Following the Heartbeat
12 Capítulo 12 - Fantasy Girl
Notas iniciais

12. Fantasy Girl
Dreamcast de Following the Heartbeat
Naruto batia palma empolgado. É claro que ele estava empolgado. Toda vez que estava perto de Hinata o loiro se sentia assim e naquele momento, inclusive, afastava do pensamento a fala de Jiraya sobre o que teoricamente estava acontecendo. Tinham passado algumas horas ensaindo e Hinata não apenas acertava cada nota que ele dizia para ela trabalhar como absorvia tudo o que o loiro dizia, aprimorando sua técnica e fazendo ele ter cada vez mais certeza de que ela era melhor do que ele esperava.
Depois da última reunião com a morena o Uzumaki pensou que ela estaria envergonhada e mais distante e se surpreendeu por ser justamente o oposto. Era como se conhecer a ele tivesse feito ela o ver de outra forma. Ficou feliz por isso, assim conseguiu afastar dos pensamentos o que Jiraya lhe disse e se concentrar em fazer dela uma concorrente vencedora. Não que ele não se empenhasse da mesma forma com os demais, ele fazia, porém Hinata era como uma esponja, ela absorvia tudo e ao mesmo tempo, um filtro. Tudo o que tentava e não dava certo ela descartava e aprimorava. Estava encantado com essa habilidade dela e por isso aplaudia feliz e empolgado ao fim da nota que soou.
— Acho que todo o meu trabalho aqui está feito. Agora você apenas precisa trabalhar a sua presença. Quero que me surpreenda no palco. – ele falava enquanto ela se sentava de frente para ele com um sorriso tímido e agradecido nos lábios. – Você sempre se entrega no palco, mas ainda tem a sua timidez. Preciso que você sse livre dela, que se solte. Você pode trabalhar isso?
— Acho que sim... – a morena susssurrou um pouco sem graça. Era algo que ela sabia que ainda precisava melhorar, mas era algo que não conseguia mudar. Sabia que tinha conseguido um grande progresso a última apresentação, mas estaria sozinha agora. Não tinha certeza se conseguiria, mas não iria deixar de tentar.
— Tenho uma novidade para contar. – tinha acabado de avisar que era uma pausa e por isso os câmeras saíram e Naruto agora tinha o seu ar mais divertido e informal com ela. – Achei uma composição que tinha começado a trabalhar algum tempo e fiquei ontem trabalhando nela de novo. Sabe... me senti inspirado e tem corrido bem, apesar de estar demorando mais do que esperaria.
— Mesmo? Isso é muito bom! – o sorriso da morena era genuíno. Ela abriu um grande sorriso e Naruto a acompanhou. De súbito ele sentiu uma grande vontade de a abraçar, porém estava demasiado preso nos olhos perolados para se mexer. – Ahn... Naruto? – ela o despertou e ele ficou com o olhar confuso por um tempo. – Acredito que o ensaio terminou, não é mesmo?
— Ah, sim. É, sim. Você tem que ir? – perguntou ao notar que ela estava se levantando.
— Na verdade sim. Hoje é a exposição do namorado da Ino e eu prometi que iria. – explicou e ele ficou feliz em saber que não era nenhum tipo de encontro. Se sobressaltou com o pensamento. Aquilo era perigoso. Não podia ir por aquele lado... era tudo culpa de Jiraya!
— Ah, espero que seja bom então. Eu ainda tenho mais uma pessoa para ensaiar. Acho que vou comer algo antes. – e se levantou, passando a mão pelo cabelo loiro em seguida. – Vamos?
