Fome por Aventuras
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Demorei um pouco para sair do meu transe. Pra falar a verdade num queria sair, mas os meninos estavam reclamando tanto que infelizmente voltei para minha realidade... debaixo daquele sol e com as galinhas gigantes.
-Vamos indo, por favor...? – pediu William.
Fiquei até com dó dele, ele não tinha tirado as coisas das costas nem quando estávamos em casa. E nem sabia desde quando estava carregando.
- Você num prefere voltar um pouco pra floresta, tirar essas coisas e descansar? – perguntei pra William.
Ele demorou um pouco pra responder, mas por fim...
- Acho que quanto mais rápido chegarmos melhor – ele disse.
- É por causa da Lis? – falou Roger com cara engraçada, tendo quase certeza da resposta do amigo.
William não disse nada, apenas baixou um pouco a cabeça.
- Ah é... aquele mercenário deve estar por lá também.... – continuou Roger provocando.
- Quem são es... – nem deu tempo de eu perguntar direito.
- Aquele mal$#&!! Que ele não se atreva a chegar perto dela! – gritou William com olhos assassinos.
Roger percebeu minha cara assustada e com interrogação. Ele se aproximou de mim e falou baixo.
- Lis é a dona daquele lunático, ela trabalha numa das hospedarias de Prontera – se afastou um pouco de mim — E foi amor à primeira vista pra esse bobão! – falou alto e apontando o dedo pra William.
Fiquei com uma gota na cabeça pensando, nossa... como esses dois brigam. Mas está parecendo que é desse jeito que eles são tão amigos, isso dá pra perceber.
- Que legal... posso ver que você gosta mesmo dela – disse tentando também acalmá-lo.
- Não sei exatamente o que sinto, mas gosto de ficar do lado dela, ela me traz paz... – respondeu William com uma expressão serena. Mas não durou muito...
- E aquele Zé ninguém fica sempre na cola dela!! – Disse de novo perdendo o controle e fechando os punhos.
Uma gota surgiu na minha cabeça e outra na de Roger.
- E porque você num fala com ela? Daí se revolvem duas questões de uma vez – disse Roger entre os dentes já com pouca paciência.
- O que? Me declarar?! Num é tão fácil, assim! – respondeu William.
Se ele usou a palavra “declarar”, então acho que ele sabe o que sente – pensei.
- Ahh... qual é, cara... – falou Roger.
- Se acha tão fácil, porque não se declara pra Ulina agora? – retrucou William.
Pra mim?? Fiquei vermelha, nunca ninguém se declarou pra mim antes – pensei me lembrando também do comentário dos dois na minha casa antes de partirmos.
Roger também tinha ficado um pimentão e logo respondeu.
- Ei! Q-que idéia é essa?! Num tem nada a ver! – Roger disse e em seguida deu uma espiadinha pra trás, onde eu estava. Ele percebeu que eu também olhava pra ele. Ambos disfarçamos os olhares, ainda vermelhos.
Não sabia exatamente porque tinha ficado assim, não era tão inocente, mas não sabia se era por causa dele em específico ou por nunca terem se declarado pra mim antes.
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