Já fui acordada de tantas formas. Pelo despertador, por berros, por tapas na cara, até por água, mas nunca por beijos que me causam cosquinha.

Estava em um sono profundo, mas senti algo me retirando dele conforme sentia uma sensação gostosa subindo pelo meu pescoço, me causando arrepios e fazendo meus lábios se curvarem contra minha vontade. Essa definitivamente se tornou minha forma favorita de ser acordada pela manhã.

— Vamos acordar dorminhoca? — Uma voz rouca com o hálito quente exalando cheiro de hortelã sussurra no meu ouvido.

Ainda de olhos fechados, me abro em um sorriso feliz enquanto braços fortes me enlaçam e beijos são distribuídos pela minha nuca e pescoço sem parar. Eu estava no céu. E a última coisa que queria é que me tirassem de lá.

— Nós temos que ir para o colégio e você ainda tem que passar em casa antes. — Sua última fala e seu último beijo atrás da minha orelha me fazem arregalar os olhos lembrando de tudo que tenho ainda para hoje.

— Meu Deus Maxon! Que horas são? — Me sento rápido na cama me soltando de seus braços.

— Ei… relaxa — ele se senta ao meu lado e passa sua mão pelo meu cabelo, que devia estar mega bagunçado — está cedo ainda. Dá tempo de você fazer tudo que precisa tranquilamente, e ainda tomar um café comigo. — Maxon estava tão feliz quanto eu, ele não fazia questão alguma de esconder isso.

— Preparou um café para mim? — Não estava surpresa, Maxon é perfeito, pensa em cada detalhe.

— Claro que sim! — Ele beija minha testa — Vem — ele se levanta e estende a mão — vamos aproveitar o pouco tempo que ainda temos sozinhos. — Pego sua mão sem exitar e me levanto meio desajeitada.

— Espera! — Paro enquanto ele ia na frente me puxando — Bom dia… — digo da forma mais meiga possível o puxando para perto.

— Bom dia, minha linda… — ele me abraça e me beija, meu corpo se derrete na hora. Os beijos dele estão entre minhas coisas prediletas da vida. — Vamos antes que tudo esfrie.

Ao chegar na sala, me deparo com uma mesa posta cheia de comidas que pareciam deliciosas. De frutas a massas, de suco a café. Me pergunto de onde ele saiu, nunca imaginaria ser tão paparicada. Maxon é incrível.

— Ual… quanta coisa! — me sento logo na cadeira à minha frente. Acho que Maxon notou minha animação pois deu uma risada gostosa se sentando ao meu lado.

— Não sabia o que tanto você gostava, além da torta de morango, claro! — o olho surpresa — Vi você repetir ela quatro vezes no café do hotel aquela vez. — Aquela torta estava uma delícia — Então peguei um pouco de tudo já que também percebi que você come bem. — Eu sei o que ele quis dizer. Que eu como muito, e é verdade.

— Você não precisava ter se incomodado — dou um beijo na sua bochecha — mas eu agradeço, e você acertou, eu como bem. — Digo pegando um croissant.

Está tudo divino. A companhia, a comida, o clima. Fiquei com certo receio ontem a noite de acordar e tudo não ter passado de um sonho. Que ele não estaria do meu lado na cama e a única coisa que faria seria pegar minhas coisas e ir embora. Foi um pensamento vago, fruto do meu lado pessimista que nunca dei muita atenção, mas não sei porque com Maxon, essas ideias surgem. Acho que é porque tenho medo de perdê-lo, dele ir embora de novo.

Mas como nossos momentos no Canadá, ele está aqui agora, me surpreendendo, me mimando e me fazendo muito feliz.

Não tinha parado para apreciar a vista de seu apartamento pela manhã. Que é tão linda quanto a noite, mas desta vez os detalhes da cidade são mais nítidos, as ruas estão cheias de carros andando em alta velocidade, indo para seus compromissos do dia. Pessoas caminhando, correndo, levando os animais para passear logo cedo.

— Porque fica sozinho aqui? — eu estava aproveitando minha torta e Maxon seu café preto. Ele me olha sem entender muito bem — Aqui — indico com o olhar — no apartamento.

— Bom… é porque você não vem morar comigo… — sorrimos… inclino a cabeça expressando que quero a verdade — aqui eu tenho privacidade. Gosto de privacidade.

