Fomaríamos um Maravilhoso Nós

10 Voltando no tempo - Part II


— Você tem que estar deslumbrante! Não! Tem que estar gata! Isso! Muito gata! — May fala sem parar. — Aquele vestido rosa é perfeito! Quer saber? Não é não… ele é muito comprido. O azul! — Diz como se sua ideia fosse brilhante — Não, não… também não.

— Já parou para pensar que o encontro é meu e eu escolho minha roupa? — Ela, que estava de costas para mim, se virou em minha direção tão rápido que me perguntei como aquilo era possível.

— Você sempre pede minha ajuda quando vai sair com um garoto, porque agora que você vai sair com o mais lindo da sua vida você está me excluindo? — ela me pergunta com os braços na cintura indignada.

— Não é isso. É que você nem está me deixando falar, e sua ansiedade está me deixando mais nervosa. E eu nunca fiquei nervosa para sair com um garoto. — Digo desesperada.

— Quer saber porque você está nervosa? — Ela me olha com um sorriso malicioso. — É porque você está apaixonada por ele. — Diz cantarolando.

— Calma aí também né… apaixonada é demais. — Digo para convencer ela e… a mim também? Que isso America!? Acabou de conhecer o garoto. — Eu gostei dele — ela arqueia as sobrancelhas querendo tirar mais de mim — Ok, eu gostei muito dele — ela sorri — Agora anda, me ajuda a escolher uma roupa.

Eu compartilho da mesma ideia da May, quero estar gata, quero que ele olhe para mim e me ache gostosa. Quero usar algo que mostre tudo o que eu tenho de uma forma elegante, não vulgar.

— O que acha desse com uma meia calça e uma bota? — Mostro a ela o que com certeza vai ser minha escolha. Um vestido preto de mangas compridas, gola alta, consideravelmente curto e colado ao corpo, destacando minhas maravilhosas curvas. A meia calça e bota até o joelho são um charme sexy, sem falar em ser muito bem vindo nesse frio. E um casaco sobretudo até a chegada ao restaurante que espero muito que seja aquecido, se não meu plano de deixar ele louquinho por mim não vai funcionar.

— Perfeito! — Diz May satisfeita, jurava que ela reclamaria — o clássico pretinho sexy, não tem erro. Vai ficar muito gata, e com uma maquiagem suave, mas ao mesmo tempo ousada, você vai ficar perfeita para derrubar aquele homem. — Dou risada, de onde ela tira essas coisas?

— Meninas! Chegamos! — Diz minha mãe entrando seguida por meu pai. — Hmm… vão sair é?

— Ames tem um encontro. — May simplesmente me dedura. Não que eu não fosse contar aos meus pais, mas, eu! Queria contar do jeito certo.

— Como assim um encontro?

— Um garoto que conheci me chamou para sair e eu aceitei. — Respondi antes que May abrisse o bico.

— E onde vão? — Pergunta meu pai pendurando seu casaco.

— Em um restaurante aqui perto. — Respondi já sabendo a previsível reação da minha mãe.

— America! Como aceita sair com um estranho em um país que você nem conhece direito? — Eu apenas reviro os olhos — e se ele for um maníaco sequestrador?

— Se ele for um maníaco sequestrador eu quero que ele me leve também — diz May se abanando com as mãos.

— May Singer! — Exclama minha mãe. — Olha o que está dizendo. Por Deus!

— America querida, apenas se cuide, sim? — Diz meu pai recebendo um olhar decapitador de minha mãe.

— Obrigada pai! — Agradeço empolgada e saltitando. — Vou tomar um banho e me arrumar. — Escuto minha mãe chamar atenção de papai, mas eu sei que ele sai dessa ileso.

Estava decidindo entre um gloss transparente ou um batom vermelho. Quando May entra no quarto correndo dizendo que ele já chegou, e simplesmente minha organização mental desapareceu e passei a fazer o que precisava com certo desespero. Acabo optando pelo gloss que dava menos trabalho e me olho uma última vez no espelho. Estava maravilhosa e sensual na medida que eu queria. Deixei meu cabelo solto com ondas nas pontas do jeito que gosto, uma maquiagem leve que realça minha beleza. Estava linda. Visto meu sobretudo, pego minha bolsa e vou ao seu encontro.

