Respiração descompassada, pupilas dilatadas e moleza nas pernas é meu atual estado nesse momento. Uma vez mencionei nos meus pensamentos que pagaria o que fosse para ver Maxon sem camisa, e definitivamente não retiro o que disse. A única coisa que queria nesse momento é que nossa relação estivesse em um estado melhor. Pois minha vontade é de mandar qualquer pingo de educação para a puta que pariu e ir para cima dele.

Maxon é incrivelmente atraente, por mais que eu quisesse, seria impossível não reparar descaradamente no seu abdômen e peitoral extremamente fortes e definidos, seus braços me fazem imaginar coisas indevidas como eles envolta da minha cintura, me agarrando com força enquanto nossos lábios se desmontam um no outro. O que tem na minha frente não é apenas um cara gostoso, mas um pedaço de mal caminho, uma tentação irresistível, eu me entregaria agora para ele, sem dúvidas.

Calma… America, olha o que está pensando. Minha consciência me obriga a sair do meu devaneio. O tempo que passei admirando ele a minha frente deve ter sido apenas alguns segundos, que para mim, pareceram alguns minutos. Mas foram o suficiente para ficar estranho duas pessoas paradas na porta de entrada sem trocar nenhuma palavra. Meu olhar meio relutante a parar de mirar aquela obra de arte, se encontra com os encantadores olhos castanhos.

Maxon tinha suas pupilas dilatadas, porém um sorriso divertido no rosto. Eu devia estar parecendo uma idiota praticamente babando por ele e ele percebeu. Parabéns America.

— Oi — ele diz finalmente.

— Oi — tentei cumprimenta-lo com dignidade na voz, mas sei que meu rosto estava mais vermelho do que nunca.

— Admirando a vista? — Ele tenta olhar para si mesmo indicando seu corpo delicioso. Eu definitivamente não sabia onde enfiar a cara. Não tinha uma resposta para isso. Ele me olha com um sorriso muito satisfeito, aguardando minha fala.

— Na verdade — limpo a garganta, tentando disfarçar meu constrangimento — estou esperando você me convidar para entrar. — Lanço-lhe um sorriso forçado.

Ele pareceu se tocar que a cena que estávamos fazendo em sua porta estava beirando o ridículo. Mas algo me diz que eu não era a única que tinha parado para observar o que estava a frente, pois Maxon mesmo querendo disfarçar, descia seu olhar para meu colo e minhas pernas que estavam totalmente expostas. Sorri internamente com isso, não era só ele que estava tentador naquele momento, apesar que não era minha intenção parecer tentadora, foi totalmente sem querer. Só não sei se é bom nós demonstrarmos assim na cara dura o desejo que temos um pelo outro.

— Sim claro… entre — Ele abre espaço e estende o braço me direcionando para dentro — pode ficar à vontade.

— Obrigada… — passo por ele, e mais uma vez a ideia de mandar a educação a merda passa pela minha cabeça. Meu braço encosta na sua pele quente e sinto o cheiro do seu perfume masculino, meu juízo estava na reserva, conto com esse resto até o fim desse trabalho.

Assim que passo pelo hall de entrada, não deixo de apreciar seu apartamento. De primeira mão, se vê a cozinha, sala de jantar e estar integradas. O espaço é amplo e exala masculinidade, com uma decoração moderna e minimalista. Tons de cinza e preto predominam no ambiente, refletindo um gosto sofisticado. Conforme vou adentrando, noto um corredor com quatro portas, onde provavelmente são os quartos e banheiro. Por um breve momento, me vem a vontade de conhecer o quarto do Maxon.

Se quiser entrar um pouco no meu mundo é só invadir o meu quarto. Ele é o reflexo dos meus pensamentos e dos meus gostos. Por mais que seja um cômodo, sempre considerei meu quarto como parte da minha intimidade. Pois lá é meu cantinho, lá eu dedico um pouco de mim. E adoraria conhecer um pouco da privacidade dele. Dou mais uma olhada ao redor e noto como tudo parece milimetricamente posicionado.

— Ual… não sabia que você era tão organizado. — Digo pegando um livro que estava disposto acima de outros três na mesa de apoio ao lado do seu sofá.

— Gosto das coisas em ordem… — ele fecha a porta atrás de si. Porque fui olhar para ele… porque fui olhar para ele!? Maxon se aproxima de uma forma extremamente sexy tentando ajeitar seu cabelo úmido. Devolvo rapidamente o livro onde estava e me direciono à mesa circular que fica entre o sofá e a ilha da cozinha.

— Seu apartamento é muito bonito. — Noto Maxon ajustar o livro que peguei e devolvi de qualquer jeito.

— Valeu… — ele direciona seu olhar a mim — você está linda. — Um sorriso de lado surge em seu lábio. Abaixo a cabeça um pouco envergonhada, não queria me encontrar com ele naquele estado.

— Desculpa aparecer assim — aponto para minha roupa — estava na casa da Celeste ensaiando. Saí de lá correndo e esquecendo minhas roupas, acredita?