— E você praticamente me pedindo para morar com você… — brinco lembrando da piada que ele fez.

— A… mas com você é diferente — ele deposita sua xícara na mesa — sacrificaria o que tivesse que sacrificar para te ter ao meu lado.

Suspiro. Meu sorriso fechado está na minha cara desde que acordei, e a cada palavra linda que Maxon me fala, ele tenta se alargar mais, deixando minha mandíbula dolorida.

— Queria te perguntar uma coisa — Maxon continua, mas dessa vez um pouco mais sério — Não é a hora, mas isso está me incomodando… — Meu sorriso dá uma trégua. Mas minha mandíbula se tranca.

— Pode perguntar o que quiser… — tento esconder minha preocupação.

— Você e o Nicholas… é… — ele coça a cabeça e eu imediatamente relaxo, uma vontade de rir surge mas me contenho — bem… o que rola entre vocês? Você disse que estão conversando… já ficaram? — a essa hora eu não estava mais conseguindo esconder o quanto estava achando divertido ver Maxon com ciúmes — O que foi? Porque está rindo?

— Você está com ciúmes do Nicholas? — Ele arqueia as sobrancelhas pasmo por eu estar tirando sarro dele.

— Quer mesmo saber? — balanço a cabeça afirmando — Sim, eu estou com ciúmes dele e quero saber se devo me preocupar…

Não aguentei, a risada saiu super espontânea. E me divertia cada vez mais olhando a cara séria dele. Ele estava esperando minha resposta, já perdendo a paciência.

— Você vai mesmo ficar rindo? — Tento me recompor.

— Desculpa, eu achei engraçada sua pergunta. — Será que eu provoco um pouco mais para ver até onde isso vai…? Sim. — E se eu fiquei com ele, tem algum problema?

A expressão no rosto dele mudou de sem paciência para chocado ao mesmo tempo que enfurecido. Ele não gostou nada… nada mesmo da minha provocação.

— America — ele esbraveja — não acredito que…

— Calma Maxon… — comecei a rir dele novamente — claro que não fiquei com ele, aliás, eu nem conversei com ele depois que passei meu contato, eu e Celeste só estávamos te provocando. — Ouvi seu suspiro de alívio.

— É sério? — pergunta desacreditado.

— Sim, é sério.

— Então porque ele te ligou ontem? — Já posso começar a ficar irritada?

— Fiquei tão surpresa quanto você, não esperava que ele me ligaria, e se quiser posso te mostrar que nunca troquei um oi com ele — pego meu celular e ele dispensa com um gesto — porque está duvidando?

— Não estou duvidando — ele me puxa e me põe no seu colo. Gostei disso — não quero ele perto de você.

— Nossa… não sabia que você era possessivo. — Dou risada da cara dele.

— Não sou possessivo — ele coloca seu rosto entre meu pescoço e meu ombro e deposita beijos na área. Fecho meus olhos aproveitando a sensação. — Apesar de eu gostar de cuidar do que é meu. — Me ajeito para olhá-lo melhor.

— Então eu sou sua? — E lá está meu sorriso involuntário de novo.

— Parcialmente… — arqueio as sobrancelhas — ainda tenho que te pedir em namoro. — Nesse momento parece que mil borboletas invadiram meu estômago.

— Vai me pedir em namoro? — Meu sorriso era tão grande que Maxon podia contar todos os dentes que tenho.

— Claro! Mas você não vai saber quando. — Seu sorriso era tão deslumbrante quanto o meu.

— Não acredito! — Chacoalho as pernas sentada no seu colo. Damos risada.

Me ajeito em cima dele deixando uma perna de cada lado. Sem enrolação, começamos a nos beijar intensamente. O beijo dele é o melhor que já provei, seus lábios são macios e sua língua sabe muito bem o que faz.

Levemente me mexo no seu colo e sinto que ele já estava excitado. Decido dar uma provocada rebolando sobre sua ereção. Ele suspira pesado durante o beijo e desce suas mãos para minha bunda.

— Não faz isso… — ele me pede sussurrando, indo logo me enlouquecer com seus beijos quentes atrás da minha orelha, descendo até onde o decote da camisa dele chegava em mim.

Eu já não tinha mais domínio sobre meu corpo, estava totalmente entregue. Mas sigo o provocando.