Ele estava conversando com minha mãe e meu pai muito tranquilamente exibindo seu sorriso encantador. Notei meus pais relaxados, então percebi que gostaram dele. A sensação boa de revê-lo invade meu corpo e não consigo parar de sorrir. Me sinto uma idiota por não ter controle disso, mas quem se importa.

— Boa noite — digo e Maxon desvia o olhar dos meus pais para mim.

— Boa noite — responde ele me olhando dos pés a cabeça — está encantadora esta noite.

— Você também não está nada mal. — respondo como quem não quer nada.

— Aproveitem a noite — diz meu pai.

— Mas não de mais — acrescenta minha mãe. Eu reviro os olhos.

— Tchau! — Respondo puxando Maxon rapidamente antes que minha mãe abrisse demais a boca.

O vento frio me faz estremecer assim que toca minha pele quando abro a porta para sairmos do chalé. Maxon põe uma de suas mãos em minha cintura me puxando rapidamente para entrar em um carro preto estacionado logo à frente. Ele abre a porta para mim e em seguida dá a volta no carro entrando no lado do motorista.

— E então? Vamos? — Ele me pergunta animado.

— Vamos! — Respondo no mesmo tom.

Realmente o restaurante era próximo da pousada, então não levamos muito tempo para chegar. Durante o caminho não falamos muito, virou até um momento constrangedor, pois Maxon, a todo momento se virava para me olhar e dizer o quanto estou linda. Ele realmente é um fofo e está me conquistando. Quando chegamos, fiquei encantada com o lugar, é muito bonito, aconchegante e romântico. Absolutamente tudo lá pareceu ser preparado para tornar o ambiente assim, desde sua iluminação, decoração, mobiliários, cores, enfim, tudo.

Assim que entramos nossos casacos são tomados por um senhor amável na recepção e somos direcionados para um bar enquanto aguardamos nossa mesa ficar pronta. O que eu mais queria era ter uma câmera agora para fotografar a expressão de Maxon, pois o mesmo, com certeza inflou meu ego após me olhar dos pés a cabeça mordendo seu lábio inferior.

— Tenho que dizer que você está realmente linda — diz ele, analisando minhas curvas.

— Você já disse isso — mando essa com um sorrisinho malicioso. Acho que ele entendeu que não me importo dele usar elogios não tão cordiais.

— Então permita-me dizer que você está uma gata, aliás você é uma. — Disse me abraçando pela cintura nos aproximando.

Fiquei surpresa, não esperava essa atitude dele. Mas logo essa surpresa se tornou uma grande satisfação. Sentir o corpo dele tão próximo faz liberar descargas de energias que me deixam sem juízo nenhum, nossos olhos se encaram com desejo, eu o quero e ele me quer. Percebo que nossa conexão é tão forte que não precisamos dizer nada, nossos corpos se entendem por si só assim como nossos olhares. Inconscientemente, nossos lábios se aproximam um do outro deixando a camada de ar entre eles cada vez menor. Mas é claro que alguém tinha que vir atrapalhar e interromper o clima. Ambos suspiramos frustrados.

— Senhores, queiram me acompanhar por gentileza — diz o recepcionista. Percebo Maxon dar um olhar matador ao jovem que nos interrompeu. Sorrio com isso, ele estava tão frustrado quanto eu.

Nos foi deixado um cardápio digital repleto de opções de pratos, fizemos nossos pedidos e para acompanhar, escolhemos um vinho branco. O jantar correu da melhor forma possível, a conversa simplesmente flui com Maxon, até esquecíamos de comer em alguns momentos pois o bate-papo era muito mais interessante. O que é surpreendente vindo de mim que adoro comer.

— Jura! — Nesse momento Maxon me revela que é fanático por fotografia — eu nunca imaginaria isso.

— Pois acredite! Todos temos uma habilidade escondida dentro de nós, e quero saber qual é a sua. — Arqueei as sobrancelhas olhando para cima pensando em alguma habilidade.

— Caramba! Eu realmente não sei nada sobre mim — digo e damos risada.

— Vamos! Tenho certeza que você esconde um talento. — Diz ele após tomar um gole do seu vinho.

Paro para pensar melhor, ele realmente queria saber, e eu queria dar essa resposta, estávamos nos conhecendo, e ele revelou algo íntimo dele, então o mais certo era eu revelar algo íntimo meu. Mas o que? Logo algo me vem à cabeça.