Eles andaram lado a lado e conversando. Naruto tagarelava, mas se surpreendeu quando Hinata também começou a falar empolgada. Eles conversavam, claro, sobre o que tinham em comum, a música, mas falavam sobre seus gostos e suas músicas preferidas, Naruto contava suas influências e ele se mostrava empolgado com isso até chegar onde se separariam. O loiro olhou em volta, como se para comprovar que era ali mesmo que tinha de deixá-la e Hinata ficou corada ao perceber que não queria ir. A universidade não estava tão cheia pelo horário. Muitas das aulas já tinham terminado, por isso as poucas pessoas em volta olhavam para os dois e logo perdiam o interesse. Era comum para todos verem Naruto por ali e sabiam que Hinata estava participando do concurso.
— Bem, eu espero que se divirta. – ele falou enfim, dando um pequeno sorriso. – E não se esqueça de trabalhar no que falamos. – não queria falar aquilo, mas também não conseguia pensar em muito mais para dizer e mantê-la por ali.
— Farei isso. – ela confirmou e deu um passo para se afastar. Em um impulso o loiro lhe pegou a mão e Hinata virou-se para o olhar, parecendo confusa e vermelha. Naruto levou então a mão dela aos lábios, dando um beijo ali enquanto a olhava e só quando percebeu que ela ficara realmente muito vermelha é que sorriu.
— Boa noite, Hinata. – e sem esperar uma resposta, que não veio já que a morena o olhava ainda surpresa, ele saiu com as mãos dentro dos bolsos da calça e seu andar despojado.
Apenas quando estava a uma certa distância que o loiro olhou para trás e a viu não muito longe andando apressada e riu consigo mesmo. Talvez Jiraya não estivesse assim tão errado. Alguma coisa, além da voz daquela moça, o fazia querer ela por perto. Hinata era encantadora, constantou ao voltar a andar, agora com um sorriso discreto no rosto.
...
Acordou tremendo. Naruto estava tremendo, arrepiado e com certa falta de ar. Não, ele estava era ofegante. Se sentou na cama, apoiando os cotovelos no joelho dobrado e afundou as mãos no cabelo loiro bagunçado enquanto abaixava a cabeça. Aquilo era novo para ele. Acordar no meio da noite não por um pesadelo, mas por um sonho. Precisava pensar, mas nada fazia sentido. As imagens apenas pipocavam em sua mente, o deixando ainda mais ofegante.
Jogou as cobertas para o lado e se levantou apressado. A luz do abajur foi acesa então e ele se debruçou sobre o criado mudo, puxando o bloco de papel que sempre ficava ali. Estava ainda mais ofegante agora que sabia o que iria fazer. Era a primeira vez que isso acontecia em muito tempo sem que ele ficasse horas pensando e idealizando alguma cena. A imagem de cabelos longos e pretos azulados dançou em sua mente. O loiro ofegou e se deixou pensar. Os olhos pérolas apareceram e sumiram em sua mente e ele tremeu quando se debruçou sobre o papel novamente e rabiscou:
Tenho que parar de tremer.
Não consigo comer, não consigo dormir, não consigo pensar.
Afundando, eu estou afundando.
E realmente ele se sentia afundando, cada vez mais na lembrança de seu sonho. Olhou para cima. O quarto ainda estava escuro, apenas iluminando a mesa onde a sua letra tremida aparecia. Os lábios rosados se mexiam em sua mente, mas nenhum som saía e ele gostava do som. Porém no momento seguinte o cabelo lhe tomava a visão e ele não podia fazer nada, pois ela se afastava. Novamente se inclinou sobre o bloco e rabiscou:
Se eu pudesse te tocar nunca te deixaria ir.
Ficou mirando aquelas palavras e novas lhe vieram a mente, porém não era em sua voz. Era o velho tarado. Naruto passou as mãos pelo cabelo um pouco desesperado, mas assim que pensou em desistir, se rendeu a mais um pouco. Ele sorriu, imaginando o sorriso e rabiscou, ainda em letra tremida:
Me dê carinho
Preciso de sua perfeição
Você me faz tão bem
Após escrever aquelas três frases, Naruto largou a caneta e ficou olhando com atenção a última frase. Aquilo era verdade? Mas ele mal a conhecia... O que não mudava o fato de ele se sentir bem mesmo perto dela. Sorriu. O velho era tarado, mas tinha notado mais do que ele. Mas será que era assim para ela também? A confusão o estava deixando louco. Ele realmente não conseguia pensar com clareza. Procurou o celular e quando viu a hora quase riu alto. Era pouco mais de cinco da manhã. Ele nunca acordara tão cedo nos últimos anos.
