Ando surpreendendo a mim mesma acordando a tempo de me arrumar e tomar café tranquilamente antes de sair para o colégio. Em Carolina meu costume era totalmente diferente. Ia até o limite do horário, me arrumava correndo e muitas vezes nem água tomava antes de sair. Não sei o porquê, mas as coisas mudaram, felizmente.

Não consigo parar de pensar que hoje será um dia e tanto, realmente não sei o que esperar do ensaio e, principalmente, do meu encontro com Maxon para o trabalho de química.

— Hoje não vou conseguir buscar May e Gerad, tenho ensaio com as meninas — o cheiro do café se sobressai assim que eu o despejo em minha xícara. — E também vou dar início a um trabalho avaliativo na casa de uma delas — ignoro a encarada insinuadora de May, não iria dizer ainda a verdade — então talvez eu volte um pouco tarde.

— Tudo bem querida, eu consigo passar para pegá-los. — Mamãe está surpreendentemente calma esta manhã. — Que trabalho é esse?

— É um trabalho de química, vou fazer com a Celeste — sabia que ela me perguntaria com quem faria, já digo Celeste porque se precisar mentir, ela é muito melhor que Marlee para isso.

— Muito bem… só não volte muito tarde. — Termino meu café rapidamente e levanto para dar um beijo em minha mãe, meu pai já havia saído.

O dia não estava dos melhores, estava com cara que iria chover. O céu estava estranhamente nublado e com nuvens carregadas. Por sorte corri a tempo do meu carro até a porta do colégio, assim que pus os pés na entrada uma garoa grossa passou a cair e estragaria todo meu cabelo.

— Odeio sair de casa em dias assim — diz Celeste sentada em cima da minha mesa. Marlee tinha puxado uma cadeira ao meu lado.

— Eu também não gosto, principalmente quando o dia é dedicado a aula de literatura e história — Marlee enterra o rosto nas mãos desapontada — Me digam como não dormir?

— Nada de corpo mole vocês duas — elas me olham com cara de quem não sabe onde tirei ânimo — vocês precisam me ajudar a ensaiar para amanhã.

— Nossa é verdade! Eu já tinha esquecido, acreditam? — Marlee se esperta na cadeira disposta a ficar mais atenta para o dia.

— Eu não esqueci, aliás, até já deixei minha mãe avisada que usaria o salão da casa dela para ensaiarmos. — Diz Celeste saltando de cima da minha mesa.

— Achei que iríamos ensaiar no seu apartamento — Marlee também se levanta levando a cadeira para seu devido lugar enquanto questiona Celeste.

— Ah não! — Ela gesticula largando os braços — Lá é muito pequeno e não podemos fazer tanto barulho. — Eu tenho certeza que não é pequeno, Marlee me disse uma vez que é uma cobertura enorme, mas levando em consideração que vamos precisar de música, acho que lá não é o local mais apropriado de fato.

— Vamos assim que as aulas acabarem? — Pergunto enquanto começo a tirar meu caderno.

— Sim sim… sei que precisamos terminar cedo pois a senhorita tem um encontro marcado com um certo gato — eu apenas reviro os olhos diante do comentário de Celeste, ela e Marlee pareciam duas tontas de risinhos.

— Não é um encontro — bato na mesa para tentar faze-las pararem de rir — só vamos começar essa droga de trabalho. E você Celeste? Já combinou os detalhes com sua amiguinha Bariel? — Ela fecha a cara e me mostra o dedo do meio, Marlee apenas tirava sarro. — E você Marlee? Não acha que está demorando muito também resolver as coisas com Carter? — lancei um olhar a Marlee cheio de segundas intenções. Ela entendeu, pois assim como Celeste, fechou a cara e virou para frente.