— Acredito… e acredite… não me incomodo nem um pouco… — ele sorri mordendo o canto da boca. Ele não perde uma. Admito que fiquei feliz e o sorriso escapou.

— Pode parar — o repreendo colocando minha bolsa em cima da mesa onde provavelmente iríamos fazer o trabalho — vim aqui para começarmos esse trabalho, sem provocações, Ok?

— Mas eu não estou provocando — ele anda até a mesa — só disse a verdade, gostei da sua roupa. — Maxon me olha de cima a baixo, sinto meu rosto queimar.

— Ok… — preciso mudar de assunto e focar no que vim fazer aqui. O que fica muito difícil com ele parcialmente despido na minha frente. — Você não está com frio não? — Fico na esperança dele entender o que quero dizer. Por mais que eu esteja adorando a vista, não quero perder o controle. Preciso manter minha dignidade.

— Na verdade não… — ele puxa a cadeira para se sentar — estou com mais calor do que nunca, acredita? — seu olhar safado me mira. Tento me manter séria e não demonstrar que estou me divertindo com aquilo… por mais que no fundo eu esteja chateada com Maxon, eu adoro seus flertes. — Tudo bem… senta aí, vou buscar uma camisa.

Ele vai em direção ao corredor. Me culpo eternamente, mas é mais forte que eu a necessidade de olhar para suas costas largas, e sua bunda. E que bunda! Mordo meu lábio apreciando até que ele abre uma porta e some da minha vista. Voltando a realidade, retiro meu laptop da bolsa junto com meu caderno. Busco o roteiro do nosso trabalho, estudando tudo que precisaríamos fazer. Maxon não demora a voltar vestindo uma camiseta branca.

— Quer beber alguma coisa? —Ele passa pela minha frente indo direto para a geladeira.

— Uma água seria ótimo. — Digo ainda concentrada no roteiro. Ele diz um ok quase inaudível e logo vem se sentar ao meu lado trazendo minha água.

— Ja tem uma ideia de como vamos fazer isso? — Nego com a cabeça. É a primeira vez que paro para analisar com atenção o que temos que fazer — pelo que vi, achei um pouco complicado. — Fiquei surpresa por ele ter parado para estudar o tema. Tinha certeza que tomaria conta desse trabalho sozinha.

— Pois é, também estou achando — talvez eu esteja quase me desesperando, nosso tema é quimioluminescência, temos que fazer uma solução química que produz luz, eu não faço a menor ideia de como fazer isso, sou um desastre em química. — Vamos ter que pesquisar bastante — ele assente.

— Acho que nesse primeiro momento podemos colher o máximo de informações que pudermos sobre esse assunto e depois buscamos exemplos práticos. — Apenas concordo.

Não sei quanto tempo passamos estudando o tema, anotando informações, compartilhando pesquisas, comentando o assunto e vendo exemplos. Achei que seria difícil trabalhar com Maxon, mas a verdade é que formamos uma ótima dupla. Nos ajudamos bastante e esse tempo foi muito produtivo. Eu já imaginava que não terminaríamos isso hoje, afinal temos que fazer testes no laboratório para anotar no nosso relatório.

Enquanto eu abaixava a tela do meu laptop, um trovão estrondoso estremeceu o céu, sacudindo o ar ao meu redor. Num reflexo instintivo, soltei um grito. Foi apenas nesse momento que percebi o som ensurdecedor da chuva intensa que caía lá fora.

— Minha nossa! — Coloco as mãos no peito — que susto!

— Percebi que se assustou… você está bem? — Ele toca meu braço. Não entendo como um simples toque me faz estremecer mais do que o trovão que acabara de ecoar.

— Estou sim — sorrio sem graça — está ouvindo a chuva? Parece que está caindo o mundo lá fora. — Me viro em busca de alguma janela, e por incrível que pareça, não achei nenhuma. E me lembro de ver que seu prédio era mais coberto de vidro do que de concreto.

— Realmente, a chuva está bem forte. — Nesse momento Maxon apanha um controle e aperta um dos botões.

Era evidente que haveria alguma janela em algum canto, mas eu não esperava encontrar uma parede inteira de vidro assim que as persianas começam a se encolher. O que se revela à minha frente é uma das vistas mais deslumbrantes que já testemunhei. Dali, contempla-se uma vasta extensão do território de Angeles, os veículos frenéticos que cortam as ruas, os postes e os prédios que iluminam a cidade. Fico maravilhada com a beleza da paisagem urbana. No entanto, o que realmente rouba a cena e se torna a protagonista indiscutível desse cenário é a chuva, caindo com intensidade do céu.

Maxon deve ter notado o quanto estava extasiada por aquela revelação, pois quando o olhei, ele sorria para mim. Até cheguei a pensar que ele guardou isso como uma surpresa, se essa era a intenção, ele já pode se sentir vitorioso, porque fiquei realmente surpresa. Aquilo era lindo. Não me cansaria nunca de vislumbrar aquela paisagem. Imagina como o pôr do sol deve ser belo visto daqui.

