Following the Heartbeat
6 Capítulo 6 — Crazy in Love
Notas iniciais

6. Crazy in Love
Dreamcast de Following the Heartbeat
Os dois dias seguintes à abertura do concurso foram destinados, exclusivamente, às audições, como já previsto. As aulas foram suspensas nestes dias, mas devidamente programadas para voltar assim que terminasse. Para a sorte dos alunos, isso aconteceu em uma sexta feira, não sobrando muito tempo para os professores passarem cansativos e exaustivos exercícios para o fim de semana. Quase todos, na verdade.
Hinata estivera em choque todo o dia depois que fora escolhida. Ino lhe mostrara, inclusive, uma foto que ela tirou quando Naruto abraçou a morena e, como sempre, esta ficou extremamente vermelha, pegando o celular da amiga para esconder aquela foto. Mas também ficara igualmente feliz por ter algo assim agora. As três se reuniram, junto com Sai, na frente dos dormitórios para assistirem as performances do dia, já que não puderam o fazer. Era tarde quando todos os vídeos foram carregados e editados, mas ficaram felizes de saber que a equipe da banda estava se esforçando para aquilo.
O dia seguinte foi igual, mas desta vez as meninas puderam assistir a todas as apresentações. Alguns choraram quando foram negados e Naruto tentou consolar todas as meninas que o fizeram, pedindo desculpas, mas não voltando atrás com sua decisão. Alguns, um pouco mais estressados, diziam que aquilo era uma fraude, tudo armado, ou mesmo que era um absurdo. Hinata e as amigas se assustaram um pouco com aquilo, olhando em volta. Sempre havia um professor por perto para amenizar as coisas.
Hinata se lembrava bem de um jovem que cantara uma música lenta, romântica e que parecia tão nervoso quanto ela imaginava ter estado. Não recordava seu nome, mas seu nervosismo fez com que se identificasse com ele. De certo modo, imaginou que poderia vir a fazer amizade com ele futuramente, se tudo desse certo. E ele passou. Recebeu uma crítica de Naruto e Sasuke em relação a confiança, dizendo que aquilo era o que faltava para a voz dele ficar ainda melhor e, por isso, eles se sentiam felizes de trabalhar com ele. A morena percebeu que aquilo poderia servir para ela e comentou com as amigas sobre o assunto.
— Ah, Hina, ele não disse isso pra você justamente porque achou sua voz perfeita já com o nervosismo — disse Ino, aplaudindo o rapaz assim como os demais.
Ao fim, algumas pessoas ficaram frustradas por nem mesmo terem a chance de cantar, já que o número limitado fora preenchido. Naruto, querendo ser justo, deixou o último dia para eles. Cada um se apresentaria, mesmo sem concorrer à vaga, e ele apenas assistiria com os demais colegas. Tsunade foi quem mais se desagradou com aquilo, além dos professores. Era mais um dia perdido para as aulas. Mas aconteceu mesmo assim. Sem a pressão para a escolha, Naruto aplaudia, assoviava e até mesmo se levantava conforme as apresentações corriam e isso parecia ser o suficiente para eles, que ainda ganhavam uma foto, caso pedissem muito.
— Eu queria ter tido essa sorte — murmurou Ino. As amigas riram e Sakura puxou a amiga.
— Darei um jeito de você ter uma foto, um autógrafo, um beijinho e um abraço. O loiro também?
— Não, o loiro é da Hina — comentou mais alto para a amiga, que corou, exatamente como ela esperava. — Sasuke é o alvo, que Sai não descubra. — Todas as três riram.
— Meninas! — Hinata deu um cutucão em Ino, que ao virar para reclamar, percebeu por que a amiga fizera aquilo. Os meninos da banda estavam saindo do auditório e passaram bem perto delas.
— É falar que eles aparecem, como pode, né? — Ino murmurou, olhando para eles de costas, programando o que seria feito dali para frente. — Ok, vamos.
— Onde? — Sakura soltou, mesmo assim acompanhando.
— Como, onde? Temos aula de dança, lembra? Hoje acabou mais cedo e vocês duas não estão liberadas dela, apesar de estarem do Ebisu, por enquanto.
— Ino tem razão — falou Hinata, conferindo, meio desajeitada, se tinha pegado a roupa para a aula. — Além do mais, eles vão demorar um pouco para nos chamar e decidir sobre a próxima fase, lembra? — Tsunade tinha explicado aquilo mais cedo.
