Fomaríamos um Maravilhoso Nós
29 O tal do almoço
A semana passou voando, e quando menos esperei, já era domingo.
As horas ao lado de Maxon parecem não respeitar a lei do tempo. Elas parecem se acelerar e quando menos percebo, já está na hora de cada um ir para sua casa, lamentando a distância que temos que ficar um do outro.
Poderíamos se safar dessa distância facilmente se encontrando em algum lugar, no seu apartamento, em um parque, uma sorveteria, mas quem disse que a senhora, minha mãe, está permitindo?
Desde que contei que Maxon e eu começamos a namorar, as paredes da minha casa presenciaram diversas reações. Papai expressou toda a sua calma diante da novidade, o que me acalmava também. May, já tinha feito um escândalo quando contei a ela naquela manhã, então o que veio dela foi a falsidade. A salafrária induziu minha mãe a me dar uma surra por estar namorando tão cedo um garoto que conheci a pouco tempo. Ela adora me pôr na saia justa.
Gerad, foi até engraçado. O único requisito dele para aceitar meu namoro foi se Maxon sabia jogar bola, e quando eu disse que ele era o capitão do time do colégio, seus olhinhos azuis se iluminaram, como se ele descobrisse um novo heroi. Eu tive até medo de olhar para a minha mãe, como ela estava chateada comigo, não sei se receberia bem a notícia. Engoli em seco quando ela não expressou absolutamente nada, continuou comendo seu almoço como se eu nem estivesse lá.
No momento eu fiquei chateada. Era uma nova fase na minha vida e ela ignorou, não se importou. No entanto, acho que preferiria a sua primeira reação. No dia seguinte, ela veio falar comigo e disse que estava muito feliz com meu relacionamento com ele. Disse que acha Maxon um menino muito educado e atencioso. Fiquei super animada com a aprovação de mamãe, mas assim que contei que ele viria almoçar, ela fez questão de acabar com a animação não só minha, mas de toda a família.
Resumindo, ela pirou de vez.
A meta da vida dela virou agradá-lo e paparicá-lo nesse almoço. A semana inteira meu celular vibrava a todo momento, eram mensagens de noda Magda perguntando a cor favorita dele, pois ela queria comprar sousplat no tom, me perguntava se nossas louças eram adequadas, se não deveria comprar cadeiras mais confortáveis, se não deveríamos ir a um restaurante ao invés de almoçarmos em casa, porque segundo ela, Maxon mora em um palácio e nossa casa é muito “simples” para ele.
Deus do céu! É cada absurdo.
Nesse momento estamos tomando café. Todos nós reviramos os olhos a cada check que mamãe dava na sua lista de itens que não podiam faltar.
— Sabe, eu estou aqui, sou visita e gosto de atenção — Kota ao abrir a boca recebe um olhar calador de nossa mãe — até parece que esse Maxon é uma divindade. Para que tudo isso?
— Eu também queria saber… — sussurro só para mim com a cabeça baixa, mas nada escapa dos ouvidos apurados de mamãe.
— Maxon é um garoto especial — Kota revira os olhos, claramente enciumado — é de uma boa família e temos que tratá-lo bem.
— E eu sou um Zé da esquina? — May e eu seguramos a risada com o comentário do nosso irmão.
— Você já é de casa — mamãe deixa sua lista de lado — ele nunca esteve aqui antes, não conhece nossa família, E! — ela se levanta, apoia as mãos na mesa inclinando o corpo para Kota de uma forma muito intimidadora — exijo que você se comporte, aliás — corrige olhando para todos a mesa — exijo que todos se comportem.
— Se for dessa forma o coitado vai se assustar — May fala despreocupada pegando um mamão — vai pensar que vivemos num quartel — não só eu e Kota rimos, papai também.
— É isso que essa casa vai virar se não me obedecerem — alertou dona Magda, sem nem notar que já transformou nossa casa em um.
Todos fizemos cara de entediados. Penso se não era melhor trazer Maxon de surpresa ou nem trazer. Não imaginava que poderia causar tanto alvoroço. É só um almoço para conhecermos ele melhor, não precisa de todo esse exagero.
E com esse pensamento acabo sorrindo, pois não era apenas minha mãe que estava ansiosa com o que Maxon ia pensar, ele mesmo, também estava uma pilha de nervos com medo de não gostarem dele, mesmo sabendo que todos já gostam. Maxon nem imagina toda a bagunça que está aqui apenas para agradá-lo e fazê-lo se sentir à vontade. Ele já é mais que aceito, já faz parte da família sem nem mesmo saber.
— America — respiro fundo ao ser chamada — você tem certeza que uma lasanha é o suficiente? Maxon não prefere algo mais requintado? Um salmão, um cordeiro assado, uma costela de porco, um risoto de limão siciliano?
Com todas as forças reunidas eu busco paciência. É a oitava vez essa manhã que ela faz a mesma pergunta. Sempre dando opções diferentes de pratos mais sofisticados.
— Mãe, Maxon ficará satisfeito com o que tiver, garanto — no fundo, eu realmente tive esperança que dizer isso bastaria, mas era óbvio que não.
— Um garoto como aquele gostar apenas de uma simples lasanha? — para ela aquilo era descabível — eu não acredito nisso. Ele provavelmente gosta de uma lula salteada, um mignon na manteiga. Aquele garoto é de família rica, não deve comer qualquer coisa.
