Fomaríamos um Maravilhoso Nós
35 Calor em tempos de frio
Notas iniciais
— Graças a Deus! Graças a Deus te encontrei.
Aspen estava na nossa frente, se amparando na abertura do elevador evitando que as portas se fechassem. Seu semblante era de puro alívio e ao que parecia, ele estava aliviado em me encontrar ali.
Eu estava completamente confusa. O que Aspen estava fazendo aqui?
Num instante, uma chama se acende novamente, como já disse, qualquer mero sinal eu crio expectativa, e agora não foi diferente, afinal, para o que mais ele estaria aqui a minha procura?
— Ele apareceu? Maxon apareceu? Tem notícias dele? — minhas perguntas, soavam mais como súplicas.
Independente da tarde com Amberly ter servido como distração, não tinha como evitar. Maxon retorna com força nos meus pensamentos, me impedindo de raciocinar sobre qualquer outra coisa. Eu aguardava um sinal dele, qualquer pequeno sinal. Notei Amberly ao meu lado ficando alerta, ela também estava desesperada por notícias, principalmente depois que lhe contei o que houve.
— Não Meri — acho que deu para notar minha alma saindo do corpo — desculpa, não queria trazer falsas esperanças a vocês.
— Não tem que se desculpar querido — Amberly afagou seu ombro. — Aliás, faz tempo que não vejo você, como está? — graciosa como sempre, Amberly muda o assunto pedindo espaço para sairmos do elevador.
— Estou bem tia Amberly — Aspen sorri para ela e logo me encara, minha expressão não era das melhores, sem dúvidas.
— O que faz aqui Aspen? — não foi educado, mas eu queria saber.
— O que eu faço aqui? — ele repetiu minha pergunta, seu tom de voz era desafiador — acontecesse que a senhorita — ele aponta com dedo no meu colo, ali vinha sermão, já entendi — saiu cedo, sem deixar um recado, um aviso, sem levar o celular, deixando a noite cair e para piorar, deixando duas amigas que já são histéricas por natureza, ficarem mais histéricas ainda, para mim e o Carter se foder com elas, desculpe tia Amberly — ele lembrou que estamos ao lado de uma dama — então, a resposta para sua pergunta é: estou aqui, procurando por você.
— Receio que a culpa seja minha — Amberly interveio ao meu favor — America e eu nos encontramos e comecei a puxar assunto com ela sem nem perceber a hora passar…
— Não se culpe Amberly — eu a interrompi. Não deixaria ela se sentir culpada por me proporcionar um dia ao qual não tenho a semanas. — Foi ótimo passar essa tarde com você.
— Oh querida, eu também adorei — ela me abraçou — estou torcendo para fazermos isso mais vezes.
— Eu também — ela nem imagina o quanto desejo isso mesmo. Ela é tão… não sei nem usar uma palavra concreta para defini-la, acho que, a síntese de todas as coisas boas, é uma ótima forma de descrever Amberly.
— Bom, receio que você cuidará dela a partir de agora — ela se dirige a Aspen.
— Sim tia, fique tranquila que ela está em ótimas mãos — ele prontamente passa seu braço pelo meu ombro nos juntando — cuidarei muito bem dela.
— Acho bom.
Amberly após apertar a bochecha de Aspen, e me dar mais um abraço de despedida, sai pela porta de vidro que dá acesso a área externa me deixando com o coração apertado. Irei sentir saudades. Não sei quando nos veremos novamente ou se o destino nos dará outro encontro assim. Ela me amparou como ninguém, me deu o calor que eu tanto precisava nesse tempo de frio que venho passando.
— E então? — Aspen depois de um breve silêncio pergunta. — Vamos?
Ele ainda estava com o braço sobre meus ombros, e levemente me acariciou com sua mão. O simples gesto de Aspen me transportou para uma área segura, onde eu me permiti sorrir. No caminho para o seu carro, eu olhei para o céu, ele estava lindo, uma bela inspiração para um artista se perder no meio dos tons alaranjados, sombreados pelos enormes edifícios que compunham a cidade.
O pôr do sol em Angeles é lindo, e é pensando nisso que as lágrimas brotam enquanto entro no carro. Maxon e eu adorávamos apreciar o sol se pondo da vista do seu apartamento, o sol parecia tão quente quanto nosso abraço, nossos beijos e nossas promessas. Aqueles foram momentos maravilhosos, que jamais esquecerei, só não queria que lembrar desses momentos, fosse tão triste.
— Está tudo bem? — Nem percebi quando Aspen entrou batendo com força sua porta.
— Ah sim… está sim — tentei discretamente enxugar meus olhos.
— E eu sou um lápis de cor — sorri lhe dando um leve empurrão no braço — você fica linda sorrindo.
— E você calado — não é a primeira vez que Aspen vem com elogios constrangedores para me fazer sorrir. Já o ameacei de todas as formas a parar com isso, mas não adianta nada.
— Terá que aturar minha feiura então, pois pretendo falar bastante — revirei os olhos.
