Following the Heartbeat
21 Capítulo 21 - Gift and Break Up
Notas iniciais

21. Gift and Break up
Dreamcast de Following the Heartbeat
Assim que terminaram de cantar a última nota, Hinata se jogou em uma cadeira enquanto Konohamaru se jogou no chão. Ambos permaneceram em silêncio por aqueles momentos, realmente esgotados. Os ensaios estavam muito mais intensos dessa vez, e ambos tinham muitos momentos juntos agora, o que achavam bom, pois o nervosismo também estava em dobro.
O programa teria uma pausa de duas semanas para eles treinarem e para acontecerem as provas finais da universidade. Isso não diminuía a carga de ensaio nem de Konohamaru nem de Hinata. Ambos ensaiavam até mais do que para os exames que eram as apresentações e final de período. O programa tinha pedido que os três se apresentassem juntos e depois cada um deles individualmente com Naruto, assim como apresentassem uma música apenas os dois candidatos e, finalmente, sozinhos. Seria um longo programa e, por isso, longas semanas de ensaio.
Quando ensaiavam com Naruto, os dois iam para o apartamento deste. Mas sozinhos, como naquele momento, eles usavam alguma sala ou mesmo a sala em comum do dormitório. Esta última não era ideal, mas quando não se tinha nada, era o melhor. Naruto tinha oferecido seu estúdio para ensaiarem, mas recusaram devido a surpresa que queriam fazer, tanto em suas apresentações solo quanto juntos. E aquilo deixara o Uzumaki se mordendo de curiosidade.
Foram inúmeras as vezes que ele tentara fazer Hinata contar alguma coisa, mas a Hyuuga sempre conseguia se esquivar e ainda ria, dizendo ser fofo ver como ele ficava curioso. Ao ouvir aquilo ele parava, não sabendo ao certo se deveria gostar, apesar de no fundo ser assim.
A apresentação deles seria no dia seguinte as apresentações finais, essas que contariam com a apresentação de Ino, que até mesmo dispensara Sai para ensaiar, coisa que nunca imaginariam e que provava o quanto a loira estava nervosa. Outra coisa que acontecera nesse meio tempo fora Sakura parecer sumir da presença das duas, o que fez Ino ficar ainda mais nervosa e Hinata se sentir culpada, mesmo sem ter culpa, de fato.
— Acho que dessa vez nós conseguimos achar o mesmo tom, o que acha? – ainda deitado e de olhos fechados, Konohamaru falou finalmente.
— Acho que estamos mesmo muito melhor. Só precisamos manter os ensaios diários para não ter erro. – apesar de igualmente cansada, Hinata se sentou direito e olhou para o rapaz. – Tive uma ideia para o final que pode deixar melhor a surpresa. – ao ouvir aquilo ele levantou e a olhou, empolgado.
Antes, porém, que Hinata pudesse começar a dizer alguma coisa, Naruto entrou sorrindo e olhando para eles ali.
— Acho que vou ter que começar a participar desses ensaios, vocês estão só conversando.
— Ha! – riu o mais novo e se levantou de um pulo. Os dois estavam com microfone na mão e Naruto notara isso. – Estamos discutindo a melhor forma de deixar isso melhor. E não era para você estar aqui...
— O que eu posso fazer? Estou curioso. – dando de ombros o loiro deixou seu olhar seguir na direção de Hinata. Ela entendeu apenas assim que ele estava ali para falar com ela.
— Bem, acho que vai ter que ficar curioso, nosso horário com a sala está perto de acabar. – o rapaz conferiu e notando que estava certo começou a recolher suas coisas. Hinata o imitou, ainda em silêncio. – Amanhã é que horas lá, Naruto? – ele perguntou, jogando a alça da mochila nos ombros.
— Às duas. Não se atrasa ein. – implicou. Ambos tinham desenvolvido uma relação com implicâncias, como se fossem parentes de grande intimidade.
— Como se eu fosse você. – retribuiu a implicância e voltou-se para Hinata que enrolava fingindo amarrar o tênis que usava. – A gente se fala então a caminho de la amanhã sobre o assunto de hoje, ok? Até mais! – e dizendo isso, Konohamaru saiu, já puxando o celular, como sempre fazia.
— Os dois estão de segredo demais, não? – finalmente os dois, Naruto soltou se sentando na poltrona no fundo da sala e, apoiando o tornozelo esquerdo sobre o joelho e mantendo a perna cruzada assim, ele olhou para Hinata.
— Ele é meu cunhado, acho que podemos ter segredos. – Hinata, nos dias que se passaram desde a sua apresentação, conseguira se soltar mais com Naruto, a ponto de conseguir brincar com a naturalidade que sempre quis ter com ele. E era óbvio, até para ela, que o tom dele era de ciúmes, não de curiosidade. – Além do mais, queremos mesmo fazer uma surpresa até para você nesta apresentação.
— Vem aqui... – ele pediu agora mais brando. Tinha um sorriso de lado nos lábios. Naquela posição eles podiam ver se alguém chegasse, pois permitia ver o lado de fora sem que se visse o lado de dentro.
Hinata caminhou até ele, sentiu-se ser puxada então pela mão e acabou sentada no pequeno sofá ao lado de Naruto. Tocando-lhe o rosto, ele se inclinou e lhe roubou um rápido beijo, lançando um olhar para a porta em seguida.
— Pronto, já fiquei mais calmo agora. – aquela fala fez Hinata rir e chama-lo de exagerado. Um belo e grande sorriso lhe apareceu e ele negou com a cabeça. – Você quem pensa que é apenas brincadeira. – o tom baixo deu a aparência de uma confissão àquela frase, mas logo, como que para a distrair desse fato, ele lhe pegou a mão. – Quero te pedir uma coisa, mesmo sabendo que você deve estar cansada do ensaio...
— O que foi, Naruto? Você quer ensaiar mais? – de fato não estava entendendo onde ele queria chegar.
— Não. Na verdade eu quero que vá a minha casa... jantar comigo. – no mesmo instante ele viu o rosto de Hinata ficar corado. – Garanto que ninguém vai saber ou comentar. Além do mais... – ele parou, suspirando e entrelaçando os dedos nos dela. – Estamos juntos há dois meses e, mesmo sendo pouco tempo, gostaria de comemorar isso com você. Ia deixar pra três, como as pessoas costumam fazer, mas como você estará na sua cidade natal e eu na minha no próximo mês...