Aquilo despertou algo em mim. Eu apenas queria deixar para trás nossos desentendimentos, ignorar o fato de que ele beijou outra pessoa, e o receio de que tudo podia ser só curtição. Nossa conexão através do olhar é tão profunda, uma forma de comunicação que transcende as palavras. Sentia um desejo irresistível de estar mais próximo dele, e percebia que ele compartilhava desse sentimento quando, de maneira involuntária, nossas respirações se encontraram. Meu olhar vagava sem querer até seus lábios, vendo-os entreabrir-se várias vezes, como se ele quisesse dizer algo mas hesitava em fazê-lo.

— America… — Maxon sussurra parecendo não ter força na voz. Seu olhar assim como o meu se revezava entre meus lábios e os meus olhos. A camada de ar entre nós era cada vez menor. Eu não sei como chegamos nessa situação.

— Maxon… — Minha voz saiu tão inaudível quanto a dele. Estou tão concentrada no calor do momento que esqueci a tempestade tenebrosa lá fora. Sinto a mão dele tocar minha cintura e isso foi o auge, não me demoraria mais a nos juntar em um beijo ardente se não fosse pelo toque irritante do meu celular.

Aquilo nos fez se afastarmos rapidamente como se tivéssemos levado um choque. Fiquei atordoada e sem reação, assim como ele. Mas o toque era insistente e vi que era dona Magda ligando. Engoli em seco, ainda sentindo a adrenalina no corpo e então atendi.

Ligação on

— Oi mãe.

— America, filha, oi — ela parecia preocupada.

— Está tudo bem mãe? — A adrenalina passa dando brecha ao medo de algo ter acontecido.

— Sim querida, está tudo bem… — respiro de alívio. Maxon mexia em seu celular parecendo desgovernado. — Como anda o trabalho? — Porque ela quer saber disso agora?

— Vai bem mãe — não posso esquecer do detalhe que disse a ela que estava fazendo com Celeste — adiantamos algumas coisas mas estamos longe de finalizar.

— Que bom filha, ao menos já fizeram algo… — ok, ela queria pedir algo mas estava incomodada.

— Precisa de alguma coisa? — Pergunto logo para acabar a enrolação.

— Na verdade, sim querida… — bufo irritada, o que ela queria agora?

— Pois então diga logo! — Paciência estava em falta.

— Acha que a mãe de Celeste se incomodaria de você dormir aí? — Oi?

— Como é? — Levanto num pulo da cadeira, Maxon passa a me olhar, tento desviar dele indo até a janela onde a chuva desabava e relâmpagos iluminavam o céu — Porque? Qual o problema? — já estava exaltada nesse momento. Mal sabe ela que não era na casa de Celeste que ela estava me pedindo para ficar.

— Filha é que não tem como você voltar para casa, primeiro pela chuva, que nunca vi igual — ela tinha razão, estava muito perigoso dirigir com esse tempo — segundo, todo nosso quarteirão está inundado. — Levei as mãos a boca.

— Caramba mãe, sério?

— Sim America, por sorte a garagem subterrânea tem um bom sistema de drenagem, senão já teria virado uma piscina. As ruas não passam nenhum carro, agora imagina o seu que é baixo… — é verdade — seu pai está furioso por uma cidade tão grande como Angeles não ter uma infraestrutura decente para dias de chuva.

— Imagino mãe… então não posso voltar para casa? — Nesse momento, olho para Maxon que ainda estava na mesa segurando o celular, mas agora me encarando com as sobrancelhas levantadas.

— Não filha, realmente está sem condições de voltar para casa. Acha que pode ficar aí? Quer me passar para a mãe dela? Posso conversar com ela sem problemas. — Definitivamente não.

— Não! Não precisa mãe… ela vai ficar muito contente por eu ficar aqui. — Meu coração acelera, o que vou fazer?

— Certeza filha?

— Sim, fica tranquila. — Tento parecer o mais convincente possível, o que não é muito fácil com um Maxon curioso encarando minha conversa.

— Ótimo… tchau filha… fique bem… — engulo em seco, espero ficar.

— Tchau mãe.

Ligação off

Certo… o que farei? Não posso voltar para casa. Poderia voltar para a casa da Celeste, mas a chuva está realmente forte e perigosa, é um risco muito grande sair. Eu não esperava enfrentar essa problemática hoje.

— Maxon… — chamei sua atenção que já era dedicada a mim a um bom tempo.

— Sim… — engulo em seco. O que ele vai pensar do que eu vou pedir, ou melhor… como vou pedir?

— É… — respira America, isso não é a pior coisa do mundo — é… — está parecendo uma idiota, fala logo — Maxon eu poderia passar a noite aqui? — falei tão rápido que receio ter que repetir. Maxon pareceu mais surpreso do que nunca, ele não imaginava esse pedido e eu não imaginava pedir. — É que o quarteirão da minha casa está alagado…

— Tudo bem… eu não permitiria que você saísse nessa chuva também. — Ele se levanta e vem ate mim, minha ansiedade só aumenta ao tê-lo tão perto. — Está com fome? Porque eu estou! — Apenas lhe dou um gesto confirmando — Perfeito… espero que goste de pizza congelada, porque eu não sei cozinhar e duvido que o delivery esteja atendendo hoje. — Solto uma risada. Maxon vai até a cozinha e abre o congelador.