— Como sempre, não é?
— Hoje você está prestes a quebrar o recorde de patadas — se fez de ofendido.
— Desculpe, esqueci que você é como uma garotinha sensível.
— Você não perdoa… não perdoa — ri com o bico que ele fez.
Encarei meu amigo enquanto ele dava partida no carro. Aspen é uma pessoa incrível, seu sorriso além de lindo é contagiante. Dizer que me sinto bem ao seu lado é muito pouco, talvez me sinta assim por ele sempre insistir em tentar fazer com que eu esteja feliz nesses dias sombrios. Tenho que admirar seu esforço e dedicação, mas principalmente agradecer, pois posso dizer, que ele é o único que tem conseguido.
Mal entramos na avenida e estamos presos em um congestionamento horrível, que não vai nem para frente nem para trás. A noite já havia caído no céu, sendo ofuscada pelas luzes dos automóveis e dos prédios da cidade. A sinfonia ao nosso redor era apenas dos motores e de buzinas frenéticas implorando inútilmente para que o trânsito fluísse mais rápido. Aspen parecia mega incomodado ao meu lado.
— Eu odeio trânsito — desabafou.
— Acho que você não é o único — nos encaramos entediados. — Marlee e Celeste… elas estão muito chateadas? — toquei no nome das minhas amigas, lembrando do alarde que Aspen fez mais cedo sobre elas.
— Merda! — ele exclamou, levando sua mão para revirar o bolso traseiro da calça.
— O que foi? — o questionei por estranhar sua atitude repentina.
— Aqui — ele tirou meu celular do seu bolso.
Meus olhos se arregalaram, fiquei o dia todo sem ele, podia haver um recado, uma ligação. Maxon podia ter me respondido e eu fiquei a droga do dia todo sem tomar conta disso ou mandar algo.
— Tinha esquecido, mas antes… — Aspen maldosamente tira o celular do meu alcance quando desesperadamente tentei pega-lo — a primeira coisa que você fará é ligar para as histéricas das suas amigas — para ele falar assim, a coisa deve estar feia — sim. É exatamente isso que você está pensando — como mágico ele adivinhou meus pensamentos — Celeste ordenou que eu enfiasse esse celular você sabe onde assim que eu te encontrasse — acabei soltando um riso — e que depois te obrigasse a ligar para elas. Então faça isso.
Tive que engolir minha necessidade de abrir a caixa de mensagens que estava lotada. Aspen estava monitorando se eu ligava para minhas amigas, e não pude deixar de pensar em como aquilo era um completo exagero.
No entanto, me repreendi por pensar assim, afinal, eu não tenho estado maluca pelo mesmo motivo que elas? Um alguém importante para mim sumiu sem dar notícias. Portanto, é compreensível a preocupação delas visto que, não tenho tido muito amor próprio ultimamente.
Ligação on
— SAÍ! Deixa eu falar Marlee!
— NÃO! Eu vou falar!
Deus do céu! Eu estou fodida. Mal coloquei o celular no ouvido e as duas já estavam se matando do outro lado da linha.
— Você é uma pamonha, não vai saber falar do jeito certo — Celeste jogou na cara de Marlee.
Eu estava com o cenho franzido, agoniada pela discussão das duas. Aspen comprimia os lábios, claramente segurando o riso.
— Aah… quem vê você sabe falar — podia ver Marlee com os braços cruzados batendo o pé no chão aborrecida. — Quero ver então…
— Me DÊ isso aqui! — tive que afastar o autofalante do ouvido pelo enorme chiado que saiu dali.
— Oi meninas… — comecei para ser interrompida.
— Oi o caralho sua filha de uma puta dos infernos! Vagabunda escrota, sua vaca de duas tetas, sua mulambenta ordinária, sua vadia sem coração, sua mal agradecida comedora de capim!
Aspen pigarreou enquanto dirigia, mesmo eu abaixando o volume da ligação, até um surdo seria capaz de ouvir os insultos em forma de gritos vindos de Celeste para a minha pessoa.
— Isso não é falar sua idiota, me dê esse celular! — Com Marlee seria mais fácil as coisas — AMERICA! — Deus do céu! Temo ter ficado surda. — O que pensa que está fazendo sua infeliz desgraçada!? Quer nos matar do coração sua filhote de lombriga!? Onde estava!?
— Não, não, não, nããão… tem que xingar mais — pude ouvir Celeste no fundo da ligação, repreendendo Marlee por fazer perguntas, que para ela, ainda era cedo demais.
— Celeste, Marlee — tentei — meninas, parem de discutir e me escutem!
Aumentei o tom da voz com a esperança delas pararem de brigar por um espaço no telefone, mas não adiantou. As duas, como normalmente, discutiam entre elas mesmas sobre quem fazia as coisas direito. Segundos depois, Celeste toma definitivamente o celular, descendo ainda mais o nível dos seus insultos.
— Tá, tá, tá, já entendi, sou uma mal parida, um saco de lixo, e tudo mais que o que vocês quiserem.
