Follow Your Heart
6 Capítulo 5
Quando cheguei em casa eram onze horas da noite, e eu estava cansada e dolorida de tanto ficar de pé, atendendo mesas ou fazendo bebidas no Mystic Grill.
Tudo o que eu queria era deitar e dormir.
A luz da sala acendeu na minha cara, e Caroline estava em pé na minha frente.
Ótimo. Não iria deitar e dormir tão cedo.
– Espero que esteja tão cansada quanto aparenta estar, só para eu poder dizer: “Eu avisei!”.
Respirei fundo. “Não mate ela, Elena, ela é sua melhor amiga”.
– Estou bem, Caroline.
Ela bufou.
– Meu novo emprego é ótimo — falei antes que ela abrisse a boca, — obrigado por perguntar. Até teve um milionário que deu em cima de mim, acredita?
Isso fez com que o queixo dela caísse e esquecesse o que iria dizer.
– Me conte tudo – ela exigiu, puxando-me para o sofá, — qual o nome dele?
Oh não. O tiro saiu pela culatra.
– Damon Salvatore – falei.
Ok, gritos em 3, 2...
Ela gritou.
– “O” DAMON SALVATORE? “DAS” EMPRESAS SALVATORE?
Encolhi os ombros e acenei com a cabeça.
– NÃO ACREDITO!
– Car – repreendi, — pare de gritar.
Ela respirou fundo.
– Como ele é?
– Alto, moreno, olhos claros e sedutor.
Ela sorriu abertamente.
– Parece meu tipo.
Isso me fez rir.
– Car, todos são seu tipo.
Ela colocou a mão no peito, fingindo estar magoada, mas em seguida riu comigo.
– O que mais aconteceu?
Tirei o cartão dele do bolso e entreguei para ela.
– Ele me deu isso e me disse para ligar se quisesse sair com ele. Não vou ligar. Claro.
Ela então olhou para o cartão e para mim, então de novo para o cartão...
E correu.
Oh, não. Corri atrás dela, com esforço, pois minhas pernas doíam. Quando a alcancei ela já estava com o celular no ouvido.
“Agora pode matar ela, Elena, ela merece”.
– Damon Salvatore? – ela perguntou para o telefone, havia um sorriso muito cretino em seu rosto – Eu o acordei?
– Não faça isso – pedi.
Quem disse que ela me ouviu?
– Sou Caroline Forbes, amiga de Elena Gilbert... – ela sorriu para mim – sim, essa Elena... Ela está bem sim, obrigado por perguntar... Está aqui na minha frente, querendo me matar na verdade... – ela riu alto – Pode deixar, não vou deixar... Também tem uma voz muito sexy Sr. Salvatore...
Oh meu Deus, se ela achava que iria sobreviver depois disso estava muito enganada.
– Ah claro, Damon então... – ela riu de novo – Elena adoraria sair com você...
Meu queixo caiu.
– Amanha? – ela afastou o celular e olhou pra mim – Amanha está bom para você?
– Vá para o inferno.
– Ela disse que está ótimo... Que horas?... Ela trabalha nesse horário... Nesse também... Oh, não! – ela riu – ela tem dois empregos... Mystic Gril... – ela franziu a testa – Tem certeza?... Posso convencê-la... Sim, claro, como não?... Está combinado então... Claro, para você também. Damon... Adeus.
Ela desligou o telefone para em seguida discar outro número.
– Car? – perguntei – O que está fazendo?
Dei um passo na direção dela, mas ela correu para detrás da mesa, fazendo com que ela ficasse entre nós, me mantendo longe dela.
– Matt! — Ela gritou para o telefone.
O que essa louca estava fazendo?
– Olá, está ocupado?... Estou bem, é a Elena que não está... Não, não é grave, ela apenas não poderá ir trabalhar amanhã, pode cobrir ela?... Ela vai ficar bem, vou cuidar dela... Não posso contar! Coisa de mulher!... Ótimo, não faça perguntas... Obrigado... Direi a ela, Tchauzinho – ela desligou e me olhou. – Ele desejou melhoras.
– Você vai morrer – falei, — eu mesma irei matá-la.
Ela saiu detrás da mesa e foi para a sala de novo.
– Ficou louca? – gritei seguindo ela.
– Amanha você não vai trabalhar no Mystic Grill e quando sair do seu outro emprego diurno vai ter um gostozão te esperando para passar a noite com você. Deveria estar agradecida.
– Eu não vou.
– A única forma de evita-lo é faltando ao emprego diurno, e nós duas sabemos que não fará isso. Então acho que vai sim.
– Odeio você!
– Me ama, e sabe disso.
Virei as costas para ela e subi para meu quarto, batendo a porta com força. Eu parecia uma criança, mas não me importava.
No dia seguinte eu fui trabalhar, o que mais poderia fazer? Evitei Caroline de manhã, e quase dei um tiro nela quando sugeriu que eu usasse um vestido. Apenas peguei uma camiseta qualquer, meu jeans e all star, pronto, eu não precisava de mais nada.
