Já era quatro horas da tarde e todos estavam na beira da piscina tomando sol conversando sobre assuntos aleatórios e casuais. Lembrei que precisava comprar meus materiais, amanhã eu começava no novo colégio e ainda não tinha me preparado. Olho para May a convidando com o olhar. Ela abre um grande sorriso. Estava doida para dar uma volta.

— Mãe, pai. Estou indo com May então comprar nossos materiais — disse já me levantando e May também.

— Ok meninas — concordou dona Magda — tomem cuidado com aquele carro. Não voltem tarde.

— Sem problemas. Tchau pessoal — chacoalhei a mão dando um tchau geral para todos os presentes. Eles retribuíram com um tchau em uníssono. May fez o mesmo.

Peguei as chaves do carro e saímos correndo escadaria a baixo até garagem no subsolo. Estava muito animada. Iria testar meu carro novo.

— Você sabe dirigir essa coisa? — perguntou May duvidando da minha capacidade.

— Claro que sei! Quando papai tinha uma dessa ele sempre deixava eu dirigir. Então fica susse. Ninguém morrerá hoje. — disse rindo. May só entrou e estava mais empolgada que eu.

Dei a partida e não pude deixar de sentir uma adrenalina. Era muito legal ter seu próprio carro. Dá uma sensação de independência. May buscou no GPS uma loja para irmos em busca dos materiais. Fomos o caminho todo cantando e aproveitando um pouco da cidade. Eu ficava me sentindo super feliz quando passava pelas pessoas e elas apontavam de boca aberta para nós. Era engraçado. Até fotos elas tiravam. Acabamos indo ao shopping. Com certeza teria uma papelaria por lá.

Encontramos uma bem grande e cheia de coisas bonitas. Sempre fui do básico bonito, então era isso. Buscando coisas básicas com a lista de materiais em mãos. May ia de cara no mais extravagante. Os cadernos que ela escolheu me davam tontura de tanto brilho e ainda por cima com linhas coloridas. Como alguém consegue se concentrar com um caderno que estava mais para o reino dos unicórnios felizes?

Estava a caminho do nosso carrinho de compras para guardar meus cadernos distraída com as prateleiras de lapiseiras, quando sem querer esbarro em alguém derrubando os cadernos e ela suas canetas.

— Ai meu Deus me desculpe! Nossa eu sou muito desastrada! Caramba fiz você derrubar seus cadernos! Nossa, você está bem? — Uma garota loira me metralhava com desculpas enquanto eu só conseguia rir do jeito dela.

— Oi… calma, fica tranquila. Eu também estava distraída e não vi você. Acabou que a culpa é de nós duas — disse sorrindo e ela suspirou me devolvendo um sorriso também.

— Bom saber que eu não sou a única que fica avoada de vez em quando — ela disse rindo — muito prazer, me chamo Marlee!

— O prazer é meu Marlee! Me chamo America — ela arqueou as sobrancelhas — sim, America tipo o continente — dei risada.

— Achei mega original seu nome. Não é todo mundo que tem nome de continente por ai. Achei incrível. Vou colocar na lista de nomes para meus filhos.

— Pois é, eu não conheço muitas Americas — demos risadas.

— Você é daqui mesmo? Tem um sotaque diferente. — perguntou ela enquanto ajuntava suas canetas do chão e eu os cadernos.

— Não, sou de Carolina. Cheguei de mudança aqui em Angeles sábado.

— Ah, que legal! E onde vai estudar? — perguntou ela animada. Eu já estava gostando de Marlee, ela é engraçada e bem animada. Transmite uma energia muito positiva.

— Vou para Angeles High — os olhos de Marlee se esbugalharam assim como seu sorriso se alargou.

— Aaaah eu também estudo la!!! — disse ela dando saltinhos de alegria.

— Sério!!! Não acredito!! — disse dando saltinhos também, é um alívio para mim saber que vou chegar lá e encontrar alguém conhecido. — Nossa você não tem noção do quanto fico feliz. Estava nervosa por chegar lá já depois das aulas terem começado e não conhecer ninguém.

— Eu entendo, me sentiria assim também. Em que turma está? — Sim, estávamos tendo essa conversa no meio de um corredor repleto de canetas de todas as cores existentes. A May eu não fazia ideia de onde estava.

— Vou para o 3°A. E você? — o sorriso daquela menina aumentou significativamente. Aquilo até me assustou.

— Você não vai acreditar! Eu também!! Aaa!! — ela dava gritinhos saltitando apoiada nos meus ombros — vamos ser da mesma turma!!

— Aaaaa! — acompanhei ela nos gritinhos e saltos também, pareciamos duas bobas naquele corredor.