— E É POUCO! — Tive que afastar mais uma vez o celular ou meu tímpano explodiria.
— Me desculpem, só saibam que eu estou bem…
— AINDA!
— Estou sã e salva… — interrompida — não morri e não tentei me matar.
— Mas tentou NOS matar não é sua chiuaua sarnenta?!
— Depois conversamos — dei sinal de encerrar a chamada, o que eu menos estava precisando era ser esculachada assim.
— Não se atreva a desligar America Singer! — Marlee ameaçou.
— Tchau, amo vocês — mais insultos — não se preocupem comigo.
— America! Se você desligar eu vou comer o seu c…
Tu, tu, tu…
Ligação off
— Não precisa dizer, eu sei… — interrompi Aspen assim que o vi encher a boca quando encerrei a ligação — eu estou fodida, elas vão me matar.
— É! — Ele confirmou junto com um aceno engraçado — você está muito fodida, elas vão te matar e você… — me encarou — merece.
— Olha pra frente! — dei tapinha em seu rosto para que ele prestasse atenção no trânsito — sorrindo assim até parece feliz com meu trágico futuro.
— Ninguém mandou você quase nos matar de susto.
— Não foi por querer — me defendi cruzando os braços.
No meio da ligação os carros começaram a andar, não rápido, mas dessa vez estava fluindo lentamente, parando hora ou outra por conta dos semáforos. Agora nesse meio tempo de espera para a chegada ao meu destino, minha desgraçada mente se sente liberta a voltar a pensar, e a primeira coisa que ela lembra é da minha caixa de mensagens cheia.
Mas ela está tão desgraçada ultimamente que se nega a abrí-la com medo de se frustrar. Eu tenho estado tão bem sem isso por perto, talvez Maxon nem esteja pensando em mim, e a prova disso é sua falta de consideração. Não quero abrir e ver que quem enviou alguma coisa foram apenas as minhas amigas ou alguém da família perguntando se irei jantar em casa hoje.
Prefiro ficar na expectativa de ter ou não uma mensagem dele. E para me distrair dessa tensão, eu tenho um ótimo amigo ao meu lado, que me faz bem, e que me quer bem.
— Como sabia que eu estava lá? — tantos assuntos para puxar e eu vou direto em algum que tem haver com ele.
Não adianta. Maxon está impregnado na minha mente, e acho que sempre será assim. Às vezes, me iludo ao lembrar de algo que li uma vez: dizem que quando você pensa muito em alguém, é porque essa pessoa também está pensando em você. Será verdade?
— Bom… — Aspen solta uma curta e deliciosa risada.
— O que? — Como eu disse, o riso dele é contagiante, então sorri também, curiosa com o que ele tem a dizer.
— Na verdade, eu não sabia, fui em sua casa primeiro.
— Na minha casa?! — medo de dona Magda ter atendido Aspen e ela descobrir que fiquei sem dar sinal de vida, me tomou.
A última vez que fiquei sem dar notícias, ela ficou sem falar comigo por semanas, além de me dar um castigo. Só voltamos a nos falar quando avisei que Maxon e eu estávamos namo…
Interrompo meu próprio pensamento, lembrando que o que temos ou tínhamos, é algo muito maior.
Mas agora, consigo apenas lamentar… quando finalmente tudo estava indo bem, isso acontece. Não consigo entender. Não consigo. E malditos sejam esses pensamentos horrendos que passam pela minha mente, deles juntos, felizes e rindo da minha cara.
Estou encarando e brincando com a linda aliança que Maxon deu a mim ao me pedir em namoro naquela noite mágica. O único brilhante incrustado no centro da circunferência reluzindo, mostrando o quanto ele significa para mim, me perguntando se Maxon ainda vê, ou se um dia viu, esse valor também.
Droga America! Por um segundo, para! Para de pensar nele!
— … depois de ser chutado por Marlee do apartamento…
A sensação que tive, foi que a voz de Aspen foi aumentando no meu ouvido a cada milésimo, como se antes tudo ao meu redor estivesse mudo e apenas meus pensamentos gritassem. Aspen sorria enquanto falava, terei que me contentar em ouvir sua história só pela metade.
— Eu fui direto para sua casa, foi o primeiro lugar que tivemos esperanças de você estar, e depois de praticamente ser assediado por sua irmã mais nova, minha intuição disse que você estaria lá.
— May te assediou?! — perguntei chocada, mas as gargalhadas foram espontâneas.
— Pareceu… e cara, eu fiquei assustado.
Mais risos da minha parte por ver que ele estava sendo sincero. Consigo imaginar perfeitamente aquela salafrária comendo Aspen com os olhos mordendo o canto da boca. Mas não é para menos, Aspen é imensamente atraente, não tem quem resista, e May não seria a primeira.
Ah mas não seria mesmo!
— Jamais pensei sentir medo de uma criança — acrescentou.
