Follow Your Heart
51 Capítulo 46 - O Reforço
Notas iniciais
Elena
Meu lábio cortado ardeu como o inferno com o simples ato de sorrir para Damon, mas o olhar aturdido que ele me lançou com certeza fez valer a pena. Todos ficaram um pouco perdidos quando a luz foi acesa bruscamente, o que me deu tempo o suficiente para avaliar a cena na minha frente: Damon estava parado, me encarando como se eu fosse uma assombração e Isobel tinha uma arma apontada para John, que estava caído no chão. Também tinha alguns capangas ao nosso redor, claro.
– Parem! — John berrou para os capangas que tinham voltado a avançar na minha direção. Ele levantou calmamente do chão e passou a mão na calça, como se estivesse limpando os resquícios de sujeira — Querida, Elena — ele virou aquela máscara de metal para mim, sua voz perigosamente calma, — como você fugiu?
Olhei para a arma que Isobel manteve firmemente apontada para John e para sua máscara de metal. Ele não parecia preocupado com ela atirando nele.
Apoiei a base do meu cabo de vassoura no chão, e passei a mão brevemente no meu queixo, para limpar um pouco do sangue que eu sentia pingando.
– Foi fácil, na verdade — falei, cuspindo um pouco de sangue no chão. — Mas não posso revelar meus segredos, certo? Qual seria a graça?
– Bom — John continuou, — pelo estado do seu rosto, acho que posso presumir que sua fuga não foi tão fácil assim.
Sorri de novo para ele, ignorando a leve ardência dos meus lábios.
– Ah, isso? — perguntei apontando para meus machucados — Não se preocupe “papai” — resmunguei, a palavra queimando minha boca como ácido, — não importa o quanto minha cara esteja horrível, a sua será sempre pior.
Quase pude ver sua mandíbula se apertando dentro da máscara. Ele virou o rosto para Isobel, irritado.
– Viu o que você fez? — ele disse, ignorando a arma dela — Você criou nossa filha da pior maneira possível. Ela é mal educada, irritante e tem uma boca infernal.
– Ei — chamei a atenção dele. — Em primeiro lugar, ela não me criou — falei, olhando para a mulher que praticamente nem fez parte de minha infância, então voltei meus olhos para John, — e em segundo lugar, não acho minha boca infernal, você acha, docinho? — voltei minha atenção para Damon.
Seus lábios se ergueram de um lado, em um sorriso malicioso que eu nunca me cansaria de ver. Céus, eu tinha sentido tanta falta dele.
– De jeito nenhum — Damon disse, — eu acho sua boca maravilhosa, querida.
Meu sorriso aumentou.
– E é isso — finalizei, — não tenho mais nada a dizer.
John grunhiu alto.
– Vocês estão zombando de mim! — ele gritou, extremamente irritado agora.
Damon franziu a boca, para evitar um óbvio sorriso.
– Alguém aqui não tem senso de humor — meu noivo comentou.
Acenei com a cabeça em concordância.
John saltou para frente, segurando a arma das mãos de Isobel e a arrancando. E foi então que a coisa toda explodiu, porque de repente havia uma dúzia de policiais invadindo o local e mobilizando os capangas que estavam desarmados.
– Abaixe a arma — o policial Martin disse para John, mantendo sua própria arma erguida. — Ninguém precisa se machucar. Abaixe a arma.
Mas John não abaixou a arma, então ele e metade dos capangas estavam apontando suas armas para os policiais enquanto eles miravam de volta. Era como estar dentro de uma cena tensa de um filme, onde quem sobrevive é quem atira primeiro. A diferença era que eu estava no meio do fogo cruzado com meu noivo e minha mãe biológica.
Em pensar que há alguns meses atrás minha única preocupação era não ter dinheiro e ter que casar com um estranho. Engraçado como o mundo dá voltas.
– Vocês demoraram — Damon resmungou para a polícia.
O policial Martin o encarou rapidamente, antes de voltar os olhos para meu pai psicopata.
– Se você não tivesse complexo de herói — o policial disse — e tivesse me esperado, ao invés de fugir com minha testemunha para o esconderijo do acusado em questão e deixar apenas um bilhete ridiculamente pequeno para informar isso, teríamos chegado mais cedo.
– Culpado — Damon falou, mas não soou como se estivesse arrependido.
John levou a mão livre até o rosto e arrancou sua máscara de metal, chamando a atenção de todos no local.
– Chega disso — ele grunhiu, seu rosto recém-descoberto vermelho de raiva. — Policiais, creio que isso seja um assunto pessoal — ele colocou os braços para frente e agarrou Isobel, apontando a arma para a cabeça dela, — abaixem as armas, ou ela morre.