Levantou-se, decidido a tomar algo e realmente acordar para poder pensar melhor, mas apenas sentia que precisava trabalhar. Por isso colocou o café para fazer enquanto tomava um banho e após isso levou suas anotações para a mesa. Com uma caneca fumegante de café se sentou e começou a encaixar o que já tinha com o que tinha escrito, deixando melodias nascerem.
Não soube quanto tempo tinha ficado ali, mas a senhora que trabalhava para ele chegou, e só se deu conta do tempo quando esta o chamou para almoçar. No mesmo instante seu estômago roncou. Tinha ficado a base de café toda a manhã e ainda não tinha terminado. Enquanto comia, seus pensamentos se voltaram para o sonho e para o que ele poderia significar. Tinha certo receio que Jiraya estivesse certo, apesar de desconfiar desde cedo que sim. Mas seu maior receio era não saber cuidar disso. Uma coisa eram as fãs que gritavam que o amavam e se atiravam nele. Outra bem diferente era Hinata, uma fã tímida que fazia com que ele se encantasse a cada vez que ela cantava ou mesmo sorria.
Percebeu o maior perigo quando notou que seu encanto não era apenas pela voz. O sorriso dela agora estava preso em sua mente e ele afastou o prato já vazio enquanto olhava para a letra da música. Faltava algo, algo que ele sabia onde conseguir. Afinal de contas, ela era a sua inspiração para aquela música.
No mesmo instante deixou tudo onde estava e se levantou, caminhando apressado para o quarto e trocando de roupa. Vestiu a calça jeans e a camisa branca de qualquer jeito, enfiando meias e o allstar no pé com certa pressa. As mãos foram para o cabelo, tentando dar uma aparência mais casual e menos “eu acordei e não penteei o cabelo”. Enfiou o celular no bolso e então estava saindo quando a senhora o chamou.
— Ahn... senhor Uzumaki.. Acredito... – mas ela não terminou. Naruto a olhou, esperando, claramente ficando ansioso. – Acredito que o senhor gostaria de fechar a calça antes de sair. – foi assim que ele soube porque aquela senhora estava tão sem graça e no mesmo instante ele ficou também, fechando a calça e murmurando um agradecimento antes de sair.
Precisava se acalmar, era o que pensava enquanto entrava em seu carro. Não podia chegar assim para Hinata, ela o acharia um doido. Mas o que diria? O que diria como justificativa para a procurar em plena tarde de sábado? Ele não tinha nenhuma desculpa a não ser a verdade. Que estava compondo e que achava que ela poderia lhe ajudar com alguma coisa, mesmo sem ver a letra. Não teria coragem de mostrar nada enquanto não tivesse pronta. Ele estava pronto para deixar ela saber que estava compondo pensando nela? Não, certamente não. Mas ainda assim não podia voltar agora.
Quando seu celular tocou ele deu um pulo, rindo de si mesmo em seguida. Estava tão distraído que se assustara com algo tão simples. Com uma única mão conectou o celular ao carro e atendeu.
— Naruto. – falou simplesmente, esperando. Não tinha percebido quem ligava ainda.
— Naruto, não está em casa? – era Kakashi. – Da pra ouvir o vento do seu carro, imagino. – conversível. Naruto gostava do carro assim, mas sempre lhe denunciava.
— É. Estou saindo. Por que? Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu sim, claro. Quero saber como vai a composição.
— Ta indo, Kakashi.
— Indo? Espera, você está compondo?