Hinata sabia que eles estavam juntos há dois meses, isso não lhe passara batido, mas sua surpresa era Naruto querer fazer algo assim. É claro que sabia o quão atencioso ele era, o quanto conseguia ser carinhoso consigo, mas esse lado romântico nunca tinha aparecido com tanta intensidade quanto com aquele pedido, o que tornou impossível para a Hyuuga recusar. Ela nem mesmo sequer cogitou o fazer, de qualquer modo.
— A que horas?
— Às sete. Vou estar te esperando às sete. Prefere que eu dispense a minha governanta? – sem que Hinata precisasse responder ele percebeu que seria melhor. As bochechas voltaram a ficar vermelhas. Ele se inclinou, lhe beijando a testa e sorriu em seguida. – Ninguém estará lá quando chegar, prometo. Agora...
Assim que Naruto ficou de pé uma sombra apareceu na porta. Era como se soubesse o momento certo, por sorte para os dois. O horário de Hinata na sala tinha acabado e os próximos ocupantes tinham chegado.
— Então é isso, por favor, não se esqueça de lembrar o Konohamaru do horário do ensaio. – o loiro continuou como se aquele fosse o assunto e saiu, cumprimentando os alunos que estava na porta olhando a cena.
Hinata se apressou em levantar e sair da sala, pedindo desculpas pelo atraso. Demonstrara nervosismo demais naquele momento e se preocupara com isso depois, mas como se desculpou apenas por usar a sala por mais tempo que o necessário esperava que poucos acreditassem que Naruto pudesse querer algo com ela.
Mas queria. Hinata se lembrava disso enquanto tomava banho, já em seu dormitório. Ele mostrava isso em seus olhares cúmplices, em seus sorrisos e, principalmente, em procura-la constantemente. Aquilo poderia ser um sonho, mas nem nesses a Hyuuga conseguira se sentir tão feliz. Ela sabia que estar se soltando fazia com que Naruto também o fizesse, e era por isso que as ligações passaram a ser constantes e, ela acreditava, ele fizera questão de comemorarem o tempo que estavam juntos. Era pouco, mas era extremamente importante para ela.
Estava se maquiando quando ouviu batidas na porta. Ino a olhou de cima a baixo, ainda de roupão, mas maquiada e sorriu.
— Alguém vai sair? – apesar de não dizer claramente, a Yamanaka deixava a entender que a desconfiança que tivera nas semanas anteriores já passara a ser certeza. – Não se preocupe, eu não vou ficar muito tempo, eu só quero saber de você... Sakura está viva? Ela não me responde e não importa o quanto eu bata na porta dela, ela me ignora.
— Está assim comigo também. Não sei o que está acontecendo. Nós não fizemos nada a ela, pelo menos que eu me lembre.
— Isso já deixou de ser TPM. – a loira se jogou na cama da amiga e novamente a olhou. – Quer ajuda para se arrumar?
— Não... – cautelosamente Hinata a respondeu e ambas riram em seguida. Ino sempre a convencia a usar roupas que não usaria normalmente, por isso sempre negava e quando dava sorte, conseguia. – Você vai ensaiar essa noite também?
— Não. Estou esperando Sai chegar. – como ela não estava arrumada, a morena soube que eles não iriam sair. – Anda, me deixe ver o que você vai vestir. Não me mate de curiosidade, Hina!
Desistindo, Hinata foi até o banheiro, onde tinha deixado o vestido pendurado para poder se arrumar. Quando voltou, exibia para a amiga um vestido simples, azul escuro. Possuía mangas curtas de renda e era até a sua coxa, caindo levemente por seu corpo e sendo marcado por um cinto preto e fino que usava. Simples, mas arrumada. Hinata não queria se arrumar demais, afinal estaria no apartamento dele, mas se arrumara um pouco mais por ser uma ocasião especial.
— Onde vocês vão? Porque, olha, acho que podia ter uns brilhos, uma renda... – ao ver a amiga revirando os olhos, riu. – Ok, eu não vou me meter. Você está linda como sempre. Vai ficar com o cabelo solto ou será que posso ajudar com aquela trança que você adora?
Quando Sai apareceu na porta do quarto de Hinata, a morena já estava arrumada e ria da história que Ino contava. A trança feita, no estilo “espinha de peixe”, estava sobre o ombro esquerdo e por alguns instantes, tinha esquecido a hora. Ao ver o namorado da amiga ali, a Hyuuga se levantou, pegando o celular.
— Vamos, Sai, alguém se atrasou pra ver o príncipe. – implicou a Yamanaka antes de piscar para a amiga da porta.
Hinata, porém, estava logo atrás, já mandando uma mensagem avisando que se atrasaria alguns minutos. Puxou a bolsa que levaria junto com o sobretudo preto. Apesar do calor que fazia durante o dia, aquela noite em especial ventava frio.
Ao passar pela sala comunitária do dormitório viu Konohamaru em uma vídeo conferência com sua irmã e no lado oposto da sala, escrevendo, mas parando para lhe olhar, Toneri. Ela acenou para os dois rapidamente e saiu, em busca de um táxi. Apesar da movimentação, deu a sorte de um táxi ser liberado bem na sua frente e sem dar tempo do motorista se distrair, Hinata pulou para dentro deste quando a porta ainda estava aberta. Passou o endereço de Naruto e enviou mais uma mensagem. Instantaneamente recebeu de volta uma foto dele sentado no sofá com uma taça de vinho e um grande sorriso, mostrando que estava a esperando.
Soube que ele avisara na portaria que ela estaria chegando porque o porteiro, um senhor que a deixara entrar na última vez que estivera ali, lhe cumprimentou com um aceno de cabeça e um sorriso sem perguntar quem era. Com as bochechas coradas ela sorriu de volta e se apressou para o elevador. Por sorte não houve paradas até chegar no andar de Naruto e para a sua surpresa, quando as portas se abriram ele estava lá com uma rosa nas mãos e um grande sorriso no rosto.
Sem esperar que ela saísse, Naruto a puxou para seus braços e, consequentemente, para fora do elevador. O corredor estava vazio, afinal aquele andar era apenas do loiro. Sem pensar em câmeras – pois ele poderia muito bem pagar por aquelas fitas e porque eles não podiam liberar imagens dele sem um grande processo depois –, ele a beijou ali mesmo. A porta do elevador já havia se fechado e estavam no silêncio e sozinhos.