— Eu te passo toda a matéria que você perdeu essa semana. — dei um olhar de agradecimento a Marlee — Espero muito que goste daqui. Vou guardar um lugar para você do meu lado. — Disse ela toda sorridente.

— Marlee eu adorei te conhecer. Sério! — disse dando um abraço desajeitado nela por conta dos cadernos. Ela retribuiu de uma forma tão calorosa que parecia que já éramos amigas a tempos.

— Eu também adorei conhecer você America. Se você quis… — Marlee ia dizer algo mas alguém se pronunciou no auto falante da loja gritando para todos ouvirem

— MARLEE! Sua vaca. Onde você está!? — era a voz de uma garota, parecia irritada e chamava por Marlee, olhei para ela assustada — se alguém ver uma garota loira de olhos azuis por aí, é minha amiga, ela é meio retardada e se perd… saii deixa eu contiNUAR A FALAR — parecia que alguém estava tentando impedir a garota de continuar e ela não queria ser interrompida — Marlee!! Vou te esperar na entrada por cinco minutos! Se não aparecer vou chamar a polícia … mas que merda em seu guarda inútil sai daqui… — e de repente a voz cessou e eu olhei chocada para a Marlee. Ela estava achando graça da situação.

— É minha amiga Celeste — disse ela dando risada. Eu não sei se acharia graça do que acabou de acontecer — você vai conhecê-la amanhã. Ela também estuda com a gente e é uma das melhores pessoas que você vai conhecer. — Eu não tinha tanta certeza disso — Bom, como você pode ver eu preciso ir — disse ela se jogando para me abraçar — tchau America, a gente se vê amanhã no colégio.

— Tchau Marlee! Até amanhã. — E ela sai correndo. Acho que ela temia que realmente a amiga chamasse a polícia.

Adorei conhecer a Marlee, e fico bem mais tranquila sabendo que vou encontrá-la amanhã, mas e essa amiga dela!? Admito que estou preocupada. Coloquei os cadernos no carrinho e fui procurar May. Ela sumiu durante todo esse tempo! Estava começando a ficar preocupada, rodei quase todos os corredores de prateleiras e nada dela. Até que me deparo com uma cena.

— Só pode ser brincadeira! — Falei para mim mesma. May estava apoiada com o lado esquerdo do corpo em uma prateleira com as pernas cruzadas e enrolando o cabelo com o dedo, com um sorriso e olhar sedutor para um garoto na sua frente. Ri da situação. É sério que ela está flertando com um garoto na área infantil da papelaria? Se eu vou interromper? CLARO!

— Eae aí May! Estou interrompendo? — Comecei a gritar me aproximando dos dois. May me olhou com repreensão. Aaa isso vai ser divertido. — mamãe acabou de me ligar dizendo que encontrou revistas de homens nus no seu quarto — ela arregalou os olhos e corou imediatamente — disse que é para você parar de comprar. Falou que você não tem idade para isso. — May ficou mais vermelha do que nunca. Não sabia se era por raiva ou vergonha. Eu estava me segurando ao máximo para não cair na gargalhada. O garoto que ela falava estava coçando a nuca constrangido, parecia querer rir também.

— Henrique, a gente se vê por aí. Tchau. — deu as costas para o garoto e saiu de lá como um jato.

— Tchau Henrique… — acenei delicadamente dando uma piscadela para ele — é brincadeira tá — disse rindo. Ele pareceu relaxar e passou a rir da situação também. May me esperava no caixa.

— Eu te odeio sabia? — ela estava muito irritada. Eu só conseguia rir. Isso foi uma vingança pelo o que ela já me fez — Vai ter volta! Eu garanto! Vai ter volta!

— Fica quieta, não vai ter nada. Vamos pagar, comer e ir embora logo.

May não falou nada na volta para casa. Eu tinha um sorriso triunfal no rosto, me segurando para não rir a cada segundo. Mas logo eu também passei a ficar séria. Amanhã era meu primeiro dia em um colégio que não fazia ideia de como era. Angeles High é um colégio de elite, ou seja, só filhos de pessoas muito ricas estudam lá. Eu já pude ter uma boa primeira impressão conhecendo Marlee, mas será que todos são simpáticos como ela? Claro que não, a amiga dela não parecia muito amistosa. Concluí que vou encontrar um pouco de tudo lá.

Chegamos em casa, conversamos mais um pouco. Meus irmãos mais velhos ainda estavam lá. Assim que foram embora, subi para meu quarto, tomei um banho, coloquei o celular para despertar um pouco mais cedo que o normal. Tinha que ter um tempo para me arrumar e ficar impecável. Queria causar uma boa primeira impressão no meu primeiro dia.