Fonte dos Desejos
1 Dia 28: Viagem no Tempo
Notas iniciais
Primeiramente, quero agradecer à Gabriela por ter acalmado meu coração ontem ao doar vários plots para mim. Sério, Gabi, muito obrigada mesmo! Eu simplesmente travei com o tema, e tive uma crise de choro ?” minhas amigas que lutem ?”, pois não conseguia desenvolver nada. Sinceramente, hoje, eu percebi que precisava dessa pausa porque as coisas começaram a se tornar maçante, e eu não sirvo para escrever desse modo. Enfim.
Peço desculpas por atrasar mais um dia, porém, em compensação, o plot fluiu de uma maneira tão natural que essa é a maior oneshot até agora do challenge. E eu espero que vocês fiquem tão boiolas quanto eu fiquei ao escrever essa dose diária de KiriBaku! ♡
Boa leitura! ♡
— Grazie! — Kirishima agradeceu ao funcionário, sentando-se ao lado do esposo na mesa. Ambos estavam em uma sorveteria em Roma, refrescando-se do calor com um gelato, ao lado da Fontana di Trevi. O barulho de água corrente era relaxante aos ouvidos, e trazia uma gostosa calmaria ao silêncio compartilhado pelo casal enquanto degustavam o sorvete.
Katsuki e Eijirou chegaram na Itália há três dias, para uma segunda lua de mel, em comemoração aos 10 anos de casamento, e após andarem por outros pontos turísticos, resolveram conhecer a famosa fonte dos desejos. Dado ao horário, e a afamada superstição para os casais apaixonados em relação a tal Fontana, o local estava demasiadamente cheio de turistas — tirando fotos, jogando as tais moedinhas ou somente apreciando a suntuosa beleza do Palazzo Poli, como um todo.
Bakugou pontuou mentalmente, antes mesmo de embarcarem no avião, que tentaria o máximo possível não se estressar com coisas triviais, e eventuais contratempos, que surgissem no decorrer da viagem, pois, queria tornar a ocasião a melhor lembrança possível para o companheiro. Ele sabia que estaria insuportável a tal fonte justamente porque era um dos mais procurados pontos turísticos de Roma, então, aproveitando que haviam algumas lojinhas no entorno do lugar, entrelaçou os dedos na mão do marido e o levou até a primeira sorveteria que avistara.
Katsuki só queria sair um pouco debaixo daquele maldito sol, e do meio daquela cacofonia de idiomas do mundo inteiro! Os próximos dias seriam de muita provação...
— Uhmmm… Esse gelato chegou em boa hora mesmo, Suki! — Kirishima sorriu, extasiado ao finalizar o seu majestoso sorvete de doce de leite. Ele deu um gole na garrafa d’água que estava na mesa, direcionando os olhos para o outro ao não obter nenhum som vindo por parte dele. — O que foi, amor? ‘Tá tudo bem?
— Sim. Só estou observando o quão fodidamente lindo você é. — Bakugou poderia estar perante o mais belo monumento ou ponto turístico do mundo, mas nenhum deles chegariam aos pés do quão lindo Eijirou era para si. Katsuki não cansaria de observar essa beleza nunca, e agradecia ao universo por ter posto essa preciosidade em sua vida.
Kirishima corou, abrindo um sorriso tímido ao ouvir o elogio. Ambos estavam juntos há tantos anos, mas sempre parecia como se ainda fosse o começo de tudo… A cada vez que Katsuki o elogiava, as borboletas levantavam voo em seu estômago. Ele tomou a mão do marido entre a sua, fazendo um afetuoso carinho com o polegar no dorso da mão masculina. — Você também é lindo, Katsuki. Estou muito feliz por estarmos aqui… Juntos. Espero que possamos comemorar mais vezes essa data, até ficarmos bem velhinhos.
— Eu também espero, Ei — Bakugou murmurou, sorrindo de lado. Levantou-se para jogar fora o lixo produzido por ambos, chamando Kirishima para que se aproximassem da fonte e fizessem logo todo o processo das moedinhas para irem embora. Katsuki queria aproveitar mais a companhia de Eijirou entre quatro paredes. — Vem, amor, vamos logo lá!
Em frente a Fontana de Trevi, era ainda mais exuberante a beleza e grandiosidade do aqueduto romano, lapidado com riquíssimas esculturas em mármore branco e águas cristalinas em tom turquesa. A cena retratada era uma homenagem ao poder do mar, com três esculturas dispostas lateralmente. No centro, Netuno, sobre uma concha, com três cascatas d'água saindo por baixo. Ao lado, dois cavalos alados sendo guiados por homens, um calmo e outro agitado, representando os dois estados do mar. Nos nichos à direita e à esquerda de Netuno, estavam figuras dedicadas à saúde e fertilidade, representadas por: Salubridade e Abundância.
Katsuki não admitiria em voz alta, mas a magnitude da arquitetura era incrível! Ele ficara tão boquiaberto e maravilhado quanto Eijirou ao seu lado. O ruivo olhou para Bakugou com os olhos brilhando em emoção, se aconchegando no peito do esposo ao encostar a cabeça em seu ombro conforme Katsuki enlaçava sua cintura, ao beijar o topo de sua cabeça. Após alguns instantes contemplativo, o casal tirou algumas selfies com a fonte de fundo e fotos para mostrar aos amigos na volta para casa. Nem mesmo os turistas em volta conseguiam quebrar o encanto que o casal estava no momento.