— Desculpe o atraso. – ela soltou então após o beijo, mantendo os olhos fechados por alguns segundos.
— Valeu a pena. – a resposta foi dada enquanto a olhava de baixo a cima. O sobretudo escondia o vestido e por isso Naruto acabou tendo de desviar o olhar. Sua mente tinha seguido por um caminho que não deveria, por uma lembrança que nem mesmo era real.
Enquanto a levava para dentro, segurando a mão da moça, explicava que a governanta que havia feito o jantar, mas que também se atrasara e pedia desculpas diversas vezes em um tom quase desesperado. Hinata entendeu por que. Ao entrar no apartamento o cheiro de comida estava forte, assim como o som que vinha da cozinha. A governanta ainda estava lá.
— Podemos ir para o estúdio, assim não precisa falar com ela e ficar mais vermelha. – Naruto sorria ao ver como Hinata ficara sem graça. Por mais que quisesse apresenta-la, sabia que não seria o melhor, por isso antes mesmo da resposta chegar, a puxou pela mão na direção do único lugar que tinha certeza que ela ficaria mais a vontade.
— Acho que não foi muito educado de minha parte... – por fim comentou, se sentando no assento do piano.
— Não se preocupe, depois explico a ela. – ele se sentou ao lado da Hyuuga e, como pegara o costume de fazer, segurara sua mão.
— Ela está acostumada né? – ao ver o olhar desentendido de Naruto, corou e olhou para o lado oposto. – Ver moças entrando aqui e não ter... tempo de falar com ela.
— Não exatamente. – naquele momento quem ficou sem graça foi Naruto. – Ela não costumava estar aqui e evito fazer essas coisas. Trazer pra cá. Sabe-se lá quando uma louca vai querer voltar.
Hinata não disse nada, nem mesmo da brincadeira de Naruto. Por mais que soubesse que era assim, que já imaginasse, era óbvio o seu ciúme. Porém não fora ele que lhe fizera ficar pensativa.
Naruto era experiente em uma área que ela não sabia nada. Ele estava acostumado com aquela vida que ela nunca tinha experimentado. Provavelmente, ela pensou, ele sentia falta. Então por que estava lhe dando tanto espaço? Desde que descobrira que ela era virgem ele nunca mais tentara nada. Tentava entende-lo e ao mesmo tempo, sentia um carinho ainda maior por ele.
Quando estava pensando que talvez não devesse ter dando tantos detalhes sobre algo que nem acontecia mais, Naruto foi surpreendido por um beijo casto de Hinata. Apesar de ser um beijo simples e tímido era uma surpresa para ele, pois Hinata nunca iniciava um beijo, ela sempre ficava sem graça demais para isso. Por isso, ao notar que ela se afastava novamente, levou a mão até a nuca da morena e aprofundou o beijo, encaixando seus lábios e a fazendo se inclinar um pouco para a sua direção.
Ao se afastar, após alguns segundos, viu as bochechas rosadas, mas um pequeno e lindo sorriso nos lábios. Os olhos estavam baixos, pois ele sabia que ela estava sem graça. Não entendia o que tinha se passado com a Hyuuga, mas notou a diferença do que ela sentia apenas por aquele beijo, por aquela iniciativa. Por mais confuso que fosse para ele, apenas sentia-se sortudo por poder aproveitar alguém que não o cansava de surpreender a cada dia.
— Ah, nossa, olha bem, você ainda está de sobretudo. Aqui dentro está bom, quer tira-lo? – ele estava, na verdade, louco para saber o que ela estava usando por baixo.
Ambos se levantaram e enquanto ele a ajudava a retirar a peça, Hinata ficou feliz por ter se arrumado um pouco. Naruto o fizera também. Ele estava com calça jeans escura e uma blusa social de manga ¾ bordo. O cabelo fora cortado, ela notara, e estava bagunçado no estilo que apenas ele conseguia ter. Sem dúvidas ele conseguia tirar o fôlego com apenas um sorriso e foi o que ela recebeu quando estava de frente para ele e sem o sobretudo.
— O que acha de, enquanto esperamos, você me entreter com a sua bela voz?
— Por que só eu vou cantar?
— Quero lhe admirar. – dizendo aquilo ele se sentou novamente e apontou para a sala, sorrindo. – Você está bonita demais para eu perder essa oportunidade.
— Hm... – Hinata pareceu pensativa e isso chamou atenção do Uzumaki. – Gostaria de ouvir uma música minha?
— Sua? – ele se endireitou e se levantou. – Você a compôs? – ela confirmou, ficando sem graça. – Alguém já ouviu antes?
— Não. Eu não me sentia a vontade para mostrar minhas músicas para as pessoas. Se não quiser eu entendo, provavelmente não está boa. Eu a escrevi quando... tinha uma paixão platônica boba.
— Pra mim? – ele foi direto, notando o que ela queria dizer. Ao ouvir aquilo Hinata se arrependeu de ser tão sincera. – Agora você vai ter que cantar pra mim. Vamos...! – ele a pegou pela mão e a conduziu para o piano. – Espera, você vai tocar o que?
— Pode... Poder ser no piano. – ela gaguejou e Naruto, notando o nervosismo dela, a beijou mais uma vez, demorando mais do que sua ansiedade permitiria.
Ele não disse mais nada quando se sentou ao lado dele outra vez e ficou apenas aguardando enquanto via a bela moça tomar coragem para começar.
It's a little bit funny, this feeling inside
I'm not one of those who can easily hide
I don't have much money, but boy if I did
I'd buy a big house where we both could live
O som do piano acompanhava a voz doce de Hinata que cantava primeiro de forma tímida, sorrindo de suas próprias palavras, apenas das primeiras serem o sentimento que ela tinha de fato. As últimas, porém, lhe pareciam agora como uma canção de criança e por isso sorrira ao olhá-lo.
So excuse me forgetting, but these things I do
See I've forgotten if they're green or they're blue
Anyway the thing is what I really mean
Yours are the sweetest eyes I've ever seen
A letra era extremamente simples e até mesmo fofa demais para uma declaração, como era o que queria na época, mas fora algo sincero, inocente como sempre fora, ainda mais quando escrevera. Ao cantar sobre os olhos, porém, sabia que acertara em cheio. Ao olhar ara os azuis profundos de Naruto ela viu o mesmo doce que imaginara anos atrás.