A manhã inteira de trabalho foi estressante, chegou uma hora em que eu simplesmente não conseguia mais parar de encarar a porta. Eu tinha um encontro. Meu Deus.
– Moça?
Olhei para a mesa que eu estava servindo. Havia uma mulher gorduchinha com grandes bochechas rosadas e rosto em forma de coração me encarando.
– Sim?
– Pedi uma coca diet, e essa é normal.
Droga.
– Perdão senhora, está de dieta?
Ela acenou com a cabeça, orgulhosa.
– Então ficará feliz em saber que a Diet na verdade engorda mais que essa.
O queixo dela caiu, mas em seguida tomou um longo gole da coca normal. Nada que uma boa e inocente mentira não faça.
Me virei para a próxima mesa com bandejas de ensopado na mão, então eu vi...
Grandes olhos azuis me encarando e em seguida eu tropeçando e derramando ensopado em uma cliente.
Merda.
– Sua vadia! – A cliente berrou, com uma voz muito fina e enjoada.
Ela era loira e parecia ser rica.
– Elena? – Damon veio por detrás de mim – Você está bem?
Acenei com a cabeça.
O gerente vinha em minha direção, alguém o havia chamado.
Não, agora eu não estava bem, provavelmente seria despedida. Isso não era nada bom.
– O que está acontecendo aqui? – ele perguntou.
Abri a boca, mas a loira me cortou.
– Essa imbecil derramou sopa quente em mim e na minha bolsa Prada.
– Sinto muito – falei tentando amenizar as coisas.
– Cale a boca, Gilbert – o gerente falou.
– Mas eu...
– CALE A BOCA!
Ele me mandou calar a boca. Duas vezes. Ninguém me manda calar a boca.
– Como é? – desafiei com raiva.
Isso o desarmou, o meu tom ríspido. Todos no restaurante se calaram para ver a cena que estávamos fazendo.
– Elena – Damon repreendeu.
Eu o ignorei.
– Eu disse que foi sem querer – falei ainda ríspida. – Acidentes acontecem. Vou arrumar isso, ok? Agora se me mandar calar a boca de novo, ou continuar falando nesse tom comigo, eu quebrarei seu nariz, estamos entendidos?
O queixo dele caiu.
– Vai deixar uma funcionária falar assim com você? – A loira se intrometeu.
– Vai se ferrar – falei.
Algumas pessoas no restaurante fizeram “ohhh!”.
– Srta. Gilbert por favor, coloque-se no seu lugar – o gerente disse quando se recuperou, – e ajude a senhora a se limpar.
– Estou parecendo um pinto molhado! – Ela reclamou.
Pinto molhado? Quem fala isso em público?
– O termo correto para você é “galinha” – falei sem conseguir me conter – e isso você já é, seca ou molhada.
Ok, agora ninguém no restaurante parecia estar respirando de tão silencioso que estava.
– CHEGA ELENA! – O gerente disse – Agora vá ajuda-la.
– Ah, vai se ferrar você também. Não vou ajudar ninguém, já disse que foi sem querer e ela tem mãos.
– É a última vez que falo: Cale a boca, ou será demitida.
– Me mandou calar a boca de novo? – perguntei, fria como a Antártida.
– Sim, cale a boca.
O meu punho acertou o nariz dele, e eu ouvi o barulho nítido de um osso quebrando. Os nós em meus dedos doeram, mas eu não me importei.
– Eu avisei – falei. – A proposito: Me demito.
Joguei o avental e o crachá em cima dele, que sangrava por todo o chão e em seguida saí do restaurante.
“O que você fez, Elena?”
Cale a boca consciência. Estou com raiva.
– Elena! – Damon Salvatore gritou atrás de mim.
Parei de andar e ele me alcançou.
– Aquilo foi incrível – ele disse, — estranho, mas incrível.
Eu o encarei abismada. Incrível? Qual era o problema dele?
– Eu parecia uma vadia louca.
Ele riu.
– Uma vadia louca incrível – ele disse, — e muito linda.
Eu corei. Meu Deus, estou corando. Eu nunca coro. Nunca.
– Perdi meu emprego, isso não faz de mim incrível.
– Tem razão, o que faz de você incrível é o fato de que quebrou o nariz daquele idiota. Adorei isso, gosto de mulheres que possam me bater.
Olhei para ele sem conseguir evitar e sorri.
Céus, ele tinha olhos realmente bonitos e estava sexy com aquele jeans e a camiseta preta justa de botões.
“O que? Elena? Ficou louca? Fique longe dele!”
– Ainda vai querer sair comigo? – Damon perguntou com um meio sorriso.
“Não!”
Sim.
– Talvez – falei.
Seu sorriso aumentou.
– Ótimo.
Então me conduziu para o estacionamento.
Congelei.
– O que foi?
– Não ando de carro – respondi.
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