Quando cheguei em casa eram onze horas da noite, e eu estava cansada e dolorida de tanto ficar de pé, atendendo mesas ou fazendo bebidas no Mystic Grill.

Tudo o que eu queria era deitar e dormir.

A luz da sala acendeu na minha cara, e Caroline estava em pé na minha frente.

Ótimo. Não iria deitar e dormir tão cedo.

– Espero que esteja tão cansada quanto aparenta estar, só para eu poder dizer: “Eu avisei!”.

Respirei fundo. “Não mate ela, Elena, ela é sua melhor amiga”.

– Estou bem, Caroline.

Ela bufou.

– Meu novo emprego é ótimo — falei antes que ela abrisse a boca, — obrigado por perguntar. Até teve um milionário que deu em cima de mim, acredita?

Isso fez com que o queixo dela caísse e esquecesse o que iria dizer.

– Me conte tudo – ela exigiu, puxando-me para o sofá, — qual o nome dele?

Oh não. O tiro saiu pela culatra.

– Damon Salvatore – falei.

Ok, gritos em 3, 2...

Ela gritou.

– “O” DAMON SALVATORE? “DAS” EMPRESAS SALVATORE?

Encolhi os ombros e acenei com a cabeça.

– NÃO ACREDITO!

– Car – repreendi, — pare de gritar.

Ela respirou fundo.

– Como ele é?

– Alto, moreno, olhos claros e sedutor.

Ela sorriu abertamente.

– Parece meu tipo.

Isso me fez rir.

– Car, todos são seu tipo.

Ela colocou a mão no peito, fingindo estar magoada, mas em seguida riu comigo.

– O que mais aconteceu?

Tirei o cartão dele do bolso e entreguei para ela.

– Ele me deu isso e me disse para ligar se quisesse sair com ele. Não vou ligar. Claro.

Ela então olhou para o cartão e para mim, então de novo para o cartão...

E correu.

Oh, não. Corri atrás dela, com esforço, pois minhas pernas doíam. Quando a alcancei ela já estava com o celular no ouvido.

“Agora pode matar ela, Elena, ela merece”.

– Damon Salvatore? – ela perguntou para o telefone, havia um sorriso muito cretino em seu rosto – Eu o acordei?

– Não faça isso – pedi.

Quem disse que ela me ouviu?

– Sou Caroline Forbes, amiga de Elena Gilbert... – ela sorriu para mim – sim, essa Elena... Ela está bem sim, obrigado por perguntar... Está aqui na minha frente, querendo me matar na verdade... – ela riu alto – Pode deixar, não vou deixar... Também tem uma voz muito sexy Sr. Salvatore...

Oh meu Deus, se ela achava que iria sobreviver depois disso estava muito enganada.

– Ah claro, Damon então... – ela riu de novo – Elena adoraria sair com você...

Meu queixo caiu.

– Amanha? – ela afastou o celular e olhou pra mim – Amanha está bom para você?

– Vá para o inferno.

– Ela disse que está ótimo... Que horas?... Ela trabalha nesse horário... Nesse também... Oh, não! – ela riu – ela tem dois empregos... Mystic Gril... – ela franziu a testa – Tem certeza?... Posso convencê-la... Sim, claro, como não?... Está combinado então... Claro, para você também. Damon... Adeus.

Ela desligou o telefone para em seguida discar outro número.

– Car? – perguntei – O que está fazendo?

Dei um passo na direção dela, mas ela correu para detrás da mesa, fazendo com que ela ficasse entre nós, me mantendo longe dela.

– Matt! — Ela gritou para o telefone.

O que essa louca estava fazendo?

– Olá, está ocupado?... Estou bem, é a Elena que não está... Não, não é grave, ela apenas não poderá ir trabalhar amanhã, pode cobrir ela?... Ela vai ficar bem, vou cuidar dela... Não posso contar! Coisa de mulher!... Ótimo, não faça perguntas... Obrigado... Direi a ela, Tchauzinho – ela desligou e me olhou. – Ele desejou melhoras.

– Você vai morrer – falei, — eu mesma irei matá-la.

Ela saiu detrás da mesa e foi para a sala de novo.

– Ficou louca? – gritei seguindo ela.

– Amanha você não vai trabalhar no Mystic Grill e quando sair do seu outro emprego diurno vai ter um gostozão te esperando para passar a noite com você. Deveria estar agradecida.

– Eu não vou.

– A única forma de evita-lo é faltando ao emprego diurno, e nós duas sabemos que não fará isso. Então acho que vai sim.

– Odeio você!

– Me ama, e sabe disso.

Virei as costas para ela e subi para meu quarto, batendo a porta com força. Eu parecia uma criança, mas não me importava.


No dia seguinte eu fui trabalhar, o que mais poderia fazer? Evitei Caroline de manhã, e quase dei um tiro nela quando sugeriu que eu usasse um vestido. Apenas peguei uma camiseta qualquer, meu jeans e all star, pronto, eu não precisava de mais nada.