And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple, but now that it's done
I hope you don't mind
I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is now you're in the world
Os olhos de Hinata se fecharam naquele momento. As palavras antigas nunca tinham sido tão reais para si. O que antes eram letras de uma paixão platônica agora eram o seu real sentimento. Algo que construíra e desenvolvera com Naruto. Ao dizer aquelas últimas palavras, o olhou e foi o que viu nos “doces olhos” que lhe fez continuar.
If I was a sculptor, but then again no
Or a girl who makes potions in a traveling show
I know it's not much, but it's the best I can do
My gift is my song, and this one's for you
Desta vez ela não conseguiu desviar os olhos deles. O sorriso enquanto cantava era tímido, mas ela via que ele sorria com genuidade, de forma a lhe incentivar a continuar. Quando o final da estrofe chegou, seus dedos continuaram tocando enquanto fazia o interlúdio e movia o corpo de um lado ao outro lentamente e, novamente fechava os olhos.
And you can tell everybody this is your song
It may be quite simple, but now that it's done
I hope you don't mind
I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is now you're in the world
Novamente os olhos perolados se abriram e encontraram os azuis. As palavras foram repetidas com um carinho ainda maior do que antes e quando chegou ao final, as notas do piano ficaram quase nulas, enquanto a voz de Hinata preenchia o silêncio e todos os sentidos de Naruto.
Por um instante ele ficou sem reação, preso naquele sorriso bobo de quem não estava acreditando. E de fato não estava. Ela tinha feito uma música para ele, não era recente, mas era para ele. Hinata tinha escrito uma música! Ele estava surpreso, mas muito mais do que isso ele estava orgulhoso. Sem dizer nada ou deixar que ela dissesse, se inclinou e a beijou, desta vez abandonando o jeito cálido que tentava manter.
A puxou para seu colo, fazendo com que ficasse praticamente deitada ali enquanto a segurava em um abraço e a beijava. As mãos de Hinata estavam em seu rosto e nuca, apenas se apoiando ali, mas sem qualquer força. Se não fosse uma leve batida na porta, Naruto não pretendia se afastar dela tão cedo.
— O jantar está pronto. – ele disse enquanto via Hinata se erguer e parecer se ajeitar nervosa. – Não se preocupe, ela já foi. O combinado era me avisar com a batida e ir em seguida.
— Não precisava se preocupar, eu podia agradecê-la pelo jantar...
— Na próxima você faz isso. – piscando para ela se levantou e estendeu a mão. Assim que Hinata a pegou os dois saíram em direção a cozinha.
A mesa estava posta de uma maneira simples, com os dois sentados lado a lado em vez de um de frente para o outro como era de costume. As travessas de comida eram pequenas, o suficiente para os dois, mas em uma variedade um pouco maior do que Hinata esperava e no centro, um bonito arranjo era acompanhado de dois castiçais.
Naruto os serviu, colocando um pouco de cada coisa para si e para a Hyuuga, pegando o vinho logo em seguida também. A conversa entre os dois se deu de forma leve, um pouco mais do que aqueles momentos no estúdio. Nenhum dos dois tinha necessidade de comentar sobre aquilo, apesar de Naruto estar muito ciente do que aquelas palavras cantadas significavam e o que faziam consigo apenas de pensar nelas.
Ele contava sobre como estava indo os ensaios com a banda e como todos lá pareciam estar tentando decidir a qual dos dois apoiar, ela ou Konohamaru. É claro que ele não dizia que Sasuke era o que se mantinha alheio a toda aquela animação, pois sabia não ter necessidade.
No meio da conversa, enquanto sorria de modo doce e o olhava pelo canto dos olhos, Hinata levou a taça ate os lábios. Por um instante, com aquela visão, Naruto perdeu o pensamento que estava tendo. Era uma ação comum e que ele sabia que ela não fazia para provoca-lo, o que não significava que não provocava.
— Hm... – ele deixou claro naquele pigarro que não lembrava o que estavam falando e a confirmação definitiva veio ao continuar: — Consegui convencer meu agente de nos dar, a mim e aos rapazes, as semanas das férias de primavera, porém precisaremos nos apresentarmos no Festival da Cerejeira. – ele fez uma pausa, mas notou que Hinata apenas ficara empolgada. – Bem, queria saber se não gostaria de ir.
— Oh! – Hinata então percebeu que não era apenas para assistir ao show deles. O olhar de Naruto dizia muito mais do que isso. – Não vai haver problema?
— O concurso já terá terminado e pode ser o nosso primeiro encontro oficial e o primeiro sem precisarmos nos esconder. Você apenas vai estar no festival, que problema teria isso?
— Acho que Hanabi adoraria me acompanhar e encontrar Konohamaru... – aquilo significava que iria e Naruto sabia que Hanabi a deixaria assim que encontrasse o namorado, pois era assim quando estivera ali também.
Fazer planos para o futuro deixava Hinata mais segura sobre aquilo, mas muito mais do que isso, a deixava feliz. Tinha notado que Naruto não era do tipo que conseguia fingir as emoções, seus olhos azuis sempre o denunciavam e naquele momento eles brilhavam de ansiedade pelo momento combinado, tanto quanto ela sentia.
Após terminarem, Naruto insistiu pela sobremesa, da qual Hinata apenas tomou algumas colheradas. Era um sorvete de vários sabores e com muitas coisas junto, o tornando algo que pesava. Naruto conseguiu acabar com ele praticamente sozinho e, com isso, fazer a moça pensar para onde iria tudo aquilo. Tal pensamento fez com que corasse e desviasse os olhos dele. Mesmo sobre a blusa percebia que Naruto tinha um corpo “em forma”, provavelmente por sua rotina corrida em relação aos shows.
Satisfeito, ele a conduziu para a sala, levando consigo o vinho. Assim que Hinata se sentou, ele lhe ofereceu mais, mesmo aceitando ela não tomou. Não queria repetir a experiência de ficar “ruim” com tão pouco álcool no organismo. O loiro ligou o som em uma música antiga e lenta, que apenas fez companhia para eles, quebrando o silêncio que se seguiu quando este se sentou ao lado da morena.
— Você não gosta? – Naruto passou o braço pelo encosto do sofá, ficando assim com ele por trás de Hinata e apontava para a taça intocada na mão dela.
— Ah, não é isso. Não sou muito forte com bebidas, então prefiro não abusar.
