Fomaríamos um Maravilhoso Nós
31 É tudo culpa sua
— Porra Elise! — foi o que Maxon exclamou, assim que a empurrou para longe passando a limpar sua boca.
Eu estava prestes a explodir. Explodir de ódio com o atrevimento. Ela o beijou! O beijou na minha frente! Sem mais, nem menos! Chegou, e beijou! Beijou!
Aquele ser indecente não parecia surpresa em ser rejeitada, aliás, parecia contar com isso, pois seu sorrisinho ridículo delatava que só fez o que fez, para se divertir. Eu a encarava, sentia minha pele ferver pela forma sedutora que ela encarava meu namorado, como se quisesse comê-lo. Senti o toque de alguém, e era Marlee, me pedindo para não fazer besteira.
— Ora, o que foi lindinho — Deus! Que voz de puta! — Não sentiu saudades?
Oi? Fuzilei Maxon que me olhou na mesma hora, desespero era o que sua cara exprimia, e isso, só fez o que eu sentia crescer, pois o ditado é claro: quem não deve, não teme.
— É melhor você dar o fora daqui — ele disse com os dentes cerrados. A vadia se aproximou. Desafiando sem vergonha nenhuma na cara a ameaça de Maxon.
— É mesmo? — sorriu manhosa, chegando mais perto, agora perto demais para o meu gosto. Cerrei os punhos, estava travada, só na espera da minha raiva transbordar — mas porque, meu lindo? — a descarada passou seu indicador na linha do maxilar dele.
Isso foi demais!
— Porque senão… eu arrebento sua cara — ameacei assim que me coloquei entre ela e meu namorado. A desgraçada riu seca e me olhou dos pés à cabeça, como se estivesse avaliando se eu estava a altura de ser sua rival. — Não estou brincando.
— Que medo de você — soprou sarcástica na minha cara. Senti meu rosto queimar — acha que me assusta, pimentinha?
Mãos fortes, que reconheci como as de Maxon, seguraram os meus braços assim que avancei para cima, impedindo que eu acabasse com aquele liso perfeito que estava o cabelo daquela filha da puta.
— Amor, por favor, não liga pra ela — pediu afrouxando seu aperto assim que me acalmei.
— Own — a vaca fingiu se comover. — Foi por essa daí que você me rejeitou? Caramba, que falta de bom gosto Maxon.
Engoli em seco, as pessoas ao nosso redor já haviam percebido o clima caótico que se formou no nosso grupo. Maxon me segurava de leve, mas sempre que me mexia, seu aperto firmava, pronto para evitar o pior. Marlee que antes tentava me acalmar, agora parecia querer meter a mão na cara de Elise, tanto quanto eu. Carter ao lado dela observava a cena comendo uma barrinha de cereal, despreocupado, como se a cena fosse um entretenimento. Celeste, não preciso nem dizer, quando olhei para ela, a mesma se esperneava entre os braços fortes de Aspen que seguravam a morena para não voar em cima do ser enjoativo na minha frente.
— Esperava muito mais de você docinho — eu estava prestes a meter um chute em Maxon por me segurar.
— Vai se foder Elise — ordenou ele me tirando de perto dela.
— Só vou, se for fodida por você meu amor. — Agora chega!
Eu disse que só estava esperando transbordar, e transbordei. Chutei a canela de Maxon que urrou de dor e ataquei aquela dissimulada. Lhe puxei os cabelos, sentindo uma enorme satisfação ao acabar com aqueles fios muito bem escovados e alinhados provavelmente pelo salão mais caro de Angeles.
Mas a desgraçada não poupou o meu cabelo também, começou a puxá-lo com todas as forças, a dor era grande, mas minha raiva era maior. Com uma mão livre eu a estapeei. Aquela sonsa começou a gritar e a arranhar meu braço e meu colo com suas unhas mais falsas que ela mesma.
— Vai Meri! Acaba com ela! — escutei Celeste atiçar assim que nós duas caímos no chão aos tapas e chutes.
