Follow Your Heart
52 Capítulo 47 - Hospital
Notas iniciais
Elena
Meu corpo inteiro doía. Era como se eu tivesse passado milhares de vezes em um ralador de queijo, mas pior. Tentei abrir os olhos, mas minha cabeça gritou como o inferno com o excesso de luz do local onde eu me encontrava.
– Luz — resmunguei, mas minha voz rasgou através da minha garganta. — Luz — tentei de novo, minha garganta arranhando com as palavras. — Apague a luz.
Senti alguém pegando minha mão com força enquanto me chamava pelo nome.
Porque, diabos, essa pessoa não levantava e apagava a luz?
– Elena! — a voz chamou de novo. — Está acordada? Como se sente?
Agarrei a mão e a empurrei para longe de mim.
– Luz — repeti.
– O que tem ela? — a pessoa perguntou, estupidamente.
Suspirei, tateando ao redor e encontrando algo que parecia muito com o colarinho de uma camisa. Puxei o colarinho até que o rosto da pessoa estivesse de frente para meus olhos semicerrados.
– Apague a merda da luz antes que eu apague a sua vida, idiota.
A pessoa se levantou, afastando-se de mim e eu pude ouvir quando ela suspirou também.
– Legal ver como escapar da morte torna as pessoas mais sociáveis — disse sarcasticamente.
Abri novamente os olhos e fiquei satisfeita com a quase completa escuridão.
O idiota do meu lado era Stefan.
– Porque você... ? — mas parei de falar porque minha voz parecia uma lixa contra minha garganta.
Stefan se adiantou, indo para meu lado e levando um copo de água até minha boca.
Nunca fiquei tão feliz em beber água na vida.
– Damon ficará extasiado quando descobrir que você acordou — confidenciou. — Ele estava aqui até pouco tempo atrás. Ele não saiu do seu lado em nenhum momento. Acredite. Achei que ele iria montar um acampamento do lado da sua cama, com tenda e tudo.
– Onde ele está? — perguntei, deixando de lado todas as outras perguntas que eu tinha.
Stefan abriu a boca, mas foi outra voz que respondeu:
– Aqui.
Arqueei meu pescoço e vi Damon, na porta, parado, magnífico como sempre e mais lindo do que nunca.
– Ela acordou — Stefan informou o irmão.
– Percebi — meu noivo retrucou. — Pode nos deixar a sós um segundo? — pediu.
Stefan bufou, mas fez o que o irmão pediu, levantando e indo na direção da porta.
– Fico feliz que esteja bem, Elena — disse antes de sair, — sem você o mundo perderia a graça.
– Obrigada — murmurei de volta.
Quando ele saiu, Damon caminhou e se sentou ao meu lado, na cama.
Olhei ao redor, tentando me situar, e percebi que havia algumas máquinas apitando e que haviam alguns fios conectados em mim.
– Estou em um hospital! — acusei. — Porque, diabos, eu estou em um hospital?
Damon sorriu, mas seu sorriso parecia um pouco triste.
– Não se lembra? — perguntou.
Neguei com a cabeça.
– Você levou um tiro, Elena.
Balancei a cabeça negativamente.
– Não levei não.
– Levou sim, Elena — repetiu. — Um tiro nas costas. Foi um milagre não ter acertado sua coluna ou nenhum órgão vital. Os médicos disseram que você teve sorte.
Voltei a balançar a cabeça, ignorando a dor de cabeça que eu sentia ao fazer esse movimento.
– Não levei um tiro coisa nenhuma — insisti.
Ele sorriu pra mim, mas parecia um pouco cansado. Notei que ele tinha sombras escuras abaixo dos olhos, como se não dormisse há muito tempo.
– Sempre teimosa — suspirou. — Do que você se lembra então, amor?
Pisquei algumas vezes, surpresa com ele me chamando de “amor” tão naturalmente.
– Não sei — consegui murmurar. — Eu estava... Com John! — lembrei em um estalo — E Jeremy também estava lá e... — parei, entrando em desespero — Jeremy! Oh, meu Deus! Como ele está? Ele está bem? John me fez injetar uma droga nele, ele precisa ser examinado urgentemente, Damon. Ele pode piorar, ou morrer. Céus, e se ele...?
– Jeremy está ótimo — Damon me cortou. — Ele veio imediatamente para o hospital e está sendo tratado desde então. Parece até que o estado dele melhorou. Aparentemente qualquer problema de saúde que ele apresentava até então desapareceu, estamos agora apenas esperando ele acordar. Ele vai acordar em breve, amor. A médica me garantiu isso.
Derrubei minha cabeça no travesseiro em alívio. Felicidade ameaçando escorrer através dos meus olhos em forma de lágrimas, porém conseguir contê-la. Jeremy estava bem. E o melhor era que John não havia mentido. Ele iria acordar.
– O que mais você se lembra? — Damon perguntou, fazendo com que eu voltasse minha atenção para ele.
Parei um pouco para pensar.
– Eu fugi da sala que estava com Jeremy e então encontrei você e... Isobel também estava lá e... — parei novamente minhas divagações, horror me atingindo — Ela morreu. Isobel morreu, Damon. Oh meu Deus. Minha mãe morreu.
E dessa vez não pude conter algumas lágrimas que insistiram em saltar para fora de meus olhos.
Ela havia morrido na minha frente e eu não pude fazer nada.
Damon se aproximou o máximo que pôde naquela cama ridiculamente pequena de hospital e limpou delicadamente as lágrimas do meu rosto.