— Medo de acabar se soltando demais? – ele brincou, retirando a taça da mão dela e colocando sobre a mesa de centro.
— Medo de passar mal, na verdade. Você ainda não me viu bêbada. – ela riu, apesar de estar falando sério.
— Eu vi. Naquele dia no karaokê, eu fiquei observando quando estava indo embora e realmente não quero que fique daquele jeito. – desta fez o sorriso que recebeu dela foi em agradecimento. – Por falar naquele dia, quando vai dançar para mim?
— Naruto...! – no mesmo instante o rosto ficou vermelho e ela desviou o olhar.
— O que? Você dançou duas vezes de uma forma bem provocativa, uma até em público. Isso sem contar aquela música...!
— Eu não estava sozinha...
— Não vai estar agora, vou estar aqui observando como das outras duas vezes. – o sorriso dele acabou por fazer Hinata corar ainda mais. – Eu fiz uma música bem sugestiva, acho que eu deveria estar corado e não você, não? – desta vez a voz saiu em um sussurro enquanto puxava o queixo dela para si, aproximando os lábios, mas sem beijá-la. – Quando chegou hoje fez reviver o meu sonho.
— Por que? – a pergunta veio em tom baixo, mas fez Naruto perceber que confessara em voz alta.
— Ér... bem... – ele se afastou um pouco, coçando a bochecha direita com o indicador. Para Hinata ele ficava extremamente fofo encabulado daquela forma.
— Stutter vem disso, então? – ela se referia ao fato de ele estar gaguejando como ela fazia. Por vezes acreditava que ele falava mais sobre ela, pois descrevia atitudes que ela tinha. Mas ali estava, bem naquele momento. – Se não quiser não precisa contar.
— Eu quero! – ele se apressou e ao notar que fora mesmo rápido demais, deu um sorriso sem graça. – Digo, eu não quero que se assuste ou fique sem graça.
— Não posso prometer não ficar envergonhada... – pois ficava só de ouvir a música, pensou –, mas prometo que não vou me assustar.
— E que tal a gente reproduzir apenas uma parte do sonho? – com aquela pergunta ele viu os olhos de Hinata se arregalarem e, sem se conter, riu. – Só uma parte, eu prometo que não corre perigo.
— Por que não me conta...? – ela não podia falar sim, não tinha ideia de que parte era essa que ele queria reproduzir. Percebendo esse receio, Naruto acenou, pedindo que ela esperasse.
Ele se apressou para o estúdio, voltando da mesma forma com o sobretudo de Hinata nas mãos. Com um pedido mudo ela se levantou e ele começou a vesti-la com a peça.
— No meu sonho você o usava. Como hoje, não dava para ver o que usava por baixo quando estava com ele fechado. – enquanto dizia aquilo ia fechando a roupa da Hyuuga e novamente a admirava. – Eu estava no meu camarim, aguardando o horário para começar um show e estava nervoso, como sempre fico antes de subir no palco. Estava sentado no sofá... – e falando isso, ele se sentou, deixando Hinata de pé. — ... quando você apareceu vestida assim. – ele parou e sorriu. – Não precisa fazer se não quiser, mas vou lhe contar mesmo assim. Quando entrou, veio andando na minha direção e quando eu ia falar, você me calou com o dedo na frente dos meus lábios.
Apesar de muito sem graça, Hinata se inclinou sobre ele e, apoiando uma mão no encosto do sofá, com a outra o calou. Naquele momento Naruto não quis mais contar. Levou as mãos até a cintura dela e a puxou para seu colo. Seu sonho nunca faria juz ao que acontecia naquele momento. O rosto avermelhado não impediu Hinata de se sentar no colo dele exatamente como fizera no sonho, com uma perna de cada lado do corpo dele e dobradas para trás. O Uzumaki suspirou, fechando os olhos e inclinando a cabeça levemente para trás.
Também fechando os olhos, Hinata se inclinou para a direção dele, tocando os lábios em seu pescoço vezes seguidas. O loiro, por sua vez, não esperava que ela fosse agir sem que ele dissesse como, e por isso soltou um suspiro, apertando as mãos na cintura fina. Era ali que seu sonho ficara distante, pois Hinata estava o beijando, colando o corpo ao seu apenas através de seu toque.
Ele então foi abrir o sobretudo de Hinata e ela parou, porém não se afastou. Notando a tensão que se instalara no corpo da Hyuuga, ele tomou a vez, a afastando o suficiente para lhe beijar o pescoço e continuar abrindo o sobretudo.
— Já é diferente. No sonho você não usava esse lindo vestido por baixo. Por isso, não tenho o direito de tirar mais do que esse sobretudo. – a explicação pareceu valer para a moça que, mesmo mais relaxada, estava sem graça. Não usava vestido e ela sabia, definitivamente, que ele sonhara com muito mais do que beijos. – Hina... eu prometo que não vou fazer nada além disso, apenas me deixe te mostrar um pouco?
Neste momento eles se olhavam. Via o quanto aquilo deixava a morena sem graça e estava pronto para esquecer aquilo e apenas aproveitar o momento com ela quando sentiu os gentis lábios nos seus, parecendo ansiosos e até mesmo um pouco sem jeito. Sorriu sob os lábios dela e se entregou ao momento, entendendo a resposta muda.
Segurou a perna direita da Hyuuga e a fez se deitar no sofá por baixo de si. Ao sentir a tensão dela, sussurrou um “prometo” novamente para a lembrar da promessa e continuou a beijá-la e a prender as pernas dela ao seu redor. Sabia que, naquele momento, o vestido teria subido e sua vontade era grande de ver as coxas torneadas a mostra. Se conteve em tocá-las, fazendo uma carícia que rendeu-lhe um suspiro abafado.
As pequenas mãos passaram por seus braços, seguindo para suas costas e Naruto estava se concentrando ao máximo para manter-se quieto. Falhou miseravelmente. Quando afastou os lábios dos dela, ouviu Hinata suspirar baixinho e naquele momento ele pressionou o quadril contra o dela, apertando a coxa e lhe beijando logo abaixo do lóbulo da orelha. Um novo suspiro escapou da Hyuuga e ele pensou que iria ser mais difícil ainda se conter e manter a promessa depois disso. Nunca haviam chegado tão longe. Hinata nunca relaxara tanto em seus braços.
