Foolish
1 Capítulo Único
“Eu sou um tolo”... Era isso que se passava em minha cabeça minutos atrás. Agora já não penso em mais nada, depois de duas garrafas vazias de wisky. Eu apenas encarava a porta, na esperança dele entrar com os olhos molhados e com aquele sorriso encantador nos lábios, dizendo que me perdoava pelas besteiras e pelos meus erros. Mas era apenas uma súbita vontade, pois sei que não iria ver o dono do meu coração tão em breve assim, e muito menos ouvi-lo dizer que me perdoaria depois de tudo. Agora vocês querem saber o que eu fiz, não é? Pois então, há algumas semanas pedi então minha recente namorada em casamento. Só que não a amo. Amo meu melhor amigo, Tom Fletcher... Isto é um absurdo, não acha?. O desejo como nunca desejei ninguém, o quero como nunca quis ninguém, o amo como nunca amei ninguém.
No começo, achei que era apenas uma atração ou carência, pois ficamos meses longe de nossas famílias e namoradas. Mas estava muito enganado.
Quando passava noites em claro com a minha noiva – a “amando” – pensava em Tom... Pensava em como ele estava, no que estava fazendo... Não me concentrava. Ali entre mim e ela, era apenas um contato humano, desejo carnal. Mas não havia outro lugar em que eu queria estar a não ser do lado dele. Imaginei que estivesse maluco, e até pensei em consultar um psicólogo... Mais ele ia apenas dizer: “Meu caro, você é gay.” E sinceramente, não queria ouvir aquilo. Não que eu tenha preconceito, só que não queria ser tachado como: “Olha o viadinho” e muito menos enfrentar as criticas de fulanos sem ter o que fazer.
Mudei meu jeito, cortei meu cabelo, malhei durante meses e ganhei músculos... Posso dizer que ganhei pinta de machão. E me sentia bem, porque queria mostrar que eu era homem, que eu amava minha namorada. Mas quando o via, eu me derretia, queria ele pra mim, só pra mim. Poxa, o que iriam pensar de mim? Vai lá saber o que poderia acontecer depois... Prefiro guardar esse sentimento durante décadas do que perder a amizade do Tommy. Eu sabia da opção sexual dele, ou pelo menos pensei que soubesse... Ele sempre foi do tipo sensível, carinhoso e meigo.
E ao vê-lo chorar e se declarar pra mim quando eu o disse sobre meu casamento. Eu apenas pensava: “Vamos Danny, se declare também...” Mas nada saia, apenas o olhava com surpresa. Ele saiu envergonhado e furioso com o meu simples: “Desculpe-me Tommy”. Não era aquilo que eu queria ter dito, não era aquela reação que eu quis ter. Mas tive e me arrependo... Um dia ele vai me entender, um dia eu vou me entender. Só espero que quando esse dia chegar, não seja tarde demais... E assim, poderei ser feliz ao lado do homem da minha vida.
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