Maxon tira sua camisa de mim e passa a distribuir beijos e mordidas por todo meu colo. Ele agarra meus peitos sobre o sutiã. Mordo minha boca para conter meus ruídos de excitação. Ele começa a correr suas mãos sobre meus seios a caminho do feixe. E eu queria, apesar de sentir vergonha eu queria. Mas não deu tempo, meu despertador aciona e nos acorda desse momento prazeroso.

— Desculpa… — me estico para desligar aquele som infernal — eu tenho que ir ou vou me atrasar. — Ele balança a cabeça concordando.

— Deixei sua roupa ali no sofá. — Ele indica minha regata e minha jaqueta.

Visto ali mesmo e corro até ele para lhe dar mais um beijo antes de ir. Não queríamos nos largar, então a despedida demorou um pouco mais.

— Vou sentir saudade. — Ele me diz todo dengoso.

— Nós vamos nos ver logo. — Respondo dando risada do drama dele.

— Eu falei sério, tá? — estávamos esperando o elevador chegar, franzi o cenho sem entender a que ele se referia — Se o Nicholas se aproximar de você eu acabo com ele.

— Eu não tenho nenhum interesse nele, fica tranquilo… — preciso entender melhor qual é o problema dele com o Nicholas, só o que sei, é que envolve a tal Daphne.

— Mas ele tem em você. — Ele acaricia meu cabelo. — Eu juro que não sou um cara chato possessivo como você disse…mas ele não, tá?

Notei que realmente é algo pessoal e ele parece cansado desse assunto. Eu ia pedir para ele contar, mas o olhar dele me pedia para não fazer perguntas. Vou descobrir o que rola, mas pelas meninas.

O elevador chega e damos nosso último beijo antes que eu entrasse e a porta se fechasse. A tempestade de ontem tornou o dia de hoje lindo; ensolarado, quente na medida certa e o céu estava mais azul do que nunca.

O apartamento de Maxon não fica muito longe da minha casa, levei doze minutos para virar a minha rua. E já começo a preparar meu saco de paciência para as perguntas de dona Magda. Se ela chegar a suspeitar o que fiz ontem, ela infarta. Sorrio para mim mesma pensando o quanto ela ficaria histérica.

— Bom dia pessoal! — Todos estavam à mesa tomando café.

— Bom dia! — Respondem juntos. Todos tinham diferentes expressões no rosto.

Meu pai sorria como sempre. Minha mãe parecia pensar o que me perguntava primeiro. Gerad estava mais preocupado com seu achocolatado. Ja May, estava bebendo seu café. Conseguia ver apenas seu olhar malicioso me fitando por cima da caneca, enquanto mexia suas sobrancelhas para cima e para baixo, de forma insinuadora. Dava para ver que ela estava sorrindo. E eu sei porque. Ela sabia que eu estava com Maxon.

— Vou me arrumar e já desço. — Vou correndo para meu quarto direto para o banho.

Enquanto me lavo, todas as lembranças da noite anterior invadem minha mente. Desde as declarações de Maxon, como também suas atitudes. Me pego sorrindo ao lembrar das mãos dele passeando pelo meu corpo, da sua boca beijando cada extensão da minha pele, e principalmente do prazer que ele me fez sentir e ansiar por mais.

Maxon me levou para outro mundo apenas com toques, agora imagina se fossemos mais fundo?

Sempre tive curiosidade para saber qual é a sensação de transar com alguém. Todas as garotas dizem que doi na primeira vez. Me pergunto se doi muito, ou se doi pouco. Audrey, minha amiga de Carolina, contou que na sua primeira vez até sangue saiu, mas que logo a dor é substituída por algo melhor, principalmente as próximas vezes.

Mas essa é a experiência dela, não sei como será a minha. Nem com quem. O mais certo é que será com Maxon. E adoraria que realmente fosse com ele. Ontem ele foi tão carinhoso, me respeitou até o último minuto. Poderia ter tirado minha virgindade fácil. Eu estava tão entregue que até me envergonho agora, mas eu sei que não me arrependeria.

Talvez na próxima vez… sei lá.

Dou risada sozinha, devo estar vermelha envergonhada de mim mesma. Mas foi bom pensar nisso, me fez ver que estou pronta para dar esse novo passo na minha vida, e o melhor: eu tenho a pessoa perfeita para isso.