Nesse momento, apenas lembro-me do montante de pizzas congeladas que Maxon tem em seu freezer.
— Querida, America já disse que ele gosta de lasanha, e sabemos que ele é um rapaz sem frescuras, não há porque se preocupar tanto — finalmente meu pai interveio no assunto calando-a.
Eu não sei porque ele leva tanto tempo para se pronunciar sabendo que ele é o único que tem o poder de conter nossa mãe.
— Tudo bem — diz ela, ajeitando a postura na tentativa de disfarçar sua decepção por servir algo simples — Betina, querida — mamãe chama atenção da cozinheira que lavava a louça — capriche na lasanha, faça ao seu gosto.
— Sim senhora, tenho certeza que o senhor Maxon vai adorar — todos sorrimos para ela.
— Kota, vamos — papai se levanta chamando meu irmão. Ele olha para mim e para May sorrindo e então se inclina para falar no meu ouvido.
— Boa sorte — e saí. Logo entendi o que ele queria dizer, era eu, May e mamãe com sua lista ainda sentadas à mesa. May se levanta na velocidade da luz, mas dona Magda é ainda mais rápida.
— Nada disso mocinha, tem coisas para fazer — May volta a sentar emburrada.
Ambas recebemos tarefas sem sentido nenhum, uma delas era organizar a mesa, essa sim fez sentido, afinal, ainda tinham as coisas do café, agora organizar a sala? Ela havia sido arrumada ontem por Anne, não tinha uma almofada fora do lugar e nem um grão de poeira perdido. Mas nossa mãe insistia no inexistente. Para satisfazê-la, minha irmã e eu apenas levantávamos as almofadas e a depositamos exatamente da mesma forma que ela já estivera.
Enfim, ela aceitou a nossa “organização”, e nos dispensou para nos arrumarmos. Agora estou aqui no quarto, reclamando com minha irmã das atrocidades descabidas que fomos submetidas.
— Eu vou pensar mil vezes antes de apresentar meu namorado — May comenta levando realmente a sério sua observação.
— Concordo, pense muito bem — eu estava deitada no chão encarando o teto, May ao meu lado.
— E o Maxon, que horas chega?
— Nem falei com ele ainda, está tão nervoso quanto nossa mãe — sorrio ao lembrar da insegurança dele.
— Quem não ficaria para se apresentar oficialmente como genro da loca Singer, quer dizer… — ela finge que foi sem querer — Magda Singer — demos risada.
— Acho que não deveríamos falar assim da nossa mãe — adverti.
— Acho que não, mas agora falando sério — ela se vira para mim apoiando o cotovelo no chão dando suporte ao seu rosto — imagina quando ela virar uma idosa caduca, nós estaremos fritos.
— May! — caí no riso.
— O que é!? Acho que já devíamos ir pensando o que fazer com ela quando endoidar de vez, não quero deixá-la em um hospício.
— Você não tem jeito — digo me levantando — vai logo se arrumar, coloque um vestido de gala, para não ter erro com a vestimenta.
— Vou colocar uma de biscate, quero causar neste almoço — me acabo na gargalhada.
— Então isso é um adeus irmã, pois mamãe, vai te matar.
May saiu do quarto cantando uma música promíscua. Fiquei chocada com nível de cultura musical que ela tem escutado, mas se tem alguem que ficou mais chocada que eu, foi dona Magda. Ouvi apenas os berros de repreensão dados por ela.
Estou terminando de passar um nada de maquiagem no meu rosto, apenas para dar aquele realce. Maxon acaba de me enviar uma mensagem dizendo que estava a caminho. Isso me gerou um grande frio na barriga, afinal, o que esperar?
Eu estava tranquila até agora, mas qualquer pingo de controle emocional se foi. Tento me acalmar pensando o que poderia dar errado. Minhas conclusões foram coisas que podemos chamar de normais, que acontece com qualquer um, como engasgar com a comida, uma dor de barriga, derramar o suco na mesa. Portanto, nenhum motivo para grandes alardes.
Aliso meu vestido uma última vez e retoco meu hidratante labial. Escolhi um vestido até o joelho azul, de alcinhas. Perfeito para um almoço tranquilo em família.
No andar de baixo, o cheiro da cozinha resplandecia por todo canto. Nunca vi minha casa tão organizada. A mesa posta estava maravilhosa. Mamãe deixou cada louça e talher milimetricamente disposto, sorri ao pensar como Maxon ficará confortável com isso, pois ele vive ajeitando o que está torto. O chão estava brilhando, os móveis bem lustrados, o ar que vinha das janelas abertas balançavam as cortinas liberando um aroma floral delicioso.
Estava no pé da escada observando tudo e buscando ficar tranquila, aguardando ansiosa pelo som da campainha, até que alguém toca meu ombro com delicadeza.
— Desculpe por todo stress filha — ouço minha mãe, no seu estágio mental calmo descendo um degrau para ficar no mesmo que eu — seu pai acaba de conversar comigo, desculpe por me exaltar.
— Tudo bem mãe, fico feliz por estar tranquila agora — e fico mesmo, os nervos que ela estava antes sem dúvidas tornaria o almoço lamentável.