Minha cabeça doía, minhas mãos doíam, tudo doía, mas ela me pagaria. Me pagaria pela humilhação, por se insinuar descaradamente para o meu namorado, por beijá-lo!! Lembrar desse fato, foi como beber uma dose de estimulante, ela que estava por cima me dando tapas e socos, agora estava por baixo, recebendo meus ataques totalmente aleatórios.
— America! Chega! — Maxon agarrou minha cintura tirando-me de cima daquela puta asiática.
— ME SOLTA MAXON! — Berrei enquanto me debatia para ficar livre, determinada a terminar de descabelar e achatar aquela cara de mocoronga.
— Sua desgraçada, vai me pagar caro por isso! — ameaçou aos gritos aquela imunda enquanto era contida pelo drogado burro do Zac.
— Não mexe comigo sua vadia filha da puta! — não deixaria baixo, não receberia ameaças de uma pessoa sem caráter como ela.
— Eu disse que já chega America! — meu namorado… atual imbecil idiota. Me pegou no colo, recebendo toda minha fúria — amor, por favor! Para com isso! — exigiu enquanto batia nele.
— Seu idiota! Não vê que ela está me provocando!? — o xinguei ainda me debatendo.
— Amiga já está bom, ela já foi, não vai conseguir nada ficando assim — a doce voz de Marlee soou nos meus ouvidos como um clique para me despertar.
— Já pode me colocar no chão, sei ficar em pé sozinha — fuzilei Maxon, que receoso, me pôs no chão — qual o seu problema? Pensa que sou um animal para me prender? — o repreendi por ainda segurar o meu pulso.
— Precaução para não ir atrás dela — falou sério. Minha vontade era de chutar outro lugar agora.
— Era exatamente isso que ela deveria fazer — minha fiel escudeira, Celeste Newsome, me apoia.
— Para de por lenha na fogueira Celeste — a morena fitou Aspen com olhos de águia mortífera. — Circulando seus bando de desocupados! — Aspen espantou as pessoas.
Pessoas… nem tinha reparado que estava rodeada por olhos curiosos. Senti minhas bochechas corarem, mas agora, não era de raiva, e sim de vergonha. Me auto-parabenizei pelo fiasco que armei. Não bastava ser taxada de vadia aqui nesse ninho de cobras, agora também seria a agressora, a namorada obsessiva.
O sinal para irmos para sala tocou, e só assim me vi livre de cochichos e espiadas de toda aquela gente fofoqueira. Eu e meus amigos não nos mexemos. O que acabara de acontecer, ainda não foi absorvido.
— Cara, esse foi o melhor barraco que já assisti — tinha que ser o Carter.
— Tenho que concordar — diz Celeste rindo — Meri, você arrasou, colocou aquela vagabunda no lugar dela.
— Amiga, me lembre de nunca te enfurecer — Marlee também aproveitou para descontrair.
— Não sabia que aquela garota era tão atirada daquela forma, parecia ser tão legal… — disse Aspen mexendo com o perigo.
— Qualquer par de peitos é legal para você seu idiota — Celeste não perdoaria, não mesmo — o que pensa que estava fazendo, deixando ela se aproximar daquela forma? Estava sorrindo pra ela!
— Eu estava sendo simpático — Aspen só tentaria se defender… — chegou hoje no colégio, estava só ajudando.
— Te conheço seu filho da mãe! Não se faça de inocente para mim — ela acusou.
— Chega, chega! — Maxon impaciente ordenou.
— Chega você seu panaca! — eu fico quieta, não adianta discutir com a Celeste irritada — deixou ela te beijar, seu burro, imbecil!
— Ei, ei. Não foi assim e todos viram — traumatizado por já ter tido tantos problemas comigo por outras o beijarem, Maxon preocupado, prontamente se defende — amor, você viu, não é?
— Temos que conversar — disse e ele engoliu em seco.
