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Notas iniciais
Eu estava calmamente tomando meu café e checando os alertas que tinha colocado sobre Oliver/Arrow/QC no meu tablet quando elas chegaram e se sentaram na mesa na frente da minha, eu de costas para elas. A princípio nem notei direito a presença das três, mas assim que ouvi uma delas falar “Queen” minha atenção se dividiu.
- Vocês nem sabem com quem peguei o elevador hoje.
- Com quem, Maddison?
- Oliver Queen.
- Sozinho? – a outra, até então calada, perguntou. Sério, qual é o acontecimento de pegar o elevador com o Oliver? Tudo bem que ele é o dono da empresa e lindo e gostoso e tudo mais, mas é só um elevador, gente! Eu que sou eu faço isso o tempo todo... ok, talvez não seja o melhor exemplo, já que sou assistente dele, mas mesmo assim.
- Sim! – a tal da Maddison respondeu e não sei porque não gostei dela. Não teve uma Maddison que conheci de quem tenha gostado, deve ser algo com o nome.
- Você tem tanta sorte, Maddie. Sempre que passo por ele aquela assistente sem sal dele está por perto. – Sem sal? Eu? Agora não gosto de nenhuma das duas.
- Pois é, Kinberley – claro que ela se chama Kimberley! — Acho que dei sorte, aquela menina não deixa o homem sozinho por nada! – Como assim? Ele que não me deixa ir em quase lugar nenhum sozinha e me arrasta para todo lado mesmo sem precisar!
- E não é? Daqui a pouco ele se cansa dela, um homem como Oliver Queen não gosta de mulher ciumenta daquele jeito – agora foi a terceira quem falou e decidi que não gosto de nenhuma das três.
- Mas será que eles têm realmente alguma coisa, Kelly? – perguntou a Kimberley na dúvida e Kelly? Então são Maddison, Kimberley e Kelly, parecem os nomes daquele grupinho de garotas metidas de filme adolescente que se juntam pra humilhar o resto da escola. – Quer dizer, olha para ela. Cabelo loiro azedo, rosto comum e aqueles óculos ridículos – é, meninas malvadas. Será que o Oliver me ensina arco e flecha usando as três de alvo?
- Ah, com certeza. Como você acha que ela virou assistente dele? O Steve, da TI, me disse que ele foi atrás dela lá embaixo algumas vezes, aí ele sumiu, ela também sumiu logo depois e quando ele volta, ela vira assistente pessoal dele? Qual é, reconheço uma interesseira quando vejo uma. – Felicity, hackear o facebook dela é errado e não vale os três minutos da sua vida que vai perder, então se acalma. E para de falar sozinha. Na verdade de pensar sozinha... ah, esquece.
- Também acho. E se não estiver é uma idiota de não aproveitar. – Não, espera. Se durmo com ele não presto, mas se não durmo sou idiota? Isso não faz sentido nenhum, não é Kelly?
- Também acho. Ela já leva a fama, porque não aproveitar? – Maddison respondeu rindo. Mas dessa vez eu até vi algum sentido na coisa toda.
Depois dessa resolvi que já tinha ouvido mais do que o suficiente, me levante com toda a classe e dignidade que eu nem sabia que tinha e saí fazendo questão de dar uma olhada feia para as três e deixar bem claro que tinha ouvido tudo.
Quando entrei no carro liguei o rádio na tentativa de desviar meus pensamentos do que tinha ouvido. Mesmo sabendo que os rumores era daquilo para pior e realmente acreditando no que o Team Arrow fazia ouvir essas coisas diretamente não era fácil. Eu estava perdida em pensamentos quando o locutor da rádio anunciou a próxima música e o título me chamou a atenção, me fazendo prestar atenção na letra. Na segunda vez que tocou o refrão eu já estava cantando junto.
Make lots of noise
And kiss lots of boys
Or lots of girls
If that’s something you’re into
Quando chegou até um trecho eu não pude deixar de lembrar da conversa daquelas garotas e me questionar se valia mesmo a pena me segurar tanto, fazer o que os outros achavam certo, ser a Felicity que todos esperavam que eu fosse.
Say what you think
Love who you love
‘Cause you just get
So many trips ‘round the sun
Yeah, you only
Only live once
Quando cheguei à Verdant desci as escadas rapidamente e fiquei feliz em ver quem Oliver já estava lá e sozinho, sentado na minha cadeira vendo alguma coisa no computador. Fui rapidamente até ele antes que pensasse duas vezes e desistisse. Girei a cadeira até que ele estivesse de frente para mim, segurei seu rosto e o beijei, mas o beijei com vontade. A primeira reação dele foi se afastar, mas quando mordi levemente seu lábio inferior ele grunhiu, – sim, grunhiu! – me puxou para ele e aprofundou o beijo. Quando nos separamos eu estava no colo dele sem nem saber como tinha ido parar lá, ofegante. Ele, então, me olhou nos olhos, confuso.
- O que houve com você?
- Percebi que a gente só vive uma vez – e o beijei de novo, ecos da música ressoando na minha cabeça.
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