— Bom… eu sou boa com música — ele endireita a postura surpreso — toco alguns instrumentos e adoro cantar. Meu pai diz que sou muito boa. Então suponho que esse seja um talento escondido.

— E que instrumentos você toca?

— Meu forte é o violino e piano — ele sorri — mas também sei tocar violão e um pouco de flauta.

— Você disse que gosta de desafios, não é? — Ele tinha um olhar travesso.

— Gostar é uma palavra muito forte. — Digo bebendo meu vinho.

— Desafio você a tocar o piano do restaurante. — Ele aponta para um belo piano de cauda preto disposto em um dos cantos.

— Não mesmo! — Digo rapidamente — Não toco para as pessoas, toco para mim.

— Qual é America! — Diz ele querendo me encorajar — se May estivesse aqui te chamaria de medrosa.

— Eu sei o que está fazendo! Está usando minha irmã para me persuadir.

— Estou mesmo! — Diz ele convencido — e não vou parar de insistir até você ir lá e me mostrar o que sabe fazer. — Ele cruza os braços convicto de sua ameaça.

— Tá tá — digo irritada. Estou com medo de dar vexame — se o som sair horrível vou fazer questão de fazê-lo passar vergonha junto comigo.

— Não estou preocupado com isso — diz ele com um sorriso cafajeste. Como ele é gostoso meu pai.

Saio em direção ao piano e escuto um assovio, olho para trás e Maxon está com seu sorriso safado. Ele estava olhando para minha bunda. Decido provocar um pouco mais rebolando discretamente. Dou uma leve olhada por cima do ombro e ele parece hipnotizado… extremamente sexy debaixo daquela luz ambiente do estabelecimento. Apenas suspiro, ele está me deixando louca.

Ao chegar próximo ao piano, peço permissão para tocá-lo que é concedido rapidamente. Me sento na banqueta e respiro fundo. Haviam umas partituras por ali, mas as ignoro, as minhas preferidas eu sei de cor. Respiro mais uma vez e a primeira sequência de teclas são tocadas, emitindo a mais sutil vibração de ondas sonoras, no mesmo momento me sinto em casa, me sinto bem. Sem perceber fecho meus olhos e me entrego a deliciosa melodia, apenas desfrutando das notas que soam no ar. Ao tocar a última tecla, o som reverbera pelo salão e quando abro os olhos, todos estavam aplaudindo. Corei na hora, nunca toquei para mais que cinco pessoas, agradeci com um tímido sorriso e andei quase que correndo para minha mesa.

Antes estava sentada de frente para Maxon, mas sento rapidamente ao seu lado e faço questão de arrastar a cadeira para mais perto. Precisava me encolher em alguma coisa e ele é o que mais tenho de conhecido nesse momento. Sim, eu fiquei nervosa. Digamos que me senti exposta mas não achei ruim, a ficha só não caiu.

— Você foi incrível, sabia? — Diz ele passando o braço pelas minhas costas me acomodando em seu ombro e deitando sua cabeça na minha. Aquilo me acalmou tanto. — Você não devia ficar com vergonha. Ver você tocar foi uma das coisas mais lindas que já vi na vida, e olha que já vi muita coisa. — Rimos.

— Qualquer um pode ir até lá e fazer o mesmo. Basta saber tocar — dou de ombros.

— Isso não é totalmente verdade — aguço meus ouvidos para ouvir melhor o que ele vai dizer — qualquer um pode ir até lá apertar aquelas teclas e fazer sair o som, mas… não é qualquer um que, além de emitir uma linda melodia, consegue transmitir seus sentimentos. — Sinto meus olhos marejar. — Dá para ver o quanto você se conecta, e sua música transmite essa conexão, o que torna a experiência de ouvi-la muito mais emocionante e bonita.

Sempre recebi elogios das pessoas que já me viram tocar, mas nunca ninguém foi tão profundo quanto Maxon. Me emocionei com sua perspectiva, aquilo me tocou profundamente, ele viu o que nunca ninguém viu. Levantei minha cabeça de seu ombro e o encarei com um sorriso de lábios fechados, ele sabia que esse era o meu obrigada por suas belas palavras, ele retribuiu com um sorriso amistoso e sua boca tão convidativa. Sem pensar mais, selei nossos lábios.