Eu sei que ela gosta do Carter e ele gosta dela. Já faz uns dias que os dois ficam trocando farpas, e eu queria entender o porquê. Quando cheguei eles se davam tão bem, agora estão como cão e gato, alguma coisa aconteceu e Marlee não quer contar. Bom, se ela nem admitiu que sente algo por ele, não diria qual o problema que estão passando agora. Apenas respeito o tempo dela, mas hoje as duas decidiram me tirar do sério, então, eu cutuquei sim onde incomoda.

A chuva começou a pesar mais lá fora, o céu estava mais escuro e se iluminava com os relâmpagos. Eu adoro a chuva, é como um lembrete de que tudo na vida tem seu ciclo, momentos de escuridão e claridade, de tempestade e calmaria.

Marlee tinha razão, aula de literatura junto com uma chuva de lavar a alma é um convite perfeito para o sono, olho para o lado e vejo que Celeste já está capotada apoiada em uma das mãos. Marlee como está a minha frente, não consigo ver se prestava atenção no poema que a professora graciosamente recitava. Ouso olhar para trás e me deparo com os lindos olhos castanhos de Maxon juntar-se com o meu, ele estava usando o capuz de seu moletom cinza, com os braços cruzados e apoiado com a cabeça na parede. Percebi que como quase todo mundo, ele estava caindo de sono.

Me viro rapidamente para frente e sinto sua mão tocar a lateral do meu corpo, fazendo um leve carinho, minha reação foi a princípio de susto mas logo meus músculos relaxarem. Não quis negar o carinho dele, estava tão gostoso, apoiei a cabeça na parede, enquanto seus dedos seguiam se movimentando abaixo do meu braço esquerdo. Sorri com a sensação boa daquilo e os meus olhos pesaram.

— Bora! Bora! Bora! — abro os olhos assustada, Marlee batia palmas revezando entre mim e Celeste para nos acordar. — Intervalo minha gente, digamos amém!

— Amém! — Não só eu e Celeste falamos em uníssono, Aspen, Carter e Maxon nos acompanharam, meio que todos pegaram no sono.

— Qual a necessidade de ler poemas? Isso não serve para nada — no fundo eu concordo com Aspen.

Estamos a caminho do refeitório, todos com cara sonolenta, os bocejos entregam que acabamos de tirar um cochilo.

— Está treinando sua cara de derrota Singer? — Era só o que me faltava.

— Kriss, suas provocações são tão irrelevantes quanto suas chances de ganhar. — Essa garota está me tirando do sério.

— É o que veremos Singer… — ela fica de frente tentando me derrubar com seu olhar de desdém, mas qualquer resquício de sono já havia sumido de mim, a encaro com a mesma astúcia.

— Veremos… — Dou um sorriso falso. Percebo que nossos amigos nos encaravam meio tensos, prontos para separar uma briga, ela também percebe e dá meia volta para ir embora.

— Some desgraça! — Celeste esbraveja quando Kriss estava mais distante. — Essa praga nos fez perder dez minutos do nosso precioso e curto intervalo.

— Qual é o problema dela comigo? — Eu realmente estava tentando entender, nunca trocamos uma palavra, e ela sem mais nem menos me odeia, eu até tenho motivos para não gostar dela, afinal ela se pega com o garoto que eu gosto, mas ela não sabe de mim e Maxon. — Ela me odeia sem nunca sequer ter falado comigo.

— Você quer mesmo que eu responda? — Marlee indica com a cabeça Maxon, que fingia não prestar atenção no assunto. Noto Aspen franzir o cenho, ele pareceu confuso com o jeito de Marlee, então entendi que Maxon não deve ter contado ao amigo sobre mim.

Optei por um lanche leve assim como as meninas, nos direcionamos a mesa de sempre e no caminho até ela, Nicholas passa me dando um oi acompanhado de uma piscadela, o sorriso dele é encantador. Mas nada supera o olhar mortal de Maxon ao ver a cena já sentado em nossa mesa. Não expressava por fora, mas por dentro, eu estava adorando ver ele enciumado. Só que meu entusiasmo não durou quando lembrei da tal Daphne. Tenho que perguntar sobre ela hoje para as meninas.