Agora, explicara o vocalista da banda, era o momento onde eles separariam as duplas, escolheriam as músicas e ainda mais, iriam conhecer cada um individualmente. Neste conhecer, é claro, eles iriam treinar um pouco, às vezes com a ajuda de Ebisu, outras apenas eles. Seria um processo longo, mas os que tivessem outras aulas não deveriam se ausentar delas.
Enquanto caminhavam apressadamente para a aula, Ino tagarelava como se sentia sortuda em relação a isso, pois agora se preocupava apenas com uma coisa e, por isso, sentia-se mais disposta a criar. Ino era muito boa naquilo, ninguém poderia negar. Sai ainda afirmava que a dança era incrível depois que conhecera a loira. As meninas nem gostavam de imaginar os motivos que o levaram a dizer tal coisa. Se divertiam com aquilo.
Trocaram de roupa rapidamente e começaram a se aquecer e alongar. O balé era algo que sempre estava presente nas aulas e a professora pedia que mesmo que a dança fosse moderna, não esquecessem alguns passos. Kurenai, a professora, fora uma bailarina renomada e justamente por isso estava como professora principal naquela instituição. Ela entrou, batendo palmas duas vezes. O som fora ligado ao final daquelas palmas e o clássico som de violinos preencheu o local. Rapazes e moças se enfileiraram e começaram a mover-se.
Sabiam o que aquilo significava. Quando Kurenai tinha um trabalho em mente, era assim que dava a notícia e passava os detalhes, com todos em movimentos sincronizados e calmos. Sempre na ponta dos pés. Primeiro os braços esticados, os dedos das mãos tocando-se levemente, então o braço direito abaixava, enquanto o esquerdo permanecia na posição. Sempre a andar nas pontas dos pés. Então, curvavam-se, enfim parando e tocando o chão levemente, com a ponta dos dedos, para voltar a fazer tudo outra vez em volta da sala de aula, com Kurenai ao centro.
— Eu sei que alguns dos meus alunos, poucos, estão neste concurso de música. Mas isso não deverá atrapalhar nossas aulas. Por isso, como já estava programado na grade, todos deverão participar do projeto para a próxima semana. Sim, próxima semana — enfatizou ao ouvir um murmúrio começar. — Vocês vão se dividir em grupos. Não me importa o número, apenas não quero ninguém sozinho. Escolherão uma música e criarão uma coreografia para ela. Não quero a música inteira, pois todos se apresentarão no mesmo dia. Entendido? — Recebeu a costumeira breve resposta e bateu palmas duas vezes, novamente. — Estão liberados.
Todos pararam no mesmo instante e cada um correu para o seu costumeiro grupo para trabalhos. Assim, Ino, Sakura e Hinata permaneceram juntas. Trocaram olhares breves, pois sabiam que uma semana era um tempo muito curto para criar e ensaiar, ainda mais estando duas delas no concurso de música.
— Eu crio a coreografia — Ino disse, sabendo bem o que as amigas estavam pensando. — Hina pode editar a música, certo? — A menina apenas respondeu a amiga com um aceno. — Então, podemos combinar um horário. Quando Sakura estiver treinando eu ensaio com Hinata, quando Hinata for, ensaio com Sakura. Não vai ser difícil.
— Mas Ino, não estou livre das aulas de violão — Hinata falou baixo. Estaria até mesmo disposta a não fazer parte do grupo das amigas para não as prejudicar.
— A gente dá um jeito. Podemos começar no final de semana. Aviso a Sai sobre a matéria e ele vai entender... Ele aparece de noite — explicou e as meninas riram. — O que é? Eu tenho a música perfeita em mente pra gente.
— Ah, é? E qual seria? — Sakura cedeu, revirando os olhos.
— Uh oh, uh oh, uh oh, oh no no... — cantarolou a loira conforme ia saindo e balançando o bumbum.
Sakura e Hinata sabiam que nada faria a amiga mudar de ideia, mas pior do que isso, sabiam que seria um trabalho longo, complicado e árduo. O que Ino conseguia pegar rápido, elas demoravam relativamente mais.
♪
Os treinos eram sempre muito intensos. Ino batia palmas, como Kurenai, a cada passo que tinham que dar, por vezes enfatizando as parando ou mesmo entrando na frente delas para mostrar como deveria ser. Diversas vezes pedia atitude, mas isso era algo muito difícil para a amiga morena, que ainda era um pouco tímida com a dança, apesar de ter perdido muito no ano anterior, com a apresentação que fizeram ali.