— Não a chame de criança se não quiser sentir medo de verdade — digo ao lembrar que May odeia ser comparada com seres sem raciocínio lógico, como ela costuma dizer.
Aspen continuou contando o abuso que sofreu com minha irmã, tirando altas risadas de ambos, porém, nossas risadas não duraram muito. Tenho certeza que se não fosse pelo cinto de segurança, minha cara estaria amassada no painel depois da freada que Aspen teve que dar.
— Filho da puta! — ele xingou o motorista da frente que freou repentinamente. — Você está bem? — ele fez uma longa análise do meu estado.
— Sim, estou sim — na verdade estava um pouco assustada.
— Você tem sorte de estar com um mestre piloto de fuga — revirei os olhos ao vê-lo inflar seu próprio ego.
— Não basta só piloto de fuga? Tem que ser mestre também? — questionei brincando.
— Fazer o que se domino a arte — gabou-se de queixo erguido.
— Não me pareceu que domina — desafiei.
— Aé… — seu orgulho agora ferido — deixe-me mostrar a você então…
— Aí, rapaz! — do nada um homem forte, mas muito forte com músculos trincando sua pele negra, aparece na janela do motorista intimando Aspen — vai ficar paquerando a garota ou arrancar a merda desse carro? Estou buzinando faz tempo para acelerar.
Olhei espantada para o carecão moreno por ameaçar Aspen comigo logo ali. À nossa frente, tinha uns cinquenta metros livres que nem percebemos que andou, mas esse moço não precisava ser tão grosseiro.
— Cl-claro, desculpe — tive que segurar o riso ao ver Aspen gaguejar para falar com o homem, que voltou para o seu carro satisfeito por cumprir sua meta de fazer um playboy mijar nas calças.
— Ual… o senhor mestre piloto de fulga se cagando de medo — tirei sarro, Aspen me mandou a merda apenas com o olhar. Gargalhei.
— Você viu o tamanho daquele cara? — Fiz que sim com a cabeça, mas fazendo questão de mostrar o quanto o achei covarde — O que esperava? Se eu o mandasse a merda, ele me mandava pra lua com um chute no cu — ri mais ainda.
— Isso foi impagável — de canto vi Aspen negar com a cabeça baixa e um sorriso tímido nos lábios. — essa eu vou lembrar para o resto da minha vida.
— Que bom que isso diverte alguém — ele se referia a mim, mas estava sendo um hipócrita, porque ele também se divertia — mas você me paga, vai ver…
— Não seja dramático! — belisquei sua bochecha, rindo.
Acho que nunca passei tanto tempo sozinha com Aspen, e esse tempo, comprova ainda mais o quanto ele é um cara incrível, além de um ótimo amigo. Estou tão distraída e absorta dos meus problemas com nossos assuntos aleatórios que não fazem sentido algum, que eu não desejaria estar em qualquer outro lugar.
— Grr… parece que não vamos chegar nunca! — reclamei mais uma vez ao perceber que estávamos parados, com a visão da avenida congestionada à frente. — Quanto mais demoramos aqui, mais Celeste e Marlee vão me infernizar, e sinceramente, não estou afim disso hoje! — bufei frustrada. — Olha! Já estão até antecipando! — Virei a tela do meu celular para mostrar a Aspen o nome de Marlee escancarado enquanto ela me ligava e eu encerrava a chamada.
— Quer saber? — o olhei, ele tinha um sorriso travesso no rosto, que eu não gostei nenhum um pouco — não precisamos ouvir sermões… não hoje pelo menos.
— O que quer… Aspen! — gritei seu nome quando o maluco arrancou fazendo os pneus cantarem virando na rua à nossa direita, deixando a avenida congestionada para trás — Deus do céu! Vai mais devagar.
— Chegou a hora de lhe mostrar minhas habilidades Singer — Aspen acelerou. A rua era estreita e aquilo me deu medo.
Tudo ao lado passava como um borrão, não sei em que momento eu agarrei a manga de sua camiseta, a puxando como se minha vida dependesse daquilo, talvez por que realmente minha vida poderia acabar em milésimos na velocidade que estávamos.
— Deixa de ser exibido! — infeliz acelerou mais. — Aspen! — tentei alertar, vendo que estávamos próximo do cruzamento — Aspen, por Deus!
Para o meu azar, todas as rezas pareciam ter sumido da minha cabeça para dar espaço aos mais diversos xingamentos. Me agarrando agora ao teto e ao apoio da porta, eu exclamava mentalmente um puta que pariu pois eu tinha certeza que, ou eu sairia dessa com ossos quebrados, ou daria um olá aos meus entes queridos que já se foram.
— Aaaaaaahh! — Foi o berro mais sincero que um dia saiu da minha garganta quando ao chegar a esquina, o idiota fez o carro girar na pista, com direito a fumaça saindo dos pneus — VOCÊ É MALUCO OU QUE?!
— Relaxa Meri — imbecil ria da minha cara — não disse que você está com o mestre?
— Idiota! — o xinguei dando-lhe sequências de tapas. Não estava contando com altas doses de adrenalina hoje.
