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3 Capítulo II-A Flor Enfim Pode Brilhar


Notas iniciais
Oooiii, pessoas do meu core. Tudo bem? Bom, comigo nem tanto, admito. Eu só recebi um comment em 32 acessos. Eu sei que vocês estão aí, pessoal. Eu sei. Enfim. Esse cap aqui é especialmente dedicado à Giulia Valdez, sua linda ♥

POV Myrcella

Eu estava bastante preocupada. As coisas não estavam andando bem ultimamente, mas o confronto na escola confirmara meus piores temores. As coisas realmente estavam saindo de controle.

Foco, Maya. Foco.

Os pais de Liz e Bran, graças à todos os deuses, estavam sendo colaborativos. Claro que, antes de eles simplesmente soltarem os filhos por aí, eu e Quíron tivemos de ter longas conversas com ambos.

May Johnson, a mãe de Lizzie, estava ocupada demais pra se preocupar muito. Como sempre. Por organizar as melhores festas de Colombus inteira, ela está quase sempre trabalhando. E, aparentemente, ela sabia que o pai de sua filha era, bem, o que ele era.

Com Victor Wencioneck, o pai de Bran, foi um pouco mais difícil. Por vir de uma família conservadora e estritamente religiosa, ele me acusou de paganismo por mais ou menos três semanas. Tivemos de trazer Quíron de Long Island até Ohio para lhe explicar que, no próximo verão, Bran teria de ir comigo para o acampamento.

Aparentemente, Bran e Liz ainda estavam muito chocados com o confronto da escola para nos fazer perguntas. Estávamos dentro do avião, já no caminho para o acampamento, quando a ficha deles caiu. Brandon se sentara ao lado de Troy, na parte do corredor, enquanto eu fiquei com Lizzie. Apenas um corredor entre nós quatro, um deserto corredor.

–Marcella Rocha... Que raios foi aquilo?- Bran praticamente gritou comigo, como se eu estivesse sequestrando-o.

–Seu nome é Marcella?- Troy perguntou, ao meu lado.

–Myrcella pra você. Americanos sempre pronunciam errado.- disse ao loiro na minha frente, para me virar novamente para Brandon e Lizzie. –Brandon, mais baixo. Eu juro que eu posso exp-

–Não, Marcella, você não pode explicar de maneira plausível o que a gente viu!- Liz me interrompeu.

–Primeiro, criaturas feitas de grão!- Bran continuou. -Contra as quais você lutou!

–São karpoi.- murmurei, mas eles me ignoraram. Estavam furiosos.

–Então, você diz que elas servem à sua mãe! Que, segundo o que ouvimos, é Deméter!- Liz prosseguiu a linha de raciocínio.

–Não precisa gritar o nome.- disse, mais preocupada com que Zeus ouvisse do que com os passageiros. Se eles ouvissem, só pensariam que havíamos bebido algumas. Se ele, o deus, nos ouvisse, eu não sabia o que poderia nos acontecer.

–Adivinha qual é o problema, Marcella? Deméter é uma deusa mi-

–Ele vai dizer mitológica?- Troy perguntou, desdenhoso, e eu assenti.

–tológica! Ela não existe, Maya!

–Daí vocês nos arrancam da escola e nos trazem pro aeroporto de Ohio sem nenhum tipo de mala, falando que vão nos levar pra Long Island!- Lizzie termina. -Como raios isso pode ser explicado?

Suspiro e esfrego minhas têmporas. Embora eu já tenha feito essa cena milhares de vezes, sempre soube que com Elizabeth e Brandon seria mais difícil. Esperava que eles facilitassem um pouco as coisas, pra variar. Não gritar comigo teria sido um ótimo começo.

–Olha, é simples.- Troy disse, enquanto eu ainda organizava os meus pensamentos. Era uma péssima idéia deixá-lo falar, mas pelo menos Bran e Lizzie estariam gritando com ele e não comigo. –Vocês são o que chamamos de semideuses. Meio-sangues. Filhos de uma divinidade grega com uma criatura mortal.

Ótimo, Troy. Valeu pela ajuda.

Bran piscou várias vezes e riu, nervoso.

–Claro. E eu sou o Mickey.- disse meu amigo.

–Não estou vendo as orelhas.- Troy devolveu, cético.

–Meu Deus!- Bran riu e se jogou no encosto, exasperado.

–Olha aqui, Wancionick-

–É Wencioneck. Você já está cansado de saber isso.

Lizzie me cutucou. Se Bran começasse a brigar com Troy, as coisas iriam dar muito errado.

–Bran. Calma.- eu digo, sabendo que só piorei a situação(o que é confirmado por um suspiro desnecessário de meu amigo). –Troy, eu assumo daqui.

Lizzie arregalou os olhos já grandes.

–Você assume daqui? Você só pode estar brincando.- me disse ela.

–Lizzie, escuta. O Troy não está mentindo, nem brincando com vocês.- eu continuo, ignorando minha amiga. –Os deuses gregos são reais. De verdade, tão reais como a gente. E, como nos antigos mitos gregos, eles ainda fazem suas estripulias por aí.

–Como entrar na casa de uma família tradicional e ter um filho com seu filho único?-Bran questionou, incrédulo, se referindo à sua própria família. –Não, obrigado.

–Acredite ou não, Brandon, é verdade. Me diz, por que você acha que nunca conheceu sua mãe?

–Ora! Várias crianças ao redor do mundo não conhecem suas mães, Myrcella! Todas elas são semideusas, por acaso?

–Bran, eu juro pelo rio Estige-

–Que rio é esse, Myrcella?