— Atitude, Hinata! — pediu a loira de novo. — Você consegue pegar partes mais difíceis e memoriza-las, mas quando precisa andar se sentindo a poderosa não consegue?
— Desculpe... eu... — a morena gaguejou. Mas Ino não queria que a amiga se sentisse pequena, pelo contrário.
— Olhe, o que sente quando está cantando? — perguntou mais baixo agora. Hoje estavam apenas ela e amiga, já que Sakura tivera o seu primeiro encontro com a banda para ensaiarem. Faltavam poucos dias para elas se apresentarem, estavam bem na coreografia, mas Ino sentia que faltava isso para Hinata.
— Me sinto bem, me sinto completa e forte. — Hinata sorriu. Apesar de estar cansada e suada, lembrar o que sentia ao cantar lhe deixava mais feliz. Não que não gostasse de dançar, ela gostava muito, mas o cantar era o seu maior sonho, objetivo e prazer. — Sinto que qualquer coisa é possível, Ino.
— Então, quando estiver dançando, lembre-se desses sentimentos. Faça dessa música a sua. Eu sei que não é legal cantar, porque Kurenai não gosta, mas imagine como se estivesse cantando.
— Mas, Ino... você é a principal na dança…
— Não, eu apenas vou estar no centro. Mas nossas coreografias são iguais. E você pode fazer, eu sei disso. Já lhe vi dançando.
— Prefiro cantar, esta área é sua... a dança... — comentou, sorrindo.
— É, eu sei, mas você também gosta e quero que a gente arrase, então pode seguir minha dica desta vez? Atitude. Você pode, você canta... A música é sua, lembre-se disso!
Novamente ela bateu palmas e a morena repetiu o ato, mas agora, tentando mais do que antes fazer daquela música sua, imaginar que ela estivesse cantando. Não era tão difícil, quantas vezes já não fizeram algo assim?
♪
Um dos funcionários do local tinha lhe entregado o bilhete avisando o local e o horário que deveria encontrar com Naruto e os demais. Hinata se sentiu nervosa no mesmo instante, levando em conta que seria a primeira vez que ela estaria apenas com ele. Teriam outras pessoas, talvez até seu professor, mas não haveria plateia e talvez tivesse de cantar, ela não tinha certeza se conseguiria.
Ino lamentou por esse encontro ter sido um dia antes da apresentação, mas confiava na amiga e sabia o quão dedicada ela seria. Hinata não decepcionaria ninguém. Por isso apenas desejou-lhe boa sorte e voltou a bater palmas para Sakura, enquanto dava as últimas dicas para ela e Hinata saía para o encontro inevitável que aconteceria em uma sala ao lado a que sempre usava com Ebisu.
A porta estava entreaberta, por isso apenas a empurrou e entrou. Lá estavam eles. Sasuke e Naruto. O loiro se levantou na mesma hora que a viu, o que arrancou uma tosse estranha do amigo moreno. Hinata estava corada apenas por vê-los, mas por sorte conseguiria controlar aquilo com o tempo, ou assim esperava.
— Hinata! Doce voz que me deu uma grande ideia — comentou o loiro, apontando para uma cadeira a frente deles. — É muito melhor poder falar com você sem tanta gente olhando. — E sorriu para ela, a deixando um pouco tonta, apenas respondendo um “é mesmo”. — Hoje estamos aqui apenas para conversar, tudo bem? Logo faremos algo todos juntos e então poderei separar as duplas melhor.
— Você nos impressionou, Hinata. Sabe, cantou uma música nossa e tinha motivos para tal. Pode nos contar sobre? — Naruto olhou para o amigo, que ainda insistia naquilo, com uma expressão fechada.
— Passei por algumas coisas alguns anos atrás. Mesmo que essa música não se encaixe em tudo pra mim, algumas partes foram o que eu sentia e isso me tocou desde então. Quando tive a chance de cantá-la para vocês, talvez a única chance que eu teria, resolvi cantá-la ao meu modo, como faria mais sentido para tudo que sinto com ela, por isso... acapella antes. Eu me senti sozinha, sem som... mas aos poucos e também de repente, tudo voltou trazendo ritmo. — Sua voz baixa destacava a sua timidez ao explicar, assim como as mãos. Hinata segurava uma mão com a outra, apertando os dedos, olhando para os olhos de Naruto, com o rosto corado, e abaixando em seguida. O movimento foi repetido diversas vezes seguidas. — Foi assim que entendi que um artista usa o que sente para se expor e também aliviar.