— Se tiver de calabresa eu fico feliz. — Vou até a ilha e me sento em umas das banquetas.

— Claro que o melhor sabor não faltaria. — Damos risada e ele coloca duas pizzas no forno. — Vou abrir um vinho, aceita?

— Aceito sim.

Ainda era sete e quarenta da noite, ou seja, a noite acabou de começar. E a ficha ainda não caiu que passaria uma noite inteira com Maxon, dormiria debaixo do mesmo teto que ele, acordaria e veria ele. Isso até parece um sonho, porém em outras circunstâncias.

Apesar de estarmos conversando e parecendo estar de bem, ainda tem muita mágoa não resolvida, e isso pesa, e como pesa. Sempre que me sinto à vontade com ele, as lembranças retornam e a raiva me consome, e acabamos discutindo. Então para manter a paz, nós fingimos que nada aconteceu, mas aconteceu e não nos resolvemos quanto a isso. O que torna nossa relação uma bomba relógio, a qualquer momento ou toque sensível explodimos e nos magoamos.

Sei que disse para as meninas que conversaria com ele sobre esse assunto, que tentaria resolver e quem sabe dar uma chance. Mas e se ele não quiser? Maxon está chateadíssimo por eu duvidar dele. A uma chance de eu quebrar minha cara ao tentar algo.

— Está pensativa. — Maxon corta o silêncio sentando-se na banqueta ao lado da minha.

— Sim… — suspiro — ultimamente anda tendo muita coisa para pensar — dou um sorriso amarelo.

— Sei como é… — ele bebe um gole do seu vinho e deposita a taça na bancada.

O silêncio volta a reinar no ambiente, mas dessa vez é um silêncio pesado, o clima ficou pesado. Eu sentia as dúvidas surgindo na minha cabeça, a angústia para tomar coragem de perguntar. Agora é uma boa hora para esclarecermos as coisas, mas como?

O desespero toma conta dos meus sentidos. Ao mesmo tempo que mil coisas passam na minha cabeça também parece que não passa nada. Minhas mãos estão suando e me encontro inquieta sentada naquela bancada.

— Sabe… — Maxon desafia o silêncio novamente… nunca foi tão difícil falar com ele. Nossas conversas sempre foram certeiras, os assuntos sempre surgiam, mas agora qualquer sinal de interação eu sentia meu interior surtar. — Não gosto desse clima que está rolando entre nós.

— Eu também não. — Respiro fundo, ele também notou o desconforto.

— O que acha de fingirmos que nos reencontramos agora? — O olho confusa — Posso ir até meu quarto, e assim que abrir a porta podemos fingir que é nosso reencontro.

— Acho que você já bebeu muito vinho. — Nós dois damos risada.

— Besteira… essa é minha primeira taça ainda. — Eu não sei o que ele esperava com essa brincadeira — anda Meri, não temos nada melhor a fazer e a pizza ainda vai demorar. — Isso parece ridículo, mas vou entrar na brincadeira.

— Ok, ok… vai lá — indico o corredor e Maxon vai correndo se esconder no quarto. Estou com medo e ansiosa pelo que virá. E por algum motivo já estou rindo. E gargalho ainda mais quando vejo Maxon saindo tranquilamente pela porta do quarto.

— É sério que essa seria sua reação ao me reencontrar? — Eu ri ainda mais.

— Não tem como levar isso a sério Maxon. — Eu estava achando isso divertido.

— Então arranja um jeito de levar. — E ele volta para o quarto. Era mesmo impossível levar a sério. Mas respirei fundo e tentei conter os risos que saíam de forma espontânea e involuntária. Respirei fundo. Anda America, agora é sério.

Me viro de costas para o corredor, acho que não vê-lo atuando logo de cara seria mais fácil. Mas parando para pensar mesmo, qual seria minha reação se esse fosse nosso reencontro? Eu com certeza ficaria muito feliz, radiante é a palavra, e com certeza o beijaria. Arregalo os olhos, seria exatamente isso que eu faria. E agora?

Sinto uma mão macia mas também bruta, tampar os meus olhos de uma maneira muito delicada.

— Adivinha quem é — ele sussurra no meu ouvido arrepiando até o último fio do meu cabelo.

— Caramba, eu não faço ideia. Mas acho que conheço essa voz — estou dando o meu melhor. — Maxon, é você? — Me viro tentando aparentar a maior surpresa da minha vida.

Agora quem se racha de rir é ele. Maxon não consegue se conter e eu apenas o acompanho, não sei onde nós achamos que isso daria certo.

— Porque eu achei isso uma boa ideia? — Maxon tenta se controlar e bebe mais um gole do vinho e eu faço o mesmo.

— Eu avisei — mais risadas. Que aos poucos foram cessando.

— Você esperava me ver novamente? — Essa pergunta era séria, não era mais brincadeira.

Abaixo a cabeça relutante a responder. É claro que eu sonhava em revê-lo, era o que eu mais desejava desde que ele foi embora do Canadá.