Foi neste instante que a campainha tocou e os tirou do momento e da bolha que estavam. Hinata ficou imediatamente tensa e Naruto ergueu a cabeça para a porta. Ninguém era esperado naquele dia, e se tinha conseguido subir era porque era conhecido. Nenhum dos seus conhecidos poderia ver Hinata ali. Quando o seu olhar encontrou o dela, percebeu o pânico ali e rapidamente se afastou. Em meio a correria que a moça se levantou ele não pôde vislumbrar as coxas que tocara.
A campainha tocou mais uma vez e outra logo em seguida. A pessoa do outro lado estava impaciente, sem dúvidas. Pegando a mão de Hinata, ele a puxou para o estúdio. Por sorte ela ainda vestia o sobretudo, não ficando nada para trás. O loiro sussurrou pedindo para que ela ficasse ali e saiu apressado na direção da porta, onde a campainha voltava a ser soada repetidamente.
Ao abrir a porta, Naruto foi atropelado por uma cabeleira loira que o ignorou e começou a olhar em volta. Dentro de seu apartamento, procurando por algo ou alguém como um cão atrás de algo, estava Shion. Ela não parecia a mesma simpática e centrada apresentadora, pelo contrário, parecia fora de si.
— O que é que você está fazendo aqui? Como subiu?
— Cadê? Eu sei que está com alguém! – a acusação pegou Naruto desprevenido não apenas por ela não ter nenhum direito de lhe exigir explicações como também por ter tanta certeza.
— Eu não tenho ideia do que está falando. Você está bêbada? – só então notava a fala mole. Tinha visto Shion bêbada outra vez e não tinha dúvidas de que esse era seu estado no momento.
— Não estou bêbada e pare de desconversar, cadê ela? Quem é?
— Eu não tenho ideia do que está falando e nem porque quer saber disso. Só quero saber porque está aqui e como você conseguiu subir.
— Quero saber quem é. Era para você estar no evento de hoje, mas apesar de estar até bem arrumado, não foi... – ela então o olhou de cima a baixo. – Cadê ela?
— Shion, você está doida... Saia da minha casa, depois descubro como chegou aqui. – ele foi até a porta e a abriu, mas a loira ignorou aquilo e continuou olhando em volta.
— Não estou doida. Eu sei que está acompanhado. Seu porteiro me disse isso.
— Não, ele não disse. – apesar de não poder ter certeza, Naruto não acreditava que o senhor de seu prédio faria algo do tipo, ele mesmo tinha lhe ajudado com paparazzis inúmeras vezes. – Pra que está aqui, Shion?
— Se você não está com ninguém... – ela começou, agora mais calma, quase como que um gatinho manhoso. A bipolaridade de Shion o deixava tonto. – Então pode ficar...
— Nós já falamos sobre isso. Não dá.
— Mas...
— Mas nada, Shion. Você é... intensa demais pra mim. – o que ele queria dizer mesmo era louca.
A loira tinha se aproximado e por isso Naruto a segurou pelos braços, a mantendo longe de si e aproveitando para virá-la, colocando na porta, próxima ao corredor.
— Pode ser só hoje, eu não me importo. Fui a essa festa pensando em você. Vim aqui por isso. Tenho uma amiga que mora no primeiro andar e ela passou meu nome apenas para que eu pudesse vir...
Ele sabia que Shion estava ali porque tinha bebido, era sempre assim, porém pelo menos desta vez fora longe de outras pessoas. Ele sabia, porém, que aquilo era o real desejo dela, um que ficava claro a cada vez que se encontravam. Desejo esse que ele fugia desde que descobrira o que ela falava. Nunca tinha dado a tal chance, como algumas pessoas afirmavam, pois tinha dado a sorte de descobrir o fundamental sobre ela antes.
— Olha, Shion. Vai para casa, tome bastante água. Sei que vai se arrepender de fazer tudo isso e se arrependeria muito mais se nós fizéssemos qualquer coisa. Você me odeia, lembra?
— Eu não odeio! – e então veio o bico. Naruto se desesperou. Sabia o que viria em seguida e não havia como fugir dela ali. – Eu quero você. Pode ser aqui mesmo, agora. – enquanto dizia isso, ela cambaleava até o loiro, tentando alcançar sua camisa.
— Shion, não...! – ele segurava os pulsos da mulher, caminhando para trás enquanto ela seguia na sua direção, mas parou assim que viu os olhos desta se arregalarem. Por um instante pensou que Hinata tinha aparecido e olhou em volta alarmado.
— Duas taças! – ela gritou, se debatendo para se soltar dele. – Você está com alguém! Cadê ela? No quarto não é mesmo? – mesmo sem saber onde ficava o cômodo, a mulher rumou para o corredor.
No mesmo instante o loiro enlaçou os braços pela cintura fina e a puxou para longe. Shion se debatia e gritava que queria ver quem era, que ela veria.
— O que está havendo aqui? – a voz grave de um homem fez os dois olharem para a porta aberta. Kakashi, o empresário de Naruto, olhava a cena com curiosidade. – Naruto, se ia ter companhia então não deveria ter me chamado.
— O que? – fora Shion que perguntara e aproveitando ela se acalmara, o loiro a soltou.
— Só saí para comprar mais uma garrafa – o mais velho ergueu uma garrafa de vinho fechada. – Não sabia que ia ter um encontro nesse meio tempo.
— Shion se confundiu e acabou parando aqui.
— Eu te vi na festa! – ela acusou, apontando para Kakashi.
— Fiquei apenas nos primeiros minutos, depois Naruto me chamou para decidir algumas coisas sobre a banda. O que você faz aqui? Ele te chamou também?
— Ahn... não... – naquele momento ela pareceu sem graça. – Uma amiga minha mora no primeiro andar, eu apenas vim fazer uma visita. – se ajeitando ela cambaleava até a porta, visivelmente fora de seu estado normal. – Nós nos vemos no programa, Naruto. Até mais. – se despediu rapidamente de Kakashi e cambaleou até o elevador.
Nenhum dos dois homens falou qualquer coisa antes do elevador se fechar. Kakashi encarou o rapaz a sua frente e sorriu divertido.
— Acho que acabei de te salvar, não é mesmo?
— Sim. Obrigado. – suspirou aliviado. – Mas o que você faz aqui?