— Quando fui apresentar seu pai a minha mãe, acredite, não foi nada legal — arqueei a sobrancelha denunciando meu interesse na história — se você me acha louca, é porque não conheceu sua avó. Ela não gostava muito dele, dizia que ele era um aproveitador, mesmo sendo de uma boa família. Quando Shalom foi nos visitar pela primeira vez, mamãe fez questão de colocar mais do que deveria de sal e pimenta no prato dele. Seu pai tentava disfarçar ao máximo o desconforto — ela riu pela lembrança — além disso, derramou suco de propósito nas calças do seu pai e botou tachinhas na cadeira que ele sentaria. Me perguntava porque seu pai se remexia tanto naquela cadeira e só depois percebi elas presas na calça dele. O coitado teve a bunda espetada em vários pontos.
— Meu Deus mãe — exclamei sem acreditar ao passo que ria junto com ela.
— Sim, sua avó não era uma pessoa fácil — agora sei a quem ela puxou — por isso fiquei nervosa com a vinda do seu namorado — ela suspirou, parecia decepcionada consigo mesma. Toquei suas costas em um gesto afetivo — não queria ser igual a ela e fazer você passar pelo que passei, mas acabei sendo pior, desculpe querida.
Abracei minha mãe. Fazia tempo que não tínhamos um momento íntimo de mãe e filha. Só agora eu percebi o quanto sentia falta disso.
— Bom, você ainda não fez uma gororoba de dar dor no estômago e nem furou a bunda do Maxon. Está longe de ser como ela — sorrimos uma para outra — ainda tem chance de me salvar de uma experiência traumática — rimos.
— Somos Singers, não dá para saber o que esperar de nós — diz sorrindo — deve ser por isso que fico preocupada e com cabelos brancos o tempo todo.
— Eu bem sei disso — nos encaramos sorridentes, felizes por esse momento de harmonia. Mas mamãe logo respira fundo e recompõe a postura.
— Esse vestido não está muito decotado mocinha? — bufei enfadada, minha mãe com um olhar divertido sobre mim — o que? Pensou que eu deixaria de ser implicante? — Desceu o último degrau rindo da minha cara a caminho da cozinha.
Ela estava brincando, e nesse momento me senti em paz vendo-a em paz.
— Mãe — chamei antes que se afastasse mais, ela se vira e me encara — obrigada por tudo e eu amo você.
— Eu também amo você meu anjo.
Na ponta da escada avistei meu pai todo orgulhoso, contente por nos ver contente. Assim que ele desceu, me acompanhou até a cozinha onde mamãe ajuda Betina com os preparos. Gosto da forma como nossa casa é ampla e integrada, assim a diversão da cozinha pode ser vista por quem está na mesa, ao mesmo tempo que quem está na mesa desfruta da vista dos fundos da casa.
O dia estava quente, próprio para um banho de piscina, onde Gerad já se encontrava agarrado a sua boia de jacaré.
Betina acabara de pôr a lasanha no forno e o cheiro que já resplandecia da comida ainda em preparo era muito apelativo. Todos estávamos reunidos na área externa olhando Gerad brincar com a água quando a campainha tocou. Meu reflexo é acionado na hora, me levanto num pulo. Ele chegou.
— Calma maninha, deixa ele tocar mais algumas vezes para pensar que esquecemos dele — diz Kota brincalhão.
— Eu vou deixar você tocar a louça suja do almoço se começar com brincadeiras — mamãe ameaçou e Kota levanta os braços em rendição — vai logo abrir a porta.
E fui. Minhas pernas seguiram ansiosas o caminho da porta, minhas mãos a abriram com agilidade e meu sorriso se escancarou ao dar de cara com aquelas costas largas muito bem demarcadas na sua camiseta polo azul escura. Maxon, assim que percebeu, virou-se rapidamente para mim. Seu nervosismo escondido atrás do seu encantador sorriso.
— Oi — cumprimento, meio tímida pelas circunstâncias.
— Oi minha linda — Maxon me mede com o olhar e complementa — você está maravilhosa — quem diz que eu consigo controlar minha boca? Ela sem comando nenhum se curva no mais genuíno sorriso.
— Obrigada — aaah fala sério! Nós dois ultrapassamos o maior limite de intimidade possível e eu coro com um elogio?
— Vermelhinha assim fica ainda mais encantadora — podia até ter sinceridade, mas ele estava é caçoando da minha cara. Mas eu não deixaria baixo.
— O senhor está atrasado, sabia? — seu sorriso se fecha e no momento sua face reflete tensão — mamãe está em uma esteria e meu pai disse que te achava mais responsável — cruzo os braços, rindo por dentro da palidez que desceu pelo seu rosto.
— Puta merda, estou mesmo atrasado? — ele olha o relógio no pulso — eu sabia que essa porcaria estava com o horário errado. Seus pais estão muito chateados? Caramba Meri! Porque não me ligou? Eles devem estar me odiando, puta que pariu Maxon! — repreendeu a si mesmo depois passando a mão no cabelo e esfregando a cara, claro sinal de nervosismo. Assim que ele me encarou novamente, caí no riso — tá rindo do que?