Percebo que estou me demorando demais no banho navegando nos meus pensamentos. Desligo logo o chuveiro, enrolo meu cabelo e meu corpo na toalha. Vou para a pia escovar meus dentes e me assusto ao olhar pro espelho.

— Porra Maxon… puta que pariu! — exclamo baixo, apenas para mim.

Meu pescoço tinha duas manchas roxas. E só foi piorando conforme fui descendo o olhar. Acima e entre meus seios tinha mais algumas. Por sorte as do pescoço estava mais para trás, abaixo da orelha, um corretivo e meu cabelo resolveria o problema. Mas não vou poder usar muito decote por um tempo.

Vou para meu closet escolher uma roupa. Visto uma saia rosa soltinha, um pouco mais acima dos joelhos com um cropped justinho branco de manga curta e sem decote nenhum. Tênis branco, óculos e fecho!

Saio do meu closet e me deparo com a seguinte cena: May deitada na minha cama encostada na cabeceira com as pernas cruzadas. Ao me ver, um sorriso depravado surge na sua cara.

— Me conte tudo… e não esconda nada… — ela diz calmamente entrelaçando os dedos querendo mostrar autoridade.

— Vai ter que ficar para depois, vou chegar atrasada se for te contar.

— Hmmm… — não sei como ela consegue ver segundas intenções em absolutamente tudo — então quer dizer que tem coisa para contar… interessante. — Reviro os olhos — Estou muito ansioso para saber das novidades…

— Aí sua mente poluída… não rolou nada disso que você está pensando — eu contaria para May apenas que eu e Maxon nos acertamos, mas não contaria sobre nossa intimidade.

— Aham… conta outra — ela cruza os braços — e esse chupão no pescoço?

— O que!? — coloco a mão em cima da marca. Como ela conseguiu ver?

— Do outro lado sua boba — vou correndo para o espelho, realmente tinha outra marca. Espero que Maxon esteja pior do que eu! — Não me diga que tem mais espelhado pelo seu corpitcho! — Ela se aproxima escorregando meu cabelo em sua mão — Maxon é um safadinho.

— May! — a repreendo, mais por medo de alguém ter ouvido do que pelas insinuações dela. — Cala essa boca! Alguém pode te ouvir!

— Vaai… me conta… vocês se reconciliaram? — ela me encara pelo espelho atrás de mim pendurada nos meus ombros. — Que pergunta idiota. É claro que se reconciliaram… — ela olha para a marca roxa que eu estava tentando esconder com maquiagem. — Vocês se pegaram bonito não é!? — reviro os olhos. Ela sempre descobre tudo. — Ai maninha, que sorte a sua chover ontem… que sorte. — Não posso discordar.

— Já chega né May… você já descobriu tudo só tirando suposições. Satisfeita? —Agora eu realmente estava me atrasando. Tenho que sair logo.

— Claro que não estou satisfeita, isso era óbvio — ela se encosta na parede entediada — eu quero é detalhes… trabalho com detalhes America… — tenha santa paciência.

— May… — ela me olha esperançosa — tchau… estou indo… estou atrasada, até mais, Au revoir. — Saio e fecho a porta do meu quarto deixando uma May zangada lá dentro.

Desço as escadas correndo, estava realmente atrasada.

— Tchau mãe, tchau pai… tenho que ir… estou atrasada — vou em direção a porta de entrada, deixei meu carro na frente de casa.

— America não vai comer nada? — grita minha mãe.

— Eu já comi, não se preocupe, depois conversamos — digo rapidamente abrindo a porta.

— Tchau gatinha. — Apenas aceno para meu pai e vou para meu carro.

No caminho para o colégio a ficha começou a cair. Hoje era o teste para capitã das líderes de torcida, e hoje enfrentaria Kriss.

O frio na barriga surgiu do nada e minhas mãos começaram a suar. Eu estava nervosa. Isso pode dar muito certo ou dar muito errado. E eu preciso que dê muito certo. Esse teste hoje é mais que um título, é a minha dignidade em jogo.

Sem controle nenhum isso se tornou uma competição muito pessoal. Então eu tenho que conseguir de qualquer jeito.

