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1 Prólogo
Notas iniciais
Tudo começou com um dardo de tinta.
É, você leu certo. Um dardo de tinta.
Eu tinha cinco ou seis anos. Eu e meu pai havíamos acabado de nos mudar para esse apartamento relativamente bom perto da minha escola, e eu estava deitado no meu quarto. Colorindo um desenho do Barry, o urso e legal. Sim, Berry o urso legal. Até um dardo perfurar minha parede e se alojar dois centímetros acima da cabeça, fazendo tinta verde manchar meu livro de colorir.
Eu me lembro de ter arrancado o dardo e andado até a parede. Uma menina ruiva olhava para mim pelo buraco. Passei o dardo por ele.
-Acho que isso é seu.- eu disse e ela pegou o objeto alegremente.
-Obrigada.
-Por que tanta força?
-Só estou com raiva.
-Do quê?
Ela me olhou torto.
-Eu nem te conheço, menino.- disse, desconfiada. -Por que te contaria?
Estendi minha mão pelo buraco.
-Sou o Brandon, mas papai me chama de Bran.
Ela pareceu pensar um pouco antes de apertar a mão que eu oferecia.
-Sou a Myrcella. Mas acho que você pode me chamar de Maya.- disse, meio desconfiada, e riu. -Quer vir aqui em casa lanchar amanhã? Papai faz um suco de laranja brasileiro que é a delícia.
-Claro que sim. Eu adoraria.
-Às três?
-Te vejo amanhã.
Mais tarde, eu mostrei o buraco para meu pai e contei sobre Myrcella. Ele colocou um pedaço de papelão para tapar o buraco temporariamente, e fomos jantar. Me disse que havia conhecido Myrcella e o pai no dia anterior. Eles moravam ali já havia algum tempo, e a mãe de Maya não dava sinal de vida desde que ela nascera-como a minha. E fomos jantar, como se nada tivesse acontecido.
Mal sabia eu do destino que as Parcas haviam acabado de firmar para mim.
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