Fool

1 Único.


Notas iniciais
Dei uma olhadinha, mas peço desculpa caso encontre algum errinho.

Os dedos frios correram da nuca banhada por suor aos cabelos negros, deixando-os mais bagunçados do que já estavam, e ele riu de toda a indisposição do amigo. Largado ao seu lado, ofegante e exausto, Jiwon estava longe de revidar suas provocações – se ocupava apenas de normalizar a respiração que aquele Hanbin surpreendentemente bom em basquete tinha desregulado; naquele instante nem os mas já se cansou? esperava mais de você, sabia? que decepção despertariam sua besta interior.

Hanbin se cansou da falta de reação. Bebericou sua água e passou a garrafa para o garoto ao lado, resmungou sobre como sua mãe ficaria zangada por não vê-lo em casa ao chegar, e deitou-se com desleixo sobre as pernas trêmulas do outro. Jiwon suspirou, molhou a garganta cansada pelos gritos de indignação e gargalhadas à toa, e jogou sua cabeça para trás, encarando o intenso azul do céu – tão bobo quanto era olhar para as nuvens e enxergar figuras diferentes, era a saudade que sentia de estar perto dele.

O silêncio se foi quando um curioso Hanbin sentou-se rápido e o encheu com algumas perguntas – o nome Jisoo foi mencionado ao menos cinco vezes.

Uma das sobrancelhas de Jiwon se curvou ao que momentaneamente ele se questionou Jisoo? e antes que mais da dúvida em sua face acabasse deixando o amigo confuso, ele respondeu que tudo estava indo. Hanbin acenou em entendimento, sentiu um embrulho esquisito em seu estômago, e preferiu deixar de lado a curiosidade sobre o relacionamento que o outro mantinha com a menina.

Inocente, ele via aquela que vez ou outra o acompanhava nos corredores do colégio como mais do que uma simples colega que em sua bondade ajudava Jiwon com os estudos. Talvez saíssem para ir ao cinema, talvez andassem de mãos dadas quando ninguém estivesse vendo, talvez até mesmo já tivessem se beijado – e só talvez ele estivesse imaginando coisas.

Rouco, Jiwon gargalhou alto e bateu em seu ombro, finalmente se dando conta de como as coisas deviam funcionar segundo o ponto de vista de Hanbin. Passou a destra pelos fios que estavam mais compridos do que o usual e riu mais uma vez “Não estamos saindo, se é o que pensa” ele falou baixo, distraindo-se com os cadarços bagunçados de seus sapatos – de repente o ar que os envolvia pareceu menos denso.

O menor começou em um sussurro “Bem, eu só pensei que…” e parou quando, com os olhos não tão apertados e com um sorriso torto, o amigo devolveu certeiro “Então esteve me evitando por pensar que eu estava saindo com uma garota”; eram cômicos os argumentos do mais novo, como ele dizia estar sendo uma pedra em seu sapato, e era quase ridícula a quantidade de me desculpe que escapava em meio às frases – àquela altura sem mais nexo algum. Pousou a mão sobre o braço do garoto, apertou a pele quente entre os dedos conseguindo seu silêncio e confessou “Senti sua falta” ganhando, finalmente, um tímido sorriso de Hanbin.

Horas que perdiam juntos matando aulas, tardes nas quais assistiam qualquer filme que estivesse passando, conversas sem muito sentido que tinham ao caminhar juntos na volta para a casa e mesmo as brigas – que não os separavam por mais do que cinco minutos; sentir falta até mesmo da cara de sono de Hanbin pelas manhãs fazia Jiwon se enxergar como um amigo estupidamente carente.

Agarrou a mão do menor e o arrastou até o outro lado da rua. Sentaram sob uma das árvores que oferecia sua sombra aos clientes, na intenção de dividir um sorvete – abalados pela falta do dinheiro suficiente para mais do que aquilo. Jiwon se sujeitou ao sabor de chocolate que tanto agradava Hanbin, que para ele jamais superaria o de morango, e mais o observou se sujando como uma criancinha do que provou o sorvete.

Não estava tão atento às suas palavras como estava a cada movimento diferente em sua expressão, no entanto concordava com tudo que o outro lhe direcionava e sorria instantaneamente quando o via sorrir.

Já chegando ao fim do sorvete, Hanbin ouviu o celular tocando em seu bolso e ao checá-lo: ali estava uma mensagem de sua mãe, que ele respondeu simples, afirmando que ela não deveria se preocupar já que, bem, ele estava com Jiwon. Soltando sem graça um preciso ir ele se levantou e Jiwon fez o mesmo, enlaçando seu pescoço com os braços e respondendo com um empolgado te acompanho até lá! que tirou uma risada satisfeita do menino.

O entardecer se arrastava pelo céu e entre os tons mais escuros estava aquela nuvem fofinha que os acompanhava desde a sorveteria, que Jiwon perguntava se era mais parecida com um leão ou com um urso; uma boba discussão se desenrolou quando Hanbin bateu o pé dizendo com certeza que era um enorme urso polar para aquele difícil Jiwon que insistia em dizer que estava mais para um leão preguiçoso – após isso foram quase cinco minutos sem mais conversa até que se encararam novamente e se acabaram em risos exagerados.

Antes de contestar, Jiwon o guiava para qualquer outro lugar que não fosse sua casa mais uma vez, rumo aos balanços daquela praça pela qual passavam ao entardecer. Sentaram um ao lado do outro, comentando o quão idiotas deviam aparentar ser. Hanbin estava encantado admirando um pôr do sol pela primeira vez até que a imagem de Jiwon tentando não esfolar os joelhos no chão sempre que pousava com o balanço tomou seus olhos.

Nem mesmo a mais bela das paisagens podia ser comparada ao que era um sorriso de Kim Jiwon, não para o tolo amigo apaixonado.

Quando a noite caiu por completo Jiwon se levantou, se colocou em frente ao distraído garoto e abaixou entre suas pernas com os olhos sorrindo em conjunto com os lábios “Te vejo amanhã?” as bochechas formigaram sob o toque de seus dedos atrevidos e a resposta que tanto desejava não veio.

O menor se ergueu e o outro igualmente – sussurrou algo que Jiwon não ouviu com clareza. O coração saltitou com força enquanto chegava mais perto do que o necessário daquele que sustentava ansiedade em sua expressão, com os lábios levemente separados e o nervosismo escapando em sua respiração pesada. Um riso que julgou ser de consentimento chegou aos seus ouvidos, as mãos molhadas de um suor frio agarraram a larga camisa, e de olhos fechados ele entregou seu primeiro beijo à Jiwon – demorado como precisavam e um tanto desajeitado, mas gracioso; arrepios subiram por sua coluna quando o outro dedilhou lento e delicado as laterais de seu corpo.

O dono de seu primeiro beijo assim como de seus mais complicados sentimentos descansou a cabeça em seu ombro sentindo seu cheiro, riu num sopro curto, sussurrou envergonhado coisas que ele guardaria apenas para si mesmo, então o abraçou com força até que ele confirmasse “Nos vemos amanhã”.

Notas finais
OTP sempre me deixa meio *meme da foca gritando GAAAAAAY* Obrigada por ler, espero que tenha agradado. s2
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!