— Sim, estou. Então acho melhor desligar e a gente se fala mais tarde. Digamos que estou indo atrás da minha inspiração. – explicou de forma misteriosa. Se tinha uma coisa que ele não contaria é que ia atrás de Hinata.
— Espere. Tem uma coisa mais. – Naruto esperou sem dizer nada e Kakashi soube que para continuar. – A emissora de TV já mandou os contratos e teremos uma reunião com eles amanhã na parte da tarde. Lhe mando os detalhes por email. Mas é bom que avise o quanto antes aos participantes. Não vamos poder passar a não ser que todos assinem. Use de persuasão com eles, Naruto.
— Tudo bem, é só isso? – após uma confirmação de Kakashi ele desligou. Sorria satisfeito. Agora tinha uma boa desculpa para ver Hinata. Se bem que se ela estivesse com a amiga de cabelo rosa teria um problema. Balançou a cabeça e se concentrou no curto trajeto. Ia dar tudo certo, estava confiante.
...
Ino e Sai estavam sentados no corredor do local, perto da porta da loira que insistira em não entrar. O moreno não entendia o motivo daquilo, afinal sempre ficavam ali durante horas, ainda mais no fim de semana, mas Ino insistia e também impedia. Por isso ele tentava lhe convencer do contrário. A perna da loira estava sobre as dele, de modo que ela quase estava subindo no colo do namorado e ele a abraçava de modo que uma de suas mãos se prendiam no longo cabelo loiro e a outra estava quase na bunda da moça. Enquanto se beijavam seus corpos se roçavam e ele tinha quase certeza que conseguiria convencê-la de entrar.
Porém quando teve este pensamento vitorioso, ambos ouviram um pigarro e no mesmo instante se afastaram para ver quem era. Qual foi a surpresa de ambos quando viram Naruto ali. O loiro estava levemente rosado e coçava a nuca parecendo muito desconfortável. Sem dúvidas não teria interrompido em outra situação. Ino parecia surpresa, mas não sem graça, assim como Sai.
— Olá, Naruto! Que surpresa. O que faz aqui hoje?
— Hm... bem... Suas amigas estão? – achou melhor perguntar das duas, mesmo contra a vontade.
— Ah não, sinto muito. Sakura foi para a casa dos pais esse fim de semana e Hinata... – ela fez uma pausa, no que o loiro imediatamente se mostrou mais interessado. — ... Hinata foi comprar os ingressos de um show que vai com a irmã daqui a algumas semanas, acho.
— Ah, e sabe onde é isso?
— Por que o interesse, Naruto? – a loira agora o analisava. Ele sabia disso, sentia isso.
— Nada. Eu apenas preciso avisar algo pra todos. Mas tudo bem, pode avisar a elas para me encontrar às 14h na segunda? Vou ver se consigo falar com mais alguém para avisar os demais... ou coloco um aviso no mural.
— É uma boa ideia... – a Yamanaka comentou e quando o loiro se virou para sair, ela o chamou de novo. – O nome do local é Space Center, é onde o show vai acontecer.
Naruto nem mesmo a olhou por muito tempo depois de acenar com a cabeça. Tinha certeza que veria algo que o deixaria encabulado. Se apressou em sair e ir para o carro. Precisava mesmo encontrar Hinata. Ele precisava olhar para os olhos dela. Sim, tinha muito a ver com a composição, mas de uma forma estranha imaginar que a veria e não conseguiu o frustrara demais.
Dirigiu rápido para o local, parando na primeira vaga disponível mais perto. Havia uma pequena fila que andava rápido das pessoas que compravam o ingresso ali e ele passou, olhando para o rosto de cada uma. Porém tentava não se demorar. Algumas oiucas pessoas davam gritinhos, outras pareciam vir em sua direção ao lhe reconhecer. Ele, definitivamente, não estava com tenpo para aquilo no momento.