– Por favor, não chore, meu amor — pediu, e eu percebi que havia uma dor quase física em seus olhos azuis. — Não posso nem sequer te abraçar agora por causa dos seus machucados. Não chore. Por favor.
Funguei, tentando fazer o que ele pedia.
– Eu perdi ela de novo, Damon — murmurei. — E dessa vez ela não vai voltar.
– Sinto tanto por isso, Elena — disse, sinceridade transparecendo em seus olhos. — Sei como é horrível perder uma mãe, por mais que ela não tenha sido presente. E eu sinto muito. Apenas posso prometer estar ao seu lado para ajudá-la a passar por isso.
Assenti, fungando novamente.
– Depois disso John ameaçou atirar em mim — continuei, desesperada para mudar de assunto e esquecer minha perda. — Mas eu... Atirei nele e ele... Não sei exatamente, só lembro de sentir muita dor e então eu acordei aqui.
– Foi quando ele atirou em suas costas — Damon esclareceu.
– Ok — murmurei. — Talvez eu tenha realmente levado um tiro.
Damon sorriu um pouco, se inclinando e me dando um beijo de leve nos lábios.
Não vou mentir, ardeu. Mas não me importei, pressionando mais minha boca contra a dele, tentando prolongar aquele beijo que parecia que havia décadas que eu não recebia.
O sorriso de Damon aumentou, mas ele se afastou.
– E John? — perguntei, repentinamente curiosa — Ele morreu?
Seu sorriso sumiu.
Oh sim, eu ainda era ótima para estragar momentos românticos.
– Não o encontramos — respondeu relutante. — Apenas uma poça de sangue onde ele caiu depois que você atirou nele. Achamos que ele não pode ter sobrevivido sem ajuda e perdendo tanto sangue. Provavelmente está morto em algum beco, só temos que encontrar o corpo dele.
Estremeci, imaginando John sangrando e caminhando por becos escuros. Eu apenas esperava que Damon estivesse correto e ele estivesse realmente morto, porém...
– Só vou ter certeza que ele morreu quando eu ver o corpo dele apodrecendo — falei.
Damon suspirou, mas assentiu, concordando comigo.
– Mas vamos esquecer isso, ok? — disse, pegando minha mão que estava ao seu lado e acariciando cuidadosamente. — Você deve estar cansada — comentou. — Meredith disse que você poderia acordar um pouco grogue por causa da morfina.
Encarei-o por alguns segundos.
– Morfina? — repeti — Que morfina? Parece que passaram em cima de mim com um rolo compressor. Até minha cabeça dói quando eu mexo.
Seu cenho franziu um pouco com a minha declaração.
– Ela me garantiu que você não ia sentir dor quando acordasse — disse, então fez menção de levantar.
Eu o segurei com a mão que ele acariciava antes.
– Aonde vai? — perguntei.
– Vou atrás de Meredith — explicou. — Talvez se eu conversar com ela, te deem alguma coisa para dor.
Sacudi a cabeça negativamente.
– Fique aqui — pedi, minha voz soando um pouco desesperada, porem ignorei isso. — Por favor.
Ele se aproximou novamente, mas não se sentou, apenas aproximou o rosto do meu e me analisou demoradamente.
– Está com muita dor? — perguntou preocupado.
– Não — menti. — Estou bem. Só fique do meu lado. Por favor. Daqui a pouco alguma enfermeira deve vir aqui e podemos pedir algum remédio ou mais morfina. Fica.
Ele assentiu, concordando e sentando novamente do meu lado, logo ele estava acariciando minha mão de novo.
– Daqui a pouco ligarei para Caroline — ele comentou. — Ela está desesperada desde que descobriu sobre você levando um tiro. Apenas hoje consegui convencê-la a ir para casa e descansar.
Olhei fixamente para Damon.
– Hoje? — repeti. — Faz quanto tempo que estou nesse hospital?
Seu olhar se desviou, fixando os olhos nos círculos que ele fazia nas costas da minha mão.
– Não faz muito tempo — disse baixo.
– Damon — insisti. — Quanto tempo exatamente?
Finalmente ele levantou os olhos e me encarou.
– Três dias — sussurrou.
– Eu dormi por três dias?! — gritei.
Damon se encolheu um pouco.
– Não é tanto tempo assim — defendeu. — Jeremy, por exemplo, ta dormindo até agora, depois de anos.
Levantei minha mão e dei um tapa nele da melhor maneira que pude.
– Algo importante aconteceu enquanto eu estava dormindo? — perguntei, ignorando o comentário dele de propósito.
Ele parou um pouco, fingindo estar pensativo.
– Deixa eu ver — disse e pausou um pouco para fazer suspense. — Caroline ta namorando um astronauta e vai abrir um shopping em Marte. Stefan descobriu que curte uma zoofilia e agora transa com animais no quintal de casa. Eu conheci outra garçonete e a pedi em casamento, porque eu não sabia se você ia acordar, e você sabe que tenho que me casar antes do fim do mês. Ela aceitou na mesma hora, acredita? E é muito gata. Morena também, e tem um corpo...
Dei um tapa forte nele.
– Seu idiota — resmunguei, mas contive uma vontade de rir.
– O que eu fiz? — perguntou, bem-humorado — Você queria saber as novidades.
– Você é um idiota — eu ri. — Não sei como eu pude me apaixonar por... — então congelei, percebendo o que estava prestes a fazer.
Meu deus. Eu quase expus meus sentimentos para ele. De novo.
Mas da primeira vez eu achei que ia morrer, então não contava. Ou contava?
Damon percebeu o que eu ia falar, pois deixou de lado o bom-humor e me encarou sério.
– Elena. Precisamos conversar.
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