Assim que chego, levo um século para achar uma vaga no estacionamento. Já desisti de chegar no horário. O sinal já tocou e estão todos na sala. Só pego minhas coisas e me encaminho para dentro do colégio. Estava quase para chegar quando duas pessoas me puxam pelo braço me guiando para o refeitório.

— Gente, o que estão fazendo? Temos que ir para a aula! — Celeste e Marlee praticamente me jogaram no banco de uma mesa.

— Que temos que ir para a aula quê… — Celeste esbraveja — você tem que nos contar TUDO!

— E quando dizemos tudo… é TUDO America Singer! — as duas me olhavam com muita intensidade.

— Já sabemos que você dormiu na casa do Maxon — Celeste limpa as unhas na roupa e depois assopra, apenas para fazer um charme. Como elas sabem? Maxon contou, será?

— Como vocês descobriram?

— Sua mãe ligou para minha casa, perguntando se não teria problema você dormir lá… “já que você estava fazendo o trabalho comigo e você não poderia voltar para casa” — Celeste desenha aspas no ar enquanto fala. Não acredito que mamãe ligou mesmo tendo falado comigo. — Como eu sou uma excelente amiga, disse que não teria problema nenhum e que você é muito bem vinda. — Elas tinham a cara da vitória estampada no rosto.

— Então significa que você dormiu na casa dele… — diz Marlee — e queremos os detalhes.

— Anda logo Singer — admiro a imponência na voz de Celeste — fala tudo.

Elas não me deixariam em paz. Até me fizeram matar aula para contar o que rolou. E eu não esconderia delas, ia contar de qualquer jeito, aliás, eu estava empolgada para dizer a elas tudo que aconteceu, cada detalhe, e assim eu fiz. Contei desde a parte que ele me recebe sem camisa até a que nos pegamos no chão. Apenas insinuei o que rolou de íntimo entre nós, não consegui detalhar aquela parte.

— Hmm… amiga eu entendo você ter perdido o controle, Maxon é um gato irresistível — diz Celeste fazendo biquinho assim que termina de falar. — Se não fossemos como irmãos, eu transaria com ele sem dúvidas, você tem sorte de não me ter no seu caminho. — Dou risada. Celeste é impossível.

— Eu também tenho uma coisa para dizer. — Marlee abaixa a cabeça pensando se conta ou não.

— Então fala de uma vez, sabe que não tenho paciência Marlee — e realmente Celeste não tem. O temperamento dela é fogo, difícil de lidar.

— Eu transei com o Carter — ela revela meio tímida. Celeste e eu estamos boquiabertas.

— Eu falei para você conversar com ele, não, dar para ele! — Dou uma cutucada em Celeste, às vezes ela esquece que Marlee pode ser sensível.

— E nós conversamos — ela levanta a cabeça orgulhosa — nos resolvemos e acabou não dando em outra. E não me arrependo, foi óotimo! — Ela realmente parecia satisfeita. — Um dos melhores que já transei, sem dúvidas.

— Calma, você não era virgem? — pergunto surpresa.

— Claro que não. — Marlee responde como se fosse óbvio — não me diga que você ainda é?

— Sou…

— Ei vocês! — um segurança da escola chama nossa atenção — Não deveriam estar em aula?

— Estamos ajudando nossa amiga que passou mal, já estamos indo senhor. — Celeste mente na cara dura, e a doente era eu para ajudar.

— Ela está bem? — O segurança pareceu se preocupar e começou a vir em nossa direção.

— Sim ela está ótima… — Celeste a encara — agora… — se corrige Marlee nervosa, ela não é muito boa com mentiras.

Eu passei a fazer cara de coitada para ajudar na farsa, nós não queríamos ir para a aula. Queremos continuar conversando. Começamos a andar sem rumo nos despistando do segurança.

— America… — uma garota me chama. Eu e as meninas olhamos na direção da voz e percebemos que é Ashley, amiga da Kriss.

— O que quer? — Pergunto deduzindo que coisa boa não é.

— Kriss quer falar com você… está te esperando agora no armário do zelador. — Eu e as meninas a olhamos desconfiada.

— Porque lá? — Pergunto.

— Porque lá ninguém vai atrapalhar vocês. — Abri a minha boca para falar mas Ashley foi mais rápida. —Era só isso. Ela está te esperando. Bye… — e simplesmente vai embora.