— Ele já te chamou para sair? — Eu sabia o que Celeste queria… colocar mais lenha na fogueira, tínhamos acabado de nos sentar, à minha frente estava o loiro lindo com a cara muito séria.

— Ainda não… mas estamos conversando. — Mentira. Só quero provocar e está dando certo. Maxon tinha os punhos sobre a mesa cerrados assim como seu maxilar.

— Ah! Então logo ele te chama — ela tinha um sorriso sapeca estampado na cara — você deu sorte, ele é um gato! — Celeste é uma cascavel, uma cascavel que eu adoro. Tenho que abaixar a cabeça para conter a risada, alguém não estava muito feliz com esse assunto.

— Quando começa os treinos Maxon? — Acho que Carter percebeu a tensão do amigo, então toca em um assunto para o distrair. Maxon pigarreia.

— Sexta vai ter o teste para os novos jogadores — não era do meu interesse, mas adoro ouvir ele falar, então ouço com atenção — aliás, vou precisar da ajuda dos dois assim como a do treinador para escolher o novo time — Aspen e Carter se prontificam orgulhosos por saberem que vão ajudar — e então os treinos começam na próxima semana nas quintas e sextas depois da aula.

— Cara eu estou ansioso para os campeonatos desse ano, espero que o treinador nos surpreenda. — Os olhos de Aspen brilhavam.

— Eu não posso dizer nada ainda… mas vai ter coisa. — Maxon esfrega uma mão na outra mordendo o lábio tentando conter a empolgação, eu com certeza não fui nada discreta ao também morder meu lábio inferior enquanto admirava ele.

— A baba está escorrendo — Marlee sussurra no meu ouvido e sinto minha pele ferver. Ela começa a gargalhar de uma forma escandalosa chamando a atenção de todos na mesa, eu apenas me encolho tentando passar despercebida.

— Qual é a graça? — Claro que a Celeste quer participar do riso para me constranger também.

— Nada… — Marlee tenta desconversar, mas Celeste a encara assim como todos — É que a Meri é muito engraçada. Só isso…— Eu não sei pra que rir tanto.

— Ha! Ha! Eu não vejo nada engraçado Marlee — não fiquei brava, mas fiquei constrangida, e se mais alguém percebeu? Me levanto — Vou ao banheiro.

Assim que saí do banheiro o sinal tocou e volto para a sala, meus amigos não tinham chegado ainda, então vou ao meu lugar. Começo a mexer no celular enquanto nem o professor nem as meninas aparecem. Estava distraída até sentir alguém me cutucando, não deu para evitar o pulinho na cadeira pelo susto.

— Ai Maxon, não faz isso! — Não vi quando ele chegou.

— Desculpe — a cara de cachorro sem dono dele me faz rir — tudo certo pra hoje? — Faço que sim com a cabeça — Certo… não quer mesmo que eu vá te buscar?

— Eu vou estar de carro, então não precisa. — Depois de altas conversas com Marlee, Celeste e May. Decidi levar na boa nossa relação, e percebi que Maxon também, desde que eu não toque em um ponto sensível.

— Então vou te mandar o endereço por mensagem. — Lanço-lhe um sorriso fechado para agradecer e ele retribuiu.

Estar assim, tranquila com Maxon, é tão bom. Sinto meu corpo se preencher de felicidade quando ele me olha da forma que está me olhando agora, com carinho, com ternura e com desejo. Não consigo não retribuir da mesma forma, é totalmente involuntário, minhas emoções apenas passam por cima da minha razão. É uma troca de olhares singela e significativa. E que é quebrada com a chegada do pessoal na sala.

— Que essa aula acabe rápido para irmos para minha casa! — Celeste se joga em sua cadeira — Estou animada para ver o que sabe fazer Singer. Estou apostando todas minhas cartas em você.