— O que vocês estão fazendo aqui? — Benjamin, o zelador do colégio chega nos intimando.
— Ben! Meu chapa, era você mesmo quem eu procurava — Carter passa seu braço pelos ombros de Benjamin — libera seu armário para mim e a loirinha ali? — apontou para Marlee a sua frente — Estamos cheios de amor para liberar.
— CARTER!
— Não precisa ficar tímida princesa — ok, não tinha um entre nós que não estivesse rindo. Carter não tinha limites — e então Ben?
— Você não tem vergonha Carter? — o zelador perguntou sério.
— Não — respondeu tranquilamente.
— Deus o que eu fiz para merecer!? — Marlee esbravejou.
— Também te amo minha fada maravilhosa — Carter a abraçou e enterrou seu rosto no pescoço de Marlee que ria envergonhada pelo jeito de seu namorado, que parece não lembrar o momento delicado que acabamos de passar.
— Vocês estão só me enrolando — Benjamin constatou — Andem! Vão logo para a sala de aula, não quero vê-los por aqui.
— Ben, vou te arranjar a secretária do meu pai, você tem andado muito nervoso ultimamente — Carter deu batidinhas no ombro dele.
— Talvez seja porque a última que você me arranjou era um travesti Carter! — não deu em outra. Todos gargalhamos, pobre do senhor Benjamin.
— Não pode ser!
— Pois era seu garoto desalmado.
— Desalmado também não né Ben, mas a secretária você vai gostar, ela é peituda, você gosta, não é?
Quando Carter disse isso, nós já estávamos longe, corremos para a aula antes que parássemos na direção, mesmo que esse seja meu destino mais certo depois de bater naquela infeliz da Elise.
Maxon estava calado, apertava minha mão com força, tanto que começou a suar entre elas. Ele olhava para o chão enquanto andava, atormentado, e só poderia ser pelo o que acabou de acontecer.
Isso me fez refletir sobre o que faria com ele agora. Ele conhecia aquela garota, e por motivos desconhecidos, ela se viu no direito de abusar de algum tipo de intimidade que eles poderiam vir a ter.
Não consigo negar meu ciúme, claro que ele não teve culpa, e é claro que confio nele. Passamos por testes demais, explicações demais e reconciliações demais para saber que posso confiar. No entanto, a raiva ainda me consome, me revolta saber que a boca dele a pouco, foi tocada por outra que não era a minha.
Parei no banheiro antes de entrar na aula para ajeitar minha aparência, que estava deplorável e ninguém me avisou. Meu cabelo continha nós quase impossíveis de desfazer. Minha cara tinha algumas manchas vermelhas, e meu lábio estava minimamente cortado. Abaixo do meu pescoço tinha as marcas das unhas daquela ordinária. Estava toda agredida. Torço para ela estar pior.
— Você está bem? — Me assustei com a voz de Maxon.
— O que está fazendo aqui? É o banheiro feminino.
— Que se dane — deu de ombros se aproximando — como você está? — perguntou outra vez serenamente, acariciando meus ombros.
— Como acha que estou? — ele sorriu chateado em resposta — quem é ela? — Me virei de frente para ele, me encostando na bancada da pia. Maxon desceu suas mãos para a minha cintura, estava bem perto, mas olhava para o chão — é mais uma que você teve um caso? Outra louca como a Kriss?
— Não, nunca tive nada com ela — disse prontamente assim que me encarou, seus olhos tinham medo.
— Então porque segundo ela, você teria motivos para sentir saudades?
— Você não errou ao deduzir que ela é outra louca como a Kriss — arqueei as sobrancelhas — conheci ela no jantar que meu pai deu, que a propósito, você também estava — Maxon sorriu de lado. Mas eu não.
O fato de eu estar presente, não me tranquilizou. Chegamos atrasados nesse jantar, fiquei cerca de uma hora e meia rondando pelos convidados sozinha, sem me encontrar com ele em nenhum momento, e muito menos com aquela garota. Onde eles estariam para não vê-los em meio a tão poucas pessoas?