— Vim justamente te salvar. Estava no mesmo evento que a louca aí e a vi falando com uma mulher que iria vir aqui e descobrir com quem você estava. Não tenho ideia de como descobriu que você está acompanhado, mas acho que todo mundo já desconfia que você não anda sozinho há algum tempo.
— O que quer dizer? – Naruto tentou parecer surpreso com a “acusação”, mas soara evasivo demais.
— Você é um péssimo mentiroso, rapaz. E sinceramente, acho que assim como eu os seus amigos já desconfiam de quem seja. Mas não precisa confessar agora. – colocou então a garrafa a na mão do loiro e deu alguns passos para trás. – Apenas não se esqueça que você tem uma carreira e às vezes você corre o risco de estragar tudo para você e para a outra pessoa.
— Não vou estragar nada. – ele garantiu e Kakashi apenas acenou, ficando de costas.
— Então tome cuidado com as loucas. Boa noite, garoto. – por sorte o elevador já havia ficado livre e quando Kakashi apertou o botão, este se abriu.
Naruto demorou pouco mais do que alguns segundos para fechar e trancar a porta e se apressar para o estúdio. Hinata estava sentada com o violão em seu colo e dedilhava. Ela sabia que não seria ouvida por conta da sala ser acústica, como Naruto dissera da primeira vez que estivera ali, e de fato fora assim até ele abrir a porta.
— Você chegou a ouvir algo? – perguntou cauteloso, interrompendo o momento dela. Hinata deu um pequeno sorriso, indicando que sim, mas que estava sem graça por isso. – Me desculpe por isso. Shion fica no meu pé desde que nos conhecemos e, bem, ela conseguiu uma forma de entrar no meu prédio.
— E você não consegue se livrar dela sozinho?
— Bêbada? Não. Bem, eu conseguiria se ela fosse mais além.
Hinata não disse nada. No mesmo instante o Uzumaki se sentou ao lado dela e lhe puxou o queixo, dando-lhe um selinho.
— Eu não queria, se é o que está pensando. – Ela afirmou com a cabeça e ele suspirou. – Olha, eu apenas não queria causar um acidente, mas ia dar um jeito de coloca-la para fora. Sem beijos.
— Acho que não me deve nada... – ela tentou parecer não se importar, mas Naruto já tinha visto seus olhos.
— Sinto que sim. Acho que isso é o que conta, não é mesmo? Mas não vamos mais falar da Shion, ela já estragou a noite o suficiente, me diga o que estava tocando.
Sem dizer nada novamente, ela apontou para as partituras em cima do apoio. Por um instante Naruto pensou que ela estava ensaiando e iria lhe mostrar, mas viu a letra dela, alguns rabiscos e uma canção que não conhecia.
Pegando o violão da mão dela, começou a tocar as notas. Ao perceber que ela ainda não tinha entendido o que ele queria, recomeçou. Hinata pareceu corar ainda mais, mas olhou para a folha a frente e acenou, confirmando.
Please, don't see
Just a girl caught up in dreams
And fantasies
A letra da música chamou a atenção de Naruto, que imediatamente a olhou, mas com medo de errar alguma nota, voltou a olhar para a folha, acompanhando a letra junto com a voz dela.
Please, see me
Reaching out for someone
I can't see
Desta vez, era Hinata que olhava para ele. Aquela parte não combinava com o momento, mas combinava com a época que escrevera e até com os sentimentos de insegurança que sentira no início, de não saber se iria vê-lo como ele realmente era.
Take my hand
Let's see where we wake up tomorrow
Best laid plans
Sometimes are just a one night stand
E novamente os olhares foram trocados. Desta vez Naruto conseguiu notar o rosto vermelho de Hinata e entendeu o motivo do que acontecera antes, de ela ter permitido ir tão longe. Naquele momento, odiou ainda mais Shion.
I'll be damned
Cupid's demanding back it's arrow
So let's get drunk on our tears
Um pequeno sorriso apareceu nos doces lábios e Naruto quis beijá-la, mesmo que não quisesse atrapalhar o canto dela. Hinata simplesmente o hipnotizava quando cantava, e algo dela parecia ter um efeito ainda mais forte.
And God, tell us the reason
Youth is wasted on the young
It's hunting season
And this lamb is on the run
We're searching for meaning
But are we all lost stars
Trying to light up the dark
Ela fechou os olhos, deixando que o mesmo sorriso pequeno e tímido tomasse seus lábios enquanto cantava a primeira parte da música, balançando-se levemente de um lado a outro enquanto cantava e ele tocava para si. Toda a timidez de Hinata parecia ter sumido, Naruto observou, ao menos toda relacionada a cantar. Agora era apenas quando estava tímida com ele. Não podia negar que gostava daquilo. Gostava de saber o efeito que tinha nela tanto quanto ver a evolução da bela mulher ao seu lado.
Quando ela terminou o refrão, levou a mão até a dele, fazendo-o parar e indicando que a música acabara ao apontar para as partituras. Obviamente não estava completa, ele notou assim que viu que a melodia continuava por algum tempo enquanto a letra não, mas estava digno dela.
— O que achou?
— Você... – ele soltou um assovio, colocando o violão do lado e passou as mãos pelos cabelos. – Na verdade eu acho que até me odeio um pouco depois disso.
— Por quê?
— Por quê? Você me mostrou duas músicas que escreveu. E elas foram realmente boas. Na verdade, percebi que esta não está pronta, mas ela está ótima e eu me odeio por não ter pensado nela antes de você – era uma brincadeira, ela sabia, mas ficou sem graça ainda assim.
— Pode termina-la. – a Hyuuga disse aquilo com tanta simplicidade que o surpreendeu mais do que seria o normal. – Ela é sua. – dizendo aquilo, pegou as partituras e entregou a ele.
— O que? Hinata...
— Eu queria lhe dar ela completa, mas acho que você vai conseguir termina-la melhor do que eu.
— Está falando sério?
— Sim. Ela é sua. É... meu presente para você, só precisa termina-lo.
Sem dizer nada, Naruto a puxou para um abraço e em seguida a beijou, de uma forma ávida e eufórica, que era exatamente a forma como ele se sentia. Hinata riu entre o beijo, feliz por sentir a reação dele, além de ver.
— Toca pra mim de novo. – ele pediu, se afastando e pegando o violão. – Por favor. Acho que tenho uma ideia de como continuar...
— Nem parece o mesmo Naruto com problemas para compor. – ela brincou, feliz por ele estar conseguindo fazer o que gostava outra vez.