— De você — continuei com as gargalhadas, Maxon arqueia uma sobrancelha — own amor, você fica tão fofo preocupado — lhe dou um abraço que não foi correspondido — fica tranquilo, você chegou cedo e meus pais não te odeiam.
— Você estava tirando uma com minha cara, era isso? — comprimi os lábios segurando o riso depois da seriedade que ele fez a pergunta — porra Meri, não faz isso comigo, você sabe que…
— America! — interrompe dona Magda — que modos são esses? O convide para entrar — claro que mamãe não deixaria de mostrar que ela é a autoridade da casa.
Dei espaço e estendi o braço o convidando a passar pela porta. Maxon seca as mãos na calça e passa por mim sorrindo nervoso.
— Maxon! Meu querido, que bom vê-lo! — mamãe abre os braços para um abraço.
— Olá senhora Singer, é muito bom vê-la também — respondeu. Inclinei a cabeça para o lado e dei um sorriso fechado, achando meigo a voz e a postura de bom menino que ele adotou, nem parece aquele garoto falando besteiras no meu ouvido enquanto eu sentava no…
Deus do céu! O que eu estou pensando!?
— Nada de senhora — mamãe corrige — somos família e família não tem cordialidade — Maxon assentiu ficando mais confortável com o jeito afetivo dela.
— Maxon! Como está? — papai chega para cumprimentá-lo. Notei meu namorado respirando fundo, ele ainda tinha pessoas que segundo ele, precisava conquistar.
— Senhor Singer — mamãe pigarreia o repreendendo, e Maxon como se tivesse cometido o maior erro da sua vida, corrige rapidamente — estou bem Shalom, e o sen… e você?
Eu estava mais atrás observando tudo, sorrindo feliz da vida. Ver Maxon se sentindo mais à vontade, e meus pais o paparicando como um novo membro da família, me senti completa.
— Venha — mamãe puxa seu braço — estávamos todos tomando um sol lá fora vendo Gerad brincar na piscina. Ah! Só não ligue para a bagunça — tive que revirar os olhos. — Você lembra do Gerad? — Maxon afirma com a cabeça enquanto mamãe o leva — aah… não sabe como eu sonho que ele cresça e seja um menino de ouro como você…
E enchendo o ego do meu namorado, mamãe e papai o levam, me deixando para trás, esquecendo que existo.
Não demorei muito para segui-los e me sentei ao lado de Maxon em um dos sofás abaixo do guarda-sol. Mamãe não parava de tagarelar, dava para notar o quanto estava contente por ele estar ali, o que me deixou contente também. Papai fazia-lhe perguntas banais, do cotidiano, pois já imaginava que ele poderia estar inseguro com a primeira visita. Em instantes, a mão de Maxon que estava entrelaçada à minha, já estava mais relaxada, deixando de me apertar. Suas respostas pararam de ser trêmulas, ele estava se enturmando com todos.
Kota ficou em silêncio, apenas o cumprimentou e complementava comentários de nossos pais que se referiam a ele hora ou outra. Gerad nem tinha notado que Maxon havia chegado, estava fingindo que a boia de jacaré estava viva e atacando ele. Agora o que eu queria saber… é onde está a peste amada da minha irmã. Não vi May desde a hora que ela saiu do meu quarto.
— Filha, onde está sua irmã? — perguntou minha mãe.
— Era exatamente isso que estava me perguntando — respondi olhando para a janela do quarto dela. Estranhei, pois podia jurar ter visto de relance a imagem do Ursinho Pooh correndo.
Segundos depois, a surpresa.
— Chegueei! — May apareceu usando uma fantasia ridícula do personagem, tocando em uma caixa de som a música Don’t Cha, se remexendo como uma minhoca.
— Deus do céu! May Singer, o que é isso? — mamãe perguntou pasma. Kota ria descompassadamente junto comigo. Maxon se segurava em respeito a minha mãe aborrecida.
— Isso mamãe — começou a explicar — é uma homenagem para o meu querido cunhado — sorriu para Maxon que tapava a boca contendo o riso — mas não estou me referindo a você Max — todos ficamos confusos — sabia que a America te trai?
Oiii!? Ela ficou maluca?
— O que!? May! — gritei com ela — que merda você está dizendo? — olhei para Maxon que não tinha muita expressão no momento.
— Agora você se faz de desentendida, não é? — me desafia. Eu só me perguntava onde ela queria chegar com essa mentira — saiba Maxon, que a Ames trai você nos sonhos dela com o Ursinho Pooh, a safada já deve mais de um sonho erótico com ele.
Ruborizei em milésimos. Kota que bebia um refresco cuspiu o que tinha na boca e se contorcia com suas graves risadas. Mamãe, me surpreendendo, segurou os lábios com os dedos mantendo os olhos fechados. Ela queria rir!? Papai apertava o cenho com a cabeça baixa se chacoalhando com suas baixas gargalhadas. Mas nada superava a risada esganiçada de Maxon no meu ouvido. Ele abraçou minha cintura e continuou rindo com a testa apoiada no meu ombro.
Minha irmã parecia mega satisfeita, olhava para mim com ar de deboche. Ela gesticulou com os lábios, sem soltar um som sequer a palavra: vingança. Imediatamente todas as vezes que ela ameaçou se vingar por algo que eu tenha feito, passou na minha cabeça.