— Então definitivamente você não sabe apostar direito — ela franze o cenho para Carter — como você aposta sem nem sequer ter visto se a pessoa sabe fazer direito?

— Vocês são todos traidores — Celeste se finge de magoada — simplesmente todos deram seu voto de confiança para Kriss… para a Kriss!! — E ela não estava mentindo. — Vocês não serão convidados para a festa que eu vou dar quando a Singer aqui — não sei em que hora ela se levantou e se pôs ao meu lado me abraçando, na verdade praticamente esmagando minha cabeça entre seu braço. — vencer e pisar na mosca morta.

— Querem saber — Marlee se pôs ao lado de Celeste, que me fazia um cafuné como se eu fosse seu bem mais precioso — não falem mais com a gente, não aceitamos traidores Carter.

Não esperava que apenas o nome de Carter fosse citado. Todos olhávamos para Marlee confusos, exceto por Carter, que tinha um olhar de… desespero? Foi o que bastou para entendermos que o recado de Marlee não foi para todos os meninos, e sim para Carter, que entendeu muito bem o recado. Preciso descobrir o que tá rolando entre esses dois.

Depois dessa, todos se ajeitaram nas mesas em silêncio. Tinha esquecido da chuva que caía lá fora, estava calma, aproveitei o seu tilintar nas superfícies de diferentes materiais para acalmar os nervos. A aula de história seguiu no mesmo estilo da de literatura, era impossível não cochilar. Maxon continuou com seus carinhos atrás de mim, quem me olhasse veria um sorriso bobo junto com meu olhar pesado.

— Fiquem a vontade, minha mãe não está então podemos ferver esse lugar — Celeste girava quando adentrou na gigantesca e luxuosa sala de estar de sua mansão — apesar que se minha mãe estivesse aqui ela nos ajudaria a explodir essa casa. — Eu e Marlee rimos, pelo jeito, a mãe de Celeste é tão louca quanto ela.

— Sua casa é incrível Celeste! — ela não fez muita questão do meu elogio, com certeza todos dizem isso a ela.

— Sebastiana! — Celeste grita e uma senhora de não muita idade aparece correndo — Oii Nana, que saudade! — Ela dá um abraço caloroso na senhora. Dava para ver o afeto que uma sente pela outra — Por favor, leve um suco e uns aperitivos no salão para nós.

— Claro menina! Com licença meninas… — Ela se retira rapidamente de nossa frente.

— Ela é meio tímida, mas é muito querida por mim — Celeste diz com carinho — nem com Marlee que vem aqui a anos ela se acostumou, então não estranhe America.

— Sem problemas!

Chegamos a um enorme salão, com capacidade para muitas pessoas. Celeste contou que seus pais costumavam dar muitos eventos beneficentes. Uma vez toquei no assunto de sua família, algo que percebi ser um assunto sensível. Ela fala de seu pai com muita mágoa, ele está a cinco anos no Japão a trabalho, parece que entra em contato com ela apenas nas datas festivas. Sua mãe viaja todo tempo, trabalha junto com ele cuidando de suas empresas espalhadas por diversos países.

Ela é sozinha, por isso tem seu apartamento. Ficar nessa casa gigantesca, com empregados fazendo o papel de seus pais se tornou insustentável para ela. Preferiu ficar sozinha de uma vez do que ter esperanças que seus pais vão entrar pela porta da frente para finalmente serem a família que todos pensam que eles são.

— Já sabe o que vai fazer America? — Marlee pergunta após comer seu sexto aperitivo. Ela não estava tão animada.

— Sim, vou mostrar a vocês, mas antes, acho que precisamos conversar… — Marlee não estava bem, eu e Celeste notamos e precisamos fazer algo. Ela engoliu em seco, sabia que notaríamos algo estranho e só estava esperando que perguntássemos.