A viu quando estava quase desistindo. Ela estava comprando os ingressos, de costas para onde ele se encontrava, usando um vestido azul com flores brancas e seu cabelo preso em um rabo-de-cavalo. Ignorando o burburinho que se formava a sua volta, Naruto encostou-se em um hidrante e ficou com os olhos fixos nela. O pé esquerdo encostado no hidrante, o mantendo com uma pose despojada e os braços cruzados na frente do corpo. Quando Hinata se virou, os olhos baixos ainda guardando os ingressos na bolsa, porém, saindo da fila ela parou. Os olhos pérolas fixos nos azuis, perdidos e confusos. No mesmo instante Naruto acenou para ela e as pessoas na fila suspiraram, a encarando, no que Hinata ficou vermelha.
— O que faz aqui? – a voz baixa por pouco não foi ouvida enquanto ela se aproximava e finalmente parava na frente do loiro.
— Vim falar com você. Ino disse que estaria aqui.
— Algum problema?
— Problema? Não! – ele riu e se endireitou. – Vem, vamos sair daqui. As pessoas logo vão começar a não ligar em peder o lugar da fila. – Hinata riu e ele a olhou novamente, perdido naquele som melodioso. – É... É, pode? Quero dizer, pode me acompanhar? – merda, ele pensou ao se ver gaguejando. Desde quando ele gaguejava?
— Acho que sim... – ela não tinha muita certeza, então ele precisava ter. Começou a andar, no que a morena o acompanhou quase de imediato. – Onde vamos?
— Meu carro está ali na frente. O que acha de tomarmos algo? Um suco? Comer alguma coisa? Conheço um lugar que é calmo, não terão tantas pessoas olhando. – ele estava começando a ficar nervoso, não com os olhares, mas com as câmeras que poderiam surgir. Apressou-se e viu feliz Hinata entender isso e o acompanhar.
Ignorando o fato de que poderia ser fotografado, após desarmar o alarme, abriu a porta para a morena e fechou assim que ela entrou, dando a volta e ligando o carro. Não olhou em volta, não queria constatar nada, por isso logo estava dando partida.
— Ainda não entendo por que veio me encontrar...
— Bem, eu fui lá no dormitório, mas Ino disse que não estava e que Sakura foi visitar a família. – sorte a minha, completou em pensamento enquanto dirigia. – Então em vez de passar meu sábado a procura de todos, decidi que ia apenas pendurar um aviso e deixar que todos me encontrassem segunda para eu lhes comunicar algo.
— Então veio me dizer que é pra eu o encontrar com os outros segunda? – ela ainda estava confusa. Era muito para ser apenas aquilo.
— Não. Você eu vim ver por outro motivo. – pronto, acabaria falando a verdade mesmo. – Estou quase terminando a música. – ou quase a verdade.
— Jura? Isso é ótimo. Falta o que? Melodia?
— Ah, não, não. Enquanto escrevia a melodia se formava, eu só preciso de algumas partes pra encaixar e tudo vai estar ótimo.
— E eu posso ajudar em alguma coisa? – ela não entendia onde se encaixava na história.
— Acho que sim. Cantar com você sempre me ajuda. Que tal ouvirmos algo aqui e conversar? Se sentirmos vontade, nós cantamos?
— Hm... Acho que tudo bem... – era visível que ela ainda estava confusa. Mas Naruto não poderia fazer nada muito além, pois se encontrava da mesma forma. Apertou o botão do rádio e no mesmo instante uma música encheu os ouvidos dos dois. Assim que começou, soube que era do agrado de Hinata. – Gosto dessa música...