— Ha, ha, ha — fingi rir, usando a última gota de coragem que me restou depois de toda ela ser sugada pela vergonha — você é uma palhaça.
— Por essa eu definitivamente não esperava — diz Kota se recompondo.
— Eu também não — Maxon sussurrou no meu ouvido. Cerrei os olhos para ele.
— Para início, isso é uma grande mentira — me defendi.
— Ah é? — May cruza os braços de forma patética vestida de urso amarelo — mamãe está de prova que é verdade, não é mamãe?
Mamãe não disse nem que sim nem que não. Mas seu silêncio apenas confirmou as palavras de May. Acho que nunca senti tanta raiva da minha irmã.
— Senhora, a comida está pronta — Betina anuncia.
— Ah! Que ótimo — exclamou mamãe aliviada — obrigada Betina.
— Maxon, eu espero muito que você goste de lasanha, não sabe o caos que rolou hoje de manhã para saber o que você gostaria de comer — May fala, depois é fuzilada com o olhar de nossa mãe.
— Antes de trocar essa roupa ridícula, a senhorita vai tirar seu irmão da piscina e levá-lo para tomar banho — dita as ordens dona Magda.
— Mas…
— Mas nada! — prendi o riso com os lábios — venha Maxon, e realmente eu espero que goste de lasanha.
— Eu adoro — ele respondeu ao se levantar, em seguida pegando minha mão ajudando-me a ficar em pé — e não precisavam se preocupar tanto, eu como qualquer coisa.
Mamãe sorriu, mas sei do seu descontentamento por estar errada em pensar que ele só comia alta gastronomia. Betina serviu a mesa com entusiasmo. Era até fofo de ver o jeito dela depositando as travessas, estava ansiosa para provarmos a comida deliciosa dela.
— Nossa! Isso está muito bom — Maxon gabou a vontade depois da sua terceira garfada.
— Betina é uma cozinheira de mão cheia, faz pratos deliciosos — papai sabia como nossa cozinheira ficava feliz quando era reconhecida.
— May você é uma chata! — todos nos viramos em direção a Gerad que descia as escadas reclamando da nossa irmã.
— Ei, ei, o que está havendo? — perguntou mamãe.
— A May, ela… — Gerad arregalou os olhos e abriu um sorriso gigante assim que percebeu a presença do loiro ao meu lado. Achei muito engraçado a forma como ele foi calado para seu lugar na mesa, sem tirar os olhos de Maxon.
— Porque ele está olhando assim para mim? — Maxon perguntou aos sussurros.
— Não sei — respondi rindo. Todos a mesa tínhamos reparado o fascínio que Gerad olhava para ele.
— Tudo bem? — Maxon, meio nervoso perguntou.
— Você é o namorado da Ames que é capitão de um time de futebol? — a pergunta veio tão rápida que todos soltaram gargalhadas na mesa.
— Ah sim, sou eu mesmo.
— Ual! Você deve ser muito bom para ser capitão — Maxon com certeza ganhou o dia dele depois dessa — como você fez? Você me ensina? Posso jogar no seu time?
— Gerad, agora é hora de comer — nossa mãe o repreendeu.
— Pode deixar que um dia desses eu te ensino — Maxon respondeu ao notar a frustração de Gerad por não ter suas respostas. Meu irmão parecia que daria piruetas de empolgação.
O almoço seguiu muito bem. Muita conversa e risada. Até Kota, que não tinha simpatizado tanto, agora conversa animadamente com Maxon sobre assuntos que definitivamente interessam apenas a homens. Tenho certeza que Kenna teria adorado ele também, mas está viajando com James e só voltará quando for a hora da pequena Astra nascer.
Era a hora da sobremesa e andei observando que Maxon estava tenso, apertando os nós dos dedos e se remexendo na cadeira o tempo todo. Por um mísero segundo, pensei que mamãe poderia ter colocado tachinhas para ele se sentar, assim como vovó fez com papai. Mas não, mamãe não faria isso. Então decido perguntar.
— Amor, você está bem? — ele me olhou, estava nervoso mas deu um sorriso consentindo.
Comecei a me perguntar o que poderia tê-lo deixando assim. Ele estava bem, estava à vontade. Será que a comida caiu mal? Será que alguém disse algo que o fez ficar assim? O vi suspirar e ajeitar a postura, e então pigarreou chamando a atenção de todos, mas principalmente a dos meus pais.
— Senhor e senhora Singer — ai meu Deus! — certamente eu não vim aqui apenas para provar dessa comida maravilhosa — ele encarou Betina, que se encolheu envergonhada — nem apenas para desfrutar da companhia de pessoas tão incríveis como vocês — respirou fundo. — Eu vim também, porque precisava dizer que vocês tem uma filha maravilhosa, inteligente, talentosa e muito bonita, bonita em todos os sentidos… e claro, que nenhum elogio é o suficiente para definir essa garota perfeita — Maxon segura minha mão. Minha vista começando a embaçar — tão perfeita, que me fez ficar perdidamente apaixonado por ela assim que a vi pela primeira vez, e olha que quando nos vimos pela primeira vez, não foi da forma mais romântica — todos rimos.