Não quero não confiar na fidelidade de Maxon naquela noite, doeria demais descobrir que ele falhou comigo, principalmente por termos nos reconciliado um dia antes desse jantar. Mas a droga dessa dúvida me atormenta, e posso dizer que não é para menos, pois, não posso negar que Elise é linda, tem atributos femininos muito chamativos. Maxon não sabia que eu estaria lá, até me encontrar. E se ela o seduziu em algum momento? E se ele cedeu ao charme dela?
Mesmo me sentindo horrível por pensar que ele poderia ser capaz, não consigo evitar de pensar o pior.
— Você ficou com ela? — perguntei com um terrível frio na barriga.
— Claro que não! — respondeu desesperado.
— Pareciam bem íntimos agora a pouco, bom… pelo menos ela parecia pensar que tinham intimidade — com um olhar derrotado, Maxon soltou minha cintura e apoiou as mãos na bancada, me prendendo ali, entre seus braços. Seu rosto desceu e ele apoiou sua testa em meu ombro. Sua postura o entregou. Rolou alguma coisa. Meus olhos lacrimejaram. — Maxon? — chamei com a voz embargada, triste pois minhas suspeitas, podem ser verídicas.
— Amor, eu juro que não rolou nada, ela tentou, tirou o vestido na minha frente — me arregalei — mas eu juro, a afastei e me afastei dela o resto da noite, até que te encontrei.
— Ficou sozinho com ela? — Maxon levantou o rosto na altura do meu. Seus olhos eram puro espanto. Eu estava tentando entender como diabos eles chegaram a esse ponto.
— E-eu tive que apresentar a casa para ela — não consegui esconder a raiva — meu pai me obrigou, ele quer que eu fique com ela para facilitar as negociações com o pai dela — isso só está piorando. Maxon falava rápido, o nervosismo estampado da sua face — e daí aconteceu de ficarmos sozinhos e ela tirou a parte de cima do vestido, mas amor, eu te juro que a mandei pro inferno.
Fechei os olhos, absorvendo suas palavras e tentando detectar qualquer indício de mentira. Mas não havia nenhum.
— Nós tínhamos acabado de nos reconciliar, jamais te trairia com ela, nem com ninguém, nem naquela hora, nem nunca. — argumentou por fim.
Respirei fundo, agora foi minha vez de deitar minha testa em seu ombro. Eu sei que ele estava sendo sincero, o que eu tinha era apenas uma raiva me cegando. Sem falar que estou cansada das mesmas discussões. Toda vez alguém aparece e é a mesma coisa. Penso se não é melhor me acostumar com a ideia de garotas aparecerem do nada o beijando.
— Isso é tudo culpa sua — falei. Percebi que os músculos dele se contraíram.
— America, por favor… — Maxon me abraçou com tanta força que me sufocava — não faça isso, por favor meu amor. Eu amo você — implorou desesperado.
— A culpa é sua por ser assim, tão lindo — sorri de lado, me divertindo com os segundos que ele paralisou, sem entender nada.
Minhas dúvidas foram esclarecidas. Não seria cega outra vez em não enxergar a verdade em suas palavras. Como disse, já passamos por testes como esse, e pela falta de confiança adiamos toda essa felicidade que apenas um consegue proporcionar para o outro. Não existe infidelidade entre nós, apenas pessoas maldosas, as quais juntos, vamos aprender a lidar.
Mas é divertido tortura-lo um pouquinho, sem falar que um susto é bom para aprender a valorizar o que se tem. Apesar de ser ridículo e maldade da minha parte fazer isso com Maxon. Ele faz questão de demonstrar o quanto me ama a cada minuto.
— Co-como é? — gaguejou. Tentei me manter séria ao ficar frente a frente com ele assim que seu abraço afrouxou.
— Se você não fosse tão lindo assim, não teríamos problemas como esse… ninguém teria vontade de te beijar e nem sequer de olhar para você — dava para notar a confusão que estava na mente dele.