Dei um passo a frente, mas um dos capangas segurou meu braço, mantendo-me no lugar.
O policial Martin abaixou a arma, levantando ambas as mãos em sinal de rendição.
– Não faça nada de que vá se arrepender — ele disse para John.
– Atire nele! — Isobel gritou. — Mate ele!
John a sacudiu, um sinal claro para que ela calasse a boca.
Damon deu um passo à frente, ninguém tentou segurá-lo, porque ninguém estava olhando para ele.
– Largue ela — meu noivo tentou argumentar, — ela não precisa morrer assim.
O rosto de John se retorceu em uma horrenda careta.
– Você não sabe de nada — retrucou.
– Sei sim — Damon deu outro passo à frente, — você quer se vingar dela. Eu entendo. Mas, não seria vingança se você simplesmente a matasse assim.
Encarei os dois, desnorteada. O que diabos Damon estava fazendo?
– Afinal — ele continuou, — foram o que? 16 anos de perseguição? E para que? Um tiro na cabeça? Não acha muito fácil? Por que eu acho.
Ele deu outro passo, seus olhos indo rapidamente para o chão, antes de voltarem a se focar em John. Olhei para o chão e vi uma arma ali, a mesma que o policial Martin havia soltado e tudo de repente fez sentido: Damon estava ganhando tempo.
Mas John também olhou para o chão e viu a arma e foi então que o inferno explodiu. Puxei meu braço, acotovelando o capanga que me segurava e pegando a arma que ele segurava. Barulhos de tiros começaram a estourar pelo armazém quando um tiroteio começou. John afastou Isobel e lhe pressionou a arma na barriga antes de atirar.
Isobel caiu no chão.
Corri para perto dela, vendo rapidamente pelo canto do olho que Damon estava em pé e havia conseguido uma arma.
Coloquei minha arma do meu lado e enfiei as mãos na barriga de Isobel, tentando estancar o sangramento, mas eu não estava fazendo um bom trabalho.
– Eu sinto muito — ela sussurrou, fazendo com que eu tivesse que me aproximar para ouvir melhor. — Eu deveria ter te ligado antes.
– Você ainda vai me ligar muitas vezes — prometi, falando por cima do barulho. — E eu ainda vou desligar na sua cara muitas vezes. Não se desculpe.
Ela sorriu tristemente, balançando a cabeça em negativa.
– Sei que não importa mais — ela murmurou, — mas quero que saiba que me orgulhei de você todos os dias. Você se tornou uma mulher excepcional, Elena. Queria poder ter passado mais tempo com você.
– Pare com isso — pedi, — você não vai morrer.
Sua mão cobriu as minhas.
– Sei que você não vai me perdoar nunca — disse, — e não tem problema. Mas eu realmente queria ver você se casando.
O sangramento estava aumentando.
– Você vai estar — me agarrei desesperadamente em uma fé cega, — vai me ver entrando de branco com um buquê e falando meus votos. Vai me ver casando com o homem que eu amo e vai ver Jeremy acordando do coma. Eu vou brigar com você e vou te tratar muito mal às vezes mas eu estarei feliz de ter você lá. Eu vou fingir que não vou te perdoar quando no fundo já perdoei, simplesmente porque sou cabeça dura demais pra te dizer que esses anos todos, só a odiei, porque senti a sua falta.
E pronto. Lá estava eu, chorando em cima da minha mãe biológica, no meio de um tiroteio.
Ela levantou uma mão livre e segurou meu rosto.
– Estou tão feliz — disse, sorrindo e com lágrimas nos olhos. — Eu te amo, Elena. Diga para seu irmão quando ele acordar que eu amo ele também, e que eu sinto muito, eu...
Seu braço caiu.
Minha mãe biológica estava morta.
Mas eu não tive tempo para lamentar, pois segundos depois alguém me agarrou pelos cabelos, me colocando de pé e eu senti o cano de uma arma contra minhas costas.
– Agora que a vadia da sua mãe morreu — John rosnou no meu ouvido, — é a sua vez.
Apertei a pistola — que eu havia pegado do chão — firmemente em meus dedos e me preparei para fazer uma coisa do qual eu me arrependeria seriamente caso eu sobrevivesse. Segurei a arma na minha lateral, mirando a barriga de John e atirei.
Ele também atirou, fazendo com que fogo atravessasse meu corpo diretamente pelas costas. Nós dois caímos no chão e o meu mundo escureceu.
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