— Acho que o assunto foi mais que encerrado — comentou Naruto para o amigo e novamente olhou para a morena. — Você sente bastante, não é mesmo? — De alguma forma, ele sabia sem a conhecer, apenas pelo modo como ela cantou aquilo. — Quando escrevi aquela música não estava pensando como alguém que sente, mas como alguém deveria sentir. É ainda mais interessante ver sob o seu ponto de vista — elogiou Naruto e foi o que bastou para ela abaixar o rosto ao agradecer.
— Me parece tímida, Hinata — comentou Sasuke. Observador. Aquilo era algo que Naruto demoraria a notar, por isso comentara. O loiro tinha a mania de achar que tudo era sempre porque ele era famoso.
— Isso é algo que vamos trabalhar então — disse logo que ela confirmou. — Vamos trabalhar juntos, ok? Então toda vez que se sentir assim, ao me olhar na plateia vai ficar mais calma, combinado?
Mal ele sabia que era o grande motivo de Hinata ficar assim. Não tinha como ser diferente, mas mesmo Sasuke imaginando algo assim, sabia que o loiro daria um jeito, pois ele sempre dava com tudo... Tal coisa chegava a ser irritante para o moreno.
— Quero agora conhecer um pouco da sua voz, me permite? — Novamente Hinata apenas afirmou e se levantou. Não havia microfone ali, então imaginou que eles não quisessem que ela cantasse assim. — É o seguinte, você vai me acompanhar, ok? Vou fazer uma sequência e você faz também. — Hinata acenou, novamente afirmando.
Naruto começou como uma sequência simples de afinamento, “Ah” longos e curtos, agudos e graves. Em seguida “la”, pois mesmo sem parecer acrescentava um pouco de dificuldade para a respiração, que Hinata já aprendera a controlar bem com Ebisu.
— Certo. Afinada, com boa respiração... Ebisu trabalhou bem com você. — Naruto deu uma piscadinha para ela. Tinha passado por ele, reconheceria o trabalho do mestre. — Agora vamos ver ritmo, ok? Eu e Sasuke vamos fazer um som aqui com os instrumentos e você vai cantarolar algo. Não precisa ser uma música, porque não vamos tocar nada, apenas... segue o seu coração, sei lá. — Ele tinha sentado atrás da bateria, enquanto Sasuke pegara o violão.
Era uma melodia animada, com o som bem marcado pela bateria, mas que tinha um toque suave do violão. Hinata demorou um pouco para começar, o que chamou a atenção do Uchiha. Mas ela não viu a careta que ele fez, pois fechara os olhos e balançou a cabeça levemente com o ritmo. Logo um cantarolar saiu. Era mais forte do que a bateria, mas era suave como as notas do violão. Não era possível identificar nenhuma letra, eram apenas “ah, uh, na-na e yeah”, coisas que não faziam sentindo, mas simplesmente faziam a voz sair no tom que mostrava o que ela sentia. Quando a melodia foi finalizada, ela abriu os olhos e esperou com expectativa.
— Como eu desconfiava — disse Naruto, saindo da bateria e ficando novamente de frente para ela. — Você sente a música. — Ele queria dizer “gostei de você logo de cara por isso”, mas não podia. — Me diga, que tipo de música se vê cantando?
— Hm... Músicas com história. Apesar de não conseguir me imaginar no country nem nada assim... Eu gosto de músicas românticas e acho que é o que pretendo fazer.
— Vamos trabalhar muito e vai ser muito divertido, Hinata! — Ele ergueu a mão, esperava ela bater e assim que percebeu isso, ela o fez. Ambos sorriram e ela se apressou a apertar a mão de Sasuke rapidamente antes de sair. O tempo era curto, porque ainda havia muitas pessoas, mas ela se sentiu melhor, mais confiante e esperançosa pelo que estava por vir.
— Ela, definitivamente, já ganhou pra mim — falou o loiro, encarando a porta. Quando olhou para o amigo ele estava tirando o celular.
— Fala de novo. Estou doido para que você escolha outra pessoa só pra esfregar isso na sua cara depois.
— Idiota! — Naruto tentou empurrar o amigo, mas este desviou. — Mas, pra mim, ela já ganhou sim, e isso só vai servir pra provar que estou certo.