“Me senti o mais sortudo do mundo ao reencontrá-la, e com essa sorte eu percebi que algo muito maior nos une. Não demorei a perceber o quanto preciso dela, e o quanto quero ela. E com toda a convicção do mundo, eu digo a vocês: eu amo sua filha. E foi com esse amor que a pedi em namoro, e é com esse amor que estou aqui agora, pedindo o consentimento e a benção de vocês para o nosso relacionamento, e junto com esse pedido, eu deixo a promessa de fazê-la feliz, de respeita-la e principalmente, ama-la com todo o meu coração.”
Maxon finaliza seu pedido, tirando lágrimas sinceras dos meus olhos. Se um dia eu duvidei do que ele sente por mim, ou se duvidei de nós dois, eu fui muito, muito idiota. Ao meu lado está o cara mais perfeito do mundo, deixando seu lado de garoto, para ser um homem, que se honra e me honra.
— Meu jovem — começa papai — é com muita segurança, que abençoo o relacionamento de vocês, e saiba… isso é muito importante… você tem o coração de uma das minhas joias mais preciosas, então, cuide muito, mas muito bem dela — eu e Maxon nos encaramos, nunca pensei que o amor poderia ser transmitido com tanta força pelos olhos, e tendo a certeza absoluta desse amor, Maxon consente a exigência de papai com um movimento firme com a cabeça.
— Eu prometo que cuidarei — não precisou ser dito mais nada, todos tinham certeza disso, principalmente eu.
— POR FAVOR — grita May assustando a todos — me diga que você tem um irmão! Por favor! — implorou ela com os olhos marejados.
— May Singer, isso é coisa que se pede!? — censurou mamãe limpando lágrimas que acusavam cair.
— Mãe, se for necessário eu mendigo por alguém como o Max.
Maxon ficou levemente corado com o atrevimento de May, no entanto, risadas também foram arrancadas. Tenho certeza que ninguém julga ela pelo que disse, afinal, quem não gostaria de ter ao seu lado uma pessoa como ele?
Depois do almoço, da declaração de Maxon, e de ameaças de morte vindas de Kota caso Maxon pensasse em me magoar, tivemos uma tarde incrível e muito divertida com meus irmãos mais novos. Gerad não quis esperar outro dia para Maxon o ensinar a ser um capitão de time de futebol, ele queria naquele momento.
Jogamos bola no gramado por horas. Segundo Gerad, esse estava sendo o melhor dia da vida dele, e que Maxon era a melhor pessoa que ele já havia conhecido. Os dois formaram uma dupla contra mim e May, claro que eles se achavam um máximo sempre que conseguiam nos driblar e marcar gols. Tirando o fato que May e eu éramos como duas mongoloides correndo pelo campo tentando dominar a bola que fugia dos nossos pés.
Quase no fim do dia, Gerad empurrou May para dentro da piscina, não tive muito tempo para rir pois fui empurrada também. Maxon e meu irmão se divertiam com nossas caras e cabelos ensopados. Óbvio que não deixamos por isso, encharcamos eles com arminhas de água que estavam na borda da piscina. Rendidos, eles pularam conosco e lá ficamos até mamãe aparecer com caixas de pizzas. Nós quatro brigamos horrores pela de calabresa, pois as outras duas pizzas, dona Magda pegou de sabores esquisitos e horríveis. Ela denovo com esse achismo que Maxon só come comida chique.
— Nossa Max, desculpa por toda a baderna e brincadeiras, de verdade — falo assim que entro no meu quarto com a roupa úmida e o cabelo todo desgrenhado.
— Você tá brincando? Nunca me diverti tanto na vida — rebateu Maxon todo animado enquanto eu fechava a porta atrás de mim — eu adorei passar o dia com sua família, vocês são demais, seus irmãos já são como meus irmãos — seus olhos entregavam sua sinceridade.
— Você não sabe como eu fico feliz — digo tirando a sandália — eu sabia que daria tudo certo, minha família já gostava de você desde que te conheceram na viagem, mas admito que por um instante, fiquei preocupada.
— Se você me visse antes de sair de casa, riria da minha cara. Não sabia que podia tremer tanto.
— Juro que não entendo porque ficou tão nervoso, você já os conhecia — retruquei.
— Se eu não me preocupasse seria um bobo — disse se aproximando — imagina se eu não agradece seus pais — se aproxima o suficiente para abraçar minha cintura de uma forma excitante — não seria nada legal ter que escalar sua janela para conseguir invadir o seu quarto e fazer amor com você — suspirei muito, muito fundo mordendo o lábio inferior assim que Maxon, mergulha com seus lábios na pele do meu pescoço.
— Na verdade isso seria emocionante, não acha? — falo baixinho aproveitando seus beijos delicados na minha pele.
— Podemos tentar um dia desses — suas mãos passeando pela lateral do meu corpo, vez ou outra erguendo meu vestido molhado — só deixa uma escada fácil em algum lugar, não sou o homem-aranha — rimos.
— Sabe… — inclino meu rosto para mais perto do seu ouvido — o dia hoje foi incrível, mas senti falta de uma coisa.
— E o que seria essa coisa, minha linda? — aperto minhas pernas uma na outra, tentando conter a sensação lá embaixo assim que ele me encarou com aquele sorriso sedutor que apenas ele sabe fazer.