— O que será que ela quer? — pergunto desconfiada.

— Eu sei o que ela quer — diz Celeste confiante — ela vai tentar te manipular para desistir do teste. Tenho certeza. Ela fez isso com a Bariel. Como sei? A mesma me contou que a Kriss ofereceu uma coleção de sapatos caríssimos a ela.

— Essa garota é ridícula… se ela pensa que vou desistir tão fácil assim ela está enganada. — Kriss tem testado minha paciência ultimamente.

— É assim que se fala! — comemora Marlee — vamos logo ver o que essa filha da mãe quer.

Apertamos o passo para chegar o mais rápido possível. Fiquei curiosa para saber o que ela queria. Provavelmente me intimidar novamente, querer me rebaixar como sempre tentou e falhou. Eu nunca abaixei a cabeça para ela e não será hoje que farei isso. Se for necessário eu a ponho no lugar dela.

Assim que chegamos, nem batemos na porta, a abrimos e Kriss estava lá, mas não estava sozinha. Estava acompanhada, aliás, bem acompanhada. E nesse momento meu coração se partiu em milhões de pedaços, pois só não bastava estar na companhia de Maxon, também o beijava, sem camisa.

Meu mundo caiu, não sei qual era minha expressão, nem se tive uma reação. A única coisa que percebi foi as mãos dele apertando a cintura dela e ela agarrando seu pescoço como se a vida dela dependesse daquilo, uma de suas mãos apalpava a área baixa dele.

Eles notaram imediatamente nossa presença. Maxon estava mais pálido do que nunca, o espanto estava refletido em seus olhos, que me olhavam implorando por algo.

— Você é inacreditável. — Foi o que eu consegui dizer antes de virar as costas e sair o mais rápido que pude, deixando as lágrimas caírem.

— America! — O escuto me chamar.

Começo a correr procurando o banheiro mais distante possível para me esconder. Minha vista estava embaçada pelas lágrimas, me tranquei em um dos compartimentos e sentei na privada e me permiti chorar.

Como eu fui burra.

É a única coisa que passa pela minha cabeça. Me entreguei a ele, confiei nele, me declarei e esse idiota me trai sendo que a cama que dormimos nem esfriou ainda.

— Meri… — era a voz doce de Marlee — amiga você está aí?

Destranco a porta e abro ainda sentada naquela privada. Meu estado era deplorável. Olhos inchados, pele vermelha, maquiagem borrada. Eu estava horrível. Ao me verem, logo elas vieram me abraçar e então eu desabei. Desabei em lágrimas e soluços.

— Por que eu confiei nele? — me martirizava lembrando de tudo que ele me disse.

— Calma Meri… — Marlee mantém sua voz piedosa enquanto afaga meu cabelo — eu sei o que está sentindo.

— Eu juro que eu vou acertar onde mais doi naquele idiota — Celeste estava furiosa chutando as latas de lixo a sua frente. — Quem ele pensa que é para fazer isso com você?

— Celeste! — Marlee grita com ela — Você não está ajudando.

Celeste me olha com compaixão. Meu estado era digno de pena, disso eu não duvido. Mas pouco me importava, eu estava quebrada mesmo.

Como pude me entregar tão fácil… como? Porque Maxon? Por que fazer isso comigo? Seu idiota desgraçado. Filho da puta. E mais lágrimas. Marlee era meu apoio e Celeste minha voz. Ela dizia em voz alta tudo o que eu não conseguia no momento.

— America se levanta e lava esse rosto — Celeste puxa meu braço tentando ser delicada.

— Celeste! — Marlee a repreende mais uma vez.

— Ela não vai ficar aí, sentada chorando por aquele filho da puta Marlee! Ela tem que reagir! — indaga a morena ainda segurando meu braço.

— Mas não precisa ser agora, ela precisa de tempo. — Marlee me aperta mais, como se tentasse me proteger.

— Ela não pode dar tempo para aquela asinha ficar rindo da cara dela. — Celeste se referia a Kriss.

— Você não percebe o que ela acabou de presenciar? Acha que ela tem ânimo para isso? — Marlee agarrava minha cabeça e Celeste meu braço. Eu parecia uma boneca sendo puxada por duas crianças.

Elas começam a discutir na minha frente dentro de um box do banheiro do colégio. Parece até que esqueceram que eu estava ali, mas eu estava atenta a elas, por mais que minha cara fosse de uma catatônica.

