanto saber, leia você, caralho!

Eijirou suspirou, como será que ele ama este herói número um mesmo?

— Está bem.

A abertura do envelope ecoou pelo local e em seguida o do papel sendo desdobrado.

— Ele caprichou, o papel de carta é bonito. — o ruivo comentou — Kacchan, se você recebeu isso, significa que eu morri. Okay, é estranho pensar assim... Mas me pergunto se essa carta será escrita em vão, já que as chances dela ser explodida antes de ser lida são grandes.

— Para de ler em voz alta, porra!

— Vai tomar no cú! Não quer ouvir, sai daqui! — Eijirou desafiou, sabia que eu estava reclamando da boca para fora.

— Saber que você pode ler essa carta porque eu simplesmente consegui ter coragem para me jogar é insano. Aliás, se eu pular, será que você irá me ver passar pela janela de nossa sala? — ele parou de ler a carta e olhou para mim. — Você lembra?

— Lembro. — concordei a contra gosto. — Alguns segundos antes de eu desviar meu olhar para a janela por causa daquela aula entediante... Eu vi no relógio... Eram duas e quinze da tarde e era um dia ensolarado.

— Me parece ter sido horrível... — ele murmurou pensativo, eu nunca havia contado para ele sobre isso.

— Parece que os céus naquele dia entenderam que aquele dia tinha acontecido uma tragédia, porque junto com a polícia chegou a chuva. E a chuva seguiu por uma semana inteira de luto da escola.

— Caramba... — murmurou Eiji e sorri com sua reação.

— Continue lendo. — pedi calmamente e ele pareceu acordar do transe perante a história.

— É ridículo admitir isso sabendo que você me faz sofrer tanto, Kacchan... Mas eu te amei. Sim, eu sei que somos homens e talvez você nunca entenda sobre isso, mas é a minha realidade. E eu te amei enquanto houve gentileza da sua parte, quando éramos amigos e iguais pela sua visão. Eu espero que quando você entre na U.A. alguém mude inúmeras concepções suas que considero erradas. — não evitei a risada neste momento. — O que foi, Tsuki?

— Estou pensando que ele torceu por isso e realmente aconteceu. Obrigado, Eiji. — o ruivo sorriu sem mostrar seus dentes e se sentou no sofá, se aproximando de mim e deixando um beijo em meus lábios.

— Você é incrível, Kacchan. Você sabe disso, mas ser incrível não é sinônimo de ser alguém solitário e superior. E sabe, mesmo meu amor por você se esvaindo, mesmo você me fazendo mentir para minha mãe sobre os machucados que me dava, sejam físicos ou mentais, eu te perdoo. Eu não sei se eu dizer isso é relevante para você, mas gostaria que soubesse disso. Querendo ou não, você sempre será meu eterno melhor amigo e primeiro amor. Com carinho, Izuku Midoriya.

Eijirou percebeu minhas lágrimas imparáveis e ficou em silêncio enquanto me abraçava e me aninhou no conforto de seu abraço me deitando por cima de seu corpo no sofá.

Chorei copiosamente e incessavelmente. Chorei desta maneira apenas quando a culpa da morte de All Might me atingiu por completo em meio ao desabafo forçado que Eijirou me fez fazer.

— Eu queria pedir desculpas a ele... — admiti com a voz rouca.

— Quer fazer isso agora? Podemos nos concentrar e falar isso aqui ou podemos ir até o túmulo dele se você quiser.

— Não precisa. Eu estou falando aqui e agora. Deku, eu gostaria de pedir desculpas por ter sido um grande idiota e cego. — pedi ainda deitado em cima de meu marido.

— Ele deve ter escutado. — concordou o homem abaixo de mim e sorri calmo.

— Ele escutou. — respondi tentando me auto confoetar. — Obrigado, Eiji. Não sei o que eu faria sem você. Eu te amo.

— Eu também te amo e sempre estarei aqui.

— Eu sei. — concordei beijando seus lábios.

De repente, um peso enorme havia saído das minhas costas.

Eu me sentia livre e pronto para viver sem a enorme culpa que eu costumava carregar.

Notas finais
Obrigada a quem leu ♥

Essa história no final não me agradou, mas também não escrevi a toa, então postei k (acontece)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!