— Vo-você não está puta comigo? — contrai os lábios segurando o riso..
— Estou… — inverti nossas posições com agilidade, o deixei encostado na bancada, Maxon buscava desesperado os significados dos meus sinais — estou muito puta com você Maxon — era mentira, estava é louca para beijar aquela boca. — Estou puta por ainda não ter me beijado. Estou puta por deixar que a última boca que tenha tocado a sua, não seja a minha — pronunciava as palavras encarando seus lábios extremamente convidativos.
— Então esse é o maior problema? — perguntou sorrindo. Sua expressão estava aliviada.
— Certamente esse é o mais grave — me encontrei com seu olhar sacana.
— E sem dúvidas o mais fácil e prazeroso de solucionar — um dia eu vou infartar com esse sorrisinho cafajeste que ele dá.
— Então não sei o porque você enrola tanto — provoquei ficando nas pontas dos pés para aproximar mais nossos lábios.
— Antes de mais nada — ele fica sério — nunca… escute bem mocinha… nunca mais faça isso comigo — dei risada. — Quase me matou do coração, achei que terminaria comigo outra vez — ele suspirou aliviado.
— Estou cogitando essa ideia se não me beijar agora.
Maxon sorriu abertamente, e sem mais delongas, e com muito fervor, ele segurou minha nuca e juntou nossas bocas. Suspiros escapavam enquanto desfrutava da sua língua, que brincava com a minha de uma forma deliciosa. Seus beijos são enlouquecedores. Já devo ter dito isso.
— O que está fazendo? — Perguntei exasperada quando Maxon segurou minhas pernas fazendo com que elas abraçassem sua cintura. Mas a maior dúvida era porque ele estava caminhando para dentro do box do banheiro.
— Você me faz perder o juízo America Singer — disse enquanto aspirava meu perfume.
— Não! — exclamei assim que entendi suas intenções após nos trancar dentro daquele quadrado minúsculo.
— Sim! — disse se divertindo com meu desespero.
— Enlouqueceu? — perguntei quando ele se aproximou subindo a saia do meu vestido.
— A culpa disso é toda sua — ele acusou sedutoramente com a boca encostada na minha orelha — ninguém mandou ser tão irresistível assim.
— Maxon não podemos transar aqui, alguém pode chegar — argumentei, mas a verdade é que eu já estava entregue. Seus carinhos são certeiros, com a maior facilidade fazem com que me renda.
— É só não fazermos muito barulho — seu argumento vai por água abaixo assim que ele apalpou meu seio e eu suspirei alto demais — você vai ter que se esforçar um pouco mais — rimos.
— Pelo menos dessa vez não esquece de colocar um preservativo — alertei e logo Maxon procurou por um no bolso de sua calça.
Comecei meu trabalho desabotoando o botão e enfiando minha mão por dentro da sua box. Maxon também falhou com a sua estratégia de não fazer barulho para não sermos descobertos. Vi a chance de fazer ele se arrepender de nos obrigar a estar nessa situação, apesar de eu estar adorando. Me agachei como pude, em segundos, estava me deliciando com seu membro na minha boca, Maxon desistiu de abrir o preservativo para se apoiar nas paredes, respirando fundo, contendo os gemidos.
— Você não existe — ele disse puxando a raiz do meu cabelo — levanta — assim fiz me sentando na caixa d’água da privada.
Maxon vestiu a camisinha e puxou minha calcinha para o lado. Ele me beijou antes de se pôr em mim, sua ideia era conter meus gemidos e os dele. Mas ele falhou, gememos baixo, mas gememos. Eu sorria enquanto ele se dedicava em se movimentar de uma forma que não nos entregasse, mas sorria principalmente por nunca me imaginar transando na porcaria do banheiro feminino do colégio. Maxon como sempre me surpreendendo, me fazendo viver coisas adoravelmente absurdas.