♪
Era o dia da apresentação, elas tinham exatamente cinco minutos para se arrumarem e começarem. Fora o tempo destinado a cada um como intervalo entre cada apresentação. Alguns grupos já haviam se apresentado, não havia como escolher um melhor, mas Ino estava confiante que seriam elas. A loira não era nada modesta quando se tratava do seu dom e ela era capaz de treinar até mesmo a tímida Hinata. Esta que, por sinal, estava nervosa e desconfortável com a roupa escolhida por Sakura.
O vestido da morena era azul turquesa, não muito colado ao corpo, já que possuía uma saia pronta para se erguer a cada giro que ela desse e mostrar, assim, o short também turquesa que usava por baixo. O que a deixava mais constrangida não era o tamanho do vestido, pois estava acostumada a seu short sempre aparecer nas apresentações que fazia com a turma, mas sim o decote. Seu decote deixava seus seios aparentemente maiores e atraía muita atenção. Fora por isso que Ino aprovara. Ela queria que Hinata fosse um pouco mais notada.
Sakura usava um vestido verde do mesmo modelo, mas de um ombro só. Ela gostava da cor, pois acentuava seus olhos. Escolhera para Ino um modelo igual, tomara-que-caia, vermelho. Todas usavam o mesmo modelo justamente porque queriam estar iguais, sem destaques, e porque gostavam de se caracterizar de acordo com a apresentação que faziam.
— Ei, Hina, lembra do que falei, não é? — Ino falou rapidamente enquanto elas seguiam para a sala, novamente. A morena afirmou com a cabeça e Ino relaxou um pouco. Estavam no centro, prontas para começar. — Vamos arrasar meninas!
Dois segundos se passaram e a música começou. O som de “Crazy in Love” preencheu a sala e no mesmo instante as meninas saíram do centro, fazendo um semicírculo desfilando, ou assim as pessoas pensaram conforme as viam entrar nos papeis da apresentação, até voltarem ao centro.
Uh oh, uh oh, uh oh, oh no no
Uh oh, uh oh, uh oh, oh no no
Uh oh, uh oh, uh oh, oh no no
Uh oh, uh oh, uh oh, oh no no
As mãos se ergueram, abaixaram e em seguida foram para frente do corpo para abaixar novamente. Ao mesmo tempo as meninas rebolavam, levando o quadril para frente e para trás diversas vezes, rápido, no ritmo da música e repetindo o movimento quatro vezes de cada lado. Assim, giravam e faziam o mesmo naquele trecho. Quando apenas a melodia inicial ecoava, elas seguiam a desfilar outra vez, agora fazendo o outro lado do semicírculo e voltando ao centro.
I look and stare so deep in your eyes
Assim que a primeira frase começou a ser cantada, as meninas abaixaram: as pernas cruzadas, de modo que a direita ficou na frente da esquerda e o pé dando suporte ao corpo e esta outra dobrada e encostada no chão. Ao mesmo tempo, o corpo se balançou de um lado ao outro no ritmo da música.
I touch on you more and more every time
Em seguida, ergueram-se ficando de quatro, rebolando duas vezes nesta posição e sentando-se no chão de “costas” para a plateia, mas com os rostos virados, de modo a observarem a todos o tempo todo enquanto giravam.
When you leave I'm begging you not to go
Pararam de lado, ambas as pernas se erguendo, cruzando-se rapidamente no ar e em seguida os corpos foram ao chão e apenas o quadril se ergueu em um movimento sexy, acompanhado das expressões do mesmo modo.
Call your name two or three times in a row
Novamente ficaram de quatro ao erguerem o corpo completo, e mais uma vez rebolaram, quatro vezes enquanto os cabelos longos caíam sobre seus rostos deixando um ar sexy no movimento, como Ino pretendia. Ainda sem parar, sentaram-se e ergueram as pernas, mas ao abaixar, a esquerda encostou, esticada no chão, enquanto a direita permanecia dobrada, de modo a deixar o pé sobre o chão.
Such a funny thing for me to try to explain
Ambos os pés apoiaram-se no chão, assim como as mãos, erguendo o corpo e a cabeça também indo para trás, de modo a fazer o cabelo ir para trás. Mas nem um segundo depois se passou e elas sentavam-se novamente, levemente viradas para a plateia e escorregavam para o lado direito enquanto inclinavam a cabeça para o esquerdo.
