Follow Your Heart
41 Capítulo 38 - Parte 1
Notas iniciais
Damon
Atravessei a porta de minha casa igual a um furacão.
– Onde está a minha noiva?! — berrei para qualquer um que estivesse ouvindo.
Não esperei resposta e comecei a caminhar em passos rápidos pela casa, procurando-a.
– Damon? — Stefan chamou, aparecendo no corredor a minha frente.
– Onde ela está? — voltei a perguntar, parando na frente dele.
Stefan respirou fundo.
– Por favor, Damon, primeiro tente se acalmar — pediu.
Samantha e Beatriz apareceram atrás dele, se escondendo no corredor mais afastado.
Ambas tinham uma expressão de dor.
– CADÊ ELA? — gritei, perdendo completamente qualquer vestígio de calma que me restava.
– Foi embora — Samantha respondeu.
Ela ainda se mantinha afastada, temendo meu acesso de raiva, mas isso não impediu que eu voltasse minha atenção para ela.
– Embora? — repeti. — Pra onde?
– Parece que ela recebeu uma ligação de um policial — Beatriz foi quem respondeu, sua voz sobressaindo a de Samantha.
Respirei fundo, tentando me acalmar.
Havia alguma coisa errada.
Elena havia me ligado transtornada demais, e sua palavras... Eram como se estivesse me dando adeus. Para sempre.
– E... — instiguei, querendo desesperadamente entender o que estava acontecendo.
Stefan se aproximou de mim em passos lentos.
– Parece que outra pessoa morreu — ele disse. — Parente do Tyler. Acho que o nome dele é Bryce.
– Elena estava transtornada — Samantha continuou, — não sei exatamente o que o policial disse a ela, mas ela não parecia bem.
– Ela saiu pela porta dos fundos — Beatriz completou. — Por isso não a vimos saindo.
Samantha me encarou, parecendo culpada.
– Damon — ela disse. — Eu acho que Elena foi atrás dele.
Respirei fundo algumas vezes. Caminhei de um lado para o outro, ainda sem entender exatamente o que estava acontecendo.
– Por quê? — perguntei, mais para mim mesmo. — Porque ir atrás de um assassino por causa de um traste como o Bryce?
– Pelo o que me contou — Sam disse, — esse serial killer matou mais pessoas além dele.
Fui até a sala e me joguei no sofá, de repente me sentindo cansado demais para permanecer em pé.
Passei as mãos no cabelo em sinal de frustração.
Meu Deus, o que Elena tinha na cabeça? Merda, só podia.
Que tipo de pessoa ia atrás de um assassino sozinha?
“Eu acho que te amo” as palavras dela inundaram minha cabeça.
Fechei os olhos com força. Uma dor estranha inundando meu peito.
Ela não ia morrer. Não enquanto eu estivesse aqui.
Voltei a levantar.
– Vamos achá-la — avisei para as três pessoas que me encaravam do corredor. — E quando eu achá-la, vou matar ela.
Os três sorriram para mim.
Elena
Sabe quando você acorda depois de um dia de bebedeira? Com ressaca e uma dor terrível no corpo inteiro, principalmente na cabeça?
Eu estava pior.
Parecia que alguém havia acertado um piano em minha cabeça, depois suspendido o mesmo para repetir a dose. Umas mil vezes.
E o cheiro de mofo de onde eu estava me dava náuseas.
Onde diabos eu estava?
Ergui meu corpo do que parecia ser chão e me sentei com dificuldade, meus olhos custando a se adaptar com a falta de luz do local.
Tentei me mexer, porém minhas mãos e meus pés encontravam-se amarrados.
Como diabos eu vim parar aqui?
“Você simplesmente se entregou para um serial killer, sua retardada” Consciência se manifestou.
Então eu me lembrei... E minha cabeça doeu mais.
– Olá! — berrei para a escuridão, minha voz saindo estranha pela falta de uso. Céus, quanto tempo eu havia ficado desacordada?
Quatro minutos depois — eu contei — uma porta se abriu, iluminando o lugar onde eu estava e fazendo com que meus olhos doessem.
