Follow Your Heart
48 Capítulo 43 - O Covil
Notas iniciais
Damon
O lugar onde Isobel achava que John estava escondido nada mais era do que um armazém abandonado. Sua fachada estava completamente suja e desgastada, como se alguém não pisasse ali em anos.
Aquilo precisava seriamente de reformas.
De acordo com Isobel, ali nos anos 50 foi uma grande distribuidora de bebidas, porém faliu em meados dos anos 70. Era ali que ela se encontrava com John no início do namoro, e, de acordo com ela, foi ali também que ele começou a enlouquecer e a fazer estranhas “experiências médicas”.
Ela não quis me explicar o que isso queria dizer.
No começo duvidei que pudesse haver qualquer pessoa escondida naquele lugar acabado, mas então eu vi... Havia dois homens na entrada, como guardas de uma boate. Porém aquilo não era uma boate. E eles obviamente se pareciam muito mais com bandidos do que com guardas.
Comecei a andar na direção deles, pensando apenas em tirar Elena daquele lugar, mas senti uma mão pequena em meu braço, me parando.
– Onde pensa que vai? — Isobel perguntou.
A encarei como se ela fosse louca.
– Como assim? — retruquei — Vou tirar Elena de lá.
Dessa vez foi ela que me encarou como se eu fosse louco.
– Não acha melhor esperar o policial Martin e os reforços?
Balancei a cabeça, negativamente. Depois que Isobel havia descoberto onde John estava com Jeremy e Elena, saímos apressados, deixando apenas uma pequena nota com informações para a polícia.
Eu sabia que depois pensaria nisso como um ato estúpido e impensado, mas no momento eu só precisava achar Elena.
– Não, eu não acho — falei para Isobel, então saí do ponto onde estávamos escondidos e caminhei calmamente até os dois homens que guardavam a entrada do armazém.
Eles estavam conversando entre si e nem sequer perceberam quando eu me aproximei.
Bufei mentalmente. Belos guardas John havia contratado.
– Hey! — gritei, chamando a atenção deles para mim — Estou procurando minha noiva. Vocês viram uma linda morena passar por aqui?
Eles levantaram os olhos e me encararam como se eu não fosse nada.
Odiei isso.
O mais alto, um asqueroso homem que não parecia lavar os cabelos fazia décadas, foi quem me respondeu:
– Aqui é propriedade particular — disse. — Terei que pedir que vá embora.
Olhei para o menor, que tinha dentes enormes que pareciam querer saltar de seu rosto.
– Seu amigo é sempre educado assim? — questionei.
– Vá embora — o maior voltou a dizer.
Balancei a cabeça.
– Tem certeza que não viu minha noiva? — voltei a perguntar, então fingi uma risada baixa. — Não. Claro que não. Pela cara horrível de vocês não devem ver uma mulher faz séculos.
O baixinho, que parecia ser muito menos contido que o outro capanga, saltou sobre mim, tentando socar meu rosto.
Esquivei-me facilmente. Céus, até Elena socava melhor que esse cara.
Então segurei seu braço, o girando até torcer o braço em suas costas, em seguida enfiei seu rosto com força contra o concreto.
Ele caiu no chão inconsciente.
Virei para o cara maior, que havia cerrado os punhos e me encarava com ódio.
– Que cara estressado — resmunguei, apontando para o corpo no chão. — Só fiz um comentário.
O maior também saltou sobre mim. Ele tentou um soco em meu rosto, assim como o primeiro, porém esse era muito mais rápido, e pelo tamanho, mais forte.
Consegui bloquear o soco a tempo com meu braço e me preparei para o próximo golpe. Eu não iria acertá-lo até ter certeza que poderia nocauteá-lo.
Ele tentou outro soco, então outro e outro, e eu percebi o quão sem criatividade ele era.
Bloqueei o ultimo soco rápido e me abaixei, passando a perna pelas suas e lhe dando uma rasteira. Quando ele caiu no chão dei um único soco forte em sua mandíbula e ele desmaiou.
Bufei alto. Foi mais fácil do que pensei que seria.
Girei a maçaneta da porta do armazém e fiquei feliz ao perceber que estava aberta.
– Não havia me dito que sabia lutar — Isobel comentou atrás de mim.
– Eu sei o básico — falei, entrando no armazém e me deparando com um lugar pior do que a fachada por fora.
Ouvi Isobel bufando atrás de mim.
– Então porque deixa uma mulher te bater? — ela questionou.
Virei para ela com uma sobrancelha arqueada.
– Como sabe disso? — perguntei, já que ela se referia, obviamente, ao episódio em que Elena havia me chutado no meio da rua.
Então ela se calou, como se percebesse de repende que não deveria saber daquilo.
Mas ela sabia.
Foi então que eu percebi.
– Você esteve vigiando ela — falei. — Todos esses anos. Você sempre esteve vigiando ela.
Observei enquanto sua mandíbula endurecia e ela olhava para longe.
– Eu não podia deixar minha menina totalmente só — disse baixinho.
Raiva me atingiu, e mesmo sabendo que não deveríamos discutir na porta do esconderijo de um serial killer, não pude me conter.
– Mas ela esteve sozinha — retruquei. — Todo esse tempo. Ela só tinha uma amiga e um irmão em coma. Ela trabalhou igual louca para pagar dívidas e cuidar desse irmão. Ela desistiu dos sonhos dela, para cuidar dele. E não adianta me dizer que só esteve longe para protegê-la, porque você sabe tão bem quanto eu que uma ligação não teria matado. Merda! Uma explicação na verdade teria sido maravilhoso para ela. Teria mudado o mundo dela.
Isobel me encarou com os olhos arregalados.
– Mas eu sinto por você — continuei. — Sinto de verdade. Por que sei que apesar de ver Elena todos esses anos e ver como ela se tornou uma jovem bonita, você não pôde conviver com ela. Não pôde ver o quanto ela é maravilhosa ou o quanto é forte. Você não viu sequer um sorriso dela dirigido a você porque não pôde se aproximar. Porque você não quis se aproximar. Sinto por você, porque sequer sabe o quanto tem sorte por ter uma filha como Elena, então, se realmente se importa com ela, quando sairmos dessa merda de situação com seu ex-namorado, tente se aproximar dela, ok? Mas só se não for deixá-la de novo. Eu te mataria se magoasse minha Elena de novo.
Então eu virei e caminhei pelos corredores escuros atrás da mesma, não me importando se Isobel estava plantada no corredor ou me seguindo.
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