Nossa! Que incrível!

Maxon retribuiu imediatamente, sua mão escorregou pela minha nunca abaixo do meu cabelo me arrepiando o corpo todo. Depositei minha mão direita no seu rosto e seguimos com um beijo calmo. Ele pediu passagem com a língua e eu sedi ansiosamente. Sua boca é macia, seu gosto é inebriante, seus toques são enlouquecedores. Simplesmente me entreguei e não queria parar tão cedo. Mas, mesmo nessas horas, precisamos respirar.

— Já disse que você é maravilhosa? — Diz ele enquanto estávamos com nossas testas coladas.

Ficamos um pouco mais ali abraçados jogando conversa fora, o restaurante estava esvaziando, então mesmo relutantes, decidimos ir embora. Maxon pagou a conta e me guiou até o carro após pegarmos nossos casacos. Ele abriu a porta, mas antes que eu entrasse, me agarrou pela cintura e me deu um beijo quente. Nem o frio que estava era capaz de apagar esse fogo dentro de mim. O beijo dele é incrível, ele sabe muito bem o que faz e eu só desfruto de sua habilidade.

— Beijar bem e me enlouquecer pode entrar para sua lista de talentos — digo para ele após pararmos para pegar um ar.

— Eu digo o mesmo de você — diz ele no meu ouvido, deixando uma leve mordida no nódulo da minha orelha. Mordo o lábio inferior para conter o gemido de excitação que aquilo me causou.

Um vento cortante surge nos fazendo cair na real e entrar correndo dentro do carro. Estamos ofegantes, e sentados com a postura ereta olhando para frente, eu pensando no que acabou de acontecer e querendo mais, o que o Maxon pensava eu não fazia ideia, o que sei, é que bastou só um olhar na cara do outro para nos agarramos loucamente e mover nossos lábios com tanta voracidade que chegava a queimar. Instintivamente subi no seu colo, ele agarra firmemente minha cintura, nossos lábios mais colados do que nunca. Um calor sobe pelo meu corpo fazendo com que eu interrompa o beijo para arrancar meu casaco, Maxon faz o mesmo com o dele. Sem demoras nossas línguas estão travando uma batalha novamente. Ele passeia com suas mãos pelo meu corpo, me eletrizando por completa. Eu já estava mais molhada que não sei o que. Ele aperta minha bunda com as duas mãos me causando ainda mais excitação.

— Você é muito gostosa — diz ele enquanto beija meu queixo, passando pela mandíbula seguindo para atrás da orelha.

Eu não sabia dizer nada, ele me deixou sem palavras, só queria que ele continuasse o que estava fazendo. Sua mão direita sai da minha bunda, passando pela minha cintura deixando leves apertos, ela sobe até meu seio e ele aperta. Eu adorei isso. Como resposta, rebolo por cima dele, o fazendo soltar um gemido entre nosso beijo. Sinto seu amiguinho dar o ar das graças. Ele desce sua mão até minha coxa subindo lentamente, eu sabia qual era seu destino, e isso me fez despertar. Paro com o beijo.

— Maxon… — o olho, mas não consigo continuar.

— Tudo bem — ele me lança um olhar compreensivo — não precisamos fazer isso — ele sorri de lado.

— Desculpa. — Abaixo a cabeça envergonhada.

Sim. Eu ainda sou virgem e não é assim que sonhei em perder minha “pureza”.

— Ei… — ele levanta meu rosto — não tem que se desculpar. Tudo com seu tempo, e tem que ser especial. — Aaaaa ele é perfeito, enormemente perfeito.

Depois disso voltamos para a pousada, um silêncio reconfortante foi nosso companheiro até chegarmos à porta do meu chalé. Eu estava realizada, foi o encontro mais perfeito que já tive. Agradeci a Maxon pela noite maravilhosa e nos despedimos com um beijo terno. Meu rosto parecia pequeno para o tamanho do meu sorriso.

Todos estavam dormindo, agradeci mentalmente por isso. Nem tomei banho, queria ficar com o cheiro dele em mim o máximo de tempo possível. Fui direto para o quarto que dividia com May, e ela estava mais acesa que vagalume no escuro.

— Me conte tudo! — Exige ela se sentando na cama.

— Não te conto nada! — Digo só para provocá-la.