A manhã inteira de trabalho foi estressante, chegou uma hora em que eu simplesmente não conseguia mais parar de encarar a porta. Eu tinha um encontro. Meu Deus.

– Moça?

Olhei para a mesa que eu estava servindo. Havia uma mulher gorduchinha com grandes bochechas rosadas e rosto em forma de coração me encarando.

– Sim?

– Pedi uma coca diet, e essa é normal.

Droga.

– Perdão senhora, está de dieta?

Ela acenou com a cabeça, orgulhosa.

– Então ficará feliz em saber que a Diet na verdade engorda mais que essa.

O queixo dela caiu, mas em seguida tomou um longo gole da coca normal. Nada que uma boa e inocente mentira não faça.

Me virei para a próxima mesa com bandejas de ensopado na mão, então eu vi...

Grandes olhos azuis me encarando e em seguida eu tropeçando e derramando ensopado em uma cliente.

Merda.

– Sua vadia! – A cliente berrou, com uma voz muito fina e enjoada.

Ela era loira e parecia ser rica.

– Elena? – Damon veio por detrás de mim – Você está bem?

Acenei com a cabeça.

O gerente vinha em minha direção, alguém o havia chamado.

Não, agora eu não estava bem, provavelmente seria despedida. Isso não era nada bom.

– O que está acontecendo aqui? – ele perguntou.

Abri a boca, mas a loira me cortou.

– Essa imbecil derramou sopa quente em mim e na minha bolsa Prada.

– Sinto muito – falei tentando amenizar as coisas.

– Cale a boca, Gilbert – o gerente falou.

– Mas eu...

– CALE A BOCA!

Ele me mandou calar a boca. Duas vezes. Ninguém me manda calar a boca.

– Como é? – desafiei com raiva.

Isso o desarmou, o meu tom ríspido. Todos no restaurante se calaram para ver a cena que estávamos fazendo.

– Elena – Damon repreendeu.

Eu o ignorei.

– Eu disse que foi sem querer – falei ainda ríspida. – Acidentes acontecem. Vou arrumar isso, ok? Agora se me mandar calar a boca de novo, ou continuar falando nesse tom comigo, eu quebrarei seu nariz, estamos entendidos?

O queixo dele caiu.

– Vai deixar uma funcionária falar assim com você? – A loira se intrometeu.

– Vai se ferrar – falei.

Algumas pessoas no restaurante fizeram “ohhh!”.

– Srta. Gilbert por favor, coloque-se no seu lugar – o gerente disse quando se recuperou, – e ajude a senhora a se limpar.

– Estou parecendo um pinto molhado! – Ela reclamou.

Pinto molhado? Quem fala isso em público?

– O termo correto para você é “galinha” – falei sem conseguir me conter – e isso você já é, seca ou molhada.

Ok, agora ninguém no restaurante parecia estar respirando de tão silencioso que estava.

– CHEGA ELENA! – O gerente disse – Agora vá ajuda-la.

– Ah, vai se ferrar você também. Não vou ajudar ninguém, já disse que foi sem querer e ela tem mãos.

– É a última vez que falo: Cale a boca, ou será demitida.

– Me mandou calar a boca de novo? – perguntei, fria como a Antártida.

– Sim, cale a boca.

O meu punho acertou o nariz dele, e eu ouvi o barulho nítido de um osso quebrando. Os nós em meus dedos doeram, mas eu não me importei.

– Eu avisei – falei. – A proposito: Me demito.

Joguei o avental e o crachá em cima dele, que sangrava por todo o chão e em seguida saí do restaurante.

“O que você fez, Elena?”

Cale a boca consciência. Estou com raiva.

– Elena! – Damon Salvatore gritou atrás de mim.

Parei de andar e ele me alcançou.

– Aquilo foi incrível – ele disse, — estranho, mas incrível.

Eu o encarei abismada. Incrível? Qual era o problema dele?

– Eu parecia uma vadia louca.

Ele riu.

– Uma vadia louca incrível – ele disse, — e muito linda.

Eu corei. Meu Deus, estou corando. Eu nunca coro. Nunca.

– Perdi meu emprego, isso não faz de mim incrível.

– Tem razão, o que faz de você incrível é o fato de que quebrou o nariz daquele idiota. Adorei isso, gosto de mulheres que possam me bater.

Olhei para ele sem conseguir evitar e sorri.

Céus, ele tinha olhos realmente bonitos e estava sexy com aquele jeans e a camiseta preta justa de botões.

“O que? Elena? Ficou louca? Fique longe dele!”

– Ainda vai querer sair comigo? – Damon perguntou com um meio sorriso.

“Não!”

Sim.

– Talvez – falei.

Seu sorriso aumentou.

– Ótimo.

Então me conduziu para o estacionamento.

Congelei.

– O que foi?

– Não ando de carro – respondi.


Notas finais
Espero que tenham gostado. Quero comentários, ok?