— Sempre tive esperança. — O encaro. Ele pareceu feliz com minha resposta. — E você?

— Sempre tive esperança também… — Ele dá um sorriso amarelo. — America…

— Que cheiro é esse — corto o que Maxon ia dizer pois o cheiro de queimado se espalha pelo apartamento, logo me toco — Maxon a pizza! — Ele corre até o forno e retira uma pizza com as bordas carbonizadas.

— Ainda bem que só as bordas queimaram, se não iríamos dormir com fome. — Rimos mais uma vez.

— Bem que você avisou que não sabia cozi… — nesse momento um raio cai em algum lugar e imediatamente todas as luzes se apagam, tudo fica um breu, até os prédios vizinhos que podiam ser vistos da janela. — Maxon?

— Calma Meri, deixa eu achar o meu celular. — Me levanto também para ir atrás do meu que estava em cima da mesa. Mas me choco com Maxon no caminho. — Você está bem? Te machuquei? — Suas mãos tocam meu rosto e eu sinto elas eletrizarem o meu corpo.

— Sim, está tudo bem. Vim pegar o meu também. — Pego meu celular e ligo a lanterna logo após Maxon ligar a dele.

— O prédio tem geradores, logo a energia volta. — Assenti com a cabeça. — Se importa de comer no escuro?

— Nem um pouco — dou um sorriso fechando e Maxon vai preparar nossos pratos.

Logo o prédio ao lado reacende suas luzes assim como alguns já haviam feito. Suponho que tenham ligado seus geradores como Maxon mencionou, pois não eram todos que tinham energia, incluindo o nosso.

Mas eu estava adorando aquilo. A chuva seguia forte, a cidade toda apagada lá fora, poucos carros vagando pelas ruas cheias d'água. O clima entre mim e Maxon após sua falha brincadeira, havia ficado mais leve e confortável. Decidi curtir as duas coisas da melhor forma que pudéssemos.

Peguei uma manta grossa que vi no sofá e estendi no chão bem próximo a janela que ia do chão até o teto, e substituia qualquer tijolo que deveria estar ali. Ela se estendia desde o início de sua sala até o final de sua cozinha. Peguei algumas almofadas e ajeitei tudo de uma forma que ficasse confortável para comermos ali, vendo a cidade apagada, curtindo a chuva e nossa companhia.

— O que é tudo isso? — Maxon aparece com uma bandeja na mão e a lanterna me iluminando de joelhos no chão na outra.

— Vamos comer aqui — aponto para o cantinho não tão confortável que montei para nós — vamos aproveitar essa vista e essa chuva.

— Gostei da ideia — ele vem e se agacha colocando a pizza no meio da manta. Depois vai buscar o vinho e então se senta. Maxon posiciona sua lanterna de uma forma que a iluminação ficasse confortável não havendo mais necessidade da minha — Não coma as bordas se não quiser sentir um gosto amargo na boca.

— Tudo bem — dou risada e pego minha primeira fatia, estava com muita fome — o que fez quando foi embora do Canadá? — Decidi puxar assunto e ao mesmo tempo matar minha curiosidade.

— Bom… — ele engole o que estava mastigando — eu voltei para Angeles e tentei fugir do meu pai e suas reuniões de estudo de estratégias para novos investimentos. Na maioria das vezes eu conseguia, mas quando não, eu passava mais de três horas preso em uma sala. Não é nem que o assunto não me interesse, mas eu gosto de deixar meu pai irritado, então fazia pouco caso das reuniões. Depois que começaram as aulas ele me deixou em paz. — Ele bebe mais vinho — Como pode ver, não fiz nada interessante. Algumas vezes saía com o pessoal mas já não era tão divertido, eu só tinha você na cabeça. — Sua última fala me faz suspirar. — E você? Estou muito curioso para saber o que fez depois que parti.

— Tenho que admitir que minhas férias foram arrastadas depois que você se foi, senti muito sua falta — essa é a mais pura verdade, notei Maxon se remexer ao me ouvir — depois de duas semanas lá, voltei para Carolina, e no dia seguinte descobri que mudaria para Angeles. Te falo que não gostei nada da ideia assim que soube — dou uma risada forçada e abaixo a cabeça — mas recebi muitas surpresas assim que botei os pés aqui — o olho em meio aquela baixa luz, mostrando que parte dessa surpresa era ele. — Posso dizer que até rolou coisas interessantes desde a última vez que nos vimos. — Damos uma risada curta e baixa.

— E como está a May? —Maxon muda de assunto, a conversa estava tomando um rumo delicado.

Vou falar que estou amando nosso jantar à luz de uma lanterna de celular, com uma pizza queimada, no chão apreciando a escuridão. Qualquer resquício de clima pesado entre mim e o Maxon se foi, depois que ele mudou de assunto, passamos a falar com mais tranquilidade e a conversa fluiu de uma maneira muito divertida e gostosa. Talvez a garrafa de vinho tenha colaborado um pouco, mas não estávamos bêbados, longe disso, estávamos apenas mais soltos. Eu disse a Maxon que não podia me embebedar pois tinha o teste amanhã e precisava estar bem, tanto que depois ele foi buscar uma água para ajudar a tirar o efeito do álcool.