— Ai, ai — sentando o pé no acelerador em uma infeliz estrada reta, ele eleva seu antebraço na altura do rosto defendendo-se dos meus golpes.
— Para onde estamos indo? — perguntei assim que desisti de acertá-lo e entendi que não estávamos mais na rota para a casa de Celeste.
— Sei lá… — deu de ombros. — Lembro-me de já ter dito que você tem uma raquete em vez de mãos — Aspen afagava seu braço que agora guiava o volante e foi meu alvo de desabafo do susto que levei.
— Da próxima, será muito pior se ousar pensar nessa gracinha outra vez — ameacei.
Mas devo admitir que agora tudo pareceu muito divertido, a adrenalina bombeando no meu sangue, nunca me senti tão viva. Mas não deixaria Aspen saber disso.
— Mas agora é sério — me endireitei no banco — para onde está nos levando?
— Vamos parar na primeira barraquinha suspeita que oferece deliciosos lanches de procedência duvidosa — disse confiante.
— Não sei se quero — comentei não tão animada com a ideia — não estou com fome.
— Foda-se. Eu tô… e é isso que importa — mas que… que… filho da mãe.
— Estou impressionada com seu cavalheirismo, Sir Mestre Piloto de Fuga — zombei após ser desmerecida.
— Os cavalheiros estão a sete palmos debaixo da terra milady, já devem até ter virado petróleo — rebateu com a língua afiada esse abusado. — Quer parar de dar tapas na minha cara!? — protestou quando novamente o fiz olhar para frente com um tapinha no rosto.
Aspen me deixava nervosa me encarando enquanto dirigia. Primeiro pela nossa segurança que ficava em risco, segundo que, aqueles belos olhos verdes mexiam comigo. Eu tinha que desviar de alguma forma.
— Deixou uma barraquinha de procedência duvidosa passar por não prestar atenção, Sir bunda mole — eu jamais esquecerei que Aspen tremeu as pernas de medo pelo homem que o intimou.
— Merda! — esbravejou.
— Olha pra frente! — lhe dei outro tapa por estar acelerando com a cabeça virada para trás.
— Quer parar com isso? — perguntou rindo, para logo depois, frear bruscamente fazendo meu coração disparar.
— Cacete Aspen! Não sabe dirigir?! — indaguei ajeitando o rabo do meu cabelo que se desconcertou — O-o que está fazendo? Que merda está fazendo?! Aspen! Aspeen!! — Berrei quando sem aviso, o mal amado deu marcha ré e começou a acelerar com tudo na contramão.
A sensação de andar para trás em alta velocidade, não é nada, nem um pouco legal.
— Eu quero ir naquela barraquinha — ele disse calmamente, seu corpo virado para trás, o cotovelo apoiado no encosto da cabeça de seu assento.
— Tá, mas não pode dar a volta na quadra? Ou em uma entrada? — meus olhos estavam apertados, se recusando a abrir, apenas esperando o choque com algum outro carro por esse irresponsável estar a setenta quilômetros por hora em marcha ré!!
Novamente aquela sensação amargamente deliciosa de adrenalina, eu senti medo a semana inteira, um medo ruim e devastador, muito diferente desse que me faz querer gritar, rir, gargalhar, mesmo com a chance iminente de dar muita merda.
E como uma profecia, a merda veio junto com um estouro ecoando pelos meus ouvidos.
Eu já esperava, mas não esperava.
— Porra! — quase nem ouvi o protesto de Aspen por estar tapando meus ouvidos. Tambem não vi quando ele desceu depressa do carro me deixando sozinha lá dentro imaginando o pior.
Ótimo! Era só isso que me faltava, ser cumplice em um assassinato. Não está acontecendo coisas o suficiente na minha vida. Claro que não. Bora aceitar carona de um ser que não vê limites e acompanhá-lo no xilindró.
Mas talvez desse tempo de fugir, nessa rua não havia uma alma penada sequer. Os comércios ali presentes já estavam todos fechados com suas vitrines apagadas, tudo era um breu, as luzes focais dos postes não eram suficientes para iluminar o local. Ao meu lado direito, tinha uma praça enorme, também apagada, poderíamos desovar o corpo próximo a um hospital e ficaria tudo bem.
Deus do céu, me perdoe. Que absurdo. Que absurdo estou pensando.
— Aí! Você atropelou minha cadeira — fiz cara de quem não entendeu nem de quem era a voz, e nem do que essa voz falava.
— Foi mal cara, eu pago por ela — era o Aspen.
Rápido, eu me virei para a janela tentando entender o ocorrido. Como obviamente não era possível ver nada dali, desci do carro, a alma voltando para o corpo por perceber que nada grave havia acontecido.
Logo me localizei, tínhamos chegado na barraquinha que Aspen, determinado, tanto queria parar para comer. Pintada em listras vermelhas e brancas, a barraquinha, era o ponto mais bem iluminado daquela rua deserta, e sem dúvidas, o mais suspeito. Podia jurar ver névoas flutuando entre as árvores da praça, dando um visual sinistro a barraquinha, que logo vi ser de cachorro-quente.