Oh just the thought of you
Gets me so high
So high
Girl, you're the one
I want to want me
And if you want, then girl you got me
There's nothing I, no I wouldn't do
(I wouldn't do)
Just to get up next to you
A música já havia começado, mas para Naruto era como se tivesse começando naquele instante. Ele apertou o volante e fixou os olhos na estrada. Podia ouvir Hinata cantar baixinho junto com o cantor, porém ele prestava muito mais atenção na letra. De alguma forma o fez pensar. Ele cantaria aquilo para ela? Cantaria. Apertou ainda mais o volante ao notar aquilo enquanto a música seguia, falando sobre a mulher que aparecia nua, sorrindo e eles iam ao chão se entregando a ele. O loiro olhou para ela, olhando em volta com o cabelo sendo lançado pelo vento e parecendo ainda mais atraente.
Aqueles pensamentos ainda o assustavam e por mais que quisesse por a culpa em Jiraya o velho não estava ali. A culpa era de seu sonho e assim sendo, de seu subconsciente. O que significava que ele já havia reparado nela, mas não dava a devida atenção. Por quê? Olhou para ela novamente, com o refrão da música tocando outra vez. Porque ela era uma participante e não podia fazer aquilo. Se não, tinha certeza, seria como Sasuke dissera, já teria dormido com ela.
Passou a mão pelo cabelo. Seus pensamentos estavam confusos e aquilo o deixava inquieto. O local não estava longe e ele não sabia como manter uma conversa com Hinata. Ela era encantadora, mas o que tinham em comum era a música, apenas. Pelo menos pelo o que soubesse e até agora estavam em um ssilêncio que era preenchido apenas pela música mesmo. Ela tirava o cabelo que as vezes voava para a sua boca e ria, parecendo ser uma pessoa positiva e despreocupada, mas ele via as maçãs do rosto avermelhadas. Hinata também tinha muita consciencia de sua presença, percebeu.
Quando os olhos se encontraram o Uzumaki se viu pensando se queria que ela o quisesse. Ele a queria. Podia não ser de uma forma muito convencional, ele se sentia atraído e a queria. Poderia ser uma vez, e então eles poderiam seguir com a competição como se nada tivesse acontecido, não atrapalharia em nada. Mas e ela? Ela o queria assim também? Ou ela era apenas uma fã, sem qualquer ligação de atração do tipo. Hinata tinha o rosto ainda mais vermelho quando afastou o olhar do dele e Naruto enfim parava em frente ao local. Ela queria, ele soube, não apenas por aquela ação, mas por ver as pernas da menina pressionando uma a outra de forma tensa e tentando conter o nervosismo. Ela queria e isso o deixou realmente satisfeito.
Saiu do carro e se apressou ao perceber que ela não esperaria. Abriu a porta para Hinata e sorriu quando ela passou quase encostando nele. Tinha se aproximado de propósito e no mesmo instante o rosto branco corou. Ele gostava daquilo, de a provocar e arrancar aquelas reações da moça. Hinata notou que o local era bem tranquilo mesmo, pois estava quase vazio, apesar de ser bem luxuoso.
— Onde estamos? – perguntou ela em um tom baixo enquanto o acompanhava até uma mesa. A cadeira, Hinata logo notou, era acolchoada.
— Um lugar discreto, onde não seremos a capa da revista de amanhã.
— Estaremos na revista? – ela perguntou assustada, debruçando-se sobre a mesa
— Não sei. Depende de onde vão parar as possíveis fotos daquelas meninas. Que show é esse que você comprou ingresso? – aquilo o interessou. Ela era sua fã afinal, que show mais ela gostaria de ir? Um pouco mais de conhecimento sobre ela.
— Ed Sheeran. – ela deu um pequeno sorriso. Minha irmã é apaixonada por ele. Eu também gosto muito, na verdade, eu apresentei as músicas a ela e daqui há duas semanas ela vem pra irmos juntas.
— Seu pai permitiu? – ele se lembrava do que ela contara sobre o pai, apesar de não ser muito e isso a surpreendeu.
— Sim. Também fiquei surpresa com isso, mas aposto que Hanabi terá de ligar para ele muitas vezes.
— E você não precisa?
— Quando saí de casa... as coisas não foram legais. Mesmo eu voltando lá todo final de ano, ele ainda me trata de forma distante quando estou aqui.