Limpamos a bagunça da pizza e voltamos para o nosso cantinho no chão. Apesar de duro, estava tão bom ficar lá. Sentamos de frente para a janela, um do lado do outro, as pernas esticadas e nossas mãos para trás das costas servindo de apoio para não cairmos. Deitei minha cabeça no ombro de Maxon e ele deitou a sua na minha. O silêncio retornou, mas dessa vez era um silêncio bom, confortável e bem vindo. Finalmente aproveitamos o som da chuva pesada que é tão reconfortante, até fechei os olhos para sentir aquela vibração melhor, mas hoje todos pareciam querer nos interromper. Meu celular volta a tocar, eu o pego e levando até meu rosto para identificar quem estava incomodando. Levo um susto ao ver quem estava me ligando. Nicholas.

Rejeitei a ligação o mais rápido que pude, mesmo sabendo que Maxon com certeza viu o nome dele escancarado na tela. Sabia que aquilo acabaria com o clima que eu e ele sofremos para construir. Que droga! Porque esse garoto tinha que me ligar justo agora?

— Pode atender, fique à vontade — a voz de Maxon estava séria.

— Não era importante. — E não era mesmo.

Ficamos calados por um tempo. Quero que ele fale comigo, quero resolver isso, eu sei que é só isso que falta para ficarmos bem.

— Quer saber de uma coisa… — Maxon se ajeita de uma forma que pudesse olhar para mim. Meus batimentos aceleram e meus ouvidos se apuram para ouvir com atenção suas próximas palavras. Também mudo de posição para poder encará-lo melhor — uma das coisas mais dolorosas que vi foi ver você passar seu número para ele— ele engole em seco — me lembrou o quanto eu fui idiota em não ter pego seu contato desde o primeiro momento que te vi. — Ele abaixa a cabeça e respira fundo — isso teria facilitado tanto as coisas.

— Nós dois fomos idiotas — nossos olhares eram tristes, a sensação de quando percebemos que não teríamos como nos falar de novo volta com força.

— Eu me amaldiçoei todos dias por isso — o olhar dele é tão profundo que enxergo todo seu sofrimento — só conguia pensar que fui burro o suficiente para perger a garota mais perfeita desse mundo. — Não consegui esconder o fraco sorriso pelo elogio.

— E eu por ter perdido o garoto mais perfeito.

Nada mais foi dito por um tempo.

— America, sobre a Kriss... — ele começa, e sinto que nosso destino depende dessa conversa que se inicia. — E qualquer outra que tenha ficado, saiba que nenhuma se compara a você. Kriss e você na mesma frase soa estranho porque, para mim, ela era apenas uma distração diante do caos que é minha vida. Mas você... você se tornou uma luz. Conhecer você foi a melhor coisa que me aconteceu. — Meu coração palpita de emoção. — Se você soubesse o desespero que senti ao pensar que te perdi, que nunca mais ouviria sua voz, que nunca mais veria seus lindos olhos... — Ele toca meu rosto de uma forma tão gentil e carinhosa que quase me desfaço. — Não vou mentir, eu me tranquei no quarto e chorei. Não sinto vergonha de admitir isso, pois nunca chorei por algo tão verdadeiro como o que sinto por você. — As lágrimas começam a brotar nos meus olhos. — Mas diante das circunstâncias, eu só queria te esquecer, e a única maneira que encontrei foi ficando com outra, claro que nem isso bastou. — Maxon respira fundo sentindo o peso de suas palavras — Mas eu juro, se soubesse que você voltaria, eu teria te esperado. Eu teria mandado qualquer um para o inferno. Porque desde que te conheci, sinto que só respiro por você. — Ele pega minhas mãos com tanta força como se sua vida dependesse daquilo.

Eu nem sei dizer o que sinto nem o que penso, sei que as palavras de Maxon são sinceras, não teriam como não ser. Eu não só vi, como senti que ele falou tudo do fundo do coração.

— Maxon… eu nem sei o que dizer… — o olho para que ele veja minha sinceridade — quando encontrei você naquele corredor minha primeira reação depois da surpresa foi correr para o para o jardim — ele arqueia as sobrancelhas surpreso — pois é… eu fiquei sem acreditar que era você ali… mas depois me toquei que era besteira me esconder, voltei para falar com você e o vejo agarrando outra — meu tom se desanima e Maxon exprime todas as facetas de arrependimento no seu rosto — me senti traída, e me senti ainda pior depois que você me levou para o armário e descobri que você era um cafajeste. Na hora pensei o pior… senti que eu era só mais uma para você brincar. Eu não confiei em você, confiei na minha raiva — as lágrimas escorreram — e eu me arrependo muito disso, me arrependo desde aquele dia no estacionamento que você revelou o quanto sou egoísta. — A dor da lembrança me invade.

— America… — Ele me interrompe, mas me ponho de joelhos na frente dele e o calo com meu dedo em sua boca.

