Fomaríamos um Maravilhoso Nós
12 Isso não vai prestar
— Bom dia família linda! — Cumprimentos todos na sala de jantar.
— Bom dia! — respondem todos.
— Estou cada dia mais impressionada com sua habilidade em acordar cedo sozinha — diz minha mãe tirando sarro da minha cara, o que é novidade.
— E eu com seu novo senso de humor mãe.
— O motivo disso é que fechamos um novo negócio muito promissor. — Diz meu pai todo contente — E o melhor é que tem muitos investidores interessados.
— Que ótimo pai! Fico muito feliz por vocês. — Digo pegando nas costas da sua mão disposta sobre a mesa.
Não houve muitas outras novidades no café, apenas olhares desconfiados de May. Ela sabia que eu estava estranha ultimamente. Motivo. Maxon claro. Ainda não contei a ela sobre a coincidência de nos encontrarmos aqui em Angeles, e nem sei porque, não há mais motivos para esconder isso dela. Hoje quando chegar em casa falarei com ela, quem sabe a cabeça maluca dela me ajuda a resolver meus problemas com ele.
Acabo de chegar na escola, já aprendi todos os caminhos que preciso saber, agora não me perco mais. Vou até meu armário para deixar e pegar algumas coisas, sobre olhares maliciosos de garotos. Eu estou magnífica com esse vestido claro floral no tom laranja e super moderno de cetim, um pouco acima dos joelhos, justo e de costas abertas, cabelo solto e um tênis branco, bem menininha, mas com o toque sensual que eu adoro.
Estou a caminho do laboratório de química onde será nossa primeira aula, chego e Maxon já está lá. Sozinho. Engulo em seco, não sei como reagir estando sozinha em local fechado com ele. A princípio nem nota minha presença, está entretido no celular, segurando ele apoiado com os antebraços na mesa e com aquele cabelo charmosamente bagunçado. Esse laboratório tem mesas iguais onde temos aula de biologia, mesas para sentar-se em dupla. Procuro uma mais distante porém perto, pois eu faço parte do grupo de amigos dele e todos gostam de sentar próximos, então fui para a do lado, tentando ficar o mais distante possível.
Ao passar ao seu lado, ele levanta o olhar e nota que sou eu, dessa vez ele não se esquivou, me olhou dos pés a cabeça e senti que ele iria dizer algo, mas as meninas chegam bem na hora e super alvoroçadas, elas tinham novidades.
— America você não vai acreditar! — Diz Marlee ofegante colocando sua mão sobre o peito, acompanhada de Celeste no mesmo estado. — Bariel retirou seu nome da inscrição.
— Aquela vagabunda da Kriss comprou Bariel com alguma coisa, mas sabe o que é o melhor? — Celeste me olha repleta de satisfação. Eu olho para Maxon e ele apenas presta atenção.
— O que? — Pergunto já sem paciência.
— Ela acha que já ganhou! — Celeste solta uma gargalhada maléfica muito sincera. — Imagina a cara que ela vai fazer quando ver seu nome na lista. — Ela ria sem compasso.
— Você vai fazer o teste para capitã? — A voz incrível de Maxon ecoa cortando as risadas de Celeste.
— Vou. — Respondo o encarando. Ele levanta as sobrancelhas.
— Boa sorte então — diz simplesmente — Kriss é muito boa. — Meu queixo e o das meninas cai na hora.
— Maxon você quer morrer? — Pergunta Marlee em tom ameaçador.
— Só disse a verdade, ela dança muito bem… — Diz ele sem culpa nenhuma na voz.
— Pois eu danço melhor. — Digo confiante.
— Pois então veremos… — a não! Agora isso virou pessoal! Vou fazê-lo engolir suas palavras.
— É melhor você calar a boquinha Maxon — se pronuncia Celeste finalmente — até parece que quer que aquela vadia vença.
— É claro que ele quer — digo com desprezo na voz — deve estar ansioso para dar seu prêmio particular a ela no armário do zelador, mas isso não vai acontecer, porque eu vou vencer. — Ele me lança seu maior sorriso cafajeste, puta merda que filho da puta gato.
— Bem melhor, assim o prêmio será todo seu. — Diz mordendo o lábio. Eu coro na hora e fico sem reação alguma.
— Ela com certeza vai adorar — diz Marlee com um sorriso safado assim como o de Celeste.
Como que uma conversa repleta de ameaças acabou chegando nesse ponto? Como?
— Eu tenho que me inscrever, não tenho? — Digo mudando logo de assunto, eu não estava sabendo reagir a aqueles olhares maliciosos principalmente os de Maxon.
— Verdade! Vamos logo! — Marlee me puxa pelo braço e eu lanço um último olhar mortal para Maxon, que me olhava com um sorriso divertido.
Fomos ao mural onde tinha uma lista para preencher os nomes. As de candidatas para líder de torcida estava repleta de nomes de garotas, já para capitã tinha apenas o de Kriss e outro completamente rabiscado. Sem mais delongas, escrevi meu nome completo bem nitidamente. Kriss não sabe o que a espera.
— Se você conseguir, vou dar uma festa na minha casa em sua homenagem — Diz Celeste super animada.