— Eae… — Aspen apareceu na minha frente, sorrindo como se nada houvesse acontecido.
— Viu só… — meu lado irônico estava no modo on — atropelou a pobre cadeira, em outras palavras, você é um péssimo motorista.
— Pobre do meu carro! Isso sim! — Aspen exclamou, alisando a traseira lamentavelmente amassada de sua bmw — e eu não sou um péssimo motorista, a cadeira estava no meu ponto cego.
— Ah claro — esbravejei rindo — a culpa é da cadeira.
— Com certeza, ela não deveria estar na rua e sim na calçada — Aspen constatou encarando o moço dono da barraca.
— Só por causa disso vou cobrar duzentos dólares por ela — o moço que agora cuidava dos preparos comentou após sentir a acusação jogada no ar.
— Combinamos cem, e será isso — o moço riu baixo. — Pedi um completo para você, e não venha reclamar, vai comer de boca fechada e se não aguentar eu como o resto — sem me dar chances de protestar, aceitei meu destino.
A noite estava com uma brisa gelada, fazendo minha pele eriçar. Eu ainda estava vestida com o conjunto de atividade física que furtei de Celeste, então não tinha muita proteção nas costas e nos braços. Aspen, sendo um fofo quando quer, foi até seu carro buscar uma jaqueta para me aquecer, a qual, aceitei de bom grado.
Além de um pouco fria, a noite em si também estava linda, e eu não podia estar melhor acompanhada, não só pelo Aspen, mas também pelo moço da barraquinha que adorava contar piadas. Tirando o fato da nossa mesa de boteco de quinta estar completamente engordurada, eu estava me divertindo a beça com aqueles dois.
Como já esperado, não consegui comer nem um terço direito do meu lanche, e Aspen não poderia estar mais grato por isso. Ele se deliciava com aquela mistureba gordurenta.
— Espera — segurei seu queixo — você parece uma criança que não sabe comer — disse limpando com um guardanapo de péssima qualidade o seu queixo, nariz e os cantos da boca.
— Obrigado — falou de boca cheia, seu sorrisinho fechado me fez rir. Ele estava patético.
— Vocês formam um belo casal — engasguei com o comentário.
— Não Raymond — Aspen rapidamente contrariou o dono da barraca tentando engolir o que mastigava — nós somos apenas amigos.
Eu sorria sem graça, me recuperando do meu engasgamento. Raymond, esse era o nome dele, não tinha como saber que não tinha nada demais entre mim e Aspen além da amizade.
— Bom… — o moço se prepara para corrigir — então, vocês formariam um belo casal.
Raymond não ajudou. Ele só fodeu com o clima. Foi isso o que eu pensei até criar coragem de olhar na cara de Aspen para ver sua reação, onde logo encontrei seu olhar vidrado em mim, e nossa reação diante do encontro, considerei que não podia ter sido outra. Caímos no riso.
— Não — Aspen ria enquanto falava, eu o acompanhava e Raymond não tinha expressão — definitivamente não meu caro amigo.
— Vocês são dois… — interrompido.
— Aí! Raymond! — um homem, que avistei saindo das árvores da praça da as caras. — Eae mano, está com o meu pacote? — engoli em seco quando o homem, muito mal encarado, me olhou dos pés à cabeça.
— Aspen — sussurrei segurando seu braço — estou com medo.
Não era para menos. Aquele homem surgiu do nada e guardava nos bolsos internos quatro pacotes embalados a vácuo que Raymond o entregava. Não precisava ser muito inteligente para entender que eram drogas.
— Vamos embora — Aspen segurou minha mão, mas eu estava imóvel, morrendo de medo de me movimentar assim que o homem ajeitou sua jaqueta dando um vislumbre de uma arma presa em sua cintura. — Meri — Aspen chamou.
— Está com uma excelente freguesia hoje, Raymond — me senti sendo engolida por aquele homem asqueroso.
Aspen que ainda segurava minha mão, apertou ela com tanta força que precisei alongar meus dedos entre aquela tensão.
— Já pode ir Karl — não sabia se era uma boa ideia expulsar um possível traficante armado, mas acho que funcionou, o homem me lançou um piscadela e se enfiou no meio da praça escura e com sorte, nunca mais o verei na vida — desculpem por isso.
— Tudo bem Raymond — Aspen com a mandíbula trincada falou — nós já estávamos indo mesmo.
Nossa despedida ao novo amigo, que certamente não é mais amigo, foi rápida, não caiu a ficha de que o simpático Raymond era um fornecedor de cocaína. Bem que achei o lugar suspeito.
Aspen pareceu ficar muito incomodado com o ocorrido, visto que ele está em silêncio agora, muito diferente da matraca de antes, até brinquei para aliviar o clima o julgando pelo lugar que ele decidiu me levar, mas não pareceu funcionar muito bem.