— Você tinha razão, eu não parei para refletir sobre o que vivemos, o que sentimos... Deixei que detalhes e má sorte me levassem a pensar coisas sem sentido, sem analisar a verdadeira grandiosidade do que temos. — Meu estado é deplorável, olhos em prantos, coração apertado e arrependido. Fui tão injusta com ele. — Maxon me sinto totalmente culpada por nossa situação. Eu devia ter te escutado, ter confiado em você. Em nós!

— Ei… — ele se põe de joelhos também e coloca meu rosto entre suas mãos, seu polegar enxuga o que consegue das lágrimas. — você não tem que se culpar de nada. Foram fatalidades e nós dois lidamos da forma errada, não carregue esse peso sozinha. O que importa é que estamos aqui… agora… passando tudo a limpo e deixando tudo claro. — Apenas assinto.

— Quer saber de uma coisa?

— Quero. — ele responde com seu sorriso lindo, mas eu retribuo com um tímido.

— Você também foi a melhor coisa que me aconteceu… — os olhos dele brilharam diante daquela escuridão. O sorriso se alargou em nossas faces. Maxon colou nossas testas e o alívio percorreu meu corpo. Estamos bem, finalmente.

Mas estava faltando algo, que venho ansiando a muito tempo, e sei que ele também. Nossos sorrisos cessaram e deram vez a olhares profundos, repleto de desejo e uma dose de loucura. Fechamos nossos olhos sarrando nossos narizes vagarosamente um no outro, tornando a espera de colarmos nossos lábios proposital. Maxon desce uma mão para minha cintura e outra escorrega em minha nuca, como sempre esse gesto me faz estremecer. Num ato instintivo, jogo minha cabeça para trás e Maxon se aproveita para depositar beijos molhados e quentes pelo meu pescoço. E lá se foi minha reserva de juízo.

Seus lábios macios percorriam toda extensão do meu colo até a minha orelha, eu já havia me perdido naquela sensação. Subi no colo dele e enlacei minhas pernas em volta da sua cintura. Ele agarra minhas costas e nos olhamos ofegantes. Sem esperar mais, da forma mais delicada e meiga possível, Maxon une nossos lábios. Um beijo que se iniciou terno, mas foi dando espaço para algo mais urgente, um beijo de matar a saudade. E como senti falta disso. De senti-lo, de tocá-lo, de sentir o toque dele. Sua mão desliza pelo meu corpo com uma pegada gostosa e que me arrancavam baixos gemidos entre nosso beijo intenso.

Maxon me deita e fica sobre mim, agarro seus cabelos para não permitir que ele se afaste, mesmo sabendo que ele não pretendia isso. Mas o ar se fez preciso. Mesmo assim ele não para, seus beijos ardentes desceram para o meu pescoço ao passo que sua mão se enfiou por baixo da minha regata. Sua mão em contato direto com minha pele sensível me levam a loucura. Ele a sobe e seus beijos descem pelo meu colo me arrancando gemidos abafados. Ele enfim chega ao seu destino e toca meu seio direito dando leves apertos. O quanto isso é bom e me faz pulsar não está escrito.

Num ato totalmente desejado e necessitado arranco sua camisa e a jogo longe, meus dedos logo percorrem seu abdômen firme e definido, aquilo me excita de uma forma sem precedente. Maxon notando o quanto já estava entregue, tira minha regata e para com os beijos para me olhar. Sinto um pouco de vergonha. Nenhum garoto nunca me viu dessa forma. Seus olhos exalam luxúria. Sorrio o vendo tão encantado com o que vê e qualquer insegurança se esvai.

Seus beijos atacam direto entre meus seios. A sensação é deliciosa e o prazer percorre meu corpo. Sua mão começa a seguir por um caminho um tanto inseguro para mim, mas eu deixo dessa vez. Ainda por cima do meu short, Maxon chega no meio das minhas pernas e a sensação que isso causa me faz revirar os olhos. A essa altura eu já estava cheia de chupões e meus lábios estavam inchados. Maxon não se encontra nada diferente.

Ele me toca com carinho, e ao ver que permiti, começa a tirar meu short. Sempre pedindo consentimento com o olhar. Agradeço por apenas ter lingeries bonitas, e sempre usar os pares corretos. Agora, quase nua na frente dele, ele para e me observa mais uma vez por inteiro.

— Você é linda, sabia? — Seu olhar de devoção me faz acreditar em seu elogio. — Eu estou completamente apaixonado por você. — Nesse momento ele me pega no colo e começa a andar pelo apartamento esbarrando no que tinha à frente. A energia não havia voltado ainda.

Maxon me deita na cama e fica por cima outra vez, nossos lábios se encontram novamente em um beijo desesperado. Nossa excitação é recíproca, sinto seu membro estralando por dentro da bermuda no meio das minha pernas, ia dar uma atenção a ele mas Maxon se deita ao meu lado e sua mão direita aperta meus seios com vontade. Em sequência desce para meu meio e massageia por cima da calcinha. Eu estava pirando, meus gemidos já não eram mais contidos e eu estava adorando essa nova sensação. Maxon ia coloca sua mão por dentro na calcinha mas eu o impeço.

— Maxon, eu não sei se estou pron… — ele me cala com um beijo.