— Compreendo, eu acho. É uma pena. – ele parou por um instante, pedindo suco e alguns aperitivos. Não tinha terminado de almoçar e estava com fome agora que tinha parado. Imaginava que Hinata também não tinha comido. – Mas quando ele a ver fazendo o que faz...
— Ah, não acredito que ele venha ver. Meu pai é muito orgulhoso e cabeça dura.
— Que bom que ele não vai precisar então. – aquilo a deixou curiosa, mas o Uzumaki não continuou de imediato. Esperou a garçonete os servir e só em seguida prosseguiu. – Meu empresário me ligou hoje, quando estava vindo falar com você e é o motivo de eu querer reunir todos vocês na segunda. Uma emissora de TV quer passar o nosso concurso. É uma emissora nacional, então seu pai poderá lhe ver. – mas ao contrário do que esperava, Hinata não ficara animada ou mesmo envergonhada. Ela parecia assustada. – Hinata? Ei, Hinata, você está bem? O que foi?
— Não posso...
— Não pode? Não pode o que?
— TV... Naruto, meu pai... meu pai não sabe.
— Como assim ele não sabe? Você não contou a ele? – ela negou com a cabeça e o Uzumaki passou as mãos pelo cabelo, nervoso. – Por que não, Hinata? Você tem medo dele?
— Não! – disse logo. Não queria que o pai fosse visto como alguém mau a quem devessem temer. – Ele é muito rígido, não gosta que nos exponhamos. Acho que é um dos motivos de não gostar do que faço.
— Hinata... – o loiro estendeu as mão e pegou a dela, envolvendo com ambas. O rosto da Hyuuga corou no mesmo instante. – Eu vou precisar que assine os papeis, se não fizer, não poderemos passar nada. É a sua escolha. Mas lembra do que pedi que fizesse? Essa é a sua hora de começar. Você quer ser uma artista, certo? Você é maior de idade, pode decidir.
— Não é tão simples...
— Não. Nunca é. Mas se é o seu sonho, precisa mesmo lutar por ele. Olha bem, eu comecei a compor de novo, estou aqui porque você é que me inspirou. Você canta com sua alma e eu quero fazer isso de novo. Estou aqui por isso Hinata. – ele fora sincero, apesar de não dizer que fora um sonho que dissera aquilo para ele. – Continue sendo meu exemplo de inspiração, por favor. Eu prometo, nada de ruim vai acontecer na TV. Vamos continuar como estamos.
Mas Naruto sabia que era mentira. Na verdade, esperava que fosse. Não em relação ao concurso. Isso ele manteria da mesma forma, sim. Mas quanto a ela... Naruto agora via o que Jiraya lhe dissera. Não tinha certeza, mas poderia arriscar dizer que Hinata era um tipo diferente de fã. E era do tipo que ele não se importaria de ter em sua cama. Ela era uma fantasia, uma fantasia de um mundo impossível, mas que ele estava disposto a fazer de tudo para ser possível. Os pensamentos vinham sem que ele pudesse controlar... Naruto estava encantado, de fato, atraído de forma que a conhecer estava fazendo com que quisesse mais.
Ela era quem conseguira o fazer compor outra vez, ela que lhe acordou como um adolescente ofegante e agora estava com medo, tímida e precisava de ajuda.
— Ei... Eu vou estar lá. Prometo, Hinata, nada de ruim vai acontecer. Confia em mim? – e para a surpresa dele, ela acenou com a cabeça, confirmando.
Seu sorriso aumentou enquanto a observava comer e a acompanhava nisso. Levando novamente o assunto para gostos musicais, ele falava sobre bandas que gostaria de ir ao show, ou contava algumas gafes que já cometera, fazendo a Hyuuga rir. E foi assim que ele notou que tinha todas as partes necessárias para completar sua música. Graças à sua garota fantasia.
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