— Desde que você chegou… — aliso seu peito esculpido por cima de sua camisa úmida. Tal imagem que enlouqueceu tanto a mim quanto a minha irmã assim que saímos da piscina.
— Desde que eu cheguei…? — Maxon percebeu minha distração.
— Desde que você chegou, não me deu um beijinho sequer — falei manhosa, como uma criancinha indefesa.
— Ora, mas que péssimo namorado eu fui por não lembrar de mimar a minha linda namorada — as palavras podiam ser meigas, mas suas mãos e seus olhos eram possessivos.
Apenas uma fina circunferência castanha envolvia suas pupilas dilatadas, suas mãos grandes arrastavam-se com certa força pela minha cintura e minhas costas, travando em algumas partes por conta da roupa molhada. Trocamos vários sinais do que aconteceria em seguida, como um aviso, para não se arrepender depois.
— Vai demorar muito mais para me beijar Maxon? — tive que provocar, ele só me olhava e não fazia nada.
— Gosto de estudar suas reações — agora sua voz também tinha um tom de autoridade — e gosto de ver você implorar — sorriu de lado. Desgraçado.
— Não estou implorando — disse muito próximo dos seus lábios. Suas mãos sobem para a minha nuca agarrando a raiz do meu cabelo inclinando levemente minha cabeça para trás.
— Tem certeza? — sussurrou com sua boca praticamente colada na minha, seu hálito quente misturando-se ao meu.
— Filho da puta — falei baixo, muito baixo. Nessa hora eu só tive vontade de xingá-lo. Estamos nos provocando mas ele é muito melhor do que eu nessa brincadeira.
— O que disse? — puxou um pouco mais meu cabelo assim que afirmou seu aperto.
Seu braço esquerdo estava amarrando meu corpo no dele. Nem um sopro de ar era capaz de passar entre nós dois agora. Estamos totalmente colados. Sinto no meu abdômen algo mais rígido, tive que sorrir convencida, não era só eu que estava ficando perdida.
— Não te interessa — cochichei sorrindo. Ele apertou ainda mais meu cabelo levantando meu rosto um pouco mais, estava começando a doer, no entanto, era uma dor deliciosa.
— Quer saber de uma coisa? — perguntou e assenti como pude — de todas as coisas que eu comi hoje, você com certeza vai ser a mais gostosa.
Deus do céu!
Com um ataque, Maxon se apossou da minha boca com agressividade. Caminhamos para trás às cegas, sem se importar se tropeçaremos ou bateremos em algo. Estava para cair para trás com a velocidade que ele nos guiava até que, senti minhas costas bater com força na parede. Um quadro que lá estava pendurado caiu no chão, por sorte em cima do tapete evitando que ele se quebrasse.
Nossas línguas travavam uma enorme batalha, nosso fôlego tentava se recuperar durante o beijo, não queríamos parar, não podíamos parar, isso não era uma opção no momento.
Relutantes e com grunhido de frustração, por ficarmos decepcionados por precisarmos de ar, separamos nossas bocas, mas só nossas bocas, meu corpo estava quase se fundindo com o dele. A parede atrás de mim, por mais que fosse exagero, temia que fosse derrubada com a força que Maxon me prensava nela.
Por uma necessidade vinda do além, levantei minha perna esquerda e Maxon entendeu direitinho a minha intenção. Com um impulso me pegou no colo como se eu não pesasse nada e com as mãos cravadas na minha bunda, me forçando ainda mais contra a parede, ele passou a me enlouquecer com beijos e chupões pelo meu decote, que cedeu um pouco pelo peso da água deixando ele maior. Com os dentes Maxon desceu a alça do meu vestido expondo meu seio esquerdo. E ali ele se divertiu como pode, me fazendo ver vertigens. Desceu da mesma forma a outra alça e se deliciou com meus peitos sem proteção nenhuma na frente do seu rosto.
Mordia minha boca para evitar qualquer som que por simples impulso involuntário saía. Meus dedos mergulharam entre seus fios loiros ainda meio úmidos o obrigando a continuar o que fazia. Gemi baixo quando Maxon deixou eu escorregar um pouco com o objetivo de colar nossas intimidades, me esfreguei na sua excitação deixando ambos sem ar e ansiosos para nos unirmos logo.
— O que acha de um banho? — perguntou Maxon beijando meu ombro.
— Acho ótimo, estou precisando — nos encaramos abrindo sorrisos maliciosos. Sabíamos que o que eu precisava não era isso.
A ideia de transar no banho me deixou muito empolgada. Na verdade, todas essas novas experiências que Maxon estava me apresentando me deixavam empolgada. A cada segundo que se passava eu imaginava o que ele poderia fazer comigo e cada um desses segundos eu era surpreendida.
Ainda em seu colo, Maxon nos levou até o banheiro, ligou o chuveiro e enquanto a água esquentava, começamos a tirar nossas roupas com pressa.
— Eu já devo ter dito isso, mas não me importo de dizer novamente que você é uma tremenda de uma gostosa — seus olhos repletos de malícia percorriam cada detalhe do meu corpo desnudo.
— E eu não me importo que você diga, aliás, adoro que diga — me aproximei passando meus braços pelo seu pescoço.
— Gostosa — rosnou no meu ouvido e depois mordeu o nódulo da minha orelha.