— Me fala uma coisa legal — pedi assim que senti meu nível de ansiedade aumentando.
— Tipo o que? — Aspen não estava tão animado.
— Sei lá — dei de ombros — qualquer coisa — ele pareceu pensar.
— Eu tenho um furão — soltou.
— Você tem um furão? — pedi para ele confirmar, aquilo era mais que legal.
— Sim — sorriu.
— Não acredito Aspen! — esbravejei — como eu nunca soube disso?
— Talvez porque você nunca perguntou.
— Que legal! Um dia você me mostra? — eu parecia uma criança animada com um presente de natal.
— Gostaria de conhecê-lo?
— Claro! — faltou bater palminhas depois do meu salto no banco, animada com a ideia.
— Então vamos lá — franzi o cenho confusa.
— Você diz agora? Ir conhecê-lo agora?
— Sim — falou tranquilo — ou você prefere ir enfrentar Marlee e Celeste?
Me dei uns instantes para pensar. Eu sei que minhas amigas estão roendo os dedos com minha demora, sei que estão preocupadas, meu celular no bolso não para de vibrar com mensagens delas, mas no fundo eu sei que voltar para lá, será o mesmo que voltar a sentir dor. Eu sei que uma hora terei que enfrentar tudo de novo, mas agora… agora está tudo normal. Eu posso adiar minhas preocupações, só mais um pouquinho.
— Estou ansiosa para conhecer seu furão, ele tem nome?
[...]
— Esse é o Jack.
Aspen me entregou o que eu poderia definir como um pequeno tornado peludo, travesso e muito curioso. Jack farejava meu rosto e logo se agarrou em minhas roupas, fazendo-me cócegas com suas patinhas ágeis correndo pelos meus ombros.
— Ai Aspen, me ajuda — pedi rindo quando Jack se pendurou em minha cabeça.
— Calma — rindo também, Aspen o tirou de lá — ele é muito enérgico, e gostou de você.
O bichinho queria a todo custo me farejar, não sei se realmente ele tinha gostado de mim, ou se ele estava incomodado de alguém novo invadir seu território. Contudo, não tinha como negar, ele é uma fofura.
— Aspen — chamei preocupada com Jack no colo — o que houve com o olhinho dele?
— Adotei ele assim — Aspen sorriu fraco para mim descalçando seu tênis.
Jack não tinha um dos olhos, provavelmente ferido quando era pequeno, o que com certeza o torna mais especial.
— Por isso ele se chama Jack, em homenagem ao pirata, note que ele tem um tapa olho.
Tive que rir, era muita fofura para não ter reação nenhuma. Os pelos de Jack são uma mescla entre branco e marrom, e agora entendi o que Aspen quis dizer, ele tinha uma manchinha marrom em torno de seu olhinho ferido, lembrando um tapa olho.
— Adorei o conceito — falei sorrindo abertamente, acariciando as costinhas felpudas de Jack — apesar do Jack Sparrow original não ser caolho.
— Não seja chata — Aspen me censurou, mas seu tom era brincalhão.
Enquanto esperava Aspen terminar seu banho, eu e o seu furão ficamos explorando seu quarto. Aspen não era muito organizado, sua cama estava desarrumada assim como sua escrivaninha cheia de cadernos e canetas espalhados. Uma estante cobria uma parede inteira e lá tinha dos mais diversos objetos, mas o que recebia um cuidado especial, sem dúvidas, eram seus troféus de campeonatos de futebol.
— Dando uma de enxerida é?
Rápida como um beija-flor, soltei a abertura de uma caixinha que não tinha nada dentro, mesmo que não houvesse com o que me sentir culpada de ver ali, o susto bateu, porque tudo que se está guardado em sigilo, tem um motivo para não ser revelado. E eu lá enfiando o nariz.
— Fica tranquila — ri de nervoso. De qualquer forma, eu não deveria estar mexendo nas coisas dele.
— Jack está…
Eu sei que eu namoro, apesar do meu namoro não estar indo tão bem, e ele namora minha melhor amiga, mas… não dá, não dá para negar que Aspen é um pedaço de mal caminho, principalmente quando ele aparece na minha frente sem camisa e com o cabelo úmido. Não dá!
Engoli em seco, paralisada com a obra na minha frente. Aspen estava disperso aos meus olhares involuntários sobre ele. Digo involuntário porque não queria estar olhando, mas seu corpo parecia um ímã para os meus olhos, que analisavam o material com veemência.
— Está? — ele interrompe meu momento de admiração vestindo a camisa.
— Está enfiado naquela toca, acho que ele cansou — sorri nervosa por ainda ter a bela imagem do seu abdômen definido cravada na minha mente.
— Sim, provavelmente, é onde ele dorme — confirmou penteando o cabelo com os dedos. Deus do céu! — Meri eu só vou escovar os dentes e podemos ir, ok?
— Claro — falei aliviada por ele sair do meu ponto de vista.