Eu arqueava meu corpo, virava minha cabeça para trás, Maxon fazia o mesmo, ambos tentando ficar em silêncio. Ajudaria muito se ele metesse mais devagar, no entanto, nem eu nem ele preferimos um sexo fofo. O único momento que transamos assim foi na nossa primeira vez, que ele teve muito cuidado por eu ainda ser virgem, mas após conhecer o seu lado bruto, eu definitivamente não teria paciência para o seu lado fofo. Adoro seu jeito possessivo e selvagem.
— Amor eu to quase — disse baixinho em seu ouvido, que funcionou como um estímulo para ele fazer mais gostoso ainda.
— Eu também minha linda, mas você primeiro — disse logo chupando a pele do meu pescoço.
Eu já estava tendo vertigens. Deus do céu isso é loucura!
— Meri! Amiga, você está aí? — Era a Celeste.
Puta que pariu!
— Porra! — Maxon reclamou num som quase inaudível.
— Não para — pedi quando ele diminuiu a velocidade. Se ele parasse agora, eu surtaria.
— Safada — ele rosnou baixíssimo.
— America! — Ela chamou na porta do box que eu estava.
— Oi! — disse quase morrendo.
— Você está bem? Estava demorando então decidi vir ver como está.
Amiga eu te amo, mas estava muito melhor antes de você chegar. Me agarrei aos cabelos de Maxon, sentindo uma forte onda de deleite, mas minha amiga estava ali, atrapalhando.
— Amiga eu estou ótima, pode voltar para a sala — porque eu achei que isso a convenceria?
— Você está chorando ou gemendo? — o mais sensato era fazer Maxon parar, mas eu não queria!
— Eeerr — preciso me controlar — eu estou chorando, mas não é nada, eu já vou ficar bem.
— Você está mentindo muito mal — Maxon sussurrou. Não sei como meu fogo não apagou diante dessa situação. Eu estava quase, quase mesmo.
— Você está trepando?
— Não! Ah, Maxon! — desabafei alto demais quando meu orgasmo chegou.
— Merda America! — Maxon reclamou, tanto pelo meu grito que nos condenou, quanto para aproveitar o seu deleite.
Nem tivemos tempo de nos recuperar, a porta foi arrombada com um chute de Celeste. A morena nos encarou com os olhos arregalados, e não era para menos, estávamos em uma posição ridícula e comprometedora. Eu estava de pernas abertas sentada na caixa acoplada, com Maxon no meio com uma perna de cada lado da privada de costas para ela. Antes isso parecia ser muito bom, mas agora era humilhante.
— Ah, vão se foder — Celeste começou a rir. — Qual é!? Vocês não podiam esperar para chegar em casa?
— Caralho Celeste, fecha a porra da porta! — Maxon gritou, entre nós dois, ele é quem está na posição mais inadequada, eu me escondi com o vestido, mas ele tinha que tirar o preservativo.
— America, sua safada sem vergonha — revirei os olhos — eu toda preocupada, Marlee roendo as unhas por sua causa, e você estava trepando com o Maxon feliz da vida.
— Cala essa boca! — exigi. Maxon estava ajeitando sua calça.
— Você disse que estava chorando! — ela gargalhava horrores — “aaah, eu estou chorando, mas vou ficar bem, aaah” — desgraçada fingia gemer para me constranger ainda mais.
— Eu vou te matar quando sair daqui — ameacei, o calor estava de derreter naquele box e Maxon tinha dificuldade para fechar o zíper — quer ajuda?
— Amiga, o pau dele não vai amolecer se você continuar aí dentro — Celeste ria descompassadamente.
— Se prepara para quando eu sair daqui, sua filha da mãe — disse fechando o botão da calça dele.
— Com o orgasmo que você teve, não deve ter forças nem para andar — Deus do céu! Eu devo estar vermelha como um pimentão.
— Deixa ela em paz Celeste — exige Maxon assim que abriu a porta. Ele nem se importava muito da amiga ficar zoando, mas sabia que eu era extremamente envergonhada.