— Não vamos fazer isso que está pensando — não? — só vou continuar o carinho, prometo que vai gostar… posso? — Ele pergunta com sua mão preparada. Assinto mesmo estando nervosa.

Não sei porque… assim que ele toca minha intimidade por dentro da calcinha meu corpo estremece e a sensação de prazer é mil vezes melhor. Ele se dedica nos movimentos e nunca imaginei não conseguir conter minha voz. A sensação é maravilhosa mas não imaginava que uma melhor ainda estaria por vir. Nessa meu corpo se treme e meus músculos se enrijecem e uma onda de prazer enorme me invade, grito o nome de Maxon que é responsável por essa sensação.

— Isso linda, só relaxa — ele sussurra esse pedido no meu ouvido me fazendo tremer mais do que achava possível, e então após o ápice daquele prazer todo chegar, uma calmaria desce pelo meu corpo me trazendo a sensação de estar satisfeita.

Eu estava ofegante, e Maxon ao meu lado também. Meu corpo está mais suado do que hoje a tarde durante a dança. Eu estava acabada sobre aquela cama.

— Gostou? — Pergunta Maxon todo sorridente beijando meu pescoço.

— Eu adorei — respondi sorridente também. Mas eu sabia que ainda não tinha acabado, não era justo eu ter meu ápice e Maxon não. — Posso? — Pergunto já descendo minha mão, e ficando sobre ele.

— Meri, você não precisa fazer isso.

— Precisa sim, não é justo só eu aproveitar. — Abaixo sua bermuda já tendo visão do que me espera. Pela sua cara de desejo, Maxon não ia insistir que eu parasse, e eu não pararia também — Só me ensina como faz e deixa comigo. — Ele me lança um sorriso de lado.

Assim que abaixo sua box, fico muito surpresa e curiosa ao mesmo tempo. Nunca tinha visto pessoalmente, é algo extremamente novo e… grande. Assim que toco Maxon não se aguenta e geme. Ele me ensina o que precisa e então faço meu trabalho. Devagar mas acelerando, Maxon se contorcia e mordia o lábio inferior para conter seus gemidos. Eu lhe lançava olhares sedutores e me posicionava de formas que seriam atraentes para instigar.

— Caralho America, você é muito gostosa… — ele levou as mãos a cabeça e com um último gemido não tão abafado Maxon chega ao seu ápice e relaxa seu corpo ofegante. Me inclino para beijá-lo. E digo.

— Precisamos de um banho. — Rimos.

— É verdade. Pode ir primeiro, eu preciso me recompor. — Dou risada do seu jeito — Tem toalha no armário e pode pegar uma roupa minha no closet. — Concordo com um gesto e me levanto indo até onde acho que é seu closet, mas ai percebo que está tudo claro.

— Maxon? — ele me olha — A energia voltou! — Nem tínhamos reparado.

— É verdade, e isso é ótimo — ele tem um olhar malicioso — assim posso te ver melhor só de roupa íntima. — Coro na hora… antes eu estava drogada de prazer, mas agora estou lúcida — anda, vem cá para eu analisar essa obra de arte que é o seu corpo.

— Nem fodendo. — Respondo rindo e correndo para o banheiro depois de pegar uma roupa.

— Como é? — Ele me pergunta indignado atrás da porta do banheiro. — Eu te fiz gozar pela primeira vez America Singer! Mereço um prêmio, não acha? — Mas que baixaria. Abro a porta, dou uma voltinha rápida e fecho sem nem olhar na cara dele. — Nossa! Você é um espetáculo, eu sou o cara mais sortudo do mundo.

Dou risada, ele fez com que me sentisse realizada e linda. Minhas mandíbulas estão doendo por estar sorrindo a tanto tempo e simplesmente não conseguindo parar. Nem a água morna caindo no meu rosto desfaz meu sorriso de felicidade, de realização.

Após acabar o banho, me seco, visto a camiseta de Maxon e meu short de antes, seco meu cabelo e então vou para a cama. Maxon já se encontrava lá deitado e de banho tomado. Me deito ao seu lado e nos olhamos trocando carinhos com as mãos.

— Se importa se eu dormir na cama com você? — Nem sei porque ele pergunta, hoje nós pulamos vários degraus no quesito evolução da nossa intimidade.

— Me importo… — ele se assusta — me importo se você dormir longe de mim. — Ele morde minha bochecha. — Aii!!

— Engraçadinha… — ele me puxa para deitar em seu peito, e para mim esse é o melhor lugar do mundo.

— Max… — levanto minha cabeça para olhar nos seus olhos, que expressavam tantas coisas boas — eu também estou apaixonada por você. — Mais uma vez o sorriso tomou conta do nosso rosto atrapalhando nossos beijos.

Esse com certeza está entre os dias mais felizes da minha vida. Só queria que essa noite fosse eterna. Nunca vou me cansar de ter aquele par de olhos me venerando, aquelas mãos me estremecendo, os beijos me queimando e aquele sorriso me fazendo a garota mais feliz do mundo.

Seria cedo demais para dizer: eu te amo?