— Eu gosto do Carter. — Para ela pareceu uma grande revelação.

— Não me diga… — Celeste cruzou os braços encarando Marlee com um sorriso malicioso. Eu a olho de cara feia, não é o momento para intimidar ninguém.

— Estava tão na cara assim? — Celeste e eu assentimos.

— Mas também está na cara que alguma coisa aconteceu entre vocês dois, estão se alfinetando a semana inteira, até o chamou de traidor hoje. — Quando vimos já estávamos sentadas no tapete em frente ao confortável sofá que ignoramos.

— Nos conte o que está havendo Marlee, somos suas amigas — Celeste toca as costas de sua mão. Marlee solta um longo suspiro e então começa.

— Nós estávamos nos aproximando de uns tempos para cá — Celeste fica boquiaberta, estava visivelmente indignada pela amiga não contar a ela, Marlee tenta se defender rapidamente — eu não tinha certeza do que sentia, e queria privacidade para deduzir isso sozinha — Celeste relaxou se encostando no sofá, mas não estava muito satisfeita. Eu apenas ouvia Marlee sem expressar nada — e eu descobri que o amo.

— Calma ai amiga… — Celeste faz sinal de pare com as mãos — o amo?

— Sim! Eu o amo Celeste — deu para notar a emoção em suas palavras — eu sei que é cedo, mas eu conheço o Carter a anos, e desde que nos aproximamos e demos nosso primeiro beijo…

— O QUE!? — Eu e Celeste exclamamos juntas.

— Aaa… não dá para falar com vocês, não me deixam contar. — Marlee quer desabafar, porém nós não estamos ajudando muito.

— Desculpa — toco sua mão — é que ficamos surpresas, não sabíamos que estavam tão avançados assim.

— Eu ia contar em breve para vocês, mas aí… — seus olhos marejaram e sua voz ficou embargada — aí… — ela não estava conseguindo contar.

— Respira Lee, não precisa nos contar se não se sentir à vontade — acaricio suas costas.

— Eu quero contar — ela diz rapidamente secando uma lágrima — só que doi saber que ele foi capaz. — Marlee abaixou a cabeça e suspirou. — Estávamos no evento do pai dele, muito monótono por sinal… eu fui até o banheiro e quando voltei ele não estava mais onde o deixei, procurei e procurei — ela gesticula desesperada com os braços — até que — ela para com as mãos a sua frente — o encontrei em um lado mais afastado e menos movimentado, uma garota estava pendurada no pescoço dele e ele com as mãos na cintura dela! — Marlee tinha ódio na voz — não bastando isso, ela o beijou, e ele não a afastou. — Sentindo a derrota, Marlee se jogou para se encostar no sofá, perdendo toda a postura, acho que ela já chorou tanto por isso que ela apenas olhava séria para frente. Eu e Celeste estávamos pasmas.

— Eu não acredito que aquele cretino fez isso com você Lee! — Celeste se levanta como louca andando para lá e para cá. Ela estava furiosa. — Eu vou arrancar os olhos dele e dar para os meus patos comerem. Não! Coitados dos meus patos. — Fiquei curiosa para saber se a Celeste realmente tinha patos, mas isso não é o mais importante no momento.

— E o que você fez Lee?

— O que eu fiz? — Ela me olha — Eu peguei o primeiro garoto que achei, e fiz questão de beijá-lo assim que vi Carter aparecer. — Levei as mãos à boca. Celeste pareceu ganhar seu dia pelo sorriso que surgiu em sua cara. — Eu estava tão magoada e com tanta raiva que mandei tudo para o espaço.

— É isso aí garota! É assim que se faz! — esbraveja Celeste orgulhosa de Marlee.

— E depois… o que aconteceu? — Eu não sei se a atitude da Marlee foi a mais certa, mas não queria pensar nisso agora, quero saber o desfecho.