— Ual, amiga, você está revigorada — ela sorri maliciosa — nada que uma bela transa não resolva, não é?
— Você já era.
Celeste correu antes dos meus tapas acertarem ela. Éramos como duas idiotas correndo e rindo até chegar na porta da sala. Fiquei à espera de Maxon para entrarmos juntos, recebendo cutucões e perguntas obscenas de Celeste. Por graças ele não levou muito tempo para chegar, fazendo nossa amiga finalmente se calar. A merda é que ela vai lembrar disso para o resto da vida.
Meus amigos não estavam sentados no lugar de costume, e logo notei o porquê. Sentada justo no meu lugar, estava a puta Asiática. Cerrei os punhos por até isso ela tentar me tomar. Fomos mais para o fundo, inalando a merda do cheiro de maconha que Zac e seu amigo exalam.
— Amiga está tudo bem? — Marlee perguntou preocupada.
— Ela não podia estar melhor Lee — Celeste respondeu por mim. Marlee entendeu o que Celeste quis dizer após a morena fazer um gesto com a mão.
— Parem as duas! — obriguei assim que sorriram com malícia.
Durante a aula, eu estava inquieta, tinha certeza que Elise me denunciaria para a direção, então estava apenas aguardando o chamado de Silvia. Já me imaginava caminhando até sua sala e encontrando lá dentro minha mãe cuspindo fogo, querendo me massacrar por arrebentar a cara daquela sonsa. E sei que não haveriam desculpas que me salvariam de uma puta bronca e um puta castigo.
— O que você tem? — pergunta Maxon ao passar seu braço por cima do meu ombro.
Estamos na fila da lanchonete e até agora, ninguém veio me buscar.
— Elise não me dedurou para a direção ainda, estou nervosa que não me chamam de uma vez.
— Ela não vai te dedurar — ele disse confiante.
— Não? Como sabe?
— Isso implicaria em chamar seus pais, e consequentemente chamar os pais dela, e para ela mais do que ninguém, os pais terem que vir para o colégio porque a filha brigou, é a pior coisa.
— Como sabe disso?
— Conheci o pai dela — ele disse me abraçando por trás enquanto a fila andava lentamente — e para ele, ela tem que ser a filha perfeita, não pode cometer nenhum erro, literalmente. Por isso ela é assim, quando os pais estão longe, ela mostra sua verdadeira personalidade.
— Ela está com a cara arrebentada, como vai se safar disso?
— Ela vai inventar algo, mas nunca admitir que brigou no colégio, justo no primeiro dia — Maxon dá um cheiro no meu cabelo — por isso fico tranquilo, fiquei preocupado de você ter problemas com o pai dela. Ele é o embaixador da Nova Ásia, e um homem muito tradicional aos costumes e muito autoritário. Vingativo e orgulhoso. Então se puder evitar de mexer com a Elise, é melhor amor.
— É só ela não mexer com você que fica tudo certo — segurei seus braços que me abraçavam e quando a fila avançou, andamos que nem pinguins.
Saber que posso ter problemas com um embaixador me deixou assustada, mas não deixaria Elise saber disso. Não vou deixar ela fazer o que quiser por ter um pai idiota capaz de açoitar quem mexer com ele.
Chegando em casa, todos já estavam almoçando. Na sala Mary e Anne tiravam as cortinas para lavar e Lucy auxiliava Betina na cozinha com as panelas sujas. Papai tinha um tablet ao seu lado, o que deixava minha mãe furiosa. Ela diz que a refeição é um momento sagrado que toda a família deve contemplar e se concentrar.
— Ames, cadê o Max? — perguntou Gerad com a boca suja de molho, se esticando na cadeira a procura do loiro.
— Ele foi para a casa dele — disse deixando minha mala na poltrona da sala.
— Mas porque? Ele não vem morar aqui conosco? — tive que rir. Maxon claramente tem um fã.
— Gerad, Maxon tem a família dele também — explicou nossa mãe.