— E agora nós jogamos a moeda, Suki! — Eijirou tinha a palma da mão aberta, onde repousavam duas moedas. Katsuki pegou uma para si. Segundo a superstição: uma moeda, terá o retorno a Roma garantido; duas moedas, encontrará o amor da sua vida; três moedas, casará com a pessoa amada. — Vamos desejar juntos?
A animação na voz de Kirishima era tão contagiante que antes mesmo de concordar, Bakugou já estava sorrindo na direção do outro. Eles viraram-se de costas para a bacia, cada um segurando uma moeda com a mão direita, cruzando o braço no peito, por cima do ombro esquerdo. Após fecharem os olhos, Katsuki iniciou a contagem: — Então, vamos no três. Um… Dois… Três!
Arremessaram as moedas ao mesmo tempo, virando-se animados para verem se haviam acertado, de fato, a água da fonte e teriam o retorno a Roma garantido. Entretanto, misteriosamente, a bacia começara a brilhar de forma gradativa, a luz incandescente cegando ambos, fazendo-os fecharem os olhos com força. Ao abrirem as vistas, novamente, estavam em um lugar completamente diferente.
Era tarde da noite, Bakugou e Kirishima estavam na calçada próximos a um conhecido — e nostálgico — posto de gasolina com a placa quebrada. À frente deles, uma específica memória do casal se desenrolava.
No posto, dois jovens saíram da barraca de batatas fritas, carregando um engradado de refrigerantes e uma embalagem plástica fechada. Eles seguiram em direção ao estacionamento, e sentaram-se ao chão, um ao lado do outro, encostados na grade atrás de um muro; escondidos de olhos curiosos. Apesar do horário avançado da madrugada, esporadicamente, algum carro parava para abastecer.
O casal estava em silêncio, comendo as batatas fritas, enquanto conversavam baixinho e roubavam beijinhos um do outro. A quietude era quebrada quando o moreno ria, vez ou outra, de algo que o loiro dizia. Pouco a pouco, vinham se conhecendo melhor, e compartilhando momentos de suas vidas familiares. Katsuki tinha problemas em casa com os pais, pois, sua mãe tinha o Transtorno de Personalidade Limítrofe, então, as brigas e agressões, tanto físicas quanto verbais, eram uma constante na vida de Bakugou. Ele vivia um inferno em casa!
Eijirou descobriria com o passar dos meses — e da convivência — o porquê de seu namorado ser tão arisco, e pouco carinhoso, no início do relacionamento. Ele não passava por esse problema em casa, afinal, suas mães eram um casal amoroso e adotaram Bakugou como filho, assim que o conheceram. Naquela noite, em um universo particular de ambos, sentados naquele chão sujo, somente apreciando a companhia um do outro, Eijirou e Katsuki comemoravam três meses de namoro. Com os corações cheios de sonhos e desejos para um futuro em que ambos estivessem juntos, caminhando lado a lado. Sempre.
Bakugou e Kirishima observavam a cena perdidos em seus próprios pensamentos, visivelmente emocionados. Não entendiam o porquê de terem voltado no tempo, e muito menos que bruxaria era aquela que havia na fonte! Do mesmo modo aleatório que foram parar no passado, voltaram para o presente em um piscar de olhos.
A luz ofuscante diminuiu, gradativamente, até sumir de vez e a fonte voltar ao normal diante de seus olhos. O falatório dos turistas e o barulho da água os trouxeram para a realidade. Eles se encaravam confusos, sem saberem se tudo não passou de uma alucinação em conjunto ou se a tal fonte era mágica — coisa que parecia ser improvável para o cético loiro.
— O qu- Que porra foi essa, Eijirou? — Bakugou foi o primeiro a questionar, exasperado.
Kirishima abriu e fechou a boca algumas vezes, sem saber o que dizer, acometido pela nostalgia que a cena relembrada trouxera para si. Seus olhos encheram-se de lágrimas, e a única reação que teve foi de abraçar o marido com força. O loiro não entendeu o que estava acontecendo com o companheiro, mas o abraçou igualmente de volta, passando as mãos em suas costas enquanto sussurrava que estava tudo bem. Acalentando-o.
Eijirou levantou a cabeça na direção de Katsuki, que aproveitou para secar as lágrimas que escorriam pela face do esposo, deixando um beijo em cima de cada pálpebra antes de perguntar:
— O que houve, meu amor? Quer ir embora? A gente pod-
Kirishima calou Bakugou com um selinho, sorrindo fraco. — Eu estou bem, Suki. Só fiquei emocionado com a situação porque — suspirou — aquela era a minha memória mais preciosa.
— Sério, Ei?! — O loiro ofegou, arqueando as sobrancelhas na direção de Eijirou ao questioná-lo, surpreso: — Por quê?
— Porque foi a primeira vez que vi você sorrir de verdade, Katsuki.
Notas finais
Até a próxima! ♡
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