Minha intimidade pulsava, e o membro dele como uma pedra sarrando nela durante nosso beijo completamente obsceno, me deixava impaciente. Já embaixo da água morna e com nossas bocas mais coladas do que nunca, Maxon novamente pega-me no colo e me gruda na parede. Ele apoiou suas mãos com força nela e minhas pernas ficaram presas nos seus braços como um gancho. Com a posição pronta, espaço livre e uma troca de olhares pedindo consentimento, Maxon penetrou, penetrou fundo, fazendo ambos gemerem pela satisfação de finalmente nos completarmos.
Aquilo estava incrivelmente bom, muito bom. Suas investidas eram fortes e rápidas. Tentávamos nos calar colando nossas bocas, mas nem isso funcionava, mesmo tentando o máximo para ninguém ouvir, os gemidos saíam.
Essa terceira vez estava sendo esplêndida, o prazer que estava sentindo era bilhões de vezes maior. Mas o que tornava tudo melhor era ouvir meu namorado clamando meu nome, chamando-me de gostosa, deliciosa e vagabunda a cada minuto que passamos ali com a água escorrendo nas costas fortes dele. Nossa pele deslizava um no outro de uma forma extremamente excitante e enlouquecedora. Mas esse detalhe, me fez lembrar de um detalhe ainda maior.
— Max — porra America, é para alertar ele não gemer o nome dele.
— Ah amor, eu preciso que você goze porque eu estou quase lá — arregalei os olhos e desci do seu colo rapidamente — o que? O que foi? O que aconteceu? — perguntou exasperado.
— Maxon, esquecemos a camisinha — falei ofegante e temendo o pior.
— Puta merda! — levou uma mão à cabeça — é verdade — ok, a reação dele me apavorou.
— Você não… não… — não tenho nem coragem de completar a pergunta.
— Não, claro que não, fica tranquila — suspirei — ainda quer continuar?
— Que pergunta idiota, claro que quero — Maxon sorriu, saiu do box e no bolso da bermuta pegou um pacote, abriu e vestiu o preservativo.
— Vira — ordenou. Não tinha entendido — Anda, vira.
Num movimento abrupto, Maxon me deixou de costas para ele, segurou minha nuca com força grudando meu corpo no box gelado. Ele fez com que eu me debruçasse um pouco e com a mão livre deu um tapa forte na minha bunda. E aí estava mais uma nova experiência, talvez a minha favorita até agora.
— Ah America, porra! — exclamou Maxon enquanto metia com vontade.
Eu só sabia gemer, gemer o mais baixo que podia para não constranger minha família e a mim mesma. Aquilo estava demais, demais de bom, demais de gostoso. Sentia meu orgamos chegando. Comecei a implorar a Maxon para ele não parar.
— Ah Max! Isso! — minha nossa! Eu estava sendo levada para outro mundo, a sensação de chegar ao ápice não é daqui, não é da terra, não é desse universo!
— Porra America! — e agarrando minha cintura com muita agressividade Maxon se entrega ao seu momento de prazer, soltando grunhidos graves em seguida deitando sua testa no meu ombro, sentia sua respiração funda e cansada assim como a minha. Ambos derrotados e abraçados no box com a água do chuveiro caindo direto no chão.
— Isso foi muito bom — disse recuperando as forças — por favor vamos fazer de novo assim que der — Maxon riu gostosamente.
— Com certeza meu amor, com certeza — me virei para ele e deixei um beijo nos seus lábios inchados, notei que os meus estavam doloridos — agora vamos terminar esse banho, sim?
Mais nos divertimos do que nos lavamos de fato. Decidimos um dar banho no outro, com isso, descobrimos pontos sensíveis a cócegas que cada um tinha. Nos aproveitamos disso se cutucando e rindo demasiadamente assim que achávamos brechas para ficar um bom tempo se torturando.
Maxon era perfeito em todos os detalhes, secou meu cabelo, passou creme nas minhas pernas — devo admitir que essa foi minha parte preferida — escolheu meu pijama, que eu odiei, foi um comprido de advinha quem… do ursinho pooh!
— Você realmente teve sonhos eróticos com ele? — perguntou Maxon segurando o riso assim que me joguei na cama.
— É claro que não!
— E porque May e sua mãe confirmam isso?
— Está com ciúmes? — provoquei.
— Devo ficar? — emburrei e ele gargalhou.
— Não foi um sonho erótico, May aumenta muitos os fatos, você precisa saber disso — Maxon apoiou seu cotovelo na cama e deitou seu rosto no punho fechado, sorrindo contente, me apaixonei naquele sorriso — estou tão feliz que irá dormir aqui.
— Eu também linda — Maxon se remexeu e deitou sobre meu peito me abraçando com seu braço forte. Tive que me ajeitar abaixo dele, afinal, ele é pesado para mim — eu amo tanto você.
Absorvi suas palavras sinceras com todo o meu coração.
— Eu também amo muito, muito, muito você — A cada “muito” que falei, nos apertamos mais e mais em um abraço gostoso.
Minutos mais tarde, senti a respiração pesada de Maxon sobre meu colo. E assim adormeci, sentindo o cheiro doce do seu cabelo e acariciando suas costas nuas.
Naquela noite, eu tive lindos sonhos, estava no paraíso.
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