— Eu não fiquei acordada até uma e meia da madrugada para não ter detalhes. — Diz ela.

— Aaa May foi incrível! — Sem mais me aguentar desabafei para ela.

— Vocês transaram?

— O QUE!?

— Para estar tão feliz assim tem que ter rolado algo mais, sem contar que um restaurante não fica aberto até essas horas. — Ela é esperta.

— Primeiro você não tem idade para saber dessas coisas — digo me deitando na cama após vestir meu pijama — segundo, não, isso que sua mente poluída está pensando não aconteceu. Demos só uns amassos.

— Aaaaii que sorte a sua! — Diz ela toda empolgada — Tomara que quando eu tiver idade eu encontre alguém tão gato quanto o Maxon.

— Duvido existir alguém mais gato que ele.

— Pois é… eu também duvido — diz ela desanimada.

— Vamos dormir — apago o abajur — boa noite May.

— Boa noite Ames.

Acordei com a luz vinda da janela, tinha um pouco de sol lá fora diferente dos outros dias. Meus pais não me perguntaram muito do meu encontro com Maxon, apenas disseram que acharam ele um bom menino. Fomos para o salão tomar café, lá estavam todos os hospedes da pousada inclusive um loiro gatissimo comendo uma torrada. Ele me vê e não esconde o sorriso, assim como eu não consigo me conter. Ele dá uma piscadela que eu retribuo. Ao seu lado havia um homem e uma mulher, supus que eram seus pais.

Aquela manhã depois do café, Maxon foi me procurar e passamos o dia juntos. Passeamos pela neve, fizemos várias atividades, nos beijamos bastante. Foi um dia maravilhoso. Agora, estamos em um balanço em um lugar bem reservado da pousada que é inteiro de vidro. Inclusive o teto. As estrelas eram as protagonistas naquela noite.

— Amanhã cedo eu vou voltar para Illéa — Maxon se pronuncia interrompendo o silêncio.

— O QUE!? — não não não, como assim ele vai embora?

— Pois é — Diz ele soltando um suspiro pesado. Não estava muito contente assim como eu.

— Não acredito Maxon. — Lágrimas brotavam em meus olhos.

— Não se preocupe, nós vamos conversando e quem sabe até marcamos de nos encontrar. — Ele beija minha testa.

Deito no seu peito e uma lágrima cai, não quero que ele vá embora, eu vou ficar mais duas semanas aqui, e agora sem ele. Tentamos curtir o máximo possível nossos últimos momentos juntos. Mas chegou a hora de ir. Estávamos a caminho de seu chalé quando escutamos alguém reclamar alto.

— Onde aquele garoto foi! — Era o senhor que vi no café ao lado de Maxon. Ele estava na varanda parecia furioso.

— Calma querido ele já aparece. — A senhora que também vi mais cedo tenta acalmá-lo

— America é melhor você ir. — Me pede Maxon com certo desespero.

— Porque? — Não queria me separar dele tão cedo.

— É o meu pai… — ele passa a mão no cabelo — ele não é muito simpático e está a minha procura.

— Ah! Você está aí — o pai dele aparece na nossa frente — claro que o motivo do sumiço é uma garota. — Ele me olha dos pés a cabeça e depois para Maxon, que me implorava com o olhar para sumir logo dali — tivemos que atrasar dois voos por sua culpa. Anda logo. Temos que voltar agora.

Ele era um senhor muito estúpido e frio. Senti uma raiva instantânea pela forma que ele falava com o filho. Ele puxa Maxon pelo braço, ele me olha com muita dor e com um pedido de desculpas. Eu fiquei ali, parada vendo ele ir, o pior é que nem para o chalé eles foram, e sim direto para um carro que partiu para bem longe de mim. Nem nos despedimos direito.

Fui correndo para o chalé e me tranquei no quarto, eu realmente gosto dele, e ele se foi. Peguei meu celular para mandar uma mensagem a ele mas me deparei com a maior frustração da vida, eu não tinha pego o número dele, e não me lembro de ter passado o meu. Caí no desespero ao perceber que nem seu nome completo eu sabia, simplesmente não tinha como encontrá-lo mais. Desabei no choro.

May apareceu para conversar, contei a ela tudo e pedi para que nunca mais tocasse no nome dele. Eu precisava superar.