— Depois ele agarrou o meu braço e me puxou para fora da festa, no estacionamento, me perguntou o que era aquilo, eu disse que era para ele sentir na pele o que fez comigo, mas o imbecil teve coragem de dizer que eu estava errada, que o beijo com a garota não era o que eu pensei. MAS ENTÃO O QUE ERA! — Marlee grita sem se importar com o tom de voz — o mandei a merda… mas ele voltou a me encher para tentar se explicar mas eu não quis ouvir e não quero. E ele fica puto por eu não o deixar se explicar e por isso estamos brigando por esses dias. É isso… — Celeste roía as unhas pensativa e eu sigo sem saber o que dizer.

— Eu acho que você devia conversar com Carter — eu e Marlee olhamos espantadas para Celeste, sem acreditar que ela está sugerindo isso. — Não me olhem assim — ela cruza os braços e levanta a cabeça — Lee, Carter deve ter uma excelente explicação para isso. Ele não é desses, você sabe. — Marlee apenas abaixa a cabeça, eu sei o que ela está pensando, ela viu e isso basta. — Eu sei o que você está pensando, você viu, mas e se você viu errado?

— Eu não sei — Marlee chacoalha a cabeça em negativa — não sei o que pensar…

Marlee está desolada, nos contar a livrou do peso mas a dor ainda é existente. Mas concordo com Celeste, ela deve conversar com o Carter, deixar isso claro, se ele está insistindo em dar uma explicação deve ser porque tem uma muito boa. E eu sei como é ficar sofrendo por alguém.

— Eu sei que é difícil Marlee — tento achar as palavras certas — mas Celeste tem razão. Carter é um garoto maravilhoso, deve ter uma boa explicação, e não custa nada ouvir. Pensa só… — me ajoelho em sua frente — você está se martirizando por algo que talvez nem seja real, sua mente está criando suposições que podem estar totalmente erradas, você pode estar perdendo tempo.

— Como sei que ele vai ser sincero? — Entendo perfeitamente, passo pelo mesmo com Maxon.

— Você vai saber. Eu sei que vai perceber se ele mentir, você é inteligente e muito observadora, o olhar dele vai responder tudo o que você precisar. — Definitivamente não sei de onde tirei essas palavras, mas parece que ajudou, Marlee deu um sorriso amarelo.

— Vocês têm razão — Marlee respira fundo se revitalizando — vou conversar e deixar ele explicar.

— Isso Lee — Celeste se ajoelha na frente dela assim como eu — e se ele te magoar pode deixar que eu dou um chute no c* dele e o man… — tapo a boca dela assim que ela se exalta. Marlee da risada de Celeste falando coisas indecifráveis e gesticulando agressivamente enquanto minha mão segue tampando seu vocabulário sujo.

— Vocês são incríveis — ela abre os braços para dar um apertado abraço de amigas — agora vamos! Meri você tem que estar preparadíssima para amanhã.

— Exato! — Esbraveja Celeste.

As três próximas horas foram dedicadas a passos de dança, nunca dancei tantas horas seguidas, estou exausta, mas compensou, treinei as melhores coreografias que sabia e as meninas me ensinaram novas. Desde muito nova já fazia aulas de dança, e sempre gostei, por isso via uma certa facilidade, e convenhamos, eu danço maravilhosamente bem. Sempre recebi esse elogio, e não foi diferente até agora.

— Meri você arrasa! — Diz Celeste capotada no chão.

— Caramba Meri você arrasa mesmo! — Fala Marlee deitada em cima da morena.

— Valeu meninas… — Respondo sem fôlego jogada no sofá. — Que horas são? — Vejo Marlee se esticar para pegar o celular mais a frente.

— São cinco e vinte e oito. — Levanto num salto. — Que foi?

— Está tarde, tenho que ir fazer o trabalho com o Maxon. — Começo a ajeitar minhas coisas correndo.