— Eu tenho uma inspiração infalível agora. – piscou para ela, mas não se conteve, se inclinou e lhe selou os lábios de forma demorada.
O selinho se transformou em um beijo, um pouco mais calmo do que o anterior, mas muito mais intenso. Deixando o violão no colo ele levou as duas mãos até nuca de Hinata e a puxou para si, aprofundando o beijo.
O som ao longe começou a incomodar. Só após o volume ter aumentado é que ele notou que não era para nenhum barulho estar ali dentro. Sobressaltado ele olhou para a porta, mas não havia ninguém. Hinata, por outro lado, imediatamente puxou a bolsa para o colo e tirou de lá o objeto que os atrapalhara: seu celular. Franzindo a testa ela atendeu.
Por um instante pareceu confusa, mas logo em seguida pareceu assustada. Se despedindo apressada, se levantou, vestindo o sobretudo que havia tirado e colocando a bolsa sobre o ombro.
— Me desculpe, eu preciso mesmo ir. Ino disse que era uma emergência com a Sakura e ouvi gritos. Me desculpe...
— Ei, calma. Eu te levo.
— Não. – ela falou rápido, já saindo da sala. – Não dá pra correr riscos ainda. Eu pego um táxi.
— Eu chamo um então, não pode ficar na rua sozinha chamando um táxi. Além do mais Shion pode estar lá na frente apenas esperando.
— Saio pelos fundo.
— Hinata! – ele a puxou pela mão, sacando o celular com a outra. – Me deixe chamar um taxista de confiança, por favor? Aí você sai pelos fundos e resolve o que precisa resolver.
— Rápido, por favor. – ela se rendeu, encostando no batente da porta e balançando a perna.
Enquanto fazia a ligação, Naruto a observava. Se não fosse um caso de extrema agonia para a morena ele não a deixaria ir. Ele tinha planos de passar o máximo de tempo com ela, talvez até o amanhecer. Mas não poderia. Via que ela estava ansiosa e preocupada e por mais que quisesse ir beijá-la, sabia que deveria dar a distância necessária.
Após desligar a acompanhou até a garagem, onde esperariam o táxi do lado de fora. Era praticamente escondido, por isso não estavam tão preocupados com alguém que pudesse estar à espreita. O silêncio incomodava Naruto, mas bastava olhar para os olhos perolados e ele entendia que a mente da mulher estar ensurdecedora.
Bastou ver o táxi ao longe, ele a puxou e lhe selou os lábios uma última vez. Quando ela se afastou para ir embora, ele lhe segurou a mão. Hinata virou, esperando que ele dissesse alguma coisa, mas Naruto apenas a fitava. Havia algo estranho, ele percebeu, algo que ela não queria que ele soubesse.
— Me ligue depois, tudo bem? Para me dizer se chegou bem e se ficou tudo bem.
Ela acenou confirmando e entrou no carro. Não estava longe quando o telefone tocou novamente e novamente era Ino. Os gritos e socos na porta nos fundos faziam a Hyuuga ficar assustada e ansiosa. Tinha medo do que encontraria, de como encontraria sua amiga. Sakura não estava bem há alguns dias, mas nunca imaginou que ela chegaria até aquele ponto. Se enganara, assim como Ino.
Levou menos tempo para chegar ao dormitório, já que o trânsito diminuíra significativamente desde a hora que saíra. Ao tentar pagar o táxi, ele negou. Ela sabia que Naruto estava por trás disso. Não tinha tempo para insistir, por isso correu para o dormitório, subindo para o seu andar. Ela ouvia os gritos de Sakura com Ino, irritada, achando que a loira estava escondendo a amiga dela.
— Sakura. – Hinata a chamou e no mesmo instante a rosada virou, parecendo ficar pálida.
— Você realmente tinha saído.
— Por que achou que Ino estava mentindo?
— Eu esperava que sim. Posso falar com você à sós?
— O quê? Você faz esse barraco comigo e ainda quer me excluir?
— Acho que Hinata não iria querer falar disso na frente de ninguém. Se ela quiser, lhe conta depois.
— Sakura, qual é o seu problema?
— Não te interessa, Ino! – ela gritou novamente. – Vai ficar com seu namorado, vai. – e então virou para Hinata outra vez. – Podemos?
Hinata não disse nada, apenas caminhou até a sua porta e a abriu. Muitas pessoas tinham saído para ver o motivo do escândalo e todas se surpreenderam por ver aquele trio brigando. Ino ficara visivelmente magoada, não com Hinata, pois até olhava para essa com preocupação, mas com Sakura. Porém, ao ver que não havia como fazer a rosada a ouvir, virou as costas e saiu.
As duas meninas entraram logo depois e fecharam a porta. Sakura permaneceu sentada enquanto Hinata se sentava na cadeira perto da penteadeira. Elas se olharam em silêncio por vários instantes.
— Acho que sabe porque eu estou aqui.
— Sinceramente? Não tenho a mínima ideia, Sakura. Você sumiu esses dias tudo, não nos atendia e agora aparece magoando a Ino e com raiva de mim.
— Eu descobri tudo, Hinata. Eu nunca achei que você seria assim. Isso é... nojento.
— Do que está falando?
— Que você estava com ele. Provavelmente garantindo a sua vitória, não é mesmo? Eu vi você saindo. Quem não viu, não é mesmo?
— Sakura... – finalmente Hinata tinha entendido. De todas as pessoas, Sakura fora a que reagira pior. Mas ela estava tão errada assim.
— Isso passou dos limites. Uma coisa é você ter uma paixão platônica, outra é isso! Você não é mais criança, Hinata.
— Não sou. E você não é minha mãe.
— É. E eu duvido que ela teria orgulho de ter uma filha que sai se prostituindo por aí...
Antes que a fala de Sakura terminasse, a mão de Hinata acertava seu rosto, a calando. O sangue fervera por todo o corpo da Hyuuga. Ela nunca fora de se exaltar, muito menos agredir alguém, mas ouvir alguém dizendo aquilo era mais do que ela poderia aguentar. Estava fora de si e acabara dando um tapa no rosto daquela que fora uma de suas melhores amigas.
— Continue e todos vão saber. Você vai ganhar, mas todos vão saber porquê. – e dizendo aquilo a rosada saiu do quarto, deixando uma Hinata ofegante, com o coração partido e chorando.
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