–que não estou mentindo. Juramentos pelo rio Estige são sempre sérios.

–Deixa eu adivinhar.- devolveu, afiado e sarcástico. –Coisa de semideus.

Suspirei, vendo como aquilo realmente daria trabalho. Se Bran, o mais brando de meus amigos, não queria nem considerar a hipótese, Lizzie definitivamente não daria ouvidos.

–Bran, calma.- minha amiga disse ao meu lado, me surpreendendo. –Myrcella não está brincando com a gente.

–Elizabeth, você não está acreditando nesse papo-furado, está?- meu amigo quase pulou da poltrona.

–Nós vimos coisas estranhas. Que não podem ser explicadas. Se meu cérebro não entrar em colapso antes, eu estou disposta a acreditar nisso.

Eu queria abraçar Lizzie, mas acho que pegaria mal. Ela continuou:

–Mas, Maya, você me conhece. Eu nunca vou acreditar se-

–eu não tiver provas. Sorte a sua que eu tenho.- digo, sentindo energia percorrer cada milímetro do meu corpo. Me abaixo rapidamente, pegando a mochila aos meus pés. Na volta, a pressa me faz bater a cabeça. Não ligo, abrindo a mochila e pegando uma rosa dentro dela. –Aqui.

–Uma rosa?- Bran perguntou, enquanto Lizzie olhava desconfiada. O ignorei.

–Segura, Lizzie.- eu estendi a flor pra ela, e limpei a garganta. Hora de cantar. Pelo menos, não era nenhum tipo de encantamento difícil.-λαμπερό , όμορφο λουλούδι; ας λάμψη τη δύναμή σας –brilha linda flor, deixa teu poder brilhar.

–Ah, meu Deus.- Lizzie disse, o que me impediu de terminar. Olhei para a flor e vi que já havia se transformado em um buquê inteiro, mesmo aquele sendo o cântico para duas adjacentes. Weird.

–O termo correto é deuses.- Troy disse, de seu lugar, ainda olhando para a janela.

–Myrcella, c-como... Como você...- Bran tentou me perguntar, mas sua voz falhava.

–Acho que chegou a hora das apresentações.- eu estalei os dedos, sorrindo em triunfo. -Meu nome é Myrcella Rocha, mas podem me chamar de Maya. Eu sou filha de Deméter e conselheira do Chalé Quatro, tenho dezesseis anos e estou no acampamento desde os cinco. Troy?

Ele suspirou, mas, vendo que era nossa única deixa, decidiu falar.

–Eu sou Troy. Troy Harper. Tenho dezesseis anos, sou filho de Ares, vice-conselheiro do Chalé 5. Vou pro acampamento desde meus nove anos.- explicou, a contragosto.

–Acampamento? O acampamento de verão?- Bran perguntou.

–A gente costuma chamar de Acampamento Meio-Sangue.- eu disse. -Mas sim, é o acampamento onde eu passo meus verões. E vocês também, a partir desse.

–O que ela quis dizer é se vocês sobreviverem a e-

–Cala a boca, Troy.- o interrompo, deixando os dois meio espantados. -Vocês deveriam tentar dormir um pouco. É um choque e tanto. Quando me contaram, eu furei uma parede com um dardo de tinta.

–Minha parede.- Bran disse, vago, e eu me recordei. Dei uma risada, tentando quebrar a tensão, embora eu soubesse que não conseguiria.

–De qualquer jeito, durmam. Não vai demorar mais de três ou quatro horas para aterrissarmos e, acreditem, daí pra frente o dia vai ficar ainda mais cansativo.

Lizzie dá de ombros e coloca suas pernas junto ao corpo, em cima da poltrona, adormecendo rapidamente. Bran, no entanto, somente fita o nada até que Hipnos o leve. Solto o ar pesadamente e, só então, percebo a tensão que havia se formado em minhas costas. Troy, que parece ainda não ter conseguido dormir, ri baixo:

–Não acredito que estamos fazendo isso.

–Já fizemos isso antes.- eu devolvo, estalando o pescoço.

–Não, Rocha. Paulie já fez isso antes.- ele diz.

–E nós o ajudamos em todas as missões em Colombus.

–Quase todas- ele me interrompe.

–E olhe para nós.

–Sãos e salvos.- ele limpou a garganta, e fez uma péssima e sarcástica imitação da minha voz: -Mantendo seu legado.

Reviro os olhos.

–Baboseira. Estamos é nos matando.- ele continua.

–Ele iria querer isso.

–Como você sabe o que ele iria querer?- seu tom de voz é ácido e amargurado.

–Caso você tenha se esquecido, Harper, eu estive com ele desde os meus cinco anos. Quando foi que ele te encontrou mesmo? Opa, desculpa- me corrigi, ainda mais ácida -Eu te encontrei. E te levei pra ele. Por que você saberia de Paulie melhor do que eu?

Ele me fita com os olhos cor de carvão que nunca me amedrontaram, ainda muito raivoso. Então, com um suspiro, sua postura se desfaz.

–Você é péssima, Rocha.

–Você é pior, Harper.- me recosto na poltrona novamente.

Troy podia ser tão duro quanto uma pedra, mas, quando o assunto era Paulie, seu coração virava manteiga.

–Temos de aguar a árvore assim que chegarmos.- ele me lembrou.

–Delancy o tem feito. Ela morre de saudades.

Seu rosto entristeceu novamente.

–E você? Sente a falta dele?

–Todos os dias. Dói.

–Como o inferno.- ele concordou. E, com essa feliz observação, nós caímos no sono.

Notas finais
Enfim. Comentem, pessoal, e um beijo bem grande!