— Calma Meri… tenho certeza que ele te espera o tempo que for preciso. — taquei a primeira almofada que achei na cara maliciosa de Celeste. O que serviu para ela rir.

— Não se trata dele me esperar e sim da hora que vou chegar em casa. — Não sei porque tento me explicar para essas duas que veem segundas intenções em absolutamente tudo.

— Mas porque demoraria tanto para chegar em casa, em? — Poderia ser uma pergunta séria se Marlee não estivesse sorrindo maliciosamente para mim, acompanhada de Celeste. Que se aproxima vagarosamente de mim, tocando meus ombros.

— Usem camisinha. — Tenho certeza que minha face estava mais vermelha que meu cabelo.

— Vá a merda vocês duas! — Digo rindo e seguindo para a porta de entrada. — Tchau!

— Tchau! — Elas respondem em uníssono, Marlee ia ficar na casa de Celeste — juízo em mocinha. — Grita a loira do sofá da sala assim que eu toco a maçaneta. Mostro o dedo do meio e abro a porta.

Me surpreendi com um céu mega nublado e uma chuva grossa. Não sinto frio pois estou com o corpo quente, mas sentia a brisa gelada. Corri até meu carro e procurei pelo meu celular na bolsa, ia avisar Maxon que estava a caminho. Mas reparei que estava nojenta. Toda molhada pela mistura do suor com a chuva, por sorte não estava cheirando mal.

— Sinto muito Maxon, mas é isso que você terá para hoje, uma America suada e grudenta. — digo para mim mesma, me repreendendo imediatamente. Olha o que está dizendo America. Balanço a cabeça negando a mim mesma. Quando olho a tela do celular já havia uma mensagem do Maxon de uma horas atrás.

Mensagem on

Maxon: Oi, eae? Vai vir?

America: Oii, estou indo agora.

Não levou nem dois segundos ele me respondeu.

Maxon: Ok! Vou deixar sua entrada liberada. É décimo segundo andar Ap 122.

America: Certo, até logo!

Maxon: Até!

Mensagem off

O gps informava que o apartamento dele dava quinze minutos da casa de Celeste, mas por conta da chuva, as ruas estavam muito movimentadas o que dobrou o tempo de chegada. No percurso só conseguia me xingar por ter esquecido minha roupa no banheiro da casa de Celeste. Eu estava tão eufórica que não lembrei de trocar e não lembrei de pegar. Agora estou indo me encontrar com ele usando um short preto daqueles tecidos que colam até na alma, extremamente curto e uma regata também preta coladíssima.

Poderia voltar e pegar minha roupa, mas o trânsito não permite. Poderia ir para minha casa, mas a distância não permite. Por sorte tenho uma jaqueta jeans na bolsa que vai ter que servir para não me sentir tão exposta e não provocar o Maxon.

Depois de meia hora chego na portaria do seu apartamento. Fui liberada e informada onde deixar o carro. O prédio do apartamento dele é impressionante, super moderno. Sigo para o hall de entrada e vou para o elevador, que é gigante, lindo e espelhado. Aproveitei o tempo de subida para ajeitar minha aparência, que não está ruim, na verdade estou linda com as bochechas coradas, apenas soltei meu cabelo que estava em um rabo, e ele decidiu colaborar apesar do suor, só estava meio selvagem.

Quando cheguei no seu andar, procurei o número do apartamento e toquei a campainha, ninguém atendeu. Toquei novamente e ninguém atendeu. Esperei mais alguns segundos e toquei de novo já sem paciência.

— Qual é Maxon, você só pode estar de brincadeira. — Digo a mim mesma.

Ia pegar o celular para ligar para ele. Mas a porta se abre e Maxon aparece sem camisa na minha frente, vestindo apenas uma bermuda de moletom cinza escuro e com os cabelos molhados. Aquilo na minha frente era a imagem da perfeição. Tenho certeza que molhei minha calcinha na hora.

Minha Nossa Senhora do Juízo… SOCORRO!