Quando retornamos, o laboratório já estava cheio, por sorte deixamos nossas bolsas guardando nossos lugares. Marlee sentou comigo enquanto Celeste foi ao lado de Aspen na mesa da frente. Quando fui pegar meu material na bolsa, notei uma folha dobrada que eu tinha certeza que não coloquei lá. A peguei discretamente e quando abri tinha um recado. Dele.
“Está incrivelmente linda com esse vestido, é muito bom ver um pouco da sua pele, no Canadá você sempre estava coberta.
Maxon.”
Me culpei mil vezes por ter sorrido com esse bilhete. Quando virei para a direção do autor, ele já me encarava com seu sorriso safado parecendo ansioso pela minha reação. Antes que eu pudesse agir ou fazer qualquer coisa, um garoto muito bonito aparece se pondo ao meu lado.
— Oi — diz ele com um sorriso encantador.
— Oi — digo retribuindo o sorriso.
— America não é? — Ele pergunta mesmo sabendo a resposta.
— Sim.
— Eu me chamo Nicholas, e… — diz ele coçando a cabeça. Isso já se tornou previsível, ele quer me chamar para sair. — Queria saber se está a fim de fazer alguma coisa um dia desses?
Hmm… e agora? Olho discretamente para o lado e vejo um Maxon com uma cara de poucos amigos, ele está com ciúmes, ou minimamente incomodado com o pedido do garoto, pois seu olhar matador está direcionado a ele. Não é certo, eu sei, mas eu quero provocá-lo. Agora que percebi que causo isso nele, vou me aproveitar e me vingar dessa raiva. Infelizmente Nicholas é quem se disponibilizou, mesmo que ele não saiba disso.
— Claro, porque não?
— Legal! Me passa seu número… assim combinamos algo outra hora com calma. — Ele me alcança seu celular.
— Aqui — devolvo o aparelho com meu número já salvo — vou ficar no aguardo. — Digo tentando parecer interessada nele.
Ele dá uma piscadela e vai em direção a sua mesa no fundo da sala. Nicholas é um gato também. Pele clara, cabelo preto, olhos escuros, atlético porém um pouco mais magro comparado a um loiro gostoso que estava soltando fumaça pelas ventas. Eu ria internamente ao analisar a expressão de Maxon que mirava a lousa vazia.
— Se sua intenção com isso era provocar o Maxon — cochicha Marlee no meu ouvido — saiba que conseguiu. Ele odeia o Nicholas. — Ela me olha balançando a cabeça com as sobrancelhas erguidas para dar mais ênfase ao que disse.
— Eu não sabia desse detalhe. — Disse, e eu não sabia mesmo, e não sei se isso é algo bom ou ruim.
— Mandou bem garota — Celeste vira para trás sussurrando — acertar na ferida, gostei.
— Mas porque esse ódio? — Fiquei curiosa.
— É por causa da Daphne…
— Bom dia turma! — Marlee ia continuar, mas a inconveniente da professora entra na sala interrompendo-a. — Preparei um trabalho que terão que fazer em dupla. São diversos temas relacionados ao conteúdo e vocês terão que apresentar junto com o experimento.
Ela fala sem dar brecha para Marlee continuar a contar o que aconteceu entre Maxon, Nicholas e essa tal de Daphne. Quem é ela? Seria uma ex? Será que Maxon gostava dela? Por que não gostei nada de saber da existência dessa garota? Estou com tantos questionamentos que nem ouvi a professora chamando minha atenção. Marlee teve que me cutucar.
— Senhorita America! — Exclama a professora Suzana já sem paciência.
— Desculpe, o que deseja?
— A senhorita fará dupla com o senhor Schreave. — Quem é senhor Schreave?
— Perdão, quem?
— Com Maxon Schreave senhorita America, francamente em!
Como assim? Dupla com Maxon? Como que isso aconteceu? O sobrenome é Schreave? Olho para ele mas o mesmo está escrevendo algo em seu caderno. Presto atenção e noto a professora fazendo sorteios de nomes. Agora eu entendi… as duplas são sorteadas e para minha sorte, caí com Maxon, ótimo.
— Não vou aceitar questionamentos de quem caiu com quem. O sorteio foi feito de forma justa e não podemos perder mais tempo. Se organizem. — Diz ela gesticulando com os dedos para sentarmos cada um com seu colega sorteado.
Marlee caiu com Carter, então ela apenas trocou de lugar com Maxon, fazia tempo que não ficava tão perto dele, seu perfume delicioso me embriaga de paixão. Recomponha-se America.
— Vou sortear os temas assim como as duplas, vocês terão duas semanas para realizar o relatório, montar a apresentação assim como o experimento. As aulas não serão cedidas para realizar a atividade, portanto, vocês terão que produzir em casa da forma que acharem melhor. Estarei sempre disponível para ajudar no que for preciso. Alguma dúvida?
Sim, eu tenho uma duvida, como vou me controlar ficando assim tão próxima de Maxon? Como não pular no pescoço dele tanto para beijá-lo quanto para matá-lo? Como?
— E então — ele se pronuncia — na minha ou na sua casa?
Se ele continuar me dando esses sorrisinhos esse trabalho não vai prestar.
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