— Mas eu achei…
— Já expliquei Gerad! — mamãe repreendeu e Gerad fechou a cara, se recusando a comer.
— Ele virá nos visitar logo — confortei meu irmão assim que me juntei a todos na mesa.
— Tomara que a próxima visita seja menos... barulhenta… se é que me entende — um dia, May me paga.
Um dia ela me paga!
— Err… — toma voz minha mãe, com o rosto levemente corado, pois também ficou constrangida. Meu pai por sorte está vidrado em seu tablet, ignorando tudo ao redor. — você tem consulta hoje America — franzi o cenho.
— Consulta? — perguntei ao dar uma garfada na comida, não me lembro de ter marcado nada.
— Marquei um ginecologista para você, iremos essa tarde — disse sem coragem de me encarar.
— Mas, o que? Porque?
— Não se faça de desentendida America, sabe muito bem porque vou te levar — disse dona Magda — não quero filha minha aparecendo grávida com apenas dezessete anos.
— Mãe! — exclamei constrangida, pois a fala dela chamou atenção do meu pai.
— Não sei quando você e o Maxon começaram a… — ela procurou a palavra certa — se relacionar intimamente, só espero que tenham se cuidado, caso contrário, não vou cuidar de filho de ninguém!
— Por Deus mãe! — eu estava me encolhendo na minha cadeira, quase indo para debaixo da mesa.
— O que deve ser dito tem que ser dito America, tudo tem uma consequência… fazer sexo é muito bom mas…
— MÃE! Ok. Eu já entendi. Beleza. Mensagem captada. Se cuidar. Bebe agora não. Ok. Certo. Ótimo!
— Fazer sexo? — De todas as informações na mesa, Gerad prestou atenção na mais impura.
— Viu o que você fez? Agora tem uma criança na mesa perguntando o que é sexo — acusou minha mãe nervosa.
— Como é!? Eu fiz!? Você quem começou!
— Hehehe isso está muito bom — May cochichou.
— Quem começou foi você tendo relações íntimas sem me avisar primeiro.
Enchi meu pulmão de ar para responder, no entanto, meu pai pigarreou. Acalmando a mim e minha mãe.
— Só me diga que se cuidaram America… — dona Magda pediu por fim.
Mas o que eu responderia? Teve vezes que esquecemos mas lembramos no meio do caminho, será que isso conta como se cuidar? Acho que sim, né?
— Claro que sim! — respondi com dúvida.
— Ótimo, mas nada como dois métodos contraceptivos para evitar o que não deve vir agora. Vamos ao médico para ele te receitar um anticoncepcional. Esteja pronta às duas da tarde.
— Sim senhora — respondi acanhada.
Vai ser ótimo para nos prevenirmos ainda mais. Mas me custou um almoço saudável e feliz em família, pois quem disse que o clima voltou ao normal depois desse papo?
Meu pai estava sem saber onde enfiar a cara. May, como sempre, comprimia os lábios para não rir e Gerad com sua mente curiosa, segue buscando o significado de sexo e ninguem tem coragem de responder.
— Psiu! — chamou May à minha frente, de uma forma surpreendentemente discreta.
Ela apenas gesticulou com a boca um “o que é isso?”, apontando para a sua cara e seu colo. Logo entendi o que ela quis dizer. Estava com as marcas da briga de hoje cedo e Deus me livre de minha mãe perceber. O que não aconteceu ainda por ela estar com vergonha de olhar direito para a minha cara com esse assunto constrangedor. Respondi May, apenas movendo os lábios informando que depois explicava a ela o que houve.
Agora, só precisava sair o quanto antes dali e caprichar nas camadas de maquiagem. O que mais tarde percebi que não foram precisas, o vermelhidão diminuiu bastante, só as unhas estavam bem demarcadas, mas uma gola alta resolvia.
— Deixa eu adivinhar — May entra no quarto — uma ex do Maxon?
— Não. Uma puta asiática mesmo.
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