– Finalmente a cinderela acordou — um homem disse, entrando pela porta.
Ele era alto e tinha pele cor de chocolate. Imediatamente o reconheci como o motorista que havia me feito desmaiar e que me trouxe para aquele lugar fétido.
Eu bufei alto.
– Acho que você quis dizer Bela Adormecida — corrigi. — Ou Branca de Neve. Na verdade, existem duas princesas que dormem nos contos de fadas e você escolhe logo uma que não tem nada a ver. Você é idiota?
Meu sequestrador imediatamente ficou rubro de raiva.
Ele fechou os punhos e respirou fundo, procurando calma para não avançar em mim.
E eu nem havia dito nada demais. Céus, que homem estressado.
Dei de ombros. Meus olhos finalmente se ajustaram a nova claridade e eu percebi que estava em uma espécie de armazém, havia caixas e mais caixas ao meu redor, espalhadas pelo chão ou sobre prateleiras.
– Acredito que devesse tratar melhor a pessoa que está mantendo você presa em cativeiro — ele disse, ainda irritado. — Posso acabar perdendo a calma e te matando.
Sorri amplamente para ele.
Chequei as cordas em meus punhos, que estavam amarrados para trás, e percebi que, apesar de estarem apertados, os nós estavam ridiculamente fáceis de desatar.
Que sequestrador inútil, nem fazer bons nós ele sabia.
– Não acho que você vá me matar — retruquei com certo humor. — Não agora.
Ele cruzou os braços.
– Por que não? — perguntou.
Dei de ombros novamente.
– Acho que seu chefe tem planos maiores para mim antes de me matar — respondi. — Se não eu já estaria morta, não? Quer dizer, seria muito mais fácil me matar enquanto eu estava em seu carro, o que não aconteceu. Além disso, para que fazer tudo o que ele fez para me atrair se não tivesse algo grande esperando por mim?
O homem me encarou parecendo surpreso.
– Meu chefe? — repetiu.
Bufei, começando a me irritar com aquele homem.
– É — falei. — Seu chefe. Por que você só pode ser capanga de alguém.
Seu maxilar endureceu.
– Por que diz isso? — insistiu.
– Por que seria extremamente decepcionante se você fosse o serial killer que vem me perseguindo — eu disse. — Não parece esperto o suficiente para isso.
Ele se mexeu, parecendo se irritar mais a cada segundo. Depois ele caminhou até um canto com prateleira e socou ela.
Aproveitei seu acesso de fúria para checar os nós das cordas em meus pés. Sorri ao constatar que estavam tão mal feitos quanto os das mãos.
– Além disso — continuei, passando a exercer força nos pulsos para folgar os nós das cordas dos braços, — se você não sabe nada nem sobre contos de fadas, duvido que saiba citar Confúcio.
Ele parou de socar o armário e me encarou.
– Con.. o que? — tentou repetir.
Eu ri.
– Nada a declarar — finalizei.
Ele desistiu do armário e caminhou na minha direção.
– Olha aqui sua puta — ele disse entre dentes. — Se eu fosse você, mediria melhor o que sai de sua boca.
– Se não o que? — instiguei.
Ele se aproximou mais.
– Não posso te matar — ele disse. — Nem te machucar muito, mas garanto que tem uma coisa que posso fazer com você — ameaçou. — Várias vezes.
Encarei-o por um tempo, sem entender o que ele queria dizer.
Então compreensão me atingiu e eu fiz uma careta de nojo.
– Você não ousaria — falei, o encarando com os olhos em fendas.
O capanga se aproximou mais de mim, agachando-se na minha frente. Um sorriso malicioso e asqueroso em seus lábios.
– Por que não? — retrucou — Você é uma puta de língua afiada irritante, mas é gostosa. Está amarrada e de fácil acesso. Só preciso abaixar suas calças e meter. Com força. Talvez você até goste.
Bile subiu em minha garganta e eu fiz força para não vomitar ao imaginar a cena.
Ele esticou a mão e passou a acariciar minha perna.
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