Não é que eu esteja me derretendo pelo Aspen, jamais faria isso. Mas não tem como não ficar balançada com um garoto lindo na sua frente. Agora, buscando formas de me distrair já que ele está demorando mais do que imaginava, volto a olhar seu quarto, mas de uma forma menos invasiva como antes.
Era interessante conhecer um pouco dos gostos de Aspen, havia coisas de sua personalidade muito nítidas ali, estava adorando ver tudo isso até… pousar meus olhos em uma prateleira de fotografias.
Enchi meus pulmões com ar, inutilmente achando que respirar fundo controlaria qualquer sensação, que controlaria as lágrimas que acusavam despencar dos meus olhos, que controlaria toda aquela tristeza, medo, angustia e principalmente, aquela saudade assim que vi a imagem sorridente do amor da minha vida ali, emoldurada em porta retrato.
Eu passei dias vagando por fotos no meu celular de nós dois, mas depois de um tempo, fazer isso começou a doer, então parei. Mas agora, ali estava ele, meu Maxon, naquela fotografia abraçado a Aspen, vestidos em seus uniformes do time do colégio, mega felizes por alguma vitória. Ele estava lindo, como sempre foi.
Eu sentia a saudade rasgando meu peito, e o pior, sentia que havia esquecido como era o seu sorriso, seu olhar, seu cheiro, seu rosto. Faz tanto tempo que estamos separados que estou sentindo como se estivesse esquecendo dele. E eu não queria isso, não queria.
— Ah meu amor — comecei a chorar.
Agora não tinha o que fazer, foi bom ter um dia de paz, mas agora acabou minha cota. Era ele, só ele na minha mente e tudo mais de horrível que minha cabeça veio maquinando a seu respeito. Minha vontade era me jogar nesse chão e sucumbir à tristeza, ao amor que sinto por ele. E eu ia fazer isso, se não ouvisse meu nome ser chamado.
— America?
— Aspen — saiu como um sopro sem vida.
Ele sabia, Aspen sabia que o meu eu, que vive por aquele idiota que sumiu, voltou a se apoçar do meu corpo. E agradeço por Aspen estar ali para me amparar, pois como nunca, ter a imagem clara de Maxon na minha frente me quebrou.
— Por favor, não chora — me enterrei mais junto do abraço caloroso dele.
— Po-porque ele fez isso Aspen? — senti sua mão afagar meu cabelo, sei que era para me acalmar, pois ele não sabia ou não queria me explicar, e isso acaba comigo. Acaba! — Eu o amo tanto, tanto, e ele dizia que me amava também.
— Ele ama você, Meri.
— Mas então porque?! — perguntei com os dentes cerrados.
— Tudo vai se esclarecer, minha linda — senti um arrepio — você vai ver.
De olhos fechados, eu me entreguei ao calor do seu corpo, e ao calor de suas palavras. Minha linda, ouvi-lo me chamar assim é ao mesmo tempo de outro mundo, e tão, familiar…
Sorri de lado, pelo aconchego e pela segurança que senti em seus braços. Em instantes, me pego sentindo o cheiro do seu perfume, forte e masculino, como eu tanto adoro. A pele quente do seu pescoço é apelativa para os meus lábios que começou a escorregar por ele, vendo sua pele eriçar e me fazendo sorrir por isso.
Ali, nós já estamos envolvidos com toques suaves. Sua mão em minha cintura e a minha em seus braços fortes. Nossas respirações se conversam, e de olhos fechados umedeço meus lábios que já roçavam nos dele, ansiosa pela união. Suas mãos sobem pelas minhas costas pousando na minha nuca. Sinto seu peito inflando, ambos ofegantes pelo que ainda não aconteceu, e que eu tanto preciso que aconteça.
Afinal, todo mundo precisa de um pouco de calor, em tempos de frio…
Deixando a ansiedade vencer, uno meus lábios no dele, e a melhor coisa foi ser correspondida. Nossas línguas trabalhavam em uma sincronia maravilhosa, nossas mãos percorriam cada canto que alcançavam. Nossa necessidade de um pelo outro está se intensificando cada vez mais. Agradeci o ar que faltou fazendo-o descer seus beijos molhados para o meu pescoço. Me deleitando, me dando prazer. Eu estava amando.
Agarrei a bainha de sua camisa e a fiz voar longe pelo quarto, feliz por agora sentir sua pele. Tudo melhorou quando ele arrancou meu top, meus seios sendo oprimidos pelo peito esculpido dele, assim como ele oprimia meus lábios no seu. Sorri quando com pressa, sem largar um do outro, caímos na cama, me arrepiando com sua língua brincando no meu mamilo sensível e sua mão fogosa apertando meu seio direito. Eu senti tanta falta disso.
— Ah Max — gemi manhosa com as maravilhas que ele estava me fazendo sentir, mas parou, e assim que percebi o porque, o fogo que se espalhava pelo meu sangue, congelou.
— Merda! — ele esbravejou com o rosto entre meus seios.
— Meu Deus! Aspen!
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