How I'm feeling and my pride is the one to blame
A perna direita novamente passou para da frente da esquerda, e os ombros fizeram o corpo balançar de um lado ao outro naquela posição, como no início. Ao fim, esticaram o braço direito, e no processo todo o corpo se esticou.
'Cuz I know I don't understand
Just how your love can do what no one else can
Giraram, de modo a ficarem de barriga para cima e se ergueram, fazendo o que Ino chamava de jogada de cabelo, que era girar primeiro a cabeça, de modo que o cabelo foi jogado e só então o corpo girou.
Got me looking so crazy right now, your love's
Got me looking so crazy right now (in love)
Ao refrão, o braço direito fez um movimento circular, esticando-se em seguida e abaixando na sequência. Um pulo e então ambos os braços fizeram o mesmo movimento anterior, agora para o lado esquerdo e abaixaram-se, apoiando nos joelhos.
Em seguida cada uma ergueu o braço esquerdo, seguido do direito e abaixaram até a altura do busto, girando ali duas vezes e novamente abaixando, batendo levemente em seus colos.
Got me looking so crazy right now, your touch
Got me looking so crazy right now (your touch)
Enquanto erguiam uma perna de cada vez, rebolando, as mãos subiam, a todo o momento seguindo o ritmo da música e abaixando da mesma forma. Duas vezes o braço esquerdo encaixou-se entre as pernas enquanto abaixavam-se levemente e em seguida o mesmo movimento com o direito.
De repente abaixaram-se, colocando as mãos nos joelhos e agora estavam agachadas, apenas para levantarem-se, cheias de atitude e apoiarem a mão direita no rosto e aparentarem estarem empurrando o mesmo para o lado oposto. Mas a todo o momento, o corpo acompanhava cada movimento, fazendo uma alavanca para tudo seguir para determinado lado. Uma entrega a cada movimento.
Got me hoping you'll page me right now, your kiss
Got me hoping you'll save me right now
Novamente ergueram os braços, cruzando-os no ar e ao final de cada um desses movimentos repetidos três vezes, as mãos contornaram a cabeça, passaram pela nuca e seguiam para a frente do corpo, percorrendo até o baixo ventre. Sempre rebolando.
Looking so crazy in love's
Got me looking, got me looking so crazy in love
Abaixaram-se novamente, rebolando de um lado ao outro naquela posição agachadas e então se ergueram ao final do refrão, de costas. Mas este repetiu em seu final, por isso o mesmo movimento foi também repetido, elas abaixadas e rebolando. Ao finalizarem, deitaram e giraram, erguendo apenas o quadril e mantendo o contato visual com a plateia, ou assim todos pensavam, quando pararam, novamente deitadas e com as pernas cruzadas.
A música havia sido editada por conta do tempo, então em vez de colocar o refrão normal, Hinata optou pelo final, como Ino pedira, fazendo ser repetida a frase final mais de uma vez. Cortou também a parte da batida, para acabar exatamente naquela parte. Tinha sido como elas programaram, tudo. A todo instante elas se sentiam como donas da música, elas realmente tinham sentido a batida, se apropriado da música e tinham tido uma experiência que até então apenas Ino sabia como era.
Os demais alunos aplaudiam, entusiasmados. Por essa ser uma música conhecida e adorada pela grande maioria, até mesmo para se fazer uma coreografia, ficaram animados, como estava sendo com cada um dos grupos. As meninas se ergueram, agradeceram com um breve curvar e foram novamente se trocar, animadas. Dentro do banheiro, se abraçaram, felizes. Hinata não acreditava que realmente conseguira. Agradeceu Ino por fazer isso por ela. A cada vez mais a morena percebia que podia fazer aquilo e muito mais, pessoas específicas acreditavam nela para isso e ela passava a acreditar em si com aqueles gestos de confiança.
Quando voltaram, já com suas roupas costumeiras para poderem assistir aos demais grupos, Ino cutucou a morena e indicou, com a cabeça, a parte oposta da sala, para onde estavam indo. Lá estava Naruto e Sasuke. O loiro fez um sinal positivo para ela, sorrindo. Hinata paralisou ao pensar que ele poderia tê-la visto se apresentando. Será? Corada, ela teve quase certeza que sim quando se sentou e olhou para trás. Ele não estava mais lá. Se possível, a Hyuuga corou mais do que antes e Ino se segurou. Ela já estava vermelha o suficiente... por hora.
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