Marlee quer que eu leve tudo calmamente e supere aos poucos. Celeste quer que eu coloque fogo neles, no sentido literal da palavra. Não sei com quem concordava, estava no meio termo. Queria ter tempo para digerir tudo, mas não iria me esconder. A raiva crescia dentro de mim aos poucos, e ela não me permitiria ficar chorando largada em um canto.

— Meri, — olho para Marlee — se você quiser podemos falar com a professora para mudar o dia do teste — Celeste bufa e vira a cara, Marlee lhe lança um olhar fulminante, mas continua — tenho certeza que a professora Gizel entenderia.

Depois de alguns segundos cai a ficha do que Marlee disse. Me levanto num salto as assustando e começo a andar pra lá e pra cá.

— Claro que não Marlee! — paro diante delas que permaneciam dentro do box — Celeste tem razão — ela até ajeita a postura satisfeita — não vou ficar aqui chorando por quem não vale a pela, e a vagabunda da Kriss… vai precisar de dias de consolo daquele filho da puta porque eu vou acabar com ela.

— Ai sim ruiva! Gostei de ver sua gostosa, amor da minha vida! — Celeste pula no meu pescoço para um abraço.

Marlee vem se juntar a nós. Ela tinha razão também, eu precisava de tempo para superar isso, mas não agora, não hoje. Não vou dar esse gostinho a Kriss e nem a Maxon de pensar que sofro por ele. Mas não vou mesmo.

O sinal da próxima aula toca.

— Vamos logo dar um jeito na sua cara e ir para a sala. — diz Marlee pegando sua necessaire.

Joguei uma água na cara e passamos um pouco de base, blush e rímel. Não disfarçou tão bem quanto gostaria, mas vai ter que servir. A caminho da sala tentei esquecer o que aconteceu, por mais que a cena estivesse impregnada na minha cabeça. Sempre que tudo voltava eu tentava substituir a tristeza pela raiva. E estava funcionando.

Os ares não estavam colaborando com o meu objetivo. Quando estávamos chegando na sala, Maxon estava lá, ao lado da porta encostado na parede roendo as unhas, parecia nervoso, inquieto. Eu sabia que ele estava esperando por mim. A questão é o que eu faria?

Um tapa na cara dele, armar um barraco, chutaria as bolas dele, choraria, pediria explicações? Seja lá o que eu fosse fazer, tinha que decidir rápido, pois ele me viu e começou a correr na minha direção. As meninas logo põem suas mãos em meus ombros para me lembrar que não estava sozinha.

— America, por favor… — ele estava ofegante — você tem que me deixar explicar… aquilo… aquilo…

— Foi você me traindo. — Termino o que ele estava se enrolando para dizer.

— Não! Claro que não! — Ele exclama mais alto do que deveria, seu olhar estava penetrante no meu — O que você viu não é nada do que está pensando. Eu jamais faria isso com você. — Ele tenta se aproximar mas eu dou um passo para trás. O olhar de Maxon era de derrotado. — Ela me beijou à força.

— A claro! — dou uma risada sarcástica — e ela te levou lá a força também… — o olhava incrédula.

— America, — ele se aproxima de novo e eu dou dois passos para trás, Marlee e Celeste me acompanham ainda com as mãos nos meus ombros. — por favor…

— Chega Maxon! — Uma raiva estrondosa sobe em mim, ele é muito sínico — Me escuta bem… — agora eu que me aproximo e quase chego a sentir pena dele — Nunca! Nunca mais fale comigo. Vamos meninas — olho para trás onde elas estavam e vejo Marlee de cabeça baixa e Celeste encarando Maxon com… compaixão?

— Não faz isso… — ele segura meu braço assim que passo por ele, seu sussurro no meu ouvido me fez estremecer, mas não serei mais idiota. Em um movimento agressivo me solto dele e sigo para a sala sem olhar para trás.

Faço questão de sentar no lugar de Marlee, ela sentaria atrás de mim no meu lugar de sempre me separando daquele imbecil. Eles entram juntos depois de alguns minutos, encaro meu caderno, não trocaria mais olhares com ele se dependesse de mim.

Agora minha concentração tinha que